Cobre nas plantas: qual a importância para a agricultura, como e quando aplicar, sintomas de deficiência ou excesso e mais!
O cobre é um dos elementos necessários para o crescimento, desenvolvimento e reprodução das plantas.
Seu excesso ou sua falta podem causar danos sérios à sua lavoura. Por isso, estar de olho nos sintomas é a primeira medida para evitar problemas.
Você sabe identificar se o nutriente está em equilíbrio? Confira essa e outras informações neste artigo!
Índice do Conteúdo
Importância do cobre nas plantas
Os nutrientes exigidos em maiores quantidades pelas plantas são denominados macronutrientes. Os que são exigidos em menores quantidades são os micronutrientes.
O cobre é um micronutriente. As plantas precisam de pouca quantidade dele para suprir as necessidades. Porém, sua falta causa prejuízos na parte nutricional, fisiológica e protetora das plantas.
O cobre participa nos seguintes processos e modos nas plantas:
- participação em enzimas;
- fotossíntese;
- distribuição de carboidratos;
- metabolismo de proteínas;
- redução e fixação do nitrogênio;
- respiração;
- reprodução das plantas;
- lignificação da parede celular;
- aumento da resistência à seca;
- influência na permeabilidade dos vasos do xilema;
- influência na floração e frutificação;
- ajuda no mecanismo de resistência a doenças.
Além de afetar o desenvolvimento das plantas, o cobre está presente em algumas enzimas que interferem na qualidade do produto final.
Uma delas é a polifenoloxidase, em que o cobre está presente no centro ativo. Nos grãos de café, sua presença é essencial para a qualidade da bebida.
São várias as funções desempenhadas pelo cobre nas plantas.
Você precisa saber se sua área consegue fornecer a quantidade necessária para suprir a necessidade da sua cultura.

Teores de cobre considerados adequados para algumas culturas
(Fonte: adaptado de Esalq)
Influência do manejo na disponibilidade do cobre
Se o solo tiver a quantidade adequada de cobre disponível, as plantas conseguem absorver o necessário.
Entretanto, devido à sua baixa mobilidade, 98% do cobre fica retido como quelato.
Assim, retém o cobre os:
- solos de várzea;
- solos de plantio direto;
- solos com elevada quantidade de matéria orgânica;
- ácidos húmicos;
- ácidos fúlvicos.
O pH é outra característica do solo que afeta a disponibilidade desse micronutriente. Quando pH é acima de 7, há menor disponibilidade e solubilidade do cobre no solo.

Disponibilidade dos nutrientes em função do pH do solo
(Fonte: Sementes Biomatrix)
O tipo de solo também interfere no teor de cobre.
Solos arenosos tendem a lixiviar este micronutriente. Os solos argilosos tendem a ter maior concentração, devido à retenção dele pela argila.
Entretanto, não são apenas fatores do solo que interferem na disponibilidade e absorção do cobre nas plantas. Há também a relação com outros nutrientes.
Quando as plantas necessitam de cobre, os sintomas da deficiência são agravados quando há altos níveis de nitrogênio.
Pode ocorrer redução na absorção de cobre pelas plantas, seja da raiz ou folhas, devido ao excesso de ferro, alumínio, fósforo e zinco.
Além da falta, pode ocorrer excesso de cobre. Existem produtos que são utilizados nas plantas que contêm o nutriente.
O cobre presente nesses produtos pode acumular no solo, elevando sua concentração a níveis que causam toxidez.
Como identificar a deficiência ou excesso do cobre nas plantas?
Conhecer os sinais através dos sintomas nas folhas, caule e raízes é fundamental para saber o que está em falta ou excesso. Quanto mais rápida a identificação do sintoma, sua ação será mais rápida e efetiva. Veja abaixo os principais sintomas que as plantas apresentam com a falta ou excesso de cobre.
Deficiência de cobre
- Os sintomas aparecem inicialmente nas folhas novas das plantas. Elas ficam murchas e enroladas.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de trigo
(Fonte: Ipni)
- O pecíolo e talos das folhas mais novas ficam curvados para baixo.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de café
(Fonte: Yara)
- As folhas não apresentam a mesma coloração verde. Ficam com tons amarelados ou verde mais claro, e depois sofrem amarelecimento.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de (A) milho folha amarelada e (B) soja folha com coloração verde clara
(Fonte: (A) Esalq e (B) Biosoja)
- Em algumas culturas, como o café, as plantas podem apresentar elevação nas nervuras secundárias. Isso causa deformação na nervura central, que fica em forma de S.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de café
(Fonte: Yara)
- Ocorre diminuição do transporte de água e solutos pelo xilema, devido à redução da lignificação.
- Ocorre abortamento de flores, o que interfere na produção.

Sintoma da deficiência de cobre em planta de trigo, da esquerda espigas saudáveis e direita espiga com deficiência de cobre
(Fonte: Ipni)
Excesso de cobre
Os sintomas de excesso de cobre ocorrem nas raízes, devido à elevada concentração do elemento no solo.
Um indicativo da ocorrência é a lentidão no crescimento das plantas. O desenvolvimento das raízes é afetado, levando à morte dos tecidos.
A planta tem dificuldade para absorver água e nutrientes, refletindo no baixo porte e até morte das plantas.

Plantas de videira em solos com diferentes teores de cobre (A) parte aérea e (B) sintomas de excesso de cobre nas raízes
(Fonte: Gazeta-RS)
Pode ocorrer também fitotoxicidade nas folhas devido ao uso de produtos feitos à base de cobre. Isso acontece principalmente com os fungicidas cúpricos, causando queima, necrose e deformação das folhas.

Fitotoxidade em folhas de uva causadas por fungicida cúprico
(Fonte: Embrapa)
O excesso de cobre, além dos sinais visíveis nas plantas, prejudica a fotossíntese. Afinal, o excesso afeta o transporte de elétrons, a formação de enzimas, proteínas e carboidratos.
Outro ponto é saber a sensibilidade da cultura ao excesso ou falta de cobre. Algumas são mais sensíveis, outras mais tolerantes à presença do elemento no solo.

Sensibilidade das culturas à deficiência de cobre
(Fonte: Ipni)
Áreas propensas à deficiência de cobre
A deficiência de cobre não é extremamente comum em todas as áreas. Algumas regiões são mais propensas a ter essas ocorrências.

Frequência Relativa das Deficiências de Cobre no Brasil
(Fonte: Esalq)
São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco são os principais lugares sujeitos à deficiência de cobre.
No entanto, há vários fatores que afetam sua disponibilidade. Sempre fique de olho nos sintomas para que sua cultura não seja prejudicada.
Quando aplicar o cobre na lavoura?
Constatada a deficiência do cobre, existem produtos que podem ser utilizados na lavoura em casos de emergência.
O cobre é um nutriente com pouca mobilidade na planta. Assim, as aplicações foliares, independentemente do tipo de produto, não serão muito eficientes.

Principais fontes de cobre existentes no mercado brasileiro
(Fonte: Esalq)
Em caso de culturas perenes, como café e laranja, realizar análise foliar para verificar a concentração deste e outros nutrientes é uma alternativa para evitar a deficiência.
A época de aplicação da adubação foliar, portanto, é quando há presença de sintomas de deficiência ou em uma aplicação preventiva planejada.
A aplicação do nutriente via solo, nas linhas de plantio ou nas áreas perto das raízes, é mais eficiente. Mas tome cuidado, pois as doses não podem ser muito elevadas.
A dosagem dependerá da concentração de cobre no produto aplicado.
De modo geral, para sulfato de cobre, a dose é de 3 kg/ha a 5 kg/ha de cobre. Para os quelatos, a dose é de 0,5 kg/ha de cobre.
Sua disponibilidade pode aumentar durante os anos devido à sua retenção no solo. Por isso, faça a análise do solo com frequência.
Para evitar problemas, busque sempre o acompanhamento e recomendações do engenheiro-agrônomo na sua lavoura!
O que fazer para corrigir o excesso de cobre?
Se o seu problema for o excesso de cobre na área, realize a calagem. Ela causa elevação do pH do solo. Como consequência, reduz a disponibilidade do elemento.
Conclusão
Neste artigo você viu que o cobre nas plantas é fundamental para diversas reações, metabolismos, desenvolvimento e prevenção.
Viu que o manejo do solo influencia diretamente na disponibilidade deste micronutriente para as plantas.
Seu excesso é tão prejudicial quanto sua deficiência, e aprender a reconhecer os principais sintomas de cada um destes cenários é fundamental.
Acompanhe a quantidade desse elemento no solo para definir as estratégias de aplicação.
>> Leia mais:
“Boro nas plantas: manual rápido do manejo desse micronutriente”
“Enxofre para as plantas: recomendações de adubação e manejo”
“Potássio nas plantas: tudo que você precisa saber para fazer melhor uso dele”
Você já precisou realizar alguma prática de manejo devido à falta ou excesso de cobre nas plantas em sua área? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!
Muto bom.
Excelente artigo, parabéns!
Josimar Landim – Engº. Agrônomo – Fortaleza – CE
Muito bom esse artigo, parabéns
Excelente os esclarecimentos. Parabéns.
Os artigos publicados são de extrema elevãncia, muito completos. Sana quaisquer dúvidas. Parabéns.
Meu pé de jabuticaba híbrida há dois anos parou de produzir. Talvez eu tenha colocado muita matéria orgânica e adubo químico. Parei de adubá-la e hoje dei um banho de Sulfato de Cobre com Enxofre. Vou esperar pelos resultados.
Gostei muito do artigo, obrigado.
Trabalho com dende mais tem um problema com
o plantio as folhas estao amareladas o que pode esta acontecendo