Adubação de soja: saiba agora  (e de modo descomplicado), qual a recomendação para sua região quanto à adubação de nitrogênio, potássio, fósforo e até micronutrientes.

É importante nos atentarmos para fazer uma adubação adequada, sem desperdícios e que assegure a produção.

Além do mais, a cultura da soja tem algumas particularidades quanto à adubação, e isso pode gerar questionamentos.

Em vista disso, fizemos um manual rápido da adubação de soja. Aqui temos as principais recomendações e dicas para obter altas produtividades do grão! Confira:

Porque a adubação de soja não pode ser uma receita de bolo

Vamos começar com a dia mais importante de todas: não trate sua adubação como uma receita de bolo.

A fertilização de qualquer cultura deve ser pensada e inserida no planejamento agrícola de acordo com o histórico da área, cultura, preços e muitos outros fatores.

Por exemplo, o cultivo de soja após o milho safrinha é bastante comum e isso influencia na adubação de soja.

Isso porque, com as altas produtividades de milho, vem a grande remoção de nutrientes do solo.

Assim, a absorção de nutrientes pelas culturas é influenciada  pelos seguintes fatores:

  • Condições climáticas;
  • Diferenças genéticas entre as variedades;
  • Condições do solo: nutrientes, pH, CTC, etc.;
  • Manejo da área;

Agora vamos entender mais sobre os principais nutrientes para a cultura da soja:

O caso do nitrogênio na cultura da soja

A principal fonte de nitrogênio na soja é através da fixação simbiótica. Isto é, as bactérias dos nódulos das raízes  fixam o N do ar e disponibilizam à planta.

Embora seja um tema polêmico, em geral não precisamos adicionar fertilizantes nitrogenados à essa cultura.

Estudos mostram que a adubação de soja com nitrogênio mineral prejudica a fixação biológica de N. Entretanto, caso utilize, a dose não deve ser maior que 20 kg/ha.

Assim, temos que realizar a etapa de inoculação das bactérias fixadoras adequadamente.

Afinal, para uma produção de 3.000 kg/ha, são necessários 246 kg de N, resultando em grãos de soja com teor de nitrogênio de 40%.

adubação de soja

(Fonte: Embrapa)

Nesse sentido, veja o artigo: “Inoculante para soja de alta produtividade: Como, quando e o porquê”.

Além de que, você também pode aumentar o fornecimento de nitrogênio para soja fazendo adubação verde. Saiba mais em:

>> Qual a melhor leguminosa para fazer sua adubação verde
>>Vantagens e desvantagens de fazer adubação verde em sua propriedade

Vamos então à algumas dicas sobre a inoculação:

Inoculação na cultura de soja

Primeiramente vamos definir o que é inoculação: é uma operação agrícola, que pode ser feita manual ou mecanicamente, realizada antes da semeadura.

Nesse processo coloca-se a bactéria fixadora de N, presente no inoculante, em contato com a semente de soja.

Alguns pontos que você deve ficar atento ao comprar um inoculante:

  • A embalagem deve conter o número de registro do produto no MAPA;
  • Prazo de validade;
  • Concentração de bactérias por mL ou por grama;
  • Identificação de uma ou duas das quatro estirpes de bactérias que são recomendadas para o Brasil;
  • Conservar o inoculante em local fresco e arejado;
  • A legislação do Brasil estabelece que os inoculantes devem conter uma concentração mínima de 1,0 x 109 células viáveis de rizóbios por grama ou mL do produto;

Você pode fazer a inoculação manualmente ou mecanicamente, podendo ser feita com betoneira ou máquina para tratamento e inoculação de sementes.

Passo a passo para fazer uma inoculação de boa qualidade

  • Realizar a operação de inoculação sempre a sombra;
  • Proteger as sementes inoculadas do sol e calor;
  • Não fazer a inoculação dentro das caixas da semeadora;
  • Inocular e semear em seguida;
  • Não utilizar menos de 100 mL de inoculante líquido por saca de 50 kg de sementes;
  • Ao usar inoculante turfoso, você pode utilizar uma solução açucarada a 10% para aumentar a aderência;
  • Usar 300 mL de inoculante turfoso por saca de 50 kg ou verificar com fabricante;
  • Se for fazer tratamento químico das sementes, o inoculante deve ser o último produto a ser aplicado.
  • Para a “inoculação de correção” usar de duas (2,4 x 106) a três (3,6 x 106) vezes a dose mínima recomendada (1,2 x 106 células por semente inoculada);
  • Na reinoculação ou inoculação de manutenção, usar a dose mínima  (1,2 x 106);
  • Caso você opte por fazer a inoculação no sulco de semeadura deve ser utilizado 7,2 x 106 células por semente inoculada (área nova) e 3,6 x 106 células por semente inoculada (reinoculação).

Saiba mais neste vídeo da Embrapa sobre como fazer a etapa de inoculação:

Adubação de soja para a Região do Cerrado

Adubação fosfatada

A adubação de soja de P corretiva na região do Cerrado pode seguir dois caminhos:

  • Correção do solo total a lanço e incorporada, com posterior adubação de manutenção;
  • Correção gradual, que consiste em aplicar no sulco de semeadura uma quantidade de P superior à extração da cultura.

De qualquer forma, precisamos interpretar a análise de solo. Veja a tabela de interpretação e indicação de adubação fosfatada (fósforo extraído pelo método Mehlich I), para solos de Cerrado:

2-adubação-de-soja-fósforo

¹Ao atingir níveis de P extraível acima dos valores estabelecidos nesta classe, utilizar somente adubação de manutenção.
(Fonte: Sousa & Lobato (1996) em Embrapa)

Se o nível de P no solo estiver classificado como médio ou bom deve-se usar a adubação de manutenção.

Em geral, ela consiste em 20 kg de P2O5/ha para cada 1.000 kg de grãos produzidos.

Para a adubação de soja corretiva temos a indicação da Embrapa:

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¹Fósforo solúvel em citrato de amônio neutro mais água, para os fosfatos acidulados; solúvel em ácido cítrico 2% (relação 1:100); para termofosfatos, fosfatos naturais e escórias. ²Além da dose de correção total, usar adubação de manutenção. ³No sulco de semeadura, em substituição à adubação de manutenção. 4Classe de disponibilidade de P.
(Fonte: Sousa & Lobato (1996) em Embrapa)

Além disso, você pode ver detalhes da fosfatagem neste artigo aqui.

Adubação Potássica

A adubação potássica na região do Cerrado deve ser feita a lanço em solos com teor de argila maior que 20%.

Em solos de textura arenosa, não deve ser feita a adubação de soja corretiva de K porque ocorre perdas por lixiviação.

Assim, na semeadura da soja é interessante aplicar 20 kg de K2O para cada 1.000 kg de grãos que se espera produzir.

Devemos fracionar a dose de K2O quando:

  • A dose for acima de 50 kg ha-1 ou
  • Teor de argila do solo for menor que 40%

Nesses casos, vamos  aplicar 1/3 na semeadura e 2/3 em cobertura (30 a 40 dias após a semeadura).

Temos ainda, a indicação da adubação corretiva de potássio para solos de Cerrados com teor de argila >20%:

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¹Aplicação parcelada de 1/3 na semeadura da soja e 2/3 em cobertura 30 a 40 dias após a semeadura. Estando o nível de K extraível acima do valor crítico (50 mg/dm³ ou 0,13 cmolc/dm³), indica-se a adubação de manutenção de 20 kg de K2O para cada tonelada de grão a ser produzida.
(Fonte: Sousa & Lobato (1996) em Embrapa)

Adubação de soja: Fósforo e potássio para Minas Gerais

Agora vamos observar a recomendação de fósforo e potássio para Minas Gerais.

Observe que as classificações e recomendações mudam conforme a região, já que isso considera o solo, clima e outras condições da área.

Desse modo, veja abaixo as tabelas de interpretação e recomendações:

5-adubação-de-soja-P-e-K

(Fonte: Ribeiro et al.(1999) em Embrapa)

6-adubação-de-soja

(Fonte: Ribeiro et al.(1999) em Embrapa)

Adubação de soja: Fósforo e potássio para São Paulo

Para o estado de São Paulo, as recomendações seguem de acordo com a produtividade esperada da soja.

No caso desta recomendação, observe que a extração do fósforo não é mais pelo método Mehlich, e sim pelo P resina:

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(Fonte:Mascarenhas e Takana em Embrapa)

Adubação de soja: Fósforo e potássio para Paraná

A adubação de soja com potássio pode ser feita toda a lanço até 30 dias antes da semeadura ou no sulco, limitando a dose inferiores a 50 kg/ha de K2O no sulco.

Assim, confira as recomendações para adubação fosfatada potássica no Paraná:

9-adubação-de-soja

(Fonte: Embrapa)

Você pode relembrar mais sobre adubação em “Como fazer adubação potássica em soja”.

Adubação de soja no Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Você pode conferir a seguir as tabelas de interpretação dos teores de P e K para Rio Grande do Sul e Santa Catarina segundo o Manual de adubação para esses estados.

adubação-de-soja-interpretação-teores-potássio
adubação-de-soja-interpretação-teores-fósforo
adubação-de-soja-recomendação-doses

Segundo essas tabelas de interpretação, você pode conhecer a dose recomendada de fósforo e potássio para soja nessa região na tabela abaixo:

(Fonte: Manual de adubação e de calagem para Santa Catarina e Rio Grande do Sul)

Além disso, já vimos qui no Lavoura10 como fazer a adubação potássica nos estados do sul do Brasil.

Outra fator importante para adubação nessa região é a rotação entre arroz e soja.

A técnica favorece o cultivo de arroz, mas para isso é que ambas as culturas estejam bem nutridas.

Ademais, além dos macronutrientes primários (N, P e K) devemos nos atentar também aos outros nutrientes essenciais para as plantas.

Vamos ver um pouco sobre alguns deles agora!

Adubação de enxofre na cultura da soja

As análises de solo, subsolo e foliar  são recomendadas para verificar a deficiência de enxofre.

Por ser um elemento móvel no solo, é necessário que se faça a análise química do solo em duas profundidades: 0 a 20 cm e 20 a 40 cm.

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(Fonte: Yara Brasil)

Dessa forma, saiba quais são os níveis críticos de S:

  • 10 mg/dm³ (0 a 20 cm) e 35 mg/dm³ (20 a 40 cm) em solos argilosos (> 40% argila);
  • 3 mg/dm³  (0 a 20 cm) e 9 mg/dm³  (20 a 40 cm) em solos arenosos (≤ 40% argila).

A adubação de manutenção corresponde a 10 kg de S para cada 1.000 kg de produção de grãos esperada. Veja as demais recomendações na tabela abaixo:

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(Fonte: Embrapa)

Você pode suprir esse nutriente no solo com gesso agrícola (15% de S), superfosfato simples (12% de S) e enxofre elementar (98% de S), sendo que também existem fórmulas N-P-K que contém S.

Adubação de micronutrientes

Os micronutrientes são aqueles exigidos em menores quantidades pelas culturas.

Eles não devem ser aplicados quando estiverem acima do nível “alto”, pois podem causar toxicidade.

Você pode fazer a análise foliar para diagnosticar deficiências ou toxicidade de micronutrientes em soja.

Entretanto, você deve lembrar que as correções só serão feitas na próxima safra.

Isso porque, a amostragem de folhas deve ser feita no período da floração, e nessa fase já não é mais eficiente realizar correção de ordem nutricional.

Para suprir essa necessidade nutricional, é comum a realização dessa adubação de soja no sulco de plantio, aplicando 1/3 a lanço por um período de três anos sucessivos.

Além disso, você pode fazer a adubação foliar de micronutrientes.

Note abaixo a indicação da aplicação de doses de micronutrientes no solo, para a cultura da soja:

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(Fonte: Sfredo et al. (1999,2007) em Embrapa)

Limites para a interpretação dos teores de micronutrientes no solo, extraídos por dois métodos de análise, para a soja, nos solos do Paraná:

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(Fonte: Embrapa)

Também veja os limites para a interpretação dos teores de micronutrientes no solo para culturas anuais no Cerrado:

14-adubação-de-soja-micro-cerrado

(Fonte: Embrapa)

Adubação foliar de macro e micronutrientes

Em soja a adubação foliar só é recomendada em caso da deficiência de manganês (Mn).

Devem ser aplicados de 350 g ha-1 de Mn (1,5 kg de MnSO4) diluído em 200 litros de água com 0,5% de uréia.

Veja mais sobre esse assunto em: “Porque adubação foliar em soja pode ser uma cilada”.

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Cálculo para achar a formulação NPK ideal

Vamos relembrar um pouco sobre como encontrar a formulação mais adequada de acordo com as recomendações e sua análise de solo.

Por exemplo, se a recomendação for de: N = 10 kg/ha; P2O5 = 60 kg/ha e K2O = 30 kg/ha.

Primeiro passo

Calcule a relação entre os nutrientes dividindo todos pela dose recomendada de nitrogênio:

N= 10/10 = 1

P2O5 = 60/10 = 6

K2O = 30/10 = 3

Assim, a relação é de 1:6:3

Segundo passo

Multiplique a relação por um múltiplo inteiro, como por exemplo 5.

Temos então a fórmula 05-30-15

Terceiro passo

Quanto deverá ser aplicado

Em 100 kg da fórmula 05-30-15……………….15 kg K2O

                                            X………………….30 kg K2O

                                            X = 200 kg/ha da fórmula 05-30-15

Lembrando que se você chegar à uma fórmula que não tem na sua região, você pode fazer a conta contrária, como por exemplo:

Só existe disponível a fórmula 5-10-10.

Assim, temos:

Se a cada 100 Kg temos 5 Kg de N, 10 Kg de K2O e 10 Kg de P2O5, com 300 Kg/ha temos as quantidades de 15, 30 e 30.

Fica claro que ainda falta 30 Kg/ha de P2O5 segundo a recomendação, a qual posso complementar com outro adubo fosfatado.

>> Leia mais: “Como identificar e evitar a deficiência de boro na soja

Conclusões

A adubação deve ser feita de acordo com a análise de solo, condições de manejo e outros fatores externos como preços.

Há algumas maneiras de realizar a adubação e aqui fizemos um rápido manual coletando as pesquisas científicas que demonstraram resultados efetivos.

Para realizar a adubação de soja adequadamente, sem desperdícios ou deficiências, é preciso planejar tudo isso anteriormente, criando o melhor programa de adubação para a sua propriedade.

>> Leia Mais:
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Bibliografia Consultada:
Sediyama, T., Silva, F., & Borém, A. (2015). Soja: do plantio à colheita. Viçosa: UFV.
Sistemas de Produção: Tecnologias de Produção de Soja – Região Central do Brasil 2014. Embrapa Soja.
International Plant Nutrition Institute – IPNI Seja doutor da sua soja.

Gostou das dicas? Tem outras dicas a respeito de adubação de soja? Gostaria de ver seu comentário abaixo!