Brachiaria ruziziensis: Saiba como fazer o melhor manejo para plantio direto ou pastagem, além de outras características dessa forrageira

A Brachiaria ruziziensis é uma das espécies mais utilizadas no sistema de plantio direto e em consórcio com outras culturas. 

E não é à toa! Sua fácil dessecação e baixo potencial competitivo com o milho caíram no gosto de produtores e consultores. 

O manejo se mostrou mais fácil dentro do sistema de produção e seu uso pode ser uma ferramenta decisiva no sistema de produção e lucro da sua fazenda. Confira como a seguir!


Brachiaria ruziziensis: Importância para o agro 

Originária da África, mais precisamente do vale de Ruzi no Congo, a Brachiaria ruziziensis começou seu processo de melhoramento nos anos 1960, ainda na África. Seu cultivar atual foi lançado em 1961 na Austrália e trazido para o Brasil mais tarde.

Apesar de sua ampla disseminação quando introduzida, seu uso logo diminuiu devido à suscetibilidade ao ataque de cigarrinha-das-pastagens, o que limita seu uso até hoje.  

A Brachiaria ruziziensis se assemelha à sua ‘parente’ Brachiaria decumbens, porém apresenta porte mais alto e cheiro semelhante ao conhecido capim-gordura.

Sua palatabilidade é alta, sendo recomendada nas fases de recria e engorda dos bovinos.

Agora que sabemos um pouco da história e dos principais usos desse capim vamos conhecer melhor suas características e manejo na pecuária e no sistema de produção de grãos.

Características agronômicas da Brachiaria ruziziensis 

A Brachiaria ruziziensis é uma planta perene. Apresenta em média 1 metro de altura, além de ter um rápido estabelecimento e boa germinação das sementes, mesmo sem incorporação.

A espécie é relativamente exigente em nutrientes, requerendo uma saturação de bases entre 50% e 60% e um pH entre 5 e 6,8, não respondendo bem a solos ácidos. 

Devido à sua origem nos trópicos úmidos, sua exigência por água também é alta: cerca de 900 mm a 1200 mm ao longo do ano. Porém a Ruziziensis pode tolerar até 4 meses de seca, chegando à morte em períodos mais extensos. 

A temperatura ideal para o desenvolvimento da planta é de 28o C durante a noite; e 33o C durante o dia, sendo que a temperatura mínima de crescimento da planta é de 19o C. Apresenta adaptação até 2.000 m acima do nível do mar.

A Brachiaria ruziziensis não tolera climas frios e geadas, sendo desaconselhada em regiões suscetíveis. 

É, portanto, uma forrageira que requer solos de média a alta fertilidade, requerendo áreas de plantio com boa drenagem.

Diferente de sua parente decumbens, a ruziziensis apresenta crescimento cespitoso, isto é, ereto. Isso aumenta muito sua captação de luz por área e sua eficiência em fazer fotossíntese, dando à planta uma boa tolerância a sombra. 

brachiaria ruziziensis

Inflorescência de três espécies de Brachiaria 

(Fonte: Machado et al. (2011))

Como apresenta baixo vigor vegetativo, sua rebrota é lenta. Além disso, tem baixa dispersão vegetativa (pelos estolões), o que torna seu manejo um fator importante para persistência da forragem no pasto.

Desse modo, devido às características de baixa rebrota e baixa habilidade de se espalhar pela área, o potencial dessa forrageira agir como planta daninha é baixo. 

Por isso, pode ser utilizada com maior segurança no sistema de produção.

Manejo da Brachiaria ruziziensis para Plantio Direto

Dentro do sistema de plantio direto existem algumas medidas importantes para o manejo adequado da Brachiaria ruziziensis.

O primeiro deles é a escolha entre consórcio com milho ou sobressemeadura com a soja.

Na sobressemeadura, a época correta de semear a brachiaria é entre a fase de enchimento de grãos e o início da maturação da soja (R5 a R7).

Já no consórcio com milho, existem dois tempos em que o produtor pode optar pelo plantio da forrageira. O primeiro é junto com a semeadura do milho. O segundo, durante a época da adubação de cobertura do cereal (V3 a V4). 

Essa diferença entre a época de semeadura da brachiaria em relação ao milho impacta na produção de forragem do capim e no potencial de interferência dele na cultura do milho

Agora outro ponto a ser definido é a quantidade de sementes a serem utilizadas. Em consórcio, essa quantidade pode diferir muito (2 kg/ha a 10 kg/ha). 

Mas como saber a quantidade mais adequada?

brachiaria ruziziensis

No uso da forrageira para cobertura do solo, com alto valor cultural (acima de 90%), com capim semeado em linha, por exemplo, você pode utilizar uma taxa de semeadura de brachiaria mais próxima a 2 kg/ha.

Dessa forma, passaremos para outra medida importante no manejo da Brachiaria ruziziensis em consórcio: o manejo de herbicidas.

Manejo de herbicidas para Brachiaria ruziziensis

Uma dica importante aqui: em consórcio milho com brachiaria, os herbicidas utilizados para controle das plantas daninhas são:

  • Atrazina (folhas largas)
  • Nicosulfuron ou o Mesotrione (folhas estreitas)

Número de plantas de espécies infestantes e massa seca da parte aérea da comunidade infestante, na pré-semeadura da cultura da soja em rotação

(Fonte: Concenço et al. (2013))

Embora alguns produtores dispensem o uso dos herbicidas para folhas estreitas no consórcio, pois a brachiaria tem alto poder de controle das plantas daninhas, isso ainda irá depender do uso dado à forrageira.

No caso de utilizar o capim como pastagem para engorda dos bois, é possível não utilizar herbicidas para folhas estreitas. Isso irá aumentar a produção de matéria seca do capim. Porém, pode piorar sua qualidade geral e impactar negativamente na produtividade de milho.

Se optar por utilizar a forrageira como cobertura vegetal do solo ou quiser uma pastagem de melhor qualidade, o uso do herbicida para controle de folhas estreitas é recomendado.

No caso do nicosulfuron, o indicado é utilizar 1/2 dose do recomendado na bula para controle da brachiaria. No caso do mesotrione, o indicado é 1/3 da dose de bula.

Veja a tabela abaixo:

brachiaria ruziziensis

(1)Óleo mineral Nimbus a 0,5% v v; (2)Diferenças estatísticas.

Nota: DAE = dias após a emergência da cultura e da forrageira

Massa seca de plantas de Brachiaria ruziziensis (RMB) 150 dias após a aplicação dos herbicidas, em sistema de consórcio milho-brachiaria, em diferentes períodos após a emergência das plantas, sob aplicação de herbicidas

(Fonte: Adaptado de Ceccon et al. (2010))

Dessecação

Na dessecação da Brachiaria ruziziensis, a dosagem de glifosato utilizada pode variar de 1.300 kg a 2.000 kg de ingrediente ativo por hectare. 

Essa variação ocorre pelos seguintes fatores: massa de parte área da forragem (altura) e tempo entre dessecação e plantio da cultura em sucessão.

Quanto mais próxima a altura da forragem a 15 cm ou 20 cm e maior o tempo entre a dessecação e o plantio (acima de 20 dias), menores as doses necessárias de glifosato.

Dica importante: plantas com alturas menores que 10 cm aumentarão a dose necessária para dessecação. Por outro lado, plantas com alturas maiores que 30 cm aumentarão o tempo necessário entre a dessecação e o plantio da cultura de sucessão.

Manejo da Brachiaria ruziziensis para sistema de integração lavoura-pecuária

A Brachiaria ruziziensis apresenta bons atributos para alimentação animal: 

  • Digestibilidade entre 55% e 60%;
  • Teores de proteína bruta entre 10% e 14%;
  • Produção de matéria seca que pode chegar a 15 toneladas/ha.

Como já vimos, a altura de manejo dessa forrageira é extremamente importante devido à sua baixa capacidade de rebrota. 

Dessa forma, a recomendação é de que o produtor entre com o gado na área com uma altura de 30 cm e retire os animais quando o pasto atingir ao redor de 15 cm. 

Essas alturas garantirão um pasto de boa qualidade e uma boa rebrota da pastagem. E, na época de dessecação para o plantio direto, o produtor economizará na aplicação de glifosato.

Conclusão   

Como pudemos ver, a brachiaria ruziziensis é uma ótima espécie para uso em consórcio e como cultura de cobertura para plantio direto.

Não à toa, essa forrageira é uma das mais recomendadas para esses sistemas de produção atualmente.

Diversos estudos têm mostrado que o consórcio do milho com essa forrageira não diminui a produtividade do milho. Ela traz benefícios para o produtor como combate à erosão; melhora da fertilidade do solo; além da melhora física do solo.

Deste modo, o uso da Brachiaria ruziziensis com o conhecimento das medidas de manejo que abordamos aqui pode ser uma ferramenta decisiva no sistema de produção e lucro!

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Você já teve alguma experiência com o uso da Brachiaria ruziziensis? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!