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Por que adubação foliar em soja pode ser uma cilada

- 16 de julho de 2018

Adubação foliar em soja pode ser utilizada em algumas estratégias, mas também pode se tornar problema se não feita adequadamente.

A ocorrência de problemas no plantio e estabelecimento das lavouras fazem com que muitos produtores corram atrás do prejuízo a todo custo.

Isso ocorreu, por exemplo, na safra 2017/18 de soja.

Diante desses contratempos as lavouras podem apresentar desenvolvimento irregular.

Assim, muitos produtores recorrem a soluções alternativas, sendo a adubação foliar muito utilizada nesse sentido atualmente.

No entanto, a escolha errada do fertilizante pode diminuir em mais de 400% a eficiência de aplicação foliar do nutriente.

Por isso, confira todas as principais dicas sobre adubação foliar a seguir:

Adubação foliar: O que é e qual sua importância

Uma das formas de auxiliarmos as plantas de soja no processo de obter os alimentos necessários para o bom desenvolvimento é através do processo de adubação.

As plantas precisam de um solo rico em nutrientes para que possam se desenvolver bem, e para que o solo se mantenha forte e rico em nutrientes é necessário que ocorra a adubação para a quantidade de nutrientes ideal seja atingida.

Porém, quando esses nutrientes não são fornecidos pelo solo, existem outras maneiras de reposição na planta, como é o caso da aplicação foliar, ou: adubação foliar.

Essa adubação de soja (foliar) consiste em um processo nutricional complementar.

Desse modo, essa adubação deve trabalhar em parceria com a do solo, inclusive a adubação foliar deve procurar fornecer nutrientes diversificados, além do NPK normalmente fornecido pelos adubos.

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(Foto: Adaptado de Wolf Traxx)

A opinião da adubação foliar em soja por especialistas

Áureo Lantmann, do Projeto Soja Brasil, afirmou que a adubação foliar em soja pode ser um fator que precisa ser avaliada com cuidado, não sendo uma unanimidade no setor.

Áureo também ressalta que muitas vezes os resultados dessa prática são exagerados e tratados de forma genérica, sem mencionar as particularidades que devemos nos atentar.

O especialista Dirceu Gassen afirma que a aplicação foliar pode ser viável, mas que o mais importante é a adubação via solo.

Na opinião dele, os adubos foliares são apenas estratégias de estímulo para crescimento da planta para casos específicos.

Em uma busca rápida na internet você poderá ver que a opinião de especialistas é quase unânime: a adubação foliar é complementar e mais eventual do que rotineira.

Para a adubação foliar realmente compensar, veja os cuidados e como saber seu custo-benefício a seguir:

Cuidados e custo-benefício com adubação foliar em soja

A utilização de sais e outras substâncias para a adubação foliar em soja pode resultar em queima das folhas.

Isso reduz a capacidade de fotossíntese da lavoura e pode reduzir a produtividade final ao invés de aumentá-la.

Portanto, vale a pena estudar a bula do produto, a concentração e vazão recomendadas, e consultar a empresa fabricante caso haja algum problema.

Outro cuidado fundamental para esse e outros produtos é o custo: será que compensa mesmo esse tipo de adubação?

É estimado que a aplicação foliar de micronutrientes fique entre R$ 50 e R$ 70 por ha, mas há muitas particularidades em cada fazenda que precisam ser levadas em consideração.

Desse modo, anote em um caderno ou planilha as seguintes informações para conhecer se essa adubação compensa:

  • custo do adubo foliar (R$/L);
  • dose recomendada (L/ha);
  • número de aplicações necessárias;
  • custo da aplicação por hectare (R$/ha);
  • resposta esperada em produtividade (kg/ha);
  • valor de venda do produto (R$/sc).

Multiplicando o custo do adubo foliar pela dose recomendada e pelo número de aplicações você terá o custo total do produto por hectare. Some o resultado dessa conta pelo custo da aplicação por hectare. Agora você terá o custo total da adubação foliar.

Para saber se realmente esse custo compensa, estime a resposta em produtividade e o preço que venderá sua casa de soja.

Após isso, multiplique o número de sacas esperadas em resposta a essa adubação pelo preço de venda por saca. Esse será seu ganho devido à adubação.

Subtraia o ganho que você teve por hectare pelo custo total da aplicação. Desse modo você verá se teve prejuízo ou ganhos com essa aplicação (custo-benefício).

Veja o exemplo abaixo:

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*Dados meramente ilustrativos.

Note que uma estimativa real dos ganhos de sacas de soja devido a adubação são essenciais para verificar o verdadeiro custo-benefício.

Você também percebeu que fazer essas contas para esses e outros produtos em um caderno ou planilha de excel é trabalhoso e sujeito à muitos erros.

Você simplificar tudo isso e ainda visualizar melhor todos os seus dados por meio de um software de gestão agrícola:

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Adubação foliar em soja: principais nutrientes

A soja é uma cultura exigente em termos nutricionais e eficiente em absorver e utilizar os nutrientes contidos no solo, principalmente nitrogênio (N), potássio (K), cálcio (Ca), fósforo (P), magnésio (Mg) e enxofre (S).

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Sintomas de deficiência nutricional em plantas
(Fonte: Semear & Plantar)

Os micronutrientes, ou seja, aquelas que a planta precisa em menor quantidade, são os mais utilizados na adubação foliar, já que são menos encontrados em fertilizantes convencionais.

Um dos micronutrientes mais utilizados em soja é o manganês, confira o porquê:

Adubação foliar em soja: O caso do Mn

No caso da soja, temos o caso do manganês (Mn) com crescente uso de sua adubação foliar.

A redução de rendimento de soja pode chegar até 25% pela deficiência de Mn.

Diante desse quadro, há 2 fatores que interagem negativamente alterando o estado nutricional das plantas:

1. A deficiência nestas áreas tem sido atribuída à utilização de calcário dolomítico (>12% de MgO)

Em cobertura sem incorporação do produto, a maior quantidade de Mg aplicada inibe de forma significativa a absorção de Mn e Zn por efeito de inibição.

Além disso, a elevação do pH a valores próximos da neutralidade causa um novo equilíbrio dos íons na solução do solo em detrimento dos micronutrientes.

2. Uso de cultivares de soja transgênicas

Com aplicação do herbicida glifosato, existe um efeito negativo na síntese do ácido chiquímico, diminuindo a absorção alguns elementos metálicos (Cu, Mn e Zn).

Isso faz com que a cultura apresente sintomas foliares de deficiência após a aplicação do herbicida.

Quando a concentração é aumentada, pode ocorrer a queima das folhas.

Na prática, têm sido obtidos resultados muito inconsistentes quanto à sua eficiência, é necessário portanto a realização de mais estudos para a confirmação desse fato.

Assim, a aplicação de Mn via foliar é recomendada, sendo indicada nos estádios entre  estádio reprodutivo da soja V4 e R1.

No entanto, essa adubação deve ser feita de maneira adequada para realmente dar resultados positivos.

Algumas vantagens em utilizar a adubação foliar

1. Melhor aproveitamento do produto

A adubação foliar em soja é uma técnica que foca nos detalhes da nutrição de uma planta.

Isso significa que é preciso aplicar a dosagem certa no local certo, para que os resultados sejam os melhores possíveis.

Uma das consequências dessa técnica tão assertiva é, sem sombra de dúvidas, um melhor aproveitamento do fertilizante que está sendo utilizado na plantação.

Podemos afirmar que um volume do produto aplicado com a adubação foliar em soja dura muito mais tempo – e traz muito mais resultado – do que aquele aplicado com técnicas tradicionais.

As plantas conseguem assimilar algo em torno de 90% do adubo aplicado, enquanto que no caso da adubação normal no solo, as plantas absorvem em torno de 50%.

2. Resultados mais eficientes no desenvolvimento da plantação

A aplicação assertiva reproduzida na adubação foliar também é a principal responsável pelos resultados mais eficientes em grandes e pequenas produções agrícolas.

Isso acontece porque a planta, com essa técnica, recebe a dosagem ideal de nutrientes que precisa.

A adubação foliar causa estímulos ao metabolismo das plantas, ajudando na formação de aminoácidos, clorofila, proteínas e outros elementos.

Além de fornecer maior mobilização dos nutrientes pelas folhas da planta, aumentando a taxa de fotossíntese e estimulando a absorção pela raiz, entre outros.

3. Facilidade de aplicação

Por mais incrível que possa parecer, a adubação foliar é uma técnica de fácil aplicação.

A única exigência é um treinamento específico e um planejamento rígido para garantir os bons resultados que promete

4. Ocupa pouco espaço no estoque

Se você usa uma dosagem menor de fertilizantes para obter os melhores resultados, é claro que isso vai refletir significativamente na sua capacidade de estocar esse produto na sua lavoura.

Uma das grandes queixas de produtores é o grande volume de produto demandado pela plantação toma um grande espaço físico no espaço de trabalho.

A adubação foliar reduz essa perda de espaço, tornando a tarefa de estocar um produto de qualidade ainda mais fácil e eficiente.

Falando em estoque, você pode ter um maior controle do seu por meio de planilhas.

5. Custo benefício pode ser positivo

No primeiro momento você vai imaginar que a adubação foliar aparenta ser uma técnica muito mais cara do que a fertilização tradicional.

No entanto, em certos casos, o ganho de quem utiliza esse recurso é de três a dez sacas por hectare.

Mas para verificar se o lucro ocorre mesmo, é preciso colocar na ponta do lápis, ou na tela do computador, os seus custos.

Aqui neste texto você já viu como fazer esse cálculo de adubação para soja e ficar atento à essa questão.

6. Menor risco de danos ao ambiente

A adubação foliar resulta em maior segurança ao meio ambiente já que a absorção dos fertilizantes é bem maior nessa prática.

Com isso, as chances de contaminação de solo e lençol freático são significativamente menores.

Mas para que todos esses benefícios se concretizem devemos seguir algumas recomendações:

Recomendação de adubação foliar em culturas de soja

O período de aplicação dessa adubação foliar em soja deve ser quando os nutrientes são absorvidos em maior quantidade.

Isso corresponde à fase do desenvolvimento da planta, começando em V2 (primeira folha trifoliada completamente desenvolvida) até R5 (início de enchimento de grãos).

Além disso, a velocidade de absorção aumenta durante a floração e início de enchimento dos grãos.

Aliado ao aumento da velocidade de absorção, verifica-se também uma alta taxa de translocação na planta ao longo desse período.

A seguir você pode ver outras recomendações para adubação foliar em soja:

Fonte utilizada:

Diferentes fontes possuem diferentes eficiências de absorção na planta, por isso, pesquise e se atente a esse fator quando escolher seu fertilizante foliar.

Tipo de folha e arquitetura da planta:

Verifique o grau de inclinação da folha em relação ao seu eixo para determinar de que modo a aplicação pode ser mais eficaz.

Além disso, cultivares de soja que apresentam maior exposição da face inferior da folha, tamanho menor e semirreta são mais eficientes na absorção foliar de nutrientes que cultivares com folhas grandes.

Horário de aplicação foliar:

Deve ser feita entre 15h e 19h.

Estresse hídrico:

Há pouca eficiência se a aplicação for realizada quando a planta apresenta déficit hídrico acentuado.

Vento:

O excesso deste diminui a eficiência da aplicação e as plantas fecham os estômatos para reduzir a perda de água.

Como definir a necessidade de adubação foliar

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(Fonte: Adaptado de Monteiro, Carmello e Dechen)

Assim como a adubação tradicional via solo de complementar a nutrição da planta em quantidade e qualidade, a adubação foliar também precisa ser definida e utilizada com objetivos específicos e baseada em critérios técnicos/econômicos.

Com relação aos critérios técnicos, a decisão de usar ou não algum nutriente via foliar, deve estar apoiada na análise foliar.

Somente após a interpretação desta, será possível decidir pela correção de deficiências ou ainda, constatar toxicidade de nutrientes.

Na verdade, há necessidade de um diagnóstico em que se considere:

1) Resultados de análise de solo;

2) Resultados de análises foliar de anos anteriores;

3) Conhecimentos da adubação utilizada no ano e principalmente das adubações de anos anteriores;

4) Histórico de sintomas de deficiências em anos anteriores principalmente de micronutrientes;

5) Considerar a resposta apresentadas com o uso de adubos foliares em anos anteriores.

Sem esse conjunto de informações,adubação foliar em soja fica sem objetivo e sem parâmetro de referência para sua recomendação.

Nos casos de cobalto e molibdênio e do manganês, há argumentos técnicos para suas recomendações via foliar.

Cobalto e molibdênio, quando não foram adicionados via sementes, em que pese ser esta ainda a mais eficiente forma de adubação para esses dois nutrientes, pode se optar pela via foliar.

Para o manganês, quando surgirem sintomas ainda no período vegetativo, se recomenda a aplicação foliar.

Bom lembrar que de soja RR, após aplicação do glifosato, são induzidas a falta de manganês, que pode ser corrigida com adubo foliar.

Conclusão

O adubação foliar em soja é uma boa alternativa para complementar a adubação feita através do solo.

Porém, que fique claro que o adubo foliar não substitui a fertilização do solo, apenas o complementa.

Para isso, a análise foliar é fundamental para identificar as deficiências das plantas e principalmente saber se há necessidade de aplicação foliar.

Além disso, é necessário verificar se os custos compensam os ganhos, obtendo a segurança na tomada de decisão da adubação foliar em soja.

Gostou das dicas? Você usa a adubação foliar? Tem outras informações sobre essa prática que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!

Comentários

  1. Guilherme Pegoraro disse:

    Gostaria de saber em relação ao uso de silício via foliar , pois li que ele proporciona uma barreira protetora na planta e isso gera grandes benefícios para a planta, acarretando em ganhos de produtividade.

  2. Sannio Miranda pereira disse:

    Ótimo material

  3. Andre disse:

    Neste texto o autor comenta sobre a falta de Manganes apos aplicaçao de glifosato na soja RR, porem vi em alguns estudos que a adubaçao com manganes neste caso não proporciona aumento de produtividade. Gostaria de saber se esta afirmaçao da materia é baseada em algum experimento empirico ou estudo.
    No mais, obrigado pelo conteudo, o blog sempre me ajuda a compreender alguns assuntos.

    1. Raíssa Natasha Ciccheli disse:

      Olá, Andre
      Sou da comunicação da Aegro.
      Geralmente, muitas informações de nossos artigos são baseadas na experiência do redator. Neste caso, existem vários relatos sobre o uso do manganês no aumento ou não da produtividade. Junto com nossos especialistas do agro, pesquisamos e encontramos que a aplicação do glifosato pode causar fitotoxicidade nas plantas e o nível desse evento vai depender muito da cultivar, etc. A aplicação de Mn via foliar pode ajudar a diminuir esse efeito nas plantas.
      Mas claro, o ideal sempre é realizar o monitoramento adequado em sua área.
      Obrigada por nos acompanhar, abraço!

  4. Paulo Londero disse:

    Bom material, espero ler mais sobre o assunto, pois acho muito interessante este tipo de adubação, por se tratar, de complementação de nutrição para as plantas.

  5. José Carlos Viana Dias disse:

    Gostaria de saber por que as aplicações de adubos foliares os melhores horários são das 15:00 as 19:00

    1. Raíssa Natasha Ciccheli disse:

      Olá, José Carlos
      Sou da comunicação da Aegro.
      Verifiquei a sua dúvida com nossos especialistas e é um horário onde normalmente ocorre boa absorção e menos perdas devido às condições do ambiente (não tem luminosidade e temperatura extrema).
      Veja também mais informações nesse artigo: https://blog.aegro.com.br/adubacao-foliar/

      Agradecemos por nos acompanhar,
      Abraço! 🙂

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