Entenda como a consultoria contábil e financeira impacta na gestão da fazenda

Consultoria contábil e financeira adequada podem contribuir até para redução da carga tributária da propriedade

Com a informatização chegando ao campo, o papel do contador que atua na fazenda mudou. 

Em vez de apenas executar as declarações e pagamentos de cada exercício, ele passou a prestar um serviço de consultoria contábil e financeira decisivo para os resultados do produtor.

A transformação é significativa. Antes, era o encarregado de cumprir a burocracia fiscal e tributária a partir dos dados e documentos que o cliente fornecia. Agora, é um parceiro que utiliza o planejamento tributário como instrumento de gestão.

O que isso quer dizer? Explicaremos melhor ao longo deste artigo. Boa leitura!

Transformação do papel do contador

Sócia da Muza Assessoria Contábil, Jussara Kuntzler trabalha com contabilidade desde 1985. Naquela época, ouvia que o contador era sempre “o último a saber” e o “culpado de tudo”, já que era o encarregado de fazer as declarações e se encarregar das obrigações tributárias.

“Durante muito tempo, a contabilidade ficou restrita a apenas registrar os acontecimentos conforme eles já tinham ocorrido. Nunca chegava para ele a intenção do contribuinte de fazer uma operação. Era sempre depois”, relembra.

Se a operação já ocorreu, porém, é tarde demais para resolver uma questão tributária, segundo ela. “Depois que o fato aconteceu, dificilmente você consegue reverter.”

Desde 2004, Jussara trabalha com assessoria contábil para o agronegócio no Mato Grosso. De lá para cá, ela percebeu uma grande mudança no campo, com a informatização, chegada da internet, acesso à informação e emissão de nota fiscal eletrônica.

“Essa mudança pegou o produtor que não estava acostumado com a tecnologia de surpresa. Porque agora as informações são emitidas e já vão direto para o banco de dados da Receita Federal“, conta Jussara.

Com esse novo cenário, não sobra muito o que fazer para o contador à moda antiga, aquele que é “sempre o último a saber”.

Muitos profissionais, porém, não identificaram a necessidade de se adaptar. O que, na opinião de Jussara, gerou um vácuo ocupado por advogados, agrônomos, administradores e outros profissionais que atuam como consultores e acabam dando conselhos que seriam da alçada da contabilidade.

Contabilidade como instrumento de gestão

Para Jussara, com essa nova realidade, o contador precisa se antecipar ao fato em vez de apenas registrá-lo.

“Em nosso escritório, fazemos a contabilidade do produtor rural mensalmente. Quando chega setembro ou outubro, no fim do ciclo da receita dele, já temos uma previsão de qual vai ser a tributação naquele exercício. Então, se ainda tiver alguma coisa para ser feita, há tempo”, explica.

A “coisa a ser feita”, neste caso, é explorar possibilidades de dedução nos tributos que o produtor deve pagar. 

Se ele sabe que terá um resultado positivo e investe em maquinário, por exemplo, poderá deduzir esses valores do imposto sobre a renda obtida com a produção.

Outra possibilidade é negociar com os compradores dos grãos para que o pagamento ocorra apenas no exercício seguinte. O objetivo é o mesmo: reduzir a carga tributária — sempre dentro da legalidade, é claro — que incidirá naquele momento.

Esses são exemplos de situações em que o contador pode “se antecipar ao fato”, como recomendou Jussara. Afinal, pôde analisar os números antes do exercício chegar ao fim.

demonstrativo da guia do financeiro do software de gestão rural Aegro - consultoria contábil e financeira

Exemplo de fluxo de caixa possível com uso do Aegro

Convencimento e confiança do produtor

Para que o trabalho de consultoria contábil e financeira realmente ajude na tomada de decisão do produtor e tenha impacto em seus resultados, é preciso que o cliente compreenda antes a importância do trabalho do contador.

Segundo Jussara, isso passa por um trabalho de convencimento e pela construção de uma relação de confiança entre os dois. Mas começa com a consciência do próprio contador. “Ele quer ser um profissional que só faz a guia do imposto ou que ajuda o cliente?”, instiga.

Nesse sentido, Jussara vê os produtores da nova geração, mais abertos e com maior domínio da tecnologia, como aliados. O software de gestão rural, por exemplo, facilita o processo de análise dos números em tempo real — assim que a informação é registrada, o contador já pode exportar relatórios e planilhas com poucos cliques.

“Quando o Aegro entrou na rotina de trabalho do nosso escritório, vislumbramos uma outra maneira de trabalhar”, comenta Jussara.

Além da gestão tributária, o software organiza dados sobre estoques de grãos e insumos, produtividade e rentabilidade por talhão e muito mais. 

É um recurso importante para diminuir o tempo gasto com planilhas e reduzir o número de erros, permitindo maior dedicação ao planejamento estratégico — e tributário — da lavoura.

Conclusão

É possível explorar a atividade rural com uma pessoa física ou jurídica. Entre os produtores que criam uma empresa rural, é mais fácil ver sentido em uma gestão profissionalizada, com análise de dados constante.

Só que nada impede que o produtor pessoa física faça o mesmo. Qualquer pessoa que lucra com a venda de sua colheita precisa pagar imposto sobre a sua renda. Por esse motivo, o planejamento tributário é um recurso de gestão útil para todos os perfis de produtor.

Para isso, os contadores precisam entender que seu papel mudou. Em vez de aguardar os resultados e executar as declarações e pagamento de impostos, ele precisa ter voz ativa na fazenda, orientando o produtor antes que o exercício chegue ao fim.

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