Aviação agrícola: saiba como ela pode beneficiar sua fazenda

Aviação agrícola: entenda que atividades são realizadas e os benefícios agrícolas e econômicos para o seu negócio.

O agronegócio investe em maquinários capazes de diminuir custos ao produtor, aumentar a eficiência e qualidade das aplicações de insumos e proporcionar um aumento de produtividade. Nesse cenário, uma das novas tecnologias que vêm crescendo no mercado é a aviação agrícola.

Utilizada em lavouras de cana-de-açúcar, soja, milho, algodão, café e florestais, a aviação agrícola serve para a aplicação de fertilizantes e defensivos (químicos ou biológicos) e para a semeadura de pastagens.

Neste artigo, você verá como a aviação agrícola pode influenciar e ser vantajosa no manejo da lavoura. Boa leitura!

Aviação agrícola: o que é?

A aviação agrícola é uma tecnologia que beneficia a produção de alimentos, fibras, biocombustíveis e grãos ao agilizar a aplicação de fertilizantes, defensivos e semeadura de pastagens.

De acordo com o Decreto nº 86.765/1981, o Ministério da Agricultura é responsável por propor a política para o emprego da aviação agrícola, coordenando, orientando, supervisionando e fiscalizando estas atividades: emprego de defensivos e fertilizantes, semeadura, povoamento de águas e combate a incêndios em campos ou florestas.

A aviação agrícola teve um crescimento de 3,4% no Brasil em 2021, chegando a 2.432 aeronaves, sendo 2.409 aviões e 23 helicópteros. Mato Grosso (MT) é o estado que lidera essa atividade, seguido por Rio Grande do Sul (RS), São Paulo (SP) e Goiás (GO).

Vale ainda ressaltar a Portaria Mapa nº 298/2021, que estabelece “regras para operação de aeronaves remotamente pilotadas – ARP’s destinadas à aplicação de agrotóxicos e afins, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes”. Os dados registrados são data e hora do início e término de aplicação, altura do voo, dados meteorológicos do momento da aplicação, tipo de atividade e outros, para fins de fiscalização.

Antes de qualquer aplicação de produtos agrícolas, é importante consultar um profissional (como o engenheiro agrônomo) para a recomendação dos produtos corretos.

Após o abastecimento do avião com o produto e o estudo da área, o piloto realiza a aplicação em diversos voos rasantes.

Lembre-se: além de consultar um profissional qualificado para uma aplicação adequada, é importante que o piloto da aeronave possua licenças especiais para a aviação agrícola. O piloto precisa ser registrado no Sipeagro.  

Quando utilizar a aviação agrícola?

Semeadura

Nas pastagens, a semeadura de braquiária, azevém, aveia e trevo ocorre com rapidez e uniformidade utilizando esse modo de aplicação.

Controle de pragas

A agilidade de aplicação também é um diferencial para o controle de pragas. A aeronave realiza em poucas horas o que maquinários terrestres levariam dias, dependendo da área, para realizar o trajeto completo. Com isso, o tempo de ataque da praga diminui e, consequentemente, os prejuízos na lavoura.

Outras atividades realizadas

Inspeções, mapeamentos, sensoriamento remoto, adubação, controle de doenças e ervas daninhas, dentre outros.

Importante: na agricultura, silvicultura e pecuária, o avião agrícola precisa sobrevoar de 3 a 5 metros acima da vegetação. O risco de acidentes aumenta se esse limite não for respeitado.

Culturas atendidas no Brasil pela aviação agrícola

Atualmente, a aviação agrícola é mais utilizada na cultura da soja, com mais de 8,1 milhões de hectares (Mha) plantados atendidos por essa tecnologia. 

A seguir vêm cana-de-açúcar (Mha), milho (1,6 Mha), arroz (0,8 Mha), algodão (0,42 Mha) e laranja (0,27 Mha). No total, a aviação agrícola cobre 13,6 milhões de hectares no Brasil.

Em relação à pulverização, a soja também é a cultura que mais utiliza a aviação agrícola, com 41 milhões de hectares pulverizados, seguida por cana-açúcar (12,5 Mha) e milho (7 Mha).

Aviação agrícola em áreas atendida e pulverizada
Área cultivada atendida e área pulverizada pela aviação agrícola no Brasil em 2013/14.
(Fonte: Jounals OpenEdition)

Essa diferenciação entre área cultivada atendida e área pulverizada se deve ao fato de a aeronave realizar mais de uma pulverização em uma mesma área.

Sendo assim, nessas culturas, são realizadas cinco aplicações por safra, em média.

A soja é principalmente cultivada nos estados de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, enquanto a cana-de-açúcar é predominante em São Paulo e Minas Gerais e o arroz, na região sul do Brasil, onde maquinários terrestres apresentam dificuldades para o manejo do arroz irrigado.

Quais as vantagens da aviação agrícola?

Como dito anteriormente, a rapidez de aplicação é um diferencial da aviação agrícola. Mas a atividade proporciona outros benefícios. Confira:

Flexibilidade e qualidade

O agricultor vivencia alguns entraves quando utiliza máquinas terrestres. Ele fica impossibilitado de qualquer aplicação após chuvas ou irrigação, por exemplo, por dificuldade de mover essas máquinas sobre o solo molhado.

Além disso, a aeronave não causa compactação no solo e disseminação de doenças e pragas, como ocorre com máquinas terrestres.

Eficiência e uniformidade

Durante o voo, a aeronave mantém praticamente a mesma velocidade e usa sistemas controladores automáticos de vazão, o que proporciona maior uniformidade de aplicação. 

Redução de custos

Um avião pode percorrer 90 hectares ao longo de uma hora, enquanto um trator pode realizar o mesmo trabalho por apenas 25 hectares. Essa rapidez de aplicação diminui gastos com trabalhadores e aluguel de maquinários, além de reduzir o uso de combustível.

Impacto ambiental

Com o avanço de estudos direcionados à aviação agrícola, bicos de pulverização de agrotóxicos são desenvolvidos para menor deriva, o que diminui a contaminação dos ambientes naturais.

Desvantagens

Apesar dos benefícios expostos neste artigo, é importante que o agricultor respeite as condições ambientais necessárias para a aviação agrícola: 

  • umidade relativa do ar mínima de 50%;
  • ventos com velocidade entre 3 e 10 km/h;
  • e temperatura máxima de 30ºC

Assim, há redução do risco de deriva e contaminação do ambiente próximo. 

A pulverização aérea causa o deslocamento de 49% e 19% dos agrotóxicos para o solo e outras áreas, respectivamente. Apenas 32% ficam retidos nas plantas. Por isso, o manejo correto é essencial.

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Conclusão

A demanda pela aviação agrícola só tende a aumentar nos próximos anos, principalmente as pilotadas remotamente, pelo impacto relevante dos seus benefícios.

É necessário que profissionais especializados recomendem os produtos agroquímicos e as doses adequadas dos insumos, para que a lavoura não seja prejudicada as áreas naturais ao redor da plantação tenham menor risco de contaminação. Além de pilotos com licenças para o uso de aviação agrícola, respeitando as obrigatoriedades da legislação vigente.

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