Cigarrinha-das-pastagens: Principais características e como se livrar dessa praga com controle cultural, químico e biológico.

Você já reparou que, logo após os períodos chuvosos, algumas áreas de pastagens ou do consórcio milho-braquiária, costumam ficar amareladas? 

Eu te dou 99% de certeza que a cigarrinha-das-pastagens é a maior culpada desses sintomas. 

Mas como esses sintomas aparecem e o que fazer para evitar?

Respondemos essas e outras perguntas a seguir! Confira e entenda mais sobre a cigarrinha-das-pastagens!

Características da cigarrinha-das-pastagens

Existem várias espécies de cigarrinha-das-pastagens que provocam danos em gramíneas forrageiras utilizadas na pecuária para alimentação animal.

Algumas são pragas também em milho safrinha, principalmente quando consorciado com braquiárias

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Presença de cigarrinha-das-pastagens, Deois flavopicta, em milho

(Fonte: Ivan Cruz

As espécies são da família Cercopidae que pertence à ordem Hemiptera

As principais são Deois schach, Deois flavopicta, Deois incompleta e Zulia entreriana.

Todas elas têm hábitos muito semelhantes e suas diferenciações se dão por características morfológicas. 

Tanto os adultos como as ninfas (fase jovem) causam danos, pois sugam a seiva da planta e injetam toxinas. Isso provoca aquele amarelecimento característico, chamado de “queima do pasto”.

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Sintoma provocado pela infestação de cigarrinha-das-pastagens

(Fonte: Giro do Boi)

As cigarrinhas adultas ficam na parte aérea, enquanto as ninfas ficam na base do capim protegidas por um tipo de espuma que permite manter o ambiente úmido. 

Já os ovos são colocados no solo e, em períodos secos, permanecem inativos. Quando começa a estação chuvosa, eclodem.

Agora você consegue entender melhor porque a “queima das pastagens” ou aquele amarelecimento acontece após o início de períodos chuvosos?

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Espuma característica para proteção das ninfas de cigarrinhas-das-pastagens 

(Fonte: Bioseeds)

Como manejar a cigarrinha-das-pastagens

O pesquisador da Embrapa, Roni de Azevedo, sugere que a melhor forma é fazer o Manejo Integrado de Pragas (MIP), compatibilizando várias táticas. 

Para isso, é necessário que você fique atento, principalmente, com a temperatura e com a umidade. Veja a imagem abaixo. 

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Incidência das cigarrinhas e épocas de controle 

(Fonte: Gallo et al., 1988)

Quando começam as primeiras chuvas, os ovos que estavam em diapausa (ou inativos) iniciam uma primeira geração. Se não forem tomadas as decisões corretamente, podem ocorrer até três gerações que causarão prejuízos. 

Para evitar que ocorram os danos, podem ser feitos os controles cultural, químico e biológico. Vou explicar melhor a seguir:

Controle cultural da cigarrinha-das-pastagens

Dentre as táticas de controle cultural, a diversificação de espécies de gramíneas é essencial. 

Você deve utilizar cultivares resistentes à cigarrinha (Brachiaria brizantha cv Marandu, Panicum maximum cv Massai) e cultivares suscetíveis (Brachiaria decumbens cv Basilisk, Brachiaria ruziziensis). 

Dessa maneira, você evita a seleção de insetos resistentes. 

Além disso, o manejo correto do solo antes e durante a utilização dos pastos vai permitir que as plantas sejam mais vigorosas e resistam mais ao ataque das pragas

Uma outra tática é a divisão de piquetes que vai te permitir evitar o superpastejo, mantendo as pastagens em uma altura ideal para a não proliferação das cigarrinhas.

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Pastagem dividida em piquetes 

(Fonte: Gabriel Faria/Embrapa)

Controle biológico

Naturalmente, no próprio meio ambiente, existem muitas espécies de insetos benéficos que reduzem as populações das cigarrinhas-das-pastagens. 

Os principais predadores são as espécies de moscas Porasilus barbiellinii e Salpingogaster nigra e várias espécies de formigas. E também pode ocorrer o parasitoide de ovos Anagrus urichi. 

E ainda você pode fazer o controle com aplicação de fungos entomopatogênicos Metarhizium anisopliae, o fungo verde, na segunda e terceira geração das cigarrinhas. 

Para o uso do fungo Metarhizium anisopliae é ideal que você monitore a área e faça aplicações somente quando forem observados entre 6 e 25 ninfas ou 20 a 30 adultos por m². 


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Incidência das cigarrinhas e épocas de controle

(Fonte: Gallo et al., 1988)

Controle químico

Antes de decidir pelo controle químico, você deve estar atento ao nível de controle dessa praga. Para isso, é necessário que você faça o monitoramento

Se no seu monitoramento, você observar mais do que 25 ninfas ou 30 adultos por m², entre com a aplicação de inseticida

Os animais que estiverem na área devem ser retirados para os tratamentos e você pode retorná-los após o período especificado pelo fabricante do produto. 

Veja abaixo alguns inseticidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA):

  • Clorpirifós – (Lorsban 480 BR)
  • Carbaril – (Sevin 850 WP)
  • Tiametoxam + Lambdacialotrina – (Engeo Pleno)

Sempre consulte um engenheiro agrônomo antes de fazer qualquer aplicação.

>> Leia mais: “Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas

Conclusão

Na maioria das vezes, o amarelecimento das pastagens em épocas chuvosas se dá pela alta incidência das cigarrinhas-das-pastagens. 

Fazer o monitoramento vai te auxiliar a entrar com controle, quando necessário.

Nesse artigo, falamos sobre as opções de controle cultural, químico e biológico.

Escolha diferentes cultivares de pastagens, tanto resistentes como suscetíveis: isso irá lhe ajudar com o controle desta praga a longo prazo. 

>> Leia mais: “Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu

>> Leia mais: “4 motivos pelos quais você não deve ignorar a cigarrinha-do-milho

Você tem problemas com a cigarrinha-das-pastagens na sua propriedade? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!