Cálculo de adubação para soja: As principais recomendações para nitrogênio, fósforo e potássio que vão aumentar sua produtividade. 

A fertilidade do solo é um dos fatores mais importantes para a produção de grãos.

Em solos tropicais, como os do Brasil, é fundamental que se faça uso de fertilizantes para que sejam alcançadas altas produtividades no cultivo de soja.

Por isso, um bom manejo da adubação, além de aumentar a produtividade, pode promover a economia deste insumo. Os fertilizantes consomem uma grande porção dos recursos investidos na lavoura!

Confira o passo a passo do cálculo de adubação para soja:

Cálculo de adubação NPK para soja em solos do Cerrado e do Rio Grande do Sul

Nitrogênio

A soja é uma planta leguminosa e que tem, portanto, capacidade de se associar a bactérias que realizam a fixação biológica de nitrogênio (FBN).

Por isso, não é necessário fazer a adubação com N para a cultura da soja.

Alguns autores recomendam que caso seja aplicado N, a dose não deve exceder 20 kg/ha.

O excesso de N pode inibir a nodulação e consequentemente a FBN.

Segundo o pesquisador da Embrapa Trigo, José Pereira da Silva Junior, o uso do inoculante pode aportar mais de 300 kg/ha de N.

O inoculante possui um custo de até 95% menor em comparação ao fertilizante nitrogenado.

Formação de nódulos da bactéria fixadora

Formação de nódulos da bactéria fixadora de nitrogênio Bradyrhizobium japonicum em raízes de soja 
(Fonte: Koppert)

Adubação com Fósforo e Potássio 

A recomendação de adubação fosfatada e potássica é feita em função da exigência da cultura, da textura do solo e da disponibilidades de nutrientes nos solos. 

Como estes fatores possuem particularidades regionais, é importante aprendermos a interpretar os teores de P e K no solo conforme a recomendação de cada região.

Além disso, a forma de aplicação, se em área total (adubação corretiva) ou no sulco de plantio (adubação de manutenção) é muito importante na definição da dosagem. 

Recomendação para solos do Cerrado

Para os solos da região do Cerrado, o manejo da adubação de soja com P e K é recomendado conforme a disponibilidade destes nutrientes no solo. 

Para P, a interpretação dos teores é feita com base no teor de argila como na tabela abaixo.

Classes de interpretação de fósforo para solos de Cerrados

Classes de interpretação da disponibilidade de fósforo para solos de Cerrados, de acordo com os teores de argila
(Fonte: Embrapa (2007))

Quando a disponibilidade de P nos solos for classificada como baixa e muito baixa, deve ser feita a correção do grau de fertilidade do solo.

Essa correção pode ser feita aplicando fontes de P em área total ou de forma gradual, ou seja, no sulco de semeadura

Nestas condições a mesma é feita com base na tabela abaixo.

Embrapa - adubação fosfatada solos de Cerrados

Indicação de adubação fosfatada corretiva e adubação fosfatada corretiva gradual para solos de Cerrados, de acordo com a classe de disponibilidade de P e os teores de argila
(Fonte: Embrapa (2007))

Caso a disponibilidade de P no resultado de sua análise de solo esteja nas classes médio ou bom, recomenda-se apenas a adubação de manutenção que é de 20 kg/ha de P2O5 por tonelada de soja a ser produzida. 

A adubação potássica corretiva é feita quando o teor de argila é maior que 20%.

A tabela abaixo indica as dosagens de K que devem ser aplicadas com base nos teores de K disponíveis no solo.

cálculo de adubação para soja

Indicação de adubação corretiva de potássio para solos de Cerrados com teores de argila maiores que 200 g kg-1, de acordo com a classe de disponibilidade de K
(Fonte: Embrapa (2007))

E no momento da semeadura da soja, deve-se aplicar 20 kg de K2O por tonelada de soja que se espera produzir. 

Doses acima de 50 kg/ha devem ser fracionadas.

Se este for o caso da sua lavoura, ⅓ da dose deve ser aplicado na semeadura e ⅔  da dose em cobertura (de 30 a 40 dias após a semeadura).

Recomendação para solos do Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a recomendação de adubação com P e K para soja é feita com base no Manual de Adubação e de Calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Neste caso, vamos interpretar uma análise de solo e fazer recomendação de adubação para a soja. 

Abaixo, temos os resultados da análise de solo de 5 glebas diferentes.

Análise de solo de cinco glebas de uma lavoura

Resultados da análise de solo de cinco glebas de uma lavoura
(Fonte: Manual de adubação)

Vamos tomar a gleba 1 como exemplo para interpretarmos os teores de P e K no solo.

Para P, a classificação é feita conforme o teor de argila como pode ser visto na tabela a seguir.

Interpretação do teor de fósforo no solo

Interpretação do teor de fósforo no solo extraído pelo método Mehlich-1, conforme o teor de argila e para solos alagados
(Fonte: Manual de adubação)

Como o solo da gleba 1 possui 65% de argila, o mesmo se encaixa na classe 1.

Este mesmo solo possui um teor de 2,0 mg/dm3 de P, considerado um teor de P muito baixo.

Já para K, a interpretação do teor no solo é feita com base no resultado da CTC do solo a pH 7,0.

erpretação do teor de potássio

Interpretação do teor de potássio conforme as classes de CTC do solo a pH 7,0
(Fonte: Manual de adubação)

A CTCpH7,0 do solo da gleba 1 foi de 14,2 cmolc/dm3.

Portanto, este solo se encaixa na classe com CTCpH7,0 entre 5,1 e 15,0 cmolc/dm3.

O teor de K foi de 65 mg/dm3, sendo classificado como alto.

Agora que já sabemos como interpretar os teores de P e K em uma análise de solo, vamos aprender qual quantidade recomendada por ha.

Recomendação de P e K por hectare

A produtividade média da soja no estado do Rio Grande do Sul é de aproximadamente 3 t/ha.

Usaremos então esta produtividade média para fazer a recomendação para uma lavoura de soja no primeiro cultivo.

Neste caso, geralmente a rotação é feita com milho ou trigo no segundo cultivo.

A tabela a seguir mostra a recomendação de P e K em P2O5 e K2O, respectivamente:

Fósforo e Potássio por cultivo

Fósforo e Potássio por cultivo
(Fonte: Manual de adubação)

Como a soja é o primeiro cultivo e o teor foi classificado como muito baixo, a recomendação é de 110 kg/ha de P2O5.

É importante lembrar que este valor é para uma produtividade de 2 t/ha de soja.

Para uma produtividade maior que 2 t/ha, deve ser acrescido 15 kg de P2O5 por tonelada.

Portanto, a recomendação final é de 125 kg/ha de P2O5.

A mesma lógica é aplicada para definir quanto de K deve ser aplicado.

O teor no solo foi classificado como alto e portanto a recomendação é de que seja aplicado 45 kg/ha de K2O mais 25 kg/ha por tonelada extra.

A recomendação para K é de que seja aplicado 70 kg/ha de K2O.

Lembramos que a aplicação de K no momento do plantio não deve exceder 50 kg/ha de K2O.

Nestas condições, deve-se optar pelo parcelamento da dose.

Formulação do fertilizante para plantio

A quantidade de fertilizantes recomendada para plantio da cultura da soja no solo da gleba 1 foi de 125 kg/ha de P2O5 e 50 kg/ha de K2O.

Mas como saber a formulação do adubo que devo aplicar e a quantidade?

Você deve dividir a dose recomendada pelo nutriente em menor quantidade para determinar a proporção entre eles.

cálculo de adubação para soja

Dessa maneira, uma formulação adequada deve obedecer esta relação de 2,5/1,0.

Uma formulação NPK comercial facilmente recomendada neste caso é a 0 – 25 – 10.

Esses valores são expressos em porcentagem.

Então, em 100 kg do formulado, temos 25 kg de P2O5 e 10 kg de K2O.

Pela legislação brasileira, o somatório do teor dos nutrientes nas formulações deve ficar no intervalo de 24 a 54%:

Neste caso 25 + 10 = 35.

Ou seja, esta formulação atende a legislação.

Devem ser aplicados 500 kg/ha da formulação para atender a exportação de P e K pela cultura da soja.

>> Leia mais: Cuidados que você deve ter para evitar deficiência de potássio na Soja

Cálculo de adubação para soja: Fatores que afetam a produtividade de grãos

O Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, disputando com os Estados Unidos, a cada ano, a liderança no ranking mundial.

Segundo levantamento do Departamento de Agricultura dos EUA de novembro de 2019, o Brasil tem uma estimativa de produção de 123 milhões de toneladas na safra 19/20.

Pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, elencaram seis fatores como sendo os mais importantes na definição da produtividade de soja:

  • Clima;
  • Fertilidade do solo;
  • Genótipo/variedade;
  • Proteção foliar (aplicação de fungicidas e inseticidas);
  • Tratamento de sementes;
  • Espaçamento de plantio.

Assim, para obter uma boa produtividade, todos esses fatores devem ser otimizados.

Para isso, o produtor deve fazer um bom planejamento antes do plantio da soja. Tudo isso passa pela correção do solo, escolha do espaçamento e da cultivar adequada, entre outros fatores.

A importância do manejo adequado da adubação na soja

Depois do clima, a fertilidade do solo é o fator mais limitante para a produção de soja.

Um bom manejo da adubação é muito importante não só para alcançar altas produtividades como para reduzir custos de produção.

Os fertilizantes compõem em média 27,82% dos custos de produção da soja no Brasil.

O gráfico abaixo mostra a participação percentual média dos principais itens que compõem os custos operacionais de soja, entre os anos-safra 2007/08 e 2015/16.

custos operacionais de soja

(Fonte: Conab)

Cálculo de adubação para soja: Análise e correção do solo

O cálculo da adubação para soja deve ser feito com base no resultado das análises química e física do solo.

É importante também realizar uma boa correção do solo para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes aplicados.

A calagem fornece Ca e Mg para a cultura da soja e aumenta a disponibilidade de outros nutrientes, como o fósforo (P) por elevar o pH e neutralizar o alumínio trocável (Al3+).

A gessagem é uma opção interessante em áreas em que os efeitos da calagem são limitados às camadas mais superficiais, em especial solos argilosos.

Apesar de não corrigir o pH, o gesso agrícola fornece Ca e S e reduz o Al3+ em profundidade, aumentando o crescimento radicular.

Conclusão

Os custos com a aplicação de fertilizantes na lavoura são muito elevados. Por isso, um bom manejo da adubação pode promover grande economia de recursos.

A soja é capaz de se associar a bactérias fixadoras de N atmosférico e, a aplicação de N em formas minerais, inibe a formação de nódulos nas raízes.

A adubação com P e K pode ser facilmente calculada após a interpretação do teor dos nutrientes no solo.

Vimos neste artigo que o P deve ser preferencialmente aplicado na semeadura.

E o parcelamento da adubação potássica em soja pode ser necessário quando as recomendações de K forem maiores que 50 kg/ha. 

Com estas informações, espero que você possa fazer o melhor manejo de adubação na sua lavoura de soja.

>> Leia mais: 

Tipos de adubos químicos na cultura da soja

Manejo do zinco na soja: Como utilizá-lo para potencializar sua produção

Como identificar e evitar a deficiência de boro na soja

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