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Podridão parda da haste da soja: entenda o impacto da doença, as condições favoráveis para a sua ocorrência e como controlá-la para evitar perdas

Inúmeras doenças relatadas na cultura da soja são responsáveis pela diminuição da produtividade e qualidade dos grãos e sementes produzidas.

Você conhece a podridão parda da haste da soja? Essa doença pode causar danos, especialmente nos estádios reprodutivos da cultura.

Quer saber mais? Confira neste artigo como evitar perdas pela podridão da haste da soja e quais manejos podem ser utilizados na sua lavoura!

O que é a podridão parda da haste da soja

A podridão parda da haste da soja é causada pelo fungo Cadophora gregata (também conhecido como Phialophora gregata). Sua ocorrência pode reduzir até 25% da produtividade da cultura, principalmente nos estádios reprodutivos.

Cadophora gregata foi relatado ocorrendo na Argentina, América do Norte, distribuído em regiões de temperaturas amenas e umidade relativa do ar e solo altas; em alguns países da Europa, como a Croácia; no Japão e no Egito.

No Brasil, a podridão parda da haste pode ocorrer principalmente nos estados da região sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, locais caracterizados pelo clima ameno.

O fungo pode ser disseminado para áreas sem ocorrência da doença em forma de hifas e esporos que não são visíveis a olho nu, através de:

  • irrigação;
  • vento;
  • animais;
  • flores e inflorescências;
  • frutas, vagens e raízes;
  • caules acima do solo;
  • brotos;
  • troncos e galhos;
  • sementes verdadeiras (incluindo grãos).

Outro agravante deste patógeno é que, embora a infecção das plantas ocorra ainda durante os estádios vegetativos, seus sintomas e sinais são observados apenas no período reprodutivo, principalmente durante o enchimento dos grãos.

É importante que você monitore a área, uma vez que o controle mais eficiente é o uso de cultivares resistentes, e diversos patógenos já têm apresentado resistência aos fungicidas disponíveis no mercado.

Sintomas e danos 

Os sintomas podem ser facilmente confundidos com o cancro da haste e da podridão vermelha da raiz.

Porém, distinguem-se principalmente pela alteração da cor da parte interna da haste, o que não ocorre nas demais doenças.

Os sintomas foliares da podridão parda da haste, de folhas “carijó”, podem ser confundidos com os causados pelo nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines), mas diferenciam-se por estes estarem associados aos cistos nas raízes.

Esses sintomas são observados a partir do estádio R5, caracterizado pelo início do enchimento dos grãos.

Descoloração de cor marrom-escura pode ser observada no tecido vascular da planta, incluindo raízes e colo. Em casos severos, pode apresentar sintomas de murcha intensa, semelhante à restrição hídrica.

sintomas da podridão parda da haste da soja

Sintomas na haste de plantas de soja causados por Cadophora gregata, causador da podridão parda da haste

(Fonte: Saran, 2017)

O escurecimento interno da haste e do sistema vascular são observados na planta. Eles podem estar associados a sintomas de clorose e necrose internerval, acarretando queda precoce das folhas e vagens.

O ciclo da cultura pode ser acelerado e o enchimento dos grãos prejudicado pela redução da área foliar.

necrose interna do sistema vascular da planta

Alterações características de plantas de soja, com necrose interna do sistema vascular causado por Cadophora gregata

(Fonte: Costamilan, L. M., 2014)

sintomas foliares da podridão parda

Sintomas foliares da podridão parda da haste de soja, com necrose internerval, sintoma de folhas “carijó”, causada por Cadophora gregata

(Fonte: Costamilan, L. M., 2014)

O fungo pode sobreviver por longos períodos no solo e em profundidades de até 30 centímetros.

Condições favoráveis para ocorrência da podridão parda da haste da soja

Temperaturas entre 15°C e 27°C,  associadas à alta umidade do solo após o florescimento, são ideais para o desenvolvimento do fungo.

Temperaturas superiores a 27 °C diminuem os danos pelo patógeno, reduzindo a descoloração do sistema vascular.  Em temperaturas maiores que 32 °C, o desenvolvimento do patógeno é prejudicado, podendo cessar.

A infecção ocorre aproximadamente 30 dias após a germinação, através do sistema radicular.

O inóculo inicial pode ser proveniente dos restos culturais de plantas hospedeiras (como Vigna angularis, do feijão) e plantas de soja, disseminado pelo vento, e encontrado em reboleiras e manchas ao acaso ao longo da lavoura.

Por isso é importante que você fique de olho nos sintomas durante o cultivo.

Manejo da podridão parda da haste da soja

Prevenção

O uso de cultivares resistentes pode diminuir significativamente o inóculo da doença nas áreas de produção ao longo dos anos.

Mas, atenção! É importante que os materiais resistentes sejam utilizados por mais de quatro anos, para que uma cultivar suscetível seja novamente implantada na área

A diminuição dos danos ao longo do tempo está associada ao menor inóculo do patógeno na área e a linhagens menos agressivas.

Sistemas de plantio também interferem na severidade da doença. Sistemas de plantio direto costumam favorecer a intensidade da doença, pela degradação lenta da palhada na superfície do solo.

É importante ressaltar que embora não desenvolva estruturas de sobrevivência no solo, o patógeno pode permanecer viável nos restos culturais por longos períodos, devido à capacidade de hibernar como micélio nos resíduos da cultura que permanecem no solo.

Em sistema de plantio convencional, estudos demonstram que a incorporação da palhada e revolvimento do solo diminuem o inóculo primário do patógeno nas áreas de produção.

Por isso, inspecione e monitore a sua área de produção para a ocorrência dessa e de outras doenças. Realize o planejamento do manejo que pode ser utilizado para diminuir o inóculo primário de doenças.

A rotação de culturas também é eficiente no controle, mas somente após o terceiro ano. Assim, você reduz as perdas e os custos de controle.

Controle

O tratamento de sementes com fungicidas pode evitar o desenvolvimento do fungo nas fases iniciais, conferindo proteção às sementes ainda no solo.

Porém, quando o inóculo primário já se encontra na lavoura, o tratamento de sementes não é eficiente. 

Por ser um patógeno de solo, o controle químico é bastante difícil, não havendo produtos registrados para o seu controle.

Limpeza das máquinas e implementos utilizados em diferentes áreas são medidas eficientes para evitar a disseminação do patógeno para áreas livres da doença.

Conclusão

A podridão parda da haste da soja é uma doença de grande impacto. O manejo adequado, como sistema de plantio e rotação de culturas, pode reduzir perdas. 

Embora a podridão parda da haste da soja seja considerada uma doença de final de ciclo, ela pode reduzir significativamente a produção e qualidade dos grãos colhidos.

É importante que você tente evitar ao máximo a disseminação de doenças para áreas em que elas não estão presentes. Assim você evita os custos aliados ao controle, bem como a resistência de patógenos a fungicidas.

Você já precisou lidar com a podridão parda da haste da soja? Conseguiu resolver o problema? Deixe um comentário com sua experiência!