Pragas da soja podem acabar com sua produção, mas você pode se preparar conhecendo melhor cada uma delas. Veja aqui as 11 principais pragas da soja e como fazer seu manejo.

As pragas da soja podem prejudicar muito a sua produtividade. O trabalho de um ano inteiro.

Em países da Europa ou Estados Unidos as pragas podem ser menos importantes pelo período de inverno rígido, o que diminui a população de insetos.

Já no Brasil, o clima tropical quente e úmido, juntamente com o cultivo de duas ou mais safras no ano, faz com que as pragas se mantenham em atividade no campo.

Por isso, enquanto você se prepara para começar a sua safra, um dos melhores conselhos é: conheça mais sobre as pragas.

Então, veja aqui as 11 principais pragas agrícolas da soja e como combatê-las:

Importância e dicas para o combate às principais pragas da soja

O conhecimento das pragas, como suas principais características e métodos de controle, é fundamental para a produção de soja.

Só dessa forma conseguimos fazer adequadamente o Manejo Integrado de Pragas (MIP), pelo qual temos melhor controle de pragas e equilíbrio do ambiente.

Através do monitoramento periódico, uma das bases do MIP, realizamos as pulverizações somente quando necessário, sem desperdícios.

Para isso, veja abaixo as épocas de ocorrência das principais pragas da soja, orientando o seu monitoramento:

pragas da soja

Leia mais: “8 fundamentos sobre Manejo Integrado de Pragas que você ainda não aprendeu”.

Para facilitar o monitoramento, este pode ser realizado com o software agrícola Aegro.

Assim, todos os seus pontos ficam georreferenciados, seus dados ficam seguros e muito mais fáceis de serem visualizados.

Os produtores de soja também pode acompanhar as pragas pelo aplicativo de pragas da soja da Embrapa.

Ambos, o manual e aplicativo, foram desenvolvidos por pesquisadores da Embrapa e podem ajudar muito.

Além disso, aqui disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP. Baixe aqui!

planilha-mip

Agora que sabemos toda a importância que o conhecimento das pragas representa, vamos entender mais sobre cada uma delas:

1ª Praga da soja: Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)

É uma potente desfolhadora da cultura. Inicia o seu ataque no topo da parte aérea das plantas de soja, podendo persistir até a fase de enchimento dos grãos.

Pode apresentar até quatro gerações durante a safra. Seu ciclo biológico dura cerca de 30 dias.

Pode se alimentar de folhas, flores ou até mesmo de vagens.

Quando o ataque é muito intenso, as lagartas assumem coloração preta com listras brancas; essa modificação fisiológica do inseto é causada pela competição por alimento.

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(Fonte: Elaine Nascimento (2016))

Controle da lagarta-da-soja

Seguindo o manejo integrado de pragas na soja, o controle deve ser realizado quando forem encontradas, em média, 20 lagartas grandes (igual ou maior que 1,5 cm) por metro de fileira.

Ou, quando a desfolha atingir 30% antes da floração ou 15%, tão logo apareçam as primeiras flores.

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Defensivos naturais também podem ser utilizados, como a ação do Baculovírus para essa lagarta, como mostrado na imagem acima
(Fonte: Embrapa)

Após ou durante o fechamento da cultura da soja, os inseticidas reguladores de crescimento constituem uma ótima opção para o controle dessa lagarta.

Quando utilizar soja com tecnologia Bt, deve-se implementar áreas de refúgios em pelo menos 20% da área cultivada com a soja transgênica.

2ª Praga da soja: Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

A lagarta-do-cartucho pode ocorrer tanto nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura, quanto nos estádios mais avançados.

Se alimenta sobre espécies de 23 famílias de plantas. Apresenta preferência para se alimentar de gramíneas (milho e arroz), mas pode se alimentar de outras plantas.

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(Fonte: Mais Soja)

Assim, é comum a lagarta estar presente na cultura utilizada como cobertura, como milheto, aveia, trigo, as quais serão dessecadas para o plantio da soja.

Controle da lagarta-do-cartucho

O manejo dessa praga da soja começa com a boa dessecação da cultura de cobertura para a produção de palha no Sistema Plantio Direto (SPD).

Além disso, para o controle de Spodoptera frugiperda, não é recomendado a aplicação de inseticidas na fase de dessecação, mesmo que haja lagartas.

Isso porque o plantio é feito cerca de 25 dias após a dessecação, e na ausência de alimento as lagartas irão virar pupas ou morrerão.

Assim, se o plantio for feito após a dessecação e houver lagartas, então poderá ser aplicado inseticidas.

Alguns deles são: tiodicarbe, metomil, clorantraniliprole, flubendiamida, espinosade e os produtos fisiológicos.

>> Leia mais: “Passo a passo de como combater a lagarta-do-cartucho”.

3ª Praga da soja: Lagarta-Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Também conhecida como broca-do-colo, se alimenta de diversas espécies de plantas.

Uma mesma lagarta pode atacar até três plantas de soja durante a sua fase larval. Os danos são maiores em condições de alta temperatura e déficit hídrico no solo.

Assim, sua presença é menor no Sistema Plantio Direto, devido à conservação de umidade do solo.

A época de ocorrência é entre o período da emergência da soja, até 30 a 40 dias do desenvolvimento (estádio V2-V3).

Ocorre com maior intensidade na região do Cerrado, em áreas com predominância de solos arenosos.

Controle da lagarta-elasmo

Naturalmente ocorre quando há chuvas bem distribuídas, durante os primeiros 30 dias de desenvolvimento da soja.

O controle químico é menos eficaz, isso devido a posição em que a praga fica alojada na planta.

Em áreas com histórico de ocorrência da praga pode ser feito o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos como: fipronil, imidacloprido + tiodicarbe e clorantraniliprole.

4ª Praga da soja: Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

Essa praga é fácil de reconhecer, já que ela tem o hábito de se deslocar dobrando o corpo como se estivesse medindo palmos.

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(Fonte: Defesa Vegetal)

Pode causar intensa desfolha na soja, principalmente na fase reprodutiva da cultura.

Assim, ocorre na soja desde as primeiras folhas, podendo persistir até o enchimento dos grãos., sendo favorecidas por períodos de seca.

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(Fonte:
 Embrapa)

Controle da falsa-medideira

Realizar controle quando for verificado 20 lagartas grandes (igual ou maior que 1,5 c

m) por metro de fileira.

Ou, quando a desfolha atingir 30% antes da floração ou 15% tão logo apareçam as primeiras flores.

Pode ser usado inseticidas reguladores de crescimento durante a fase de fechamento das fileiras, além do uso de soja transgênica Bt.

>> Leia mais: “Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas”.

5ª Praga da soja: Lagartas broqueadoras de vagens e grãos

Aqui estão inseridas as lagartas:

  • Complexo de Spodoptera
    S. eridania: mais ativas no período noturno, são encontradas com maior frequência no terço inferior das plantas;
    S. cosmioides: ataca grande número de hospedeiros;
    Ambas as espécies causam desfolha ou destroem as vagens em formação, possuindo importância crescente na região dos Cerrados.
  • Lagarta-da-maçã-do-algodoeiro (Heliothis virescens)
    Alimentam-se de vagens na soja e, às vezes, das folhas;
  • Broca-pequena-das-vagens (Maruca vitrata)
    Broqueiam as vagens, as hastes e pecíolos da soja, com maior ocorrência em períodos de seca com alta temperatura;
  • Helicoverpa armigera
    Se alimentam de folhas e hastes da soja, mas tem preferência pelas estruturas reprodutivas (botões florais, vagens e grãos).

>> Leia mais:

Você conhece o ciclo de vida da Helicoverpa armigera?

7 verdades sobre Helicoverpa zea: sua origem e como combatê-la

Controle das lagartas broqueadoras de vagens e grãos

É interessante o uso de produtos seletivos para o complexo de inimigos naturais das pragas agrícolas, não utilizar produtos de amplo espectro de ação (piretróides e organofosforados).

Além disso, o uso de inseticidas deve ser realizado de acordo com os níveis de controle, por isso a amostragem e o histórico da área são informações muito importantes.

6ª Praga da soja: Mosca-branca (Bemisia sp.)

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(Fonte: Canal Rural)

A mosca-branca é um inseto sugador que pode transmitir vírus em plantas leguminosas como a soja.

Além disso, o inseto libera parte da seiva sugada na planta, onde se desenvolve um fungo de coloração escura, conhecido como fumagina.

Os danos em soja são causados tanto pelos adultos quanto pelas ninfas, na fase vegetativa ou reprodutiva da cultura.

Porém, o ataque é predominante na fase de enchimento de grãos, sendo favorecida por períodos de estiagem prolongada e quentes.

Controle da mosca-branca

O controle pode ser feito pela escolha da melhor época de semeadura, eliminação de plantas hospedeiras, rotação de culturas e seleção de inseticidas efetivos.

Ademais, o período de vazio sanitário, utilizado para o controle da ferrugem-asiática, é também uma importante ferramenta de controle para essa praga da soja.

Inseticidas: para o controle de formas jovens da mosca-branca podem ser usados o piriproxifem, espiromesifen e a mistura spirotetramat + imidacloprido.

O endosulfam tem boa ação em insetos adultos. O tratamento de sementes com inseticidas neonicotinóides, também ajuda a reduzir ou retardar o estabelecimento da praga.

7ª Praga da soja: Percevejo-castanho (Scaptocoris spp.)

Inseto polífago de hábito subterrâneo, sendo uma praga que ataca um grande número de plantas hospedeiras.

Sua presença é facilmente reconhecida, devido ao forte cheiro que exala, quando o solo é movimentado;

No Brasil, as principais espécies de percevejos-castanhos associadas à cultura da soja são: Scaptocoris castanea, S. carvalhoi e S. buckupi.

O inseto suga a seiva nas raízes da soja e é predominante em solos arenosos.

Assim, os sintomas podem ser confundidos com deficiência nutricional ou doença, já que destroem as raízes da soja e os nódulos de fixação biológica de nitrogênio.

Desse modo, afeta negativamente o estabelecimento do estande o vigor e o desenvolvimento das plantas.

Os danos tem sido mais frequentes no Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Controle do Percevejo-Castanho

O controle é preventivo, por isso é necessário fazer o monitoramento dessas pragas através de amostragens, antes da instalação da lavoura.

Além disso, a alteração da época de semeadura e a aplicação de inseticidas no sulco de semeadura auxiliam no manejo.

O controle biológico tem sido feito estudos para o controle através de fungos entomopatogênicos (Metarhizium anisopliae).

8ª Praga da soja: Outros percevejos

Além do percevejo-castanho, há outros percevejos que podem danificar as vagens e/ou os grãos da soja em formação. São eles:

  • Percevejo-marrom-da-soja (Euschistus heros);
  • Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii);
  • Percevejo-verde (Nezara viridula).
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Percevejo-marrom: (a), ovos (b), ninfas de primeiro (c) e quinto ínstar (d)
(Fonte: Embrapa)

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Percevejo-verde-pequeno: adulto (a), ovos (b), ninfa de primeiro (c) e quinto ínstar (d)
(Fonte: Embrapa)

A época de ocorrência é no período de florescimento e, após a colheita da soja precoce, migram para talhões de soja mais tardia.

Os sintomas são grãos menores, enrugados, chochos e com a cor mais escura que o normal.

Quando o ataque ocorre nos estádios R3 a R4, podem favorecer o abortamento de vagens.

Se o ataque é durante o enchimento da vagem (R5), podem afetar o rendimento da cultura, e a qualidade dos grãos ou sementes produzidas.

Além disso, um ataque severo de percevejos na soja pode causar distúrbio fisiológico na planta, causando retenção foliar.

Regiões de ocorrência dos percevejos:

  • Percevejo-marrom, percevejo-verde-pequeno e o percevejo-verde: região Centro-Sul do Brasil;
  • Percevejo-verde: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
  • Percevejo-marrom e o verde-pequeno: Cerrado.

Controle de percevejos

Deve ser iniciado no estádio R3, quando houver 2 percevejos por metro para lavouras de grãos, e um percevejo por metro para lavouras destinadas a sementes.

O controle biológico pode ser feito das seguintes formas:

  • Parasitóides de ovos: Trissolcus basalis;
  • Parasitóide de adultos: Hexacladia smithii.

No entanto, os parasitóides são muito sensíveis a inseticidas de amplo espectro de ação, por isso atenção quanto aos defensivos escolhidos.

Leia mais: “Inseticida natural: Como ele pode ajudar no manejo da sua lavoura”

9ª Praga da soja: Tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus)

Conhecida como bicudo, cascudo ou tamanduá-da-soja, sendo que as plantas jovens de são mais suscetíveis ao seu ataque.

Controle do Tamanduá-da-soja

Devem ser realizadas amostragens nos talhões em que, na safra anterior, foram observados ataques severos da praga e na entressafra.

A rotação de cultura (com por exemplo, milheto, Crotalaria juncea ou mucuna-preta), é uma boa opção de controle.

Ademais, ao emergir, os adultos podem ser controlados com inseticidas, também sendo possível o tratamento de sementes com fipronil, tiametoxam.

10ª Praga da soja: Ácaros

Podemos citar quatro ácaros que podem causar danos na cultura da soja:

  • Ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
  • Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus);
  • Ácaro vermelho (Tetranychus ludeni ou Tetranychus desertorum);
  • Ácaro-verde (Mononychellus planki)
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(Fonte: Unipac)

Os ácaros ficam na parte inferior das folhas e, possivelmente, é preciso de uma lupa para poder vê-los.

No entanto você pode observar seus sintomas, que normalmente são pontuações claras (células mortas) na folha que podem evoluir para manchas. Os sintomas são desuniformes nas plantas e ao longo da lavoura.

No caso do ácaro branco, os sintomas são folhas encarquilhadas, podendo até ser confundido por viroses. Isso ocorre porque esse ácaro ataca as folhas novas, prejudicando o processo de expansão da folha.

Além do mais, o ataque dos ácaros ocorre pelas condições climáticas ou por algum desequilíbrio.

O desequilíbrio pode ser causado pela aplicação de inseticidas pouco seletivos, que matam também os inimigos naturais dos ácaros.

São exemplos desses inseticidas os piretróides, usados em soja para lagartas e percevejos. Já os neonicotinoides favorecem os ataques por estimular a reprodução dos ácaros.

Quantos às condições climáticas, as estiagens vão favorecem todos os ácaros citados, exceto o ácaro-branco que prefere períodos chuvosos.

Além disso, no geral, as infestações ocorrem nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura e, especialmente, após o florescimento das plantas.

O importante aqui é saber identificar o problema e anotar a presença dos ácaros na lavoura para que fique registrado no histórico da área.

Controle de ácaros

Não existe um método adequado para realizar a sua amostragem dessas pragas da soja já que há dificuldade em visualizá-los, o que dificulta o manejo.

Muitas vezes, as próprias condições climáticas desfavoráveis já controlam essa praga da soja.

11ª Praga da soja: Corós

Podemos citar três espécies de corós dessas pragas da soja e suas regiões de ocorrência:

  • Coró-da-soja (Liogenys fusca): Goiás e Mato Grosso;
  • Coró-da-Soja-do-Cerrado (Phyllophaga capillata): Distrito Federal, Mato Grosso e Goiás;
  • Coró-Pequeno-da-Soja: Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás;

Os corós se alimentam de raízes da soja e até mesmo nódulos de fixação biológica de nitrogênio.

Por isso, os sintomas são de desenvolvimento lento, amarelecimento, murcha e morte.

Com isso, causam redução na capacidade das plantas de absorver água e nutrientes, podendo ocorrer até 100% de perda da lavoura.

Semeaduras tardias tendem a sofrer maiores danos, uma vez que há predomínio de larvas maiores, que são mais vorazes.

Controle dos corós da soja

É importante fazer amostragens no solo, para identificar as espécies presentes dessas pragas da soja, seu nível populacional e o estádio de desenvolvimento.

Além disso, o monitoramento dessas pragas deve ser feito antes do plantio, já que é recomendado o controle preventivo.

Outro controle preventivo é a alteração da época de semeadura e o preparo do solo com implementos agrícolas adequados.

O uso de armadilhas luminosas permite capturar adultos do inseto durante a noite e assim também contribuir para reduzir infestações.

Como controle químico, temos a aplicação de inseticidas nas sementes ou no sulco de semeadura da soja.

Conclusão

Aqui vimos as principais pragas da soja, sabendo mais sobre suas características e métodos de controle.

Conseguimos compreender também a época de ocorrência dessas pragas e as condições favoráveis à cada uma delas.

Agora é possível começar o MIP efetivamente, seja por planilhas ou software agrícola, possibilitando um controle eficaz e mais econômico!

Leia mais:

Como fazer o controle Spodoptera frugiperda na sua lavoura do milho

“Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo”

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