Nematoides no algodão: conheça as principais espécies e seus sintomas, o que é a análise nematológica e como é realizado o manejo desses parasitas nos algodoais.
Os nematoides podem causar inúmeros danos às lavouras. Além disso, sua presença pode facilitar a entrada de fungos nas plantas.
Saber identificar os nematoides e determinar seu nível populacional é essencial. Assim, você consegue traçar um plano de manejo eficiente no controle desses parasitas.
Neste artigo, você conhecerá os principais nematoides da cultura do algodão.
Você também terá um guia completo de como realizar a amostragem para análise nematológica, e assim conseguirá se planejar melhor. Confira!
Índice do Conteúdo
Principais nematoides no algodão
No Brasil, três espécies de nematoides causam grandes prejuízos à cultura do algodão.
As espécies de maior importância econômica são:
- nematoide das galhas;
- nematoide reniforme;
- nematoide das lesões radiculares.
Esses nematoides estão amplamente disseminados nas regiões produtoras de algodão. Além disso, têm causado prejuízos a diversas outras culturas como soja, feijão, milho e cana-de-açúcar.
A ausência de sintomas evidentes pelo ataque de nematoides faz com que alguns sintomas sejam confundidos com problemas de compactação do solo, desequilíbrios nutricionais e estresse hídrico.
Nematoide das galhas (Meloidogyne incognita)
Os nematoides das galhas têm grande importância econômica. Eles afetam diversas espécies de plantas cultivadas e não-cultivadas.
Têm maior ocorrência em condições de clima quente e em solos arenosos e médio-argilosos.
Na parte aérea das plantas atacadas por nematoides das galhas, é possível observar o amarelecimento com aspecto mosqueado das folhas (sintoma de “carijó”). Esses parasitas prejudicam o desenvolvimento das plantas.
Plantas afetadas apresentam sistema radicular menos desenvolvido e com menor número de raízes secundárias.
Outro sintoma é a formação de galhas nas raízes. Elas ocorrem em função da penetração e infecção pelo nematoide.
O sintoma de galha facilita a identificação em campo.

Galhas nas raízes da planta de algodão provocadas por M. incognita
(Fonte: LSU College of Agriculture)
Nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis)
O nematoide reniforme possui um grande número de hospedeiros.
Além disso, tem a capacidade de sobreviver em condições adversas. Isso possibilita sua sobrevivência na área mesmo na ausência do hospedeiro.
O nematoide reniforme pode ser encontrado em vários tipos de solo.
Lavouras de algodão com sintomas provocados por esse parasita podem apresentar plantas de tamanho reduzido e menor volume de raízes.
Dependendo do nível populacional de nematoides e da suscetibilidade da cultivar, pode ser observado o sintoma de “carijó” nas folhas.
Nesse caso, as folhas apresentam áreas amareladas que necrosam com o tempo.

Sintoma de “carijó” em folha de algodão causado pelo nematoide reniforme
(Fonte: Galbieri et al., 2015)
Nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus)
A espécie Pratylenchus brachyurus é conhecida como nematoide das lesões radiculares.
Esse nematoide tem ampla gama de hospedeiros (inclusive plantas daninhas). Tem maior ocorrência em solos de textura média.
Ele destrói o sistema radicular das plantas, provocando sintomas como podridão e necrose, diminuindo o número de radicelas.
As plantas afetadas também podem apresentar clorose e murchamento.

À esquerda, raízes necrosadas pelo parasitismo do nematoide das lesões radiculares. À direita, galhas provocadas por Meloidogyne incognita (plantas com 80 dias após a inoculação)
(Fonte: Boletim P&D – IMAmt)
Interação entre nematoides e fungos de solo
A associação entre nematoides e fungos de solo é bastante comum.
O ataque dos nematoides aos tecidos radiculares facilita a entrada de fungos fitopatogênicos na planta.
Além disso, predispõe fisiologicamente as plantas de algodão a ação do fungo.
Nematoide das galhas, nematoide reniforme e nematoide das lesões radiculares apresentam associação com fungos do gênero Fusarium e Verticillium.
Assim, doenças causadas por esses fungos são favorecidas na presença desses nematoides.
Análise nematológica
A análise nematológica tem por objetivo quantificar a população de nematoides e também identificar as espécies parasitas.
A avaliação é feita somente em laboratório. O eficiente manejo de nematoides está diretamente relacionado à análise nematológica.
É preciso ter conhecimento das espécies presentes na área e seu nível populacional para estabelecer estratégias de controle. Conhecer o histórico da área também é fundamental.
Quando fazer a amostragem
A amostragem deve ser realizada durante o florescimento da cultura.
É nessa fase que as plantas estão em pleno desenvolvimento. Os nematoides podem ser encontrados em elevados níveis populacionais nas raízes e no solo.
No final da fase reprodutiva, as raízes das plantas entram em senescência e a população de nematoides diminui.
Material para amostragem
Confira quais materiais são necessários para a coleta das amostras de solo e raízes:
- balde;
- enxada;
- pá;
- tesoura de poda;
- sacos plásticos (previamente identificados);
- caixa térmica.
Como coletar as amostras
Para a coleta das amostras, caminhe em zigue-zague pela área. A coleta deve ser feita na linha de plantio a uma profundidade de 25 cm.
Em áreas com suspeita de ocorrência de nematoides reniformes, a profundidade de amostragem deve ser entre 20 cm e 40 cm.
O material coletado deve conter solo e raízes finas da cultura de interesse agronômico.
O solo coletado deve ser aquele que se encontra localizado próximo ao sistema radicular da planta.
Em relação ao número de subamostras, amostre entre 20 e 25 pontos a cada 10 hectares, no máximo.
As subamostras devem ser homogeneizadas em um balde, formando uma amostra composta.
A amostra composta deve ser formada por aproximadamente 500 g de solo e 50 g de raiz por área amostrada.
Armazene as amostras em sacos plásticos previamente identificados com uma ficha de coleta. As raízes e o solo devem estar acondicionados no mesmo saco plástico.
Na ficha de coleta, insira informações como:
- número da amostra;
- cultivar plantada;
- sintomas;
- tipo de solo;
- sistema de plantio;
- data de semeadura;
- local;
- data da coleta.
Transporte as amostras até o laboratório de nematologia o mais rápido possível.
Os sacos de amostras podem ser armazenados em caixas térmicas durante esse processo, para melhor conservação do material.
Caso o material não seja levado rapidamente para o laboratório, você pode armazená-lo em geladeira por um período máximo de 4 dias.
No laboratório, é realizada a extração e isolamento dos nematoides presentes na amostra. Após esse processo, os nematoides são identificados e quantificados.

Esquema de amostragem, homogeneização, acondicionamento, identificação, transporte de amostras de solo e raiz da cultura do algodoeiro para quantificação de fitonematoides
(Fonte: Galbieri et al., 2015)
Cuidados na amostragem
Veja alguns cuidados que você deve adotar na coleta das amostras para análise nematológica:
- não realizar a amostragem quando o solo estiver muito seco ou muito úmido;
- não molhar o solo para facilitar a coleta;
- não coletar amostras no centro de reboleiras de plantas com severos sintomas;
- na presença de reboleira de plantas com sintomas, a amostragem deve ser feita nas plantas da periferia da área afetada;
- coletar apenas raízes vivas da cultura de interesse agronômico;
- utilizar sacos plásticos resistentes e limpos para armazenar as amostras;
- identificar corretamente as sacos plásticos;
- não deixar as amostras expostas ao sol ou à condições de altas temperaturas;
- utilizar caixas térmicas para o transporte das amostras até o laboratório;
- os equipamentos utilizados na amostragem devem ser limpos ao mudar o talhão de coleta.
Manejo de nematoides no algodão
A primeira medida de controle é evitar a contaminação da área.
Para isso, não esqueça de limpar os implementos agrícolas ao mudar de talhão. Isso evita que torrões de terra contendo nematoides sejam transportados para uma área isenta.
Para a redução do nível populacional de nematoides na área, a rotação de culturas com espécies que não são hospedeiras desses parasitas é uma boa opção.
O manejo de nematoides também envolve o uso de genótipos tolerantes e o controle de plantas daninhas no período da entressafra.
A nutrição balanceada da lavoura também é essencial para aumentar a tolerância das plantas ao ataque de nematoides.
O controle biológico com bactérias e fungos nematógafos também é indicado para o manejo. No Brasil, já é possível encontrar no mercado alguns nematicidas biológicos.
Outro método de controle é o químico.
Abaixo estão listados alguns produtos registrados pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para o controle de nematoides na cultura do algodão.

Nematicidas registrados para a cultura do algodão no Brasil, segundo o Mapa
(Fonte: adaptado de Boletim P&D – IMAmt)
Conclusão
Três espécies de nematoides causam danos à cultura do algodão no Brasil: nematoide das galhas, nematoide reniforme e nematoide das lesões radiculares.
Doenças provocadas por fungos do gênero Fusarium e Verticillium são favorecidas na presença desses parasitas.
Caso encontre sinais dos nematoides em sua lavoura, faça a análise nematológica o mais rápido possível.
Nessa análise, você terá a quantificação e a identificação dos nematoides presentes na amostra.
Ao realizar o manejo, lembre-se que práticas culturais, controle químico e biológico, e o plantio de cultivares tolerantes são as melhores opções.
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“Como a crotalária controla nematoides em sua lavoura”
Você já enfrentou problemas com nematoides no algodão? Realizou a análise nematológica? Quais estratégias de manejo adotou? Conte sua experiência nos comentários.