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Thaís Fagundes Matioli - 23 de dezembro de 2020
Atualizado em 6 de novembro de 2024
Bicudo-da-soja ou tamanduá-da-soja é uma das pragas que vêm ganhando importância na cultura. Conheça suas características, hábitos e formas de controle!
A expansão da cultura da soja tem contribuído para o aumento das pragas que antes eram consideradas secundárias.
Esse é o caso do bicudo-da-soja ou tamanduá-da-soja, que tem sido observado desde a década de 1980 na cultura.
Algumas mudanças no manejo fizeram com que essa praga se tornasse algo preocupante para os sojicultores de uns tempos para cá.
Além disso, essa é uma praga de difícil controle, principalmente, por seu hábito nas plantas.
Por isso, separei algumas informações importantes para que você proteja sua lavoura do bicudo-da-soja. Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
O bicudo-da-soja tem esse e outros nomes populares como tamanduá-da-soja. É um inseto da ordem Coleoptera e família Curculionidae, a qual tem como principal característica o rostro ou o “bico”, que deu origem ao nome popular da praga.
A espécie é Sternechus subsignatus e ataca a soja durante todo o ciclo da cultura.
Embora esteja causando grande alarme, é um inseto bem pequeno. Os adultos medem cerca de 8 mm de comprimento, são escuros e têm listras amarelas na cabeça e nos élitros, e as asas mais duras.
Normalmente, os adultos ficam em lugares mais estratégicos como na parte abaxial das folhas e em estruturas como hastes. Dependendo do horário do dia, podem procurar locais como folhagens ou restos de cultura no solo.
As larvas medem cerca de 10 mm de comprimento, sendo brancas, sem pernas e com cabeça castanho-escura. Se desenvolvem dentro da haste principal da planta, na região do anelamento, em que são colocados os ovos pelas fêmeas.
Ao final do período larval, nos últimos ínstares, os insetos vão para o solo e passam por um período de hibernação, ou seja, se mantêm inativos. Isso gera um problema no manejo, porque elas se localizam em profundidade de 5 cm a 10 cm.
Atualmente, é possível encontrar o bicudo-da-soja causando danos em diversos estados do Brasil, principalmente em municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
Tanto os adultos como as larvas causam danos na cultura da soja. O período mais crítico do ataque desses insetos é a fase inicial da cultura.
Os adultos fazem um tipo de “raspagem” da epiderme das hastes das plantas, o que faz com que o tecido vegetal fique com aspecto desfiado. E, devido à fragilidade das plantas, por ainda não terem uma estrutura bem lignificada, pode haver perda total da lavoura se houver presença de altas populações da praga.
A oviposição dos ovos é feita no anelamento das plantas. Quando as larvas eclodem, permanecem próximas ao local consumindo todo o conteúdo do tecido das plantas. Isso leva à formação de galhas caulinares, sintomas muito típicos de ataques do bicudo-da-soja.
Essas galhas caulinares vão aumentando de tamanho conforme as larvas vão se desenvolvendo e, muitas vezes, ultrapassam o diâmetro das hastes ou dos ramos.
Por serem canibais, é muito difícil encontrar mais de uma larva por galha. Por isso, as galhas ficam espalhadas pela planta dando proteção e condições para esses insetos se desenvolverem até o momento da hibernação.
Além disso, os ataques normalmente acontecem em reboleiras e são mais intensos em áreas com plantio direto, justamente por dar condições ideais para os insetos se manterem na área.
Como é possível perceber, o manejo do bicudo-da-soja não é tão simples devido aos hábitos dessa praga tanto na fase jovem quanto na fase adulta.
A melhor recomendação é utilizar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) para aplicar várias táticas que irão contribuir para a redução da população.
É importante conhecer o histórico da região e entrar, desde antes do início do cultivo, com o monitoramento.
O comportamento dessa praga é bastante característico, mas deve ser muito bem observado para que não ocorram surtos da população na fase mais crítica.
É muito recomendado que se faça amostragens na entressafra para observar se ainda existem insetos nas antigas fileiras de soja.
O ideal é que a cada 10 hectares sejam feitas 4 amostragens. O nível de controle para essa praga é de 0,4 adultos por metro de fileira de soja, quando as plantas de soja apresentarem entre duas (V2) e cinco (V5) folhas trifolioladas.
Estudos realizados pela Embrapa Soja mostraram que, após o período pupal, os adultos costumam emergir no começo de novembro. Assim, ocorre um aumento populacional na segunda quinzena de dezembro.
Por isso, no momento da semeadura, é importante pensar no tratamento de sementes como aliado e a época em que se pode fazer o plantio.
O tempo residual dos inseticidas utilizados para o controle do bicudo-da-soja deve ter eficiência para aguentar essa fase de maior população.
Como existem algumas plantas não-hospedeiras do bicudo-da-soja, a rotação de culturas com plantas como milho, crotalária, sorgo, girassol e algodão é uma boa tática para evitar o aumento populacional na soja.
Para melhorar a eficiência da rotação, as plantas não-hospedeiras podem ser rodeadas de plantas hospedeiras de preferência do bicudo. Essas plantas irão agir como cultura-armadilha.
Essas culturas podem ser semeadas na bordadura da soja, cerca de 20 m e 30 m.
Dessa maneira, ao atrair os insetos, pode-se utilizar dos inseticidas recomendados para o controle da praga.
E o controle químico também poderá ser utilizado quando, após monitoramento, forem encontrados uma média de 0,4 adultos/m de fileira, como indicador para uso de inseticidas via aplicação foliar.
Existem 56 produtos registrados no Agrofit, site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle químico do bicudo-da-soja.
O controle químico com inseticidas de contato costuma ser difícil devido ao hábito da praga. Por isso, os ingredientes ativos mais utilizados são dos grupos químicos dos organofosforados, neonicotinoides e pirazóis.
Por fim, vale destacar que você pode recorrer à tecnologia para operacionalizar com maior praticidade as estratégias de controle que mostrei neste artigo.
Um aplicativo como o Aegro permite que o monitoramento da lavoura seja planejado e registrado pelo celular, mesmo sem conexão com a internet. Desta forma, o histórico de pragas dos seus talhões fica seguro e organizado.
Após o registro das amostragens, o Aegro gera um mapa de calor que mostra a gravidade da infestação em cada ponto analisado.
Assim, você tem uma visão mais clara sobre a incidência do bicudo e consegue os aplicar diferentes métodos de controle apenas onde é realmente necessário.
Em suma, o uso desta tecnologia se reflete em menores custos com defensivos agrícolas e um manejo de pragas mais eficaz na sua plantação. Conheça agora a solução Aegro para MIP!
Alguns insetos que antes eram pragas secundárias estão se tornando mais preocupantes para o sojicultor.
Esse é o caso do bicudo-da-soja, que nos últimos anos se tornou uma praga recorrente em diversas lavouras brasileiras.
Os hábitos desse inseto facilitam sua entrada na lavoura e dificultam o manejo.
Mas existem algumas formas de controle seguindo as táticas do MIP que poderão te ajudar a proteger sua lavoura do bicudo, como o monitoramento acurado.
Espero que, com essas dicas, você possa ter eficiência no controle dessa praga em suas propriedades!
Você tem enfrentado problemas com o bicudo-da-soja nas últimas safras? Como tem feito o manejo?