Rotação de culturas: veja como implantar de maneira eficaz na propriedade e os pontos importantes da prática nas lavouras.  

A cada nova safra os produtores se deparam com alguma planta daninha que não foi controlada de modo satisfatório, além de alguma praga ou doença que já não responde aos defensivos como deveria. 

Mas qual o motivo de um defensivo que funcionou tão bem durante anos perder a eficácia em algumas safras? 

Qual a razão de, muitas vezes, a produtividade de boa parte das áreas agrícolas diminuírem ao longo do tempo?

Pois bem caro leitor, a resposta para essas perguntas está intimamente relacionada com a famosa rotação de culturas!

Veremos a seguir quais as vantagens e desvantagens da rotação de culturas, como contornar os lados negativos dessa prática e implantá-la nas propriedades. Confira!

O que é rotação de culturas?

Rotação de culturas é a prática de se alternar a espécie de planta cultivada a cada safra ao longo dos anos para um sistema mais produtivo.

Ela é diferente da sucessão de culturas, pois alterna as culturas semeadas em uma safra de verão, por exemplo, com a safra de verão do próximo ano. 

A rotação de culturas é praticada desde a antiguidade, favorecendo o desenvolvimento das lavouras, e era uma exigência para que a produção não decaísse em poucos anos. 

Essa técnica ajudava a retornar o solo “cansado” de volta a uma “terra gorda”, que era como usavam para se referir ao solo com baixa (exaustão do solo) e alta fertilidade.

Isso tudo acontecia antes da famosa Revolução Verde, que nos trouxe os fertilizantes sintéticos e os defensivos agrícolas.

Desta forma, durante um ano era semeado o trigo em um talhão, no outro ano o trigo ia para outro talhão e o primeiro era semeado com canola ou milho, feijão, arroz

Nossos antepassados já sabiam como a fertilidade e a qualidade biológica do solo, no geral, diminuem rapidamente após algumas safras com as mesmas espécies cultivadas. 

Na figura abaixo podemos ver a redução de produtividade no milho e na soja quando cultivados consecutivamente ano após ano na safra de verão.

rotação de culturas

(Fonte: Adaptado de Seifert et al. (2017))

E a explicação é óbvia: mesma cultura, mesmas pragas e doenças, mesmas exigências de fertilidade, mesmos locais do solo explorado pelas raízes e por aí vai.

Assim, a Revolução Verde livrou os produtores dessa prática para que pudessem cultivar a planta com maior valor econômico todos os anos. 

Mas depois de algumas décadas, os problemas de semear a mesma cultura safra após safra voltaram a aparecer de forma lenta, podendo ser resolvidos com uma nova estratégia de rotação.

Quais as vantagens da rotação de culturas?

A rotação de culturas apresenta muitas vantagens ao sistema de produção, principalmente em relação aos defensivos. 

O uso dos mesmos herbicidas, fungicidas e inseticidas todos os anos é um prato cheio para a seleção natural. 

Se Darwin vivesse nos nossos tempos, talvez não precisasse ter viajado o mundo todo para descobrir que os seres vivos se adaptam.

Com isso, vemos surgir um número expressivo de plantas daninhas resistentes a várias moléculas de herbicidas, o que torna o controle delas ainda mais complicado.

Abaixo podemos ver como a rotação de culturas influencia no controle da infestação de plantas daninhas ao longo dos anos, quando comparada ao cultivo contínuo de uma cultura.

infestação plantas daninhas

(Fonte: Adaptado de Simić et al. (2016))

Podemos dizer então que uma das principais vantagens é a alternância nos princípios ativos dos defensivos, mesmo não sendo necessária a rotação em si para que se alterne os defensivos utilizados a cada safra.

Porém, essa técnica auxilia diminuindo a pressão de seleção, já que com a mudança da cultura ocorre a mudança da maior parte de pragas, daninhas e doenças principais.

Na figura abaixo, pode-se ver a produtividade média da soja (safras 1991/92 a 2008/09) em função do tempo após o cultivo do milho de verão e quando cultivada em sucessão ao milho safrinha.

produtividade média da soja

(Fonte: Franchini et al. (2011))

Quais as desvantagens da rotação de culturas?

Uma desvantagem crítica da rotação de cultura está ligada ao fato de não cultivar a mesma cultura todos os anos. 

O ponto forte da rotação pode ser seu ponto fraco também, sendo que a prática é pouco adotada, muitas vezes, devido ao fato de ter que abrir mão de semear a cultura que dá maior retorno econômico.

Geralmente, as microrregiões das culturas são tão especializadas que dificilmente se encontra maquinário ou, até mesmo, mercado na região para outras diferentes culturas.

Contudo, a rotação de culturas pode ser feita de uma forma mais simples, semeando plantas de cobertura ou variando apenas a área semeada com soja e milho na primeira safra.

O retorno econômico muitas vezes não é imediato e sim ao longo dos anos com a melhora da qualidade e conservação do solo, médias mais altas de produtividade da lavoura principal e diminuição dos gastos com defensivos.

rotação de culturas

(Fonte: Globo Rural)

Como implantar na sua lavoura?

A rotação de culturas pode ser implantada facilmente pelo produtor rural. A principal dica aqui é o planejamento!

Uma maneira de diminuir os problemas ligados ao retorno econômico dessa prática é dividir a propriedade e semear pequenos talhões com outra cultura, alternando os talhões em rotação ao longo dos anos.

Por exemplo: um talhão dividido em quatro partes, sendo que a primeira parte é semeada com milho ou girassol, algodão, etc. no primeiro ano e o restante com soja. Na próxima safra, outra parte do talhão será semeada com alguma outra cultura e o restante com a soja, e por aí vai.

Mas o principal método utilizado atualmente para rotacionar essa sequência de culturas na área é a Integração Lavoura-Pecuária (ILP).

Essa técnica permite que o produtor alterne entre o cultivo de soja, milho e pastagem para o gado ao longo do tempo.

A implantação do pasto pode ser totalmente amortecida quando semeada em consórcio com o milho (1ª ou 2ª safra). 

Dessa forma, o produtor entra com o gado em algumas semanas após a colheita do milho e mantém a área como pastagem por algumas safras.

Após isso o capim será dessecado e um novo ciclo de lavoura começará semeando a soja e o milho safrinha por uma ou mais safras, até voltar com a pastagem.

Conclusão

O sistema de rotação de culturas pode otimizar a agricultura, aumentando a produtividade, a qualidade do solo e a eficiência dos defensivos.

Mesmo essa técnica não gerando retorno econômico quando a cultura utilizada tem menor ou não tem valor de mercado, ela traz benefícios a longo prazo.

Além disso, os produtores vivem uma guerra constante contra plantas daninhas, pragas e doenças e, por isso, não podemos depender apenas das “armas” químicas nesse combate.

Vimos que o planejamento da lavoura e o manejo são peças fundamentais para ganharmos.

Assim, a rotação de culturas, a utilização de culturas de cobertura e o plantio direto são armas inestimáveis que o produtor tem em mãos.

E nesse cabo de guerra entre aumento de produtividade e perdas da produção só vence quem sabe usar toda a munição disponível.  

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Você utiliza rotação de culturas? Como realiza essa prática? Deixe seu comentário abaixo.