Danos em grãos de milho: saiba quando acontecem, o que pode ser feito para resolver, quais os resultados desses danos e mais!
A qualidade do milho é fundamental na alimentação humana e animal. Sua perda por danos diretos ou indiretos pode trazer grandes prejuízos.
Saber o momento em que seus grãos estão em risco é fundamental para evitar dores de cabeça.
Então, não espere chegar o momento da venda para identificar problemas!
Neste artigo, você entenderá mais sobre os tipos de dano e os períodos mais sensíveis da sua safra. Confira essas e outras informações!
Índice do Conteúdo
Principais danos em grãos de milho
Nas culturas agrícolas, a qualidade física e nutricional dos grãos começa durante a produção. Ela se estende até o consumo.
Para você obter uma produção de grãos rentável e com alta qualidade, é necessário prestar atenção desde o manejo até a pós-colheita.
Os danos nos grãos acontecem por uma série de eventos, durante toda a produção. É possível dividir esses danos em: antes, durante e depois da colheita.
É importante conhecer todos os possíveis problemas conforme o período de produção. Assim, você pode evitar grandes perdas.
Antes da colheita
Os danos que acontecem antes da colheita refletem principalmente no peso e qualidade física dos grãos. As pragas, doenças e os microrganismos são os principais vilões nesse momento.
Pragas que atacam as espigas, como percevejo-do-milho e lagarta-da-espiga, são um problema. Elas interferem na qualidade devido à presença de manchas nos grãos, além de reduzir seu peso.
Além disso, as espigas afetadas por pragas durante o desenvolvimento ficam mais sujeitas aos ataques de patógenos.
Os patógenos, como os fungos, causam grãos ardidos.
Os grãos ardidos de milho apresentam descoloração. Eles podem ter cor marrom, roxa ou vermelho claro a escuro.
Geralmente são causadas por fungos que atacam as espigas durante a fase de maturação dos grãos.

Aspecto de grãos ardidos de milho
(Fonte: Embrapa)
Devido ao aspecto, os grãos ficam com preço desvalorizado. Além disso, os fungos são responsáveis por:
- redução da qualidade do grão;
- degradação de proteínas;
- degradação de carboidratos;
- degradação de açúcares;
- produção de toxinas, que podem causar uma série de problemas a quem consome.
Para que as espigas fiquem sujeitas a produzir toxinas, devem estar em temperaturas muito baixas (geralmente, abaixo dos 15 °C). Nessas condições, há biossíntese da toxina.
Grãos ardidos são uma grande preocupação das indústrias.
Além dos limites máximos de grãos estabelecidos na Instrução Normativa no 60/2011, às vezes há limites ainda inferiores. O objetivo é garantir a segurança dos produtos fabricados.

Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) de grãos ardidos no lote de milho
(Fonte: Senar)
Ainda antes da colheita, pragas muito perigosas em grãos armazenados podem estar presentes no campo e em espigas mal empalhadas. Esse é o caso dos carunchos.
Os adultos colocam seus ovos no interior ou no exterior dos grãos.
Na colheita
Os danos durante a colheita são principalmente causados pela má regulagem da colhedora e pelo teor de água dos grãos.
A qualidade também está relacionada à quantidade de impurezas que o lote apresenta.
Quanto maior a quantidade de impurezas, menor será a qualidade do seu lote. Afinal, essas impurezas devem ser retiradas no beneficiamento, gerando aumento dos custos.
O mau planejamento no controle de plantas daninhas, como a corda-de-viola, é um dos pontos responsáveis pelo aumento de impurezas.
As plantas daninhas também dificultam a operação das colhedoras, reduzindo seu rendimento.
Outro ponto é a má regulagem da colheitadeira. Quando elas não retiram todas as impurezas, causam perdas quantitativas e qualitativas da massa de grãos.
Além destes fatores, o teor de água dos grãos é mais um problema. Ele pode causar amassamento, quebra e trincas nos grãos de milho durante a colheita.
Grãos muito úmidos (acima 25%) ou muito secos (abaixo de 10%), aliados à má regulagem da colhedora, causam danos mecânicos nos grãos.
Esses danos, além de reduzirem a qualidade, são portas de entrada de insetos e fungos durante o armazenamento.

Grãos trincados e quebrados de milho.
(Fonte: Dykrom)
Após a colheita
Após a colheita, os danos podem acontecer no período de armazenamento dos grãos de milho.
O teor de água nos grãos no momento do armazenamento deve estar entre 12% e 13%. Teores elevados são favoráveis para ataques de insetos e fungos.
Insetos como os carunchos podem estar presentes nos armazéns. Além dos carunchos, as traças também atacam os grãos de milho durante o armazenamento.
Assim como o que ocorre com os carunchos, as larvas se alimentam do interior do grão, reduzindo a qualidade e peso.

Grãos de milho infectados com carunchos (esquerda) e traças (direita).
(Fonte: Agrolink)
Fungos de armazenamento, como Aspergillus e Penicillium, causam mofo nos grãos. Assim como os fungos do gênero Fusarium, são produtores de micotoxinas nos grãos de milho.
É importante colher os grãos com o teor de água o mais próximo do adequado.
Se não for possível, é necessário realizar a secagem artificial dos grãos colhidos, até valores de 13% de umidade.

Grãos de milho infectados com diferentes espécies de fungos causadores de grãos ardidos e mofados
(Fonte: Dagma D. Silva)
Roedores e pássaros também causam danos aos grãos. No entanto, eles são menos frequentes.
Como evitar danos em grãos de milho
Para ter grãos pesados, inteiros e granados, os cuidados começam no planejamento.
Informe-se sobre os cultivares ou híbridos recomendados para sua região. Observe a ocorrência das principais pragas e doenças que afetam o milho e sua resistência a elas.
Semeie na época recomendada para o milho escolhido. Não se esqueça de fazer corretamente os manejos de pragas, doenças e plantas daninhas até o momento de colheita.
Estas são algumas práticas importantes a serem adotadas para reduzir ou eliminar os danos nos grãos de milho ainda em campo.
Existem outras práticas que podem ser úteis para manter a qualidade e garantir a produtividade.
- Faça rotação de culturas com outras espécies que não sejam suscetíveis aos fungos causadores de micotoxinas, como Fusarium e Stenocarpella;
- Realize o controle de plantas daninhas durante a maturação e colheita dos grãos;
- Controle os insetos e fungos que atacam a formação das espigas;
- Não demore para realizar a colheita;
- Regule corretamente a colhedora;
- Colha com umidade adequada ou realizar secagem após a colheita;
- Mantenha o armazém limpo;
- Faça o expurgo dos armazéns, principalmente de locais com a presença dos insetos e pragas.
Conclusão
O milho é uma cultura de grande importância mundial, e os danos nos grãos podem reduzir a quantidade e qualidade do produto.
É importante realizar corretamente o manejo da cultura antes, durante e após a colheita. Assim, você evita perdas precoces na produção.
Fique sempre de olho nos riscos, para evitá-los e não registrar prejuízos.
Afinal, além de prejudicar a aparência, danos nos grãos de milho reduzem a qualidade nutricional, prejudicam o cheiro e sabor do alimento.
Você já se deparou com algum desses danos em grãos de milho? O que fez para resolver e recuperar sua produtividade? Deixe seu comentário!
Matéria muito boa, educativa e importante par nosso setor pecuarista consumidor.