Colheita de milho: qual é o momento certo para fazê-la e dicas fundamentais

Atualizado em 14 de junho de 2022.

Colheita de milho: maturação fisiológica do grão, umidade ideal, regulagem de maquinários e outros cuidados que fazem a diferença.

Um dos pontos-chave para o sucesso da produção de milho é o momento da colheita. Quanto menores as perdas na colheita, maiores serão seus lucros.

E no caso do milho, diversos fatores como a umidade ideal, linha de leite e até a folhagem são pontos que precisam ser considerados. 

O milho está pronto para ser colhido quando atinge a maturação fisiológica, momento em que 50% das espigas estão com uma pequena mancha preta no ponto de inserção com o sabugo. E o teor de umidade do grão precisa ser superior a 13%.

Em resumo, é preciso cuidar bem do tempo de colheita do milho. Neste artigo, veja pontos fundamentais para ajudar a melhorar essa operação na sua fazenda. Confira a seguir!

Importância da cultura do milho

O milho (Zea mays L.) é uma gramínea anual, com caule do tipo colmo ereto e sistema radicular fasciculado. É um dos cereais mais cultivados no mundo, e é fonte de matéria-prima de vários subprodutos alimentícios, bebidas e combustível.

O milho é utilizado para produção de grãos, de silagem e de milho verde. Sua planta pode atingir dois metros de altura e produzir de uma a duas espigas.

A cultura do milho tem grande importância socioeconômica para o país. É uma planta cultivada em todo território brasileiro. O Brasil está entre os maiores produtores mundiais desse cereal, com expectativa de colher mais de 112 milhões de toneladas de milho na safra 2021/22, crescimento de 27% na comparação com a anterior.

A maior parte da produção de grãos é destinada à fabricação de ração animal. O milho também é utilizado na alimentação humana, em função do elevado valor nutricional.

Planejamento da colheita de milho

O planejamento da colheita começa antes mesmo da implantação da lavoura. Primeiramente, é importante que a área plantada seja dividida em talhões. Isso vai facilitar a movimentação das máquinas e o escoamento da produção. 

No planejamento da colheita de milho, é preciso considerar alguns pontos, como:

  • umidade do milho para colheita;
  • tamanho da área plantada;
  • ciclo do milho;
  • condições climáticas;
  • janela de colheita;
  • maquinário e mão de obra disponível;
  • tempo de colheita do milho;
  • distância entre os talhões e os locais de secagem/armazenamento;
  • capacidade de secagem e armazenamento.

Desde o planejamento agrícola, você deve saber qual será o destino do produto que irá colher. Avalie se o milho plantado será vendido para silagem, para cooperativas ou seco e armazenado para vendas futuras.

Isso não é uma regra, mas o bom planejamento evita surpresas e garante, na maioria das vezes, um preço melhor na negociação dos grãos. É sempre importante acompanhar os preços da saca para sua região e saber se haverá quebra de safra do milho ou não.

O milho safra ou milho safrinha pode variar de preço, dependendo da quantidade ofertada no mercado.

Para anos em que a quantidade de milho ofertada no mercado é alta, uma solução é a armazenagem de grãos em silos para venda posterior em épocas de preços melhores.

O milho pode ser estocado por um longo período, sem perder a qualidade dos grãos armazenados e suas propriedades nutricionais. Mas para isso, é preciso que o armazenamento e a secagem dos grãos de milho sejam feitos corretamente.

Lembre-se que o armazenamento também gera custos. Cabe avaliar se vale a pena ou não armazenar e esperar preços melhores no mercado.

Tempo de colheita do milho

O tempo de colheita do milho é de 120 a 180 dias após o plantio, o que pode variar conforme o tipo de híbrido que você escolher. Em geral, as espigas estão maduras 50 dias depois da floração, quando ficam secas e os cabelos (estilos-estigmas) ficam marrons.  

A colheita do milho pode começar quando o grão está maduro fisiologicamente. As sementes devem estar com a máxima matéria seca. 

Na maioria das espécies, a maturação completa do milho pode coincidir com as plantas muito vigorosas, além da máxima germinação.  

Outro aspecto relevante é o ponto de maturidade fisiológica do grão. Ele ocorre quando 50% das sementes de milho na espiga têm uma pequena mancha preta no ponto de inserção no sabugo.

A umidade dos grãos deve ser maior que 13%, ou estar entre 18% e 20% caso seja necessário colher com antecedência.  Alguns autores dizem que a umidade do milho para colheita pode estar entre 18% e 25%, em propriedades que possuem estrutura de secagem de grãos.

Dependendo do destino, a colheita do milho é realizada em diferentes pontos de umidade. Por exemplo, o milho para produção de grãos é colhido com menor umidade quando comparado ao milho verde. 

O ponto de colheita de milho verde é mais precoce que o do milho seco, sendo colhido quando o grão apresenta aspecto leitoso e umidade em torno de 70% a 80%, normalmente aos 90 dias.

Para colheitas realizadas com umidades acima de 13%, fique de olho em detalhes como:

  • Necessidade de secagem dos grãos de milho;
  • Disponibilidade de local para secagem;
  • Risco de deterioração do material;
  • Possíveis perdas por ataques de fungos e pragas;
  • Energia gasta no momento da secagem artificial;
  • Preço pago pela saca de milho no momento da colheita.
Colheita de milho: espiga prestes a ser colhida
   (Fonte: Governo RS)

Tipos de colheita

A colheita de milho pode ser feita de forma manual ou mecanizada.

A colheita manual de milho é empregada em pequenas propriedades. Ela tem baixo rendimento e demanda muita mão de obra. Afinal, é feita sem o suporte de máquinas agrícolas.

Já a colheita realizada com colhedoras apresenta alto rendimento operacional. Ela exige menos mão de obra, o que contribui para a redução dos custos de produção.

Se você optar pela colheita mecanizada, é importante analisar os pontos a seguir para garantir um bom resultado. 

Regulagem correta dos equipamentos na colheita mecanizada do milho

A regulagem correta das colhedoras é essencial para reduzir as perdas em campo. Para a cultura do milho, o cilindro adequado é o de barras. A distância entre este cilindro e o côncavo varia de lavoura para lavoura, com base no diâmetro das espigas.

Para grãos colhidos com umidades de 12% a 14%, é ideal o trabalho da rotação do cilindro entre 400 a 600 rpm em colhedoras automotrizes. Para colhedoras acopladas ao trator, a rotação ideal é entre 850 a 980 rpm.

Para grãos de milho colhidos com umidades maiores (de 14% a 20%), o ideal são rotações do cilindro também maiores: cerca de 550 a 800 rpm.

A relação do teor de umidade com a rotação do cilindro batedor é diretamente proporcional. Ou seja, quanto mais umidade presente nos grãos, maior terá de ser a velocidade de rotação do cilindro.

Quanto mais úmidos os grãos, maior a dificuldade de debulha. À medida em que os grãos vão perdendo a umidade, eles se tornam mais fáceis de serem debulhados. Isso exige menores velocidades de rotação do cilindro batedor.

Fique de olho na debulha das espigas e na presença de grãos quebrados. A área da colheita do milho deve estar o mais uniforme possível em questões fisiológicas da cultura.

A regulagem do espaçamento do cilindro e do côncavo também pode variar de acordo com a umidade presente nos grãos. A distância entre eles deve ser calculada de modo em que a espiga seja debulhada sem ser quebrada. O sabugo deve sair inteiro

De maneira geral, o nível de danos em grãos de milho é menor quando eles são colhidos em rotações mais baixas e com umidades inferiores a 16%.

Além do corte da planta, da remoção da palha e da trilha (debulha), é importante executar bem os demais processos. Eles compreendem a limpeza, separação dos grãos, secagem e armazenamento.

Colheita terceirizada de milho

Se você terceiriza suas colheitas ou parte delas por falta de maquinário, deve prestar atenção na condução dessa operação em campo. Cuidado com as perdas provenientes da colheita de terceiros. 

Muitas vezes, para aumentar os rendimentos operacionais, são aplicadas maiores velocidades de colheita. Em velocidades maiores, geralmente há maiores perdas e menores quantidades de sacas/ha tiradas do campo na plantação de milho.

É sempre bom acompanhar esse trabalho no campo e realizar medições de perdas e regulagem das colhedoras destes terceiros. Atualmente, já existem prestadores de serviço de colheita que até entregam o mapa de produtividade da lavoura de milho.

Às vezes, o preço cobrado pelo serviço é um pouco mais elevado, mas vale a pena!

Caso você tenha possibilidade de escolha de colheita com mapas de produtividade, considere isso no momento da contratação do serviço. Eles são excelentes ferramentas para o entendimento espacial das lavouras.

Além de auxiliar na reposição dos nutrientes que foram exportados, eles são o primeiro passo para a prática da agricultura de precisão nas propriedades.

Colheitadeira de milho em lavoura
(Fonte: Sistema Faep)

Cuidados na colheita

Muitos agricultores gostam de deixar a secagem de grãos de milho acontecer naturalmente, ainda no campo. Essa prática é muito interessante, pois reduz custos com secagem antes do armazenamento ou venda final da cultura.

Mas vale lembrar que às vezes, à medida em que o milho seca no campo, há a incidência de plantas daninhas crescendo entre a cultura. 

Isso pode ser prejudicial na colheita mecânica, pois essas plantas podem embuchar as colhedoras e causar perdas em rendimentos operacionais.

Outro fator de destaque é a velocidade de colheita. Existem diversos tipos de colhedoras de milho, mas geralmente a velocidade é determinada em função da produtividade dos talhões.

Quanto maior a produtividade das lavouras, menor a velocidade das colhedoras. Afinal, toda a massa colhida junto aos grãos tem de passar pelos sistemas de trilha, limpeza e separação. Grande parte das máquinas opera em velocidades de trabalho de 4 km/h a 6 km/h.

Perdas na colheita de milho

As perdas na colheita de milho podem acontecer de 4 maneiras: na pré-colheita, na plataforma, em grãos presos no sabugo e grãos soltos. As perdas aceitáveis na colheita do milho estão na ordem de 1,5 sacos/ha. Mas trazer esse valor para o mais próximo possível do zero é essencial.

É fundamental saber como se colhe o milho corretamente para evitar perdas nesses momentos.

Perda de pré-colheita

A perda de milho na pré-colheita ocorre antes da interferência da máquina no campo para realização da operação. Está relacionada ao tipo da cultivar e à porcentagem de tombamento das plantas devido à quebra do colmo.

Perda de plataforma

As perdas do milho em plataforma estão relacionadas à altura das espigas, porcentagem de acamamento da cultura e de quebramento das plantas.

O número de linhas da semeadora deverá ser equivalente ou múltiplo ao número de bocas da plataforma.

Perda de grãos presos nos sabugos

As perdas de grãos presos nos sabugos refletem a má regulagem do cilindro e do côncavo. É possível ocorrer quebra do sabugo em vez da debulha ou, dependendo da folga, a passagem do material direto sem ser debulhado.

Além disso, cuidado para não trabalhar com velocidades de rotação erradas no cilindro, com peças avariadas ou tortas na colhedora.

Perda de grãos soltos

De acordo com as regulagens realizadas na máquina, grãos soltos podem ser perdidos no campo. Isso se deve ao fato do rolo espigador, que geralmente está no final da linha, receber um fluxo menor de plantas do que o necessário. 

Também acontece se a chapa de bloqueio estiver pouco aberta ou com espigas menores que o padrão calibrado.

Na hora da separação, também pode haver perdas de grão soltos. Isso acontece se o saca-palhas estiver sobrecarregado, o ventilador trabalhando com velocidade maior que o recomendado e as peneiras mal dimensionadas.

Secagem e armazenamento de milho

A secagem de grãos de milho tem o objetivo de reduzir a umidade. Isso contribui para desacelerar o processo de deterioração. Além disso, a secagem possibilita que os grãos sejam armazenados por mais tempo.

A secagem do milho pode ser realizada de forma natural ou artificial. O tempo gasto nesse processo depende do teor de umidade inicial do grãos, dos equipamentos e da técnica empregada.

O milho pode ser armazenado a granel, em silos ou em sacaria

Uso de software de gestão na colheita do milho

Os sistemas de gestão rural podem ser um grande aliado para facilitar os processos de colheita que comentamos ao longo deste texto.

Um bom exemplo disso é o Aegro, software que auxilia o produtor desde o planejamento até o armazenamento e comercialização do grão. 

Com ele, você planeja o calendário de colheita e acompanha a evolução do cultivo à distância a partir de mapas NDVI

NDVI Aegro
Com o Aegro, é possível acompanhar todos os detalhes de NDVI da sua plantação de milho

Na hora da colheita, registre a produção dos talhões em tempo real direto do campo pelo aplicativo e controle as cargas que saem da fazenda. 

Crie alertas para a regulagem do maquinário e acompanhe as operações e o rendimento por máquina a partir da integração com a plataforma Climate FieldView™ e o Operations Center da John Deere.

Por fim, visualize com precisão a área colhida, o custo de produção por talhão e a taxa de produtividade na tela de colheita do software.

GIF aegro milho
Você pode visualizar área colhida e custo de produção por cada talhão da sua fazenda
  • Área colhida – representa a porcentagem de quanto já foi colhido e quanto ainda falta a ser colhido. O cálculo é feito através das realizações das atividades de colheita.
  • Produção – mostra o que já foi realizado (soma das produções líquidas das cargas de colheita) e a meta (leva em conta a produção estimada das áreas).
  • Produtividade – é dividido em dois indicadores: o Realizado (barra verde): soma das produções líquidas das cargas de colheita dividido pela a área que foi colhida e a Meta (barra cinza): que leva em conta a produtividade estimada das áreas.
Resultados da colheita em tempo real com o Aegro

Para ver mais detalhes sobre esses recursos e como eles podem ajudar na colheita do milho, clique aqui e assista ao vídeo rápido que preparamos sobre o Aegro.

planilha de planejamento da safra de milho

Conclusão

É importante ficar de olho em todos os aspectos da lavoura de milho, do plantio à colheita. Neste artigo, você viu 8 pontos para melhorar a colheita de milho.

As perdas decorrentes de causas naturais ou regulagem errada das máquinas podem ser gerenciadas e minimizadas.

Lembre-se também da  importância de olhar para o mercado e, assim, saber o momento certo de vender seu produto por um valor melhor.

Sabendo dessas dicas, atente-se aos fatores mais críticos referentes às perdas e tenha uma excelente colheita!

>> Leia mais:

“Plantação de milho irrigado: Quando compensa?”

“Plantio de milho: Como garantir a alta produção”

Gostou destas dicas para melhorar a colheita de milho? Você realiza algum manejo diferente e que merece destaque nesta lista? Adoraria ver seu comentário abaixo!

foto da redatora Tatiza. Ela está com blusa preta, casaco jeans azul, e está sorrindo na frente de uma paisagem cheia de plantas

Atualizado em 14 de junho de 2022, por Tatiza Barcellos.

Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

5 thoughts on “Colheita de milho: qual é o momento certo para fazê-la e dicas fundamentais

  1. Olá Adriano!

    Fico feliz que gostou do artigo, continue nos acompanhando no blog Lavoura10 que sempre buscamos trazer temas relevantes para o sucesso das nossas atividades agrícolas.

    Grande abraço.
    Luis

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