Regulagem de colheitadeira: está insatisfeito com o resultado da sua colheita? Confira agora as dicas para melhorá-la!
A colheita é, sem dúvida, a etapa mais esperada pelo produtor rural, afinal, é a hora de colher os frutos de todos os esforços.
Mas é também uma etapa muito delicada e que exige acompanhamento cuidadoso, pois pode influenciar diretamente na produtividade das lavouras.
É comum que ocorram perdas na hora da colheita, mas é importante que sejam o menor possível!
A má regulagem das colheitadeiras pode aumentar essas perdas e reduzir a margem de lucro do produtor.
Como não queremos isso, confira a seguir 5 dicas de regulagem de colheitadeira para garantir uma colheita de sucesso!
Índice do Conteúdo
O funcionamento e as perdas das colheitadeiras
Antes de seguirmos para as dicas propriamente ditas, vamos conferir um pouco a respeito das principais perdas que ocorrem nas lavouras.
Como vimos, a perda na hora da colheita é comum, mas não pode ser exagerada!
Além das perdas naturais, resultados de intempéries climáticas, pragas ou doenças, existem as perdas relacionadas às colheitadeiras – as chamadas perdas de plataforma e as perdas internas.
As perdas de plataforma são aquelas resultantes da interação da máquina com a lavoura.
Já as perdas internas são aquelas causadas pelos componentes internos das máquinas.
De forma geral, elas resultam principalmente da má regulagem de colheitadeira e deficiências de projeto das máquinas.
Quando pensamos na colheitadeira, temos que lembrar que, apesar de ser uma coisa só, ela é composta de uma série de sistemas internos que trabalham juntos!
São eles:
- plataforma de corte
- alimentação
- trilha
- separação
- limpeza
- transporte e armazenamento
Cada máquina é uma máquina, mas todas apresentam os sistemas juntos, como podemos ver na imagem.

Colheitadeiras com trilha de fluxo radial (esquerda) e de fluxo axial (direita)
(Fonte: Prof. José Paulo Molin)
Cada sistema apresenta diferentes componentes e, apesar de compartimentalizados, os sistemas se complementam e precisam trabalhar juntos, numa sincronia perfeita.
Sistema de corte e alimentação
Os mecanismos de corte e alimentação atuam de forma complementar, onde o primeiro ceifa e o segundo conduz o conteúdo nos elevadores até o sistema de trilha.
Apesar de o princípio ser o mesmo, lembre-se: a colheita de cada cultivo agrícola tem suas particularidades!
No caso de culturas de corte elevado, como trigo, cevada e arroz, a plataforma segadora, que conduz a barra de corte, deve ser rígida para manter o padrão.
Já para a lavoura de soja, como temos vagens próximas da base, a plataforma deve ser flexível no sentido transversal. Assim, ela poderá acompanhar irregularidades do solo, reduzindo as perdas.
No caso do milho, o sistema é dividido em unidades despigadoras!
Aqui já podemos notar que as principais regulagens das colheitadeiras vão variar de acordo com a cultura em que estamos trabalhando.
>> Leia mais: “Como escolher a colheitadeira ideal para sua lavoura”
Sistemas de trilha, separação e limpeza
Na trilha, graças à ação do impacto e atrito, remove-se o grão da planta, seja ele uma vagem, sabugo ou panícula.
Na separação, basicamente é feita a limpeza dos grãos, removendo a palha mais grossa e enviando apenas o grão com palhiço para o sistema de limpeza.
Já no sistema de limpeza, peneiras e ventiladores farão a remoção do palhiço, enviando apenas os grãos limpos para o tanque graneleiro.
Agora que vimos o cenário de funcionamento das colheitadeiras, confira as dicas que preparei para vocês!
5 principais dicas para regulagem de colheitadeira
1 – Programe e faça suas manutenções regularmente
A regulagem das colheitadeiras pode fazer a diferença e garantir performances completamente diferentes em campo.
Além disso, quando realizados periodicamente, os custos com reparos podem ser reduzidos em até 25%!
Da mesma forma que ninguém vai viajar sem conferir se está tudo certo com o carro, não devemos iniciar as atividades de colheita sem as devidas manutenções.
Falhas no planejamento das manutenções, ou ainda, na logística do maquinário pode também levar a perdas na colheita.
Barra de corte, navalhas com folgas, altura e velocidade de rotação do molinete são alguns pontos que devemos estar atentos.
Se quiser aprender mais sobre a manutenção de máquinas e implementos, confere aqui!
2 – Atenção à velocidade de operação
A velocidade de trabalho, ou caminhamento, da colheitadeira pode ser um problema, já que um impacto muito elevado das plantas com a máquina pode aumentar as perdas.
Além disso, a velocidade de avanço define a velocidade de alimentação das colheitadeiras.
A velocidade mais indicada para a colheita pode variar de 4 km/h a 6 km/h.
Mas cada caso é um caso, já que o valor ótimo de velocidade é influenciado por uma série de fatores relacionados à lavoura e também à colheitadeira utilizada.
Alguns deles são:
- regularidade do terreno;
- produtividade;
- porcentagem de acamamento da cultura;
- presença de pedras, obstáculos e plantas daninhas;
- tipo de plataforma, autonivelante ou rígida;
- sistema de trilha axial ou radial e, principalmente;
- habilidade e capacitação do operador.

Falhas na colheita devido à combinação de diversos fatores
(Fonte: Cotrisoja)
3 – Linhas na semeadura x plataforma de colheita
Essa é uma dica que vale a pena ser citada pois, às vezes, pode “passar batida”!
É importante lembrar que o número de linhas das semeadoras deve ser igual ou múltiplo do número de linhas das plataformas de colheita.
Dessa forma, evitamos desalinhamentos na hora de colher, evitando repasses e perdas desnecessárias.
4 – Faça o acompanhamento de suas perdas
Como podemos saber se estamos progredindo se não fizermos um acompanhamento contínuo de nosso trabalho?
Fazendo o acompanhamento das perdas podemos verificar se está tudo correndo bem ou se precisamos melhorar em algum ponto.
Existem diversas formas de quantificar o desempenho de nossa colheita e você pode saber mais neste artigo sobre indicadores que já publicamos aqui no blog!
Para a soja, é muito comum o uso de copo medidor para conferir os níveis de perdas que podem indicar necessidade de melhor regulagem das colheitadeiras.

Copo de medição da Embrapa para verificação de perdas de colheita em soja
(Fonte: Marisa Yuri Horikawa/Embrapa)
Facilite seus cálculos usando uma planilha gratuita para estimativa de perdas na colheita. Para acessar, clique na figura abaixo!
5 – Capacite os operadores das colheitadeiras
Apesar de parecer ficção científica, caminhamos para uma realidade onde as máquinas poderão trabalhar de forma autônoma!
Mas, enquanto ainda não chegamos lá, o fator humano continua essencial.
Por isso, os operadores das colheitadeiras devem receber treinamentos periódicos sobre o maquinário e os processos agrícolas envolvidos.
Afinal, são os operadores que irão assegurar o zelo, a boa e correta regulagem das colheitadeiras.
Conclusão
Apesar de já estarmos em um elevado nível de integração tecnológica nas lavouras, ainda existem muitas perdas no campo, principalmente relacionadas à colheita.
Por isso, a fim de maximizar a produtividade – e consequentemente os lucros – temos que reduzi-los ao máximo.
E o primeiro passo é quantificar as perdas e identificar a origem dos problemas.
A regulagem adequada das colheitadeiras é um passo importante e essencial nesse processo, já que estão atrelados a outros fatores como os operadores, a manutenção e até mesmo a semeadura!
Espero que tenha conseguido mostrar para vocês o quão complexo é o processo da colheita e que essas dicas sejam úteis!
>> Leia mais:
“Como produtora economizou em manutenção de máquinas a partir de uma ação estratégica”
Restou alguma dúvida sobre a regulagem de colheitadeira? Conte nos comentários os principais problemas que tem encontrado na hora de garantir o desempenho da colheita!