Ciclo da ferrugem da soja: ciclo da doença, ocorrência na safra 2019/20, medidas de manejo, controle químico e redução da eficiência de fungicidas.
A ferrugem asiática é uma doença de grande importância para a cultura da soja, que além do elevado custo com o seu manejo, pode causar perdas de produtividade.
Essa doença possui custo médio de US$ 2,8 bilhões por safra no Brasil, o que pode afetar a lucratividade da lavoura de soja.
Para reduzir custos e perdas é importante conhecer o seu ciclo, saber como está a ocorrência da doença nas regiões produtoras e as principais medidas de manejo.
Por isso, aproveite este texto para tirar suas dúvidas sobre o ciclo da ferrugem da soja, assim como medidas para combatê-la. Confira!
Índice do Conteúdo
- 1 Como está a ocorrência da ferrugem asiática na safra 2019/20?
- 2 Ciclo da ferrugem da soja
- 3 Identificação da ferrugem asiática na lavoura
- 4 Manejo da ferrugem asiática da soja
- 5 Fungicidas para o manejo do ciclo da ferrugem da soja
- 6 Redução da eficiência de fungicidas para controle da ferrugem asiática
- 7 Conclusão
Como está a ocorrência da ferrugem asiática na safra 2019/20?
A ferrugem chegou ao Brasil em 2001, na região do Paraná, e rapidamente foi constatada nas demais regiões produtoras de soja do país.
Sendo considerada uma das doenças mais severas da cultura da soja, ela pode interferir na produção e causar danos de até 90%.
Nesta safra (2019/20), o primeiro registro da doença ocorreu no Paraná no fim de 2019.
Houve um menor número de ocorrência nesta safra – 68 – contra 242 focos da safra passada 2018/19, no mesmo período do ano (até 28 de janeiro).
Segundo a pesquisadora da Embrapa Cláudia Vieira Godoy, isso ocorreu porque a semeadura da safra atual aconteceu mais tardiamente e de maneira mais espalhada por conta da falta de chuva, diferente da safra passada.
Mas as chuvas do início de 2020 podem proporcionar condições que favoreçam a ocorrência da doença, por isso, os produtores não podem descuidar do monitoramento da ferrugem e das medidas de manejo.
Até o momento já foram registrados mais de 65 focos de ferrugem asiática pelo Brasil, sendo apresentado maiores ocorrências nos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul.
Você pode utilizar o Consórcio Antiferrugem para monitorar os focos de ferrugem da soja na sua região.

Para entender mais sobre a doença e quais medidas de manejo utilizar, é importante conhecer o ciclo da ferrugem asiática.
Ciclo da ferrugem da soja
A ferrugem asiática da soja é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que é disseminado principalmente pelo vento, ou seja, os esporos do fungo (urediniósporos) são disseminados de um local para outro podendo ir a longas distâncias.
Os esporos são depositados na folha de soja e para que o fungo infecte a planta são necessárias condições favoráveis como disponibilidade de água livre na folha, no mínimo de 6 horas de molhamento foliar e temperatura entre 15 e 25°C.
Dessa forma, as chuvas também podem favorecer o desenvolvimento da doença.
O fungo da ferrugem da soja penetra através da cutícula da folha da soja de forma direta, para infectar a planta. Após alguns dias, podem ser observados os primeiros sintomas.
Inicialmente, na parte superior das folhas podem ter pequenos pontos, com coloração mais escura que o tecido sadio, variando de verde a cinza.
Na parte inferior das folhas ocorrem as lesões – urédias (também chamadas de pústulas), com coloração castanha a marrom.
E nessas pústulas são formados os esporos que podem ser dispersos para o ambiente e começar novamente o ciclo.

Sintomas da ferrugem asiática na parte inferior da folha
(Fonte: arquivo pessoal da autora)
Com o progresso da doença, se as folhas apresentarem alta densidade de lesões ficam amarelas e caem, causando desfolha na lavoura e afetando a produção.
Em condições favoráveis, o fungo completa o seu ciclo de vida de 6 a 9 dias.
Essa foi uma rápida explicação do ciclo da ferrugem asiática da soja que você pode conferir na ilustração abaixo.

(Fonte: Reis e Carmona em Promip)
A doença evolui em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, mas é possível observar com frequência a partir do fechamento do dossel, pela formação de um microclima favorável ao desenvolvimento da doença.
Além das plantas de soja da lavoura e das tigueras (plantas voluntárias), a ferrugem apresenta uma ampla gama de plantas hospedeiras, mais de 150 espécies.
E como você pode identificar essa doença na sua lavoura? Veja a seguir.
Identificação da ferrugem asiática na lavoura
Para manejar o ciclo da ferrugem da soja é muito importante identificar a doença rapidamente na lavoura.
Para isso é importante o monitoramento constante!
Primeiro observe as folhas do terço inferior e/ou médio das plantas, principalmente nos locais com maior probabilidade de acúmulo de umidade, para verificar se há sintomas e estruturas do fungo.
Após isso, verifique as folhas na parte superior e veja se há pontos escuros.
Se observar pontos escuros, utilize uma lupa e verifique se existe a presença de saliências (urédias) na parte inferior (face abaxial ou verso da folha) das folhas .

(Fonte: Grupo Cultivar)
Quando as urédias liberam os esporos, fica-se com aspecto de “vulcão”.
Assim, quanto antes você perceber que a sua lavoura está doente, mais cedo vai controlá-la e menos perdas a doença causará.
Além do monitoramento, veja outras medidas de controle durante o ciclo da ferrugem da soja.
Manejo da ferrugem asiática da soja
Para o controle da ferrugem asiática da soja, as medidas de manejo que você pode utilizar são:
- Monitoramento da lavoura de soja e de focos da ferrugem asiática na região para definir o momento ideal do controle;
- Vazio sanitário: período de 60 a 90 dias sem o plantio de soja ou plantas voluntárias no campo. Esse período reduz a sobrevivência do fungo no campo, atrasando a ocorrência da doença na safra;
- Uso de variedades precoces;
- Calendarização da semeadura (no início do período recomendado): para reduzir o número de aplicações de fungicidas e, com isso, diminuir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas, já que essa doença pode ser dispersa a longas distâncias pelo vento;
Veja os estados que fazem parte da calendarização e do vazio sanitário e não se esqueça de observar o período ou a data dessas medidas para a sua região.

- Controle químico (fungicidas): pode ser utilizado de maneira preventiva ou no aparecimento de sintomas;
- Uso de cultivares resistentes ou mais tolerantes quando disponíveis;
- Integração de vários métodos de manejo para prevenir a redução da eficiência de fungicidas e de plantas resistentes.
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Fungicidas para o manejo do ciclo da ferrugem da soja
Como já comentamos, os fungicidas podem ser utilizados após a identificação dos primeiros sintomas ou preventivamente.
Para realizar o controle preventivo é importante observar alguns fatores como: aparecimento da ferrugem asiática (presença do fungo e condição climática favorável), logística de aplicação (disponibilidade de equipamentos e tamanho da propriedade), presença de outras doenças e custo do controle.
Já são 68 fungicidas registrados com vários modos de ação que você pode consultar no Agrofit e utilizar para o controle da ferrugem da soja na sua lavoura.
Para te auxiliar nessa escolha, a Embrapa realiza um estudo durante toda a safra de soja sobre a eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem asiática.
Assim são obtidas a severidade da doença, a porcentagem de controle, a produtividade e a porcentagem de redução de produtividade. Veja as informações que foram obtidas durante a safra 2018/19.
Lembre-se que se deve utilizar mais de um tipo químico para melhorar a eficiência do controle e reduzir a resistência do fungo a fungicidas.
Redução da eficiência de fungicidas para controle da ferrugem asiática
A resistência de fungos a fungicidas ocorre por processos evolutivos, mas o uso incorreto (uso contínuo do mesmo fungicida com mesmo modo de ação e doses incorretas) pode adiantar esse processo.
Para o ciclo da ferrugem da soja houve redução da eficiência dos fungicidas dos grupos químicos: Estrobilurinas, Triazóis e Carboxamidas.
Para utilizá-los, o FRAC orienta que:
As Estrobilurinas devem ser utilizadas no controle da ferrugem de forma preventiva, combinadas com fungicidas triazóis, triazolintione e/ou carboxamidas, garantindo adequados níveis de eficácia.
Já as Carboxamidas devem ser utilizadas de forma preventiva e também em combinação com o grupo químico das Estrobilurinas.
Para reduzir a resistência de fungos a fungicidas, algumas medidas podem ser utilizadas, como:
– Realizar rotação de fungicidas com diferentes modos de ação;
– Uso do fungicida somente na época, na dose e nos intervalos de aplicação recomendados no rótulo/bula;
– Utilizar outras medidas de manejo (integração);
– Redução do número de aplicações e calendarização da semeadura;
– Consultar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para auxiliar nas recomendações.
Conclusão
Vimos que conhecer o ciclo da ferrugem da soja é importante para entender como ela ocorre, as condições do ambiente que são favoráveis e para identificar as melhores medidas de manejo.
E que entre essas medidas, o controle químico é muito usado nas lavouras de soja, mas já foram identificados fungicidas com redução da eficiência para controle.
Agora que você sabe essas informações, monitore a sua lavoura, integre várias medidas de manejo e reduza perdas com a ferrugem asiática na sua lavoura!
Você teve problemas com essa doença na safra 2019/20 na sua propriedade? Como você controla o ciclo da ferrugem da soja? Adoraria ver seu comentário abaixo!