Cultivo em terras baixas: entenda a importância da adoção dessa estratégia e como torná-la mais produtiva
Existem grandes áreas de várzeas disponíveis para o cultivo de culturas de sequeiro, em rotação com o arroz irrigado.
Conhecer e investir em técnicas de cultivo nessas áreas é essencial para o sucesso das lavouras. Esse é um dos grandes desafios dos produtores. Através da técnica de sulcos-camalhões, grandes produtividades em terras baixas têm sido alcançadas.
Entenda como funciona essa técnica em culturas de sequeiro e como melhorar a produtividade. Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
O que são terras baixas
As terras baixas são áreas de várzea, com relevo plano e altitude próxima ao nível do mar.
Essas áreas apresentam algumas características limitantes para o cultivo de culturas de sequeiro. Isso porque apresentam drenagem deficiente do solo. A drenagem do solo é uma premissa básica para iniciar o cultivo de culturas de sequeiro nessas áreas.
Quando essas limitações em terras baixas são solucionadas, a rotação de culturas de sequeiro com arroz irrigado pode proporcionar benefícios como:
- manutenção do potencial produtivo do arroz;
- quebra do ciclo de pragas;
- melhoria da qualidade química e física do solo;
- redução da competição por nutrientes.
Diversas culturas de sequeiro podem ser utilizadas em rotação com o arroz irrigado:
A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz em terras baixas.
Como tornar eficiente o cultivo em terras baixas
O cultivo em terras baixas é eficiente após a correção das suas limitações. Após a correção, as culturas de sequeiro são produtivas e rentáveis nas áreas de várzea. Veja quais são os principais fatores limitantes:
- a deficiente drenagem natural do solo;
- a ocorrência frequente de períodos de estiagem;
- a alternância entre o excesso e o déficit de umidade no solo;
- a compactação do solo.
O solo precisa ter um ambiente radicular favorável e sem limitações físicas para o crescimento das plantas. Essas características tornam o cultivo em terras baixas eficiente e lucrativo. Nesse ambiente, a planta expressa o seu máximo potencial produtivo.

Relação tridimensional entre rendimento de grãos, parâmetros físicos do solo e nodulação na soja em terras baixas
(Fonte: Adaptado de Sartori)
Como contornar as dificuldades do cultivo em terras baixas
É importante se atentar a essas limitações. Assim, você poderá realizar uma implantação e manejo da lavoura adequados. Nessas áreas, são necessárias técnicas de manejo que proporcionem um ambiente melhor drenado.
Uma alternativa eficiente para investir em áreas de várzea é o sistema de sulco-camalhão. Conheça melhor essa técnica!
Técnica de sulco-camalhão
O sistema de sulco-camalhão é uma técnica de irrigação e drenagem. Ela é indicada para áreas de relevo pouco declivoso e com solo de baixa permeabilidade.
A técnica é baseada na construção de um “canteiro”. Na parte alta, ou camalhão, são cultivadas as culturas de sequeiro. Entre os camalhões, são formados os sulcos laterais. Eles servem para o escoamento da água de drenagem e irrigação.
Entre eles, transitam os rodados das máquinas agrícolas.

Esquema de como a cultura de sequeiro é implantada no sistema sulco-camalhão
(Fonte: Bredemeier, 2020)
A utilização da técnica melhora a drenagem superficial do solo e, ao mesmo tempo, permite irrigação suplementar pelos sulcos. Ou seja, o mesmo sulco que irriga também drena o solo.
O principal objetivo da técnica é atingir níveis altos e estáveis de produtividade, com rentabilidade. Ela já gerou bons resultados na produtividade da soja sequeiro.
Como aplicar a técnica de sulco-camalhão?
Para construir os sulcos-camalhões, você precisa realizar a:
- suavização da área (se for necessário);
- descompactação do solo;
- correção da acidez e fertilidade do solo;
- construção dos camalhões;
- semeadura da cultura de sequeiro.
Para a construção, você pode utilizar os equipamentos disponíveis na propriedade. Os sulcos-camalhões podem ser adotados por pequenos, médios e grandes produtores.
Em propriedades pequenas, é possível utilizar o arado de aiveca para construção dos camalhões, no sentido da declividade da área.
Já para médias e grandes propriedades, existem no mercado implementos específicos para a construção dos camalhões.
Na figura abaixo, você pode verificar como eles são construídos.

Esquema da confecção dos camalhões
(Fonte: Beauchamp, 1952; Silva et al. 2006)
Após a construção dos camalhões, são semeadas duas linhas da cultura de sequeiro na parte mais alta. Faça isso com auxílio da semeadora disponível na propriedade, com o espaçamento recomendado para a cultura.
Resultados do cultivo de soja em terras baixas e outras vantagens
Em culturas de sequeiro em áreas de terras baixas, têm surgido resultados positivos do emprego da técnica de sulco-camalhão.
Veja algumas vantagens:
- Evita problemas relacionados ao excesso ou deficiência hídrica;
- Os sulcos fazem drenagem e irrigação;
- Os camalhões podem ser construídos antes ou no momento da semeadura;
- O uso do sistema é essencial para a obtenção de renda e estabilidade produtiva da soja em terras baixas.
A safra 2019/2020 foi extremamente seca, com perdas de produtividade nas áreas não irrigadas.
Nas áreas irrigadas por meio dessa técnica, os ganhos de produtividade chegaram a 20 sacas/ha em comparação às não irrigadas.

Produtividade da soja na safra 2019/2020 em áreas irrigadas por sulco-camalhão em comparação às não irrigadas
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)
A safra 2020/2021 apresentou chuvas adequadas. Apesar disso, as áreas irrigadas com sulco-camalhão produziram, em média, 26 sacas/ha a mais que as áreas não irrigadas.

Produtividade da soja na safra 2020/2021 em áreas irrigadas por sulco-camalhão e áreas referências não irrigadas
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)
Os custos adicionais para a implantação e execução do sistema sulco-camalhão na safra 2019/2020 foram de 3,5 sacas/ha.
Na safra 2020/2021, os custos foram um pouco maiores, atingindo 4,0 sacas/ha. A técnica proporciona ótimo retorno econômico.

Custos de produção da soja na safra 2019/2020 e 2020/2021 em áreas irrigadas por sistema sulco-camalhão
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)
Na soja cultivada em áreas de várzea e em rotação com o arroz irrigado, a técnica soluciona problemas de drenagem nos períodos de encharcamento.
Esses períodos são comuns no ciclo vegetativo da soja.

A soja cultivada em camalhões de base larga apresentou maior produtividade de grãos (kg ha-1), comparada aos sistemas de cultivo convencional, com e sem escarificação
(Fonte: Silva et al. 2020)
Desvantagens do cultivo em terras baixas
Essa técnica também apresenta algumas desvantagens, como:
- baixo rendimento operacional;
- maior consumo de combustível;
- dificuldade de uso em áreas de relevo irregular;
- necessário o preparo do solo para implantação da cultura seguinte (arroz irrigado).
Conclusão
A drenagem do solo é a premissa básica para o cultivo de culturas de sequeiro em terras baixas. A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz irrigado nessas terras.
A técnica de sulco-camalhão é uma alternativa para solucionar o problema de drenagem nessas áreas. A técnica é capaz de, ao mesmo tempo, drenar e irrigar o solo.
Invista nesse sistema em terras baixas para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura.
Você tem investido ou pensa em investir em técnicas de cultivo em terras baixas? Adoraria ler seu comentário abaixo!