Coinoculação em soja: entenda o que é, quais são os benefícios, como realizar e os cuidados necessários nesse processo
A inoculação da soja com bactérias fixadoras de nitrogênio é uma prática bem conhecida. Ela eleva a produtividade dos grãos a um baixo custo.
Além da inoculação com essas bactérias, tem se destacado o uso de outro microrganismo associado ao Bradyrhizobium.
Essa técnica é conhecida por coinoculação ou inoculação conjunta/mista e pode trazer inúmeros benefícios para a sua lavoura.
Confira a seguir um pouco mais sobre a coinoculação em soja e como garantir a eficiência dessa prática. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
O que é a coinoculação e quais bactérias participam dela?
A coinoculação é uma prática que combina mais de um gênero de bactérias ao sistema de inoculação da soja.
Nesse caso, são utilizadas bactérias do gênero Bradyrhizobium e Azospirillum. As bactérias do gênero Bradyrhizobium têm grande importância econômica na agricultura.
Elas são responsáveis por captar o nitrogênio atmosférico e transformá-lo em compostos orgânicos. Esses compostos serão utilizados pela planta de soja.
As espécies de bactérias utilizadas na inoculação da soja são Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii.
Já as bactérias do gênero Azospirillum são conhecidas por promover o crescimento das plantas, atuando em processos fisiológicos e metabólicos. Elas já são amplamente utilizadas na cultura do milho e do trigo.
A espécie Azospirillum brasilense atua na produção de fitormônios e no crescimento das raízes.
Essa espécie também tem a capacidade de solubilizar o fosfato mineral. Isso eleva a concentração de fósforo disponível na solução do solo.
A associação desses dois gêneros de bactérias tem o objetivo de:
- suprir o fornecimento de nitrogênio para as plantas;
- contribuir para o desenvolvimento da soja;
- melhorar o estado nutricional da lavoura;
- aumentar a produtividade.

Principais efeitos da coinoculação de Azospirillum brasilense e Bradyrhizobium spp. na soja, com base em 51 publicações com experimentos de campo realizados no Brasil
(Fonte: Physiotek Crop Science; Adaptado de Barbosa et al., 2021)
Benefícios da coinoculação
A coinoculação em soja com Bradyrhizobium + Azospirillum promove maior desenvolvimento do sistema radicular das plantas. Como consequência, temos:
● nodulação precoce e mais abundante;
● aumento da fixação biológica de nitrogênio, em razão da maior nodulação;
● maior absorção e aproveitamento da água e de fertilizantes;
● maior tolerância a estresses ambientais, como a seca;
● contribui para o vigor das plantas;
● aumento da produtividade.
Além disso, a coinoculação é uma tecnologia ambientalmente sustentável e segura.

Aspecto das raízes de soja inoculada com Bradyrhizobium, sem inoculação e coinoculada com Bradyrhizobium + Azospirillum
(Fonte: Embrapa – Circular Técnica 143)
Inoculantes líquidos x inoculantes sólidos
Os inoculantes disponíveis no mercado são encontrados na forma líquida e sólida, em turfas.
Os produtos sólidos são utilizados nas sementes. Os inoculantes líquidos podem ser aplicados tanto no sulco de plantio quanto misturados às sementes.
Já é possível encontrar fórmulas que combinam Bradyrhizobium + Azospirillum no mesmo produto. Isso garante maior eficiência e rapidez no processo de coinoculação.
Como fazer a coinoculação
Os produtos contendo as bactérias (inoculantes) podem ser aplicados no sulco de plantio ou misturados às sementes de soja.
No caso da aplicação nas sementes, é importante que o processo seja realizado à sombra. O produto pode ser misturado às sementes em betoneira, em tambor rotativo ou em máquinas específicas.
Após esse processo, as sementes devem secar à sombra por 30 minutos.
Elas precisam estar protegidas do sol e de altas temperaturas. Essas condições podem prejudicar a eficiência da inoculação.
Para melhorar a aderência dos inoculantes sólidos às sementes é possível utilizar, de forma combinada, produtos adesivos recomendados pelo fabricante.
Também é possível usar uma solução açucarada a 10%. Existem produtos com função de proteção das bactérias que podem ser utilizados no processo de inoculação.
Após a coinoculação das sementes, é importante que toda a superfície esteja recoberta pelo inoculante.
Caso haja a necessidade do tratamento das sementes com agroquímicos, a inoculação deve ser realizada após esse processo.
Quando aplicado no sulco de plantio, a inoculação é feita com maiores doses do inoculante misturado à água.
Em relação à dosagem do inoculante, é fundamental seguir as orientações técnicas do fabricante.
Cuidados na coinoculação
Por envolver microrganismos vivos, o processo de coinoculação deve ser realizado com cuidado. Além disso, atenção especial deve ser dada ao transporte e à armazenagem dos produtos.
Abaixo, você pode conferir algumas medidas para garantir a eficiência da coinoculação:
● utilizar produtos registrados pelo Mapa (Ministério da Agricultura);
● transportar e armazenar os produtos de acordo com as orientações do fabricante;
● seguir as recomendações da bula do inoculante quanto à dosagem e manipulação;
● conferir o prazo de validade dos produtos;
● evitar que os inoculantes e as sementes tenham contato direto com o sol e à altas temperaturas;
● realizar a coinoculação somente após o tratamento químico das sementes;
● realizar a semeadura no mesmo dia da coinoculação;
● não realizar a coinoculação dentro da caixa de semeadura;
● não realizar a semeadura em condições de solo com baixa umidade (não plantar no pó).
Vantagens da coinoculação em soja
Dentre as vantagens da coinoculação em soja com Bradyrhizobium + Azospirillum, podemos citar:
● técnica de baixo custo e alto retorno;
● técnica ambientalmente segura e sustentável;
● diminui custos com insumos, principalmente em razão da economia com adubos nitrogenados;
● lavouras bem desenvolvidas;
● aumento na produtividade.
É importante ressaltar que essa tecnologia não apresenta desvantagens. No entanto, somente a coinoculação não é garantia de sucesso.
Fatores que influenciam o resultado
Vários fatores podem interferir no resultado da coinoculação.
Por exemplo, é preciso traçar um bom plano de manejo do solo, adubação equilibrada, controle de plantas invasoras e doenças.
Esteja também de olho na época de semeadura, na qualidade da semente de soja, nas condições climáticas e na cultivar plantada.
Conclusão
A coinoculação é uma técnica em que são utilizadas bactérias dos gêneros Bradyrhizobium e Azospirillum na soja.
Essa prática garante o fornecimento de nitrogênio para as plantas, contribui para o desenvolvimento das plantas e aumenta a produtividade.
Para a melhor eficiência do processo de coinoculação em soja, não deixe de seguir as recomendações do fabricante dos inoculantes. Em casos de maiores dúvidas, procure um engenheiro-agrônomo.
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Você conhecia os benefícios que a coinoculação proporciona? Já realizou essa prática em sua propriedade? Conte sua experiência nos comentários.