Atualizado em 27 de maio de 2022.
Sorgo: entenda quais são as condições ideais de cultivo, principais pragas, doenças e manejo de plantas daninhas
O sorgo, também conhecido como milho-da-guiné, é um cereal de fácil adaptação e de altas produtividades. Ele pode ser aplicado na alimentação animal e humana, na produção de etanol, biomassa e vassouras.
Para produzir essa espécie, é preciso estar por dentro das especificidades de cada tipo de sorgo. Conhecer detalhes sobre plantio e colheita também.
Neste artigo, você lerá sobre os cinco tipos e suas diferentes aplicações, além de conhecer as principais pragas e doenças do sorgo. Confira!
Índice do Conteúdo
- 1 O que é sorgo e para que serve?
- 2 Diferentes tipos de sorgo
- 3 Características da cultura do sorgo
- 4 Condições e melhor época para o plantio de sorgo
- 5 Como aumentar a produtividade das lavouras de sorgo?
- 6 Principais pragas do sorgo
- 7 Principais doenças do sorgo
- 8 Colheita e pós-colheita do sorgo
- 9 Conclusão
O que é sorgo e para que serve?
O Sorghum bicolor é uma espécie de cereal que pertence à família Poaceae, a mesma do milho. Mais conhecido como sorgo ou milho-zaburro, ele é versátil e de grande importância econômica.
Trata-se de uma planta cultivada há milhares de anos e com diversas aplicações. No Brasil, a expansão do cultivo de sorgo começou na década de 70 e hoje o país está entre os principais produtores.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Brasil ocupa a 9ª posição no ranking dos maiores produtores de sorgo na safra 2020/21. O cereal é o quinto mais produzido no mundo.
O sorgo é bastante utilizado na alimentação animal, sobretudo em países da América do Sul, Estados Unidos e Austrália. Na América Central, Ásia e África, também tem os grãos utilizados na alimentação humana para produção de farinhas e amido industrial, na fabricação de pães e de biscoitos.
Diferentes tipos de sorgo
Existem 5 tipos de sorgo: sorgo granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura. Você conhecerá um pouco sobre cada um desses tipos a seguir:
1. Sorgo granífero
O sorgo granífero possui porte baixo. Os grãos são o principal produto desse tipo de sorgo, produzidos na extremidade superior da planta.
As plantas têm porte baixo (aproximadamente 170 cm de altura). A panícula é pequena e compacta. Além disso, é possível mecanizar todo o processo do sorgo granífero, do plantio à colheita.
Esses grãos são empregados principalmente na agroindústria de rações, embora também possam ser fornecidos na silagem. Dentre os tipos de sorgo, o granífero é o que tem maior expressão econômica.
2. Sorgo biomassa
O sorgo biomassa tem grande porte, podendo alcançar mais de 5 metros de altura. É muito utilizado na geração de energia, assim como o eucalipto e a cana-de-açúcar. As plantas apresentam rápido crescimento, além de grande potencial de produção.
A propagação é feita por sementes, o que facilita a implantação das lavouras. Além disso, o processo é 100% mecanizado. Dependendo das condições climáticas, ainda é possível manejar a rebrota do sorgo biomassa.

Sorgo biomassa
(Fonte: Embrapa; Foto: Marina Torres)
3. Sorgo forrageiro
O sorgo forrageiro é consumido na silagem e também pode ser utilizado para pastejo e corte verde na alimentação animal. As plantas têm grande porte, elevado número de folhas e poucas sementes.
Algumas cultivares de sorgo forrageiro tem dupla aptidão. Isso significa que têm potencial para a produção de forragem e grãos.
>> Leia mais: ‘’Zoneamento Agrícola do Sorgo Forrageiro: O que você precisa saber’’
4. Sorgo-sacarino
O sorgo-sacarino é semelhante à cana-de-açúcar devido aos colmos doces, ricos em açúcar fermentescível.
Ele é utilizado como alternativa para a produção de etanol no período de entressafra da cana-de-açúcar. Além disso, esse tipo de sorgo também pode ser utilizado como forrageiro.
As características dessas plantas possibilitam a produção de silagem de alta qualidade. Isso gera respostas positivas na produtividade animal.
A China produz uma bebida alcoólica conhecida por “baijiu”. Essa bebida representa 1/3 dos destilados consumidos em todo mundo e é elaborada a partir da fermentação e destilação do sorgo.
5. Sorgo-vassoura
O sorgo-vassoura possui como principal característica a inflorescência com fibras longas. O uso dessas fibras é voltado para a fabricação de vassouras, conhecidas como vassouras melga ou caipira.
Além de ser uma alternativa ecológica, esse tipo de sorgo geralmente é plantado por produtores que complementam a renda familiar com a produção artesanal das vassouras.
O preparo do solo, plantio e tratos culturais podem ser feitos mecanicamente. No entanto, a colheita e limpeza das panículas do sorgo são realizadas manualmente, o que requer muita mão de obra.
Características da cultura do sorgo
O sorgo é uma planta muito resistente à seca e à salinidade do solo, além de ser uma cultura mecanizável. Seu porte é baixo, com até 170 cm. Seu metabolismo C4 lhe garante elevada eficiência no uso da água.
O sistema radicular pode atingir 150 cm de profundidade, sendo que 80% das raízes são encontradas nos primeiros 30 cm do perfil do solo.
A inflorescência é do tipo panícula, e pode variar quanto ao tamanho e formato.
O ciclo da cultura varia de 90 a 120 dias.
Veja quais são as fases de desenvolvimento do sorgo.

Estádios de desenvolvimento do sorgo
(Fonte: Traduzido de United Sorghum Checkoff Program)
Condições e melhor época para o plantio de sorgo
As sementes do sorgo são muito pequenas, o que exige plantio superficial. A profundidade ideal é de 3 cm a 5 cm. Para facilitar o desenvolvimento das plântulas, o preparo do solo é fundamental.
O sorgo deve ser semeado entre setembro e novembro, e essa data depende de quando as chuvas começam.
Além disso, é importante lembrar que ao ser plantado tardiamente, a planta do sorgo pode sofrer redução de porte. Outra consequência do plantio tardio é a menor produção de matéria seca.
Isso tem maior probabilidade de acontecer em plantios em dezembro. Portanto, planeje bem e com antecedência a semeadura e fique sempre de olho nas previsões climáticas.
Como aumentar a produtividade das lavouras de sorgo?
Além de evitar cultivar o sorgo em áreas com histórico de pragas e doenças e utilizar sementes de qualidade, existem outros aspectos que interferem na produtividade. Veja quais são.
Clima ideal e exigência hídrica
O sorgo é uma espécie de climas quentes e que tolera elevados níveis de radiação. O intervalo ótimo de temperatura para o desenvolvimento do sorgo é de 26 a 30ºC.
Sabe-se que temperaturas inferiores a 16ºC e superiores a 38ºC são limitantes para a produção desse cereal.
A tolerância do sorgo ao estresse hídrico faz com que ele seja uma boa opção para o plantio na safrinha. Apesar disso, é importante lembrar que os efeitos do déficit de água podem comprometer a produtividade.
O consumo de água pela lavoura de sorgo varia em função das condições edafoclimáticas, do ciclo da cultivar e do manejo do solo.
De acordo com a Embrapa Milho e Sorgo, no decorrer do desenvolvimento da cultura são consumidos de 380 mm a 600 mm de água.
Preparo do solo
De modo geral, no sistema de produção convencional, o preparo do solo é um processo que compreende aração seguida de gradagem.
Esse processo tem o objetivo de melhorar as condições físicas do solo que irá receber a semente. Isso garante uma germinação uniforme, o bom desenvolvimento do sistema radicular e aumenta a infiltração de água.
O sorgo tem melhor desenvolvimento em solos bem drenados e profundos. A acidez e fertilidade devem estar corrigidas, e o pH ideal é entre 5,5 e 6,5.
Plantio
O sorgo é uma planta cultivada em sistema convencional e em sistema de plantio direto (SPD).
Independente do sistema adotado, é importante que o plantio do sorgo seja realizado segundo as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Outro ponto importante é que os equipamentos de plantio que você vai utilizar devem estar bem regulados. Isso varia de acordo com o tipo de sorgo. Abaixo, veja algumas sugestões:

Sugestões para regulagem de equipamentos de plantio de acordo com diferentes tipos comerciais de sorgo, seus usos e seus espaçamentos recomendados
(Fonte: Paulo Mota Ribas via Embrapa)
Adubação
Em relação à demanda nutricional, o sorgo tem maior exigência por nitrogênio e potássio, seguidos de cálcio, magnésio e fósforo.
A recomendação de adubação para o sorgo deve ser sempre orientada pela análise de solo. É preciso considerar também a quantidade de nutrientes que são extraídos e exportados pela cultura.
Somente a partir dessas informações é possível determinar a quantidade, a forma e em qual momento os fertilizantes serão fornecidos às plantas.
A exigência nutricional varia diretamente com o potencial de produção. Isso quer dizer que a demanda nutricional do sorgo aumenta com o aumento da produtividade. Confira na tabela abaixo!

Extração média de nutrientes pela cultura do sorgo em diferentes níveis de produtividades
(Fonte: Embrapa)
A finalidade de exploração do sorgo (grãos, silagem, fenação, corte verde ou pastejo) também influencia na recomendação de adubação.
Manejo de plantas daninhas
O controle químico é o mais utilizado no manejo das plantas daninhas no sorgo. Apesar disso, um dos problemas da produção é o reduzido número de herbicidas registrados para a cultura.
Somente um ingrediente ativo é registrado no Mapa para o manejo das plantas invasoras no sorgo: a atrazina. Ela é eficiente no controle das plantas daninhas de folha larga, e tem pouco ou nenhum efeito sobre as de folha estreita.
Dessa forma, é importante fazer a dessecação da área no pré-plantio. O objetivo é fazer a lavoura se estabelecer “no limpo”, sem interferência das plantas daninhas.
Principais pragas do sorgo
Os danos causados por pragas reduzem a produtividade e a qualidade do produto final. Alguns insetos-praga têm alta capacidade de destruição e podem comprometer lavouras inteiras.
Veja as principais pragas que causam prejuízos ao plantio do sorgo:
- broca-da-cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis);
- mosca-do-sorgo (Stenodiplosis sorghicola);
- lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus);
- lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda);
- pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis);
- pulgão-verde (Schizaphis graminum).
Recentemente, a Helicoverpa armigera também foi identificada causando prejuízos às lavouras de sorgo.
Principais doenças do sorgo
Assim como os insetos-praga, as doenças também podem comprometer a produtividade e aumentar os custos de produção. As principais são:
- antracnose (Colletotrichum sublineolum);
- ferrugem (Puccinia purpurea);
- helmintosporiose (Exserohilum turcicum);
- míldio (Peronosclerospora sorghi);
- podridão seca do colmo (Macrophomina phaseolina);
- doença açucarada do sorgo ou Ergot (Claviceps africana).
Colheita e pós-colheita do sorgo
A colheita do sorgo pode ser realizada de forma manual ou mecânica.
A colheita manual é indicada para pequenas áreas. Porém, ela apresenta alto custo operacional e demanda muita mão de obra.
A colheita mecânica é a mais usada em grandes lavouras. Ela tem alto rendimento operacional e baixo custo quando comparada ao processo manual.
Quando colher o sorgo?
O momento ideal para a colheita do sorgo deve considerar as condições ambientais, características da cultivar, teor de umidade dos grãos e a finalidade do uso.
Os grãos de sorgo devem apresentar de 17% a 14% de umidade no momento da colheita (com secagem artificial).
Se você não dispõe de meios para realizar a secagem artificial, o interessante é que no momento da colheita os grãos tenham em torno de 12% a 13% de umidade.
No caso do sorgo granífero, a colheita pode ser realizada após os grãos atingirem a maturidade fisiológica. A maturidade fisiológica é observada pela formação de uma camada preta na região de inserção do grão na gluma.
Esse fenômeno ocorre da ponta da panícula em direção à base. A partir desse momento, não há mais transferência de fotoassimilados para os grãos.
Quando atingem a maturidade fisiológica, os grãos de sorgo apresentam alta umidade. Isso torna necessária a secagem artificial após a colheita.
Para sorgo com finalidade da produção de silagem, o recomendado é que a colheita seja realizada quando as plantas tiverem, no mínimo, 30% de matéria seca.
O sorgo forrageiro pode ser disponibilizado aos animais 30 a 40 dias após a semeadura. As plantas jovens de sorgo não devem ser consumidas pelos animais por apresentarem níveis tóxicos de ácido cianídrico.
Velocidade de colheita
Em geral, a velocidade de colheita pode variar de 3 Km/h a 5 km/h, no máximo. Velocidades superiores causam perdas no processo e podem levar ao embuchamento da colhedora.
A determinação da velocidade deve considerar a topografia do terreno, a incidência de espécies invasoras e as características da lavoura de sorgo.
Vale ressaltar a importância de realizar periodicamente a manutenção das máquinas e implementos da sua propriedade. Isso garante maior precisão no processo, além de evitar perdas e atrasos na colheita.
Armazenamento
Os grãos de sorgo têm a característica podem ser armazenados por longos períodos sem perder a qualidade. Para isso, o armazenamento dos grãos deve ser feito em local limpo, seco e ventilado.
Os grãos colhidos devem ser mantidos com 13% de umidade. É preciso estar atento, também, ao ataque de microrganismos, insetos, aves e pequenos roedores.
A presença de pragas no armazenamento influencia na velocidade de deterioração dos grãos. Além disso, contamina e interfere na qualidade do produto. As perdas são irrecuperáveis e geram grandes prejuízos econômicos.
Conclusão
O sorgo possui diversas classificações e finalidades. Sorgo granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura possuem particularidades e aplicações distintas.
Dentre eles, o sorgo granífero é o que apresenta maior importância econômica.
Caso você tenha problemas com plantas daninhas em seu plantio de sorgo, lembre-se que o principal manejo é realizado com herbicidas.
Mais especificamente, use a atrazina, o único herbicida registrado no Mapa. Em casos de dúvidas, consulte um especialista.
Você já realizou ou está pensando em realizar o plantio de sorgo? Já conhecia todas as variações da espécie? Adoraria ler seu comentário!
Muito interessante estás informações, planto dois alqueires todo ano. Gostaria de receber maior informação quanto ao sorgo para produção de vassouras.
estou querendo plantar sorgo dia 20.10. 21 em diante, o que falam sobre isso, 20 hectares.
Bom dia morro no município de Cerro Grande do Sul RS.sou técnico Agrícola e estou trabalhando na empresa Mercoaves e vamos comesar o plantio de sorgo na região sul do rio grande .costaria de tet mais informações sobre o plantio.
Olá, Ivanor
Sou da comunicação da Aegro.
Temos mais alguns textos sobre a cultura do sorgo. Acesse por aqui: https://blog.aegro.com.br/tag/sorgo/
Agradecemos por nos acompanhar,
Abraço! 🙂
Plantei sorgo consorciado com milho,vou fazer a silagem agora e ter a soca do sorgo na safrinha. Tive um pouco de dificuldade com plantas daninhas, pelo sorgo não ser resistente ao glifosato. Seria muito bom uma variedade de sorgo transgênico resistente ao glifosato!
como adquir sementes de sorgo vassoura
Olá, José Rodrigues!
As cultivares de sorgo forrageiro registradas no Ministério da Agricultura são: IAC 10V50, IAC 10V60 Tietê e IAC 10V70 Saltinho.
O Núcleo de Produção de Sementes Genéticas do IAC é o responsável pela comercialização das sementes.
Para maiores informações entre em contato pelo número (19) 99710-5936 (WhatsApp) ou via e-mail: sementes@iac.sp.gov.br.
Obrigada por nos acompanhar!
Conheço os 5 tipos de sorgo trabalhei no IAPAR, ajudei a avaliar ensaios de cultivares e linhagens de sorgo, tem ótimos cultivares para serem plantados no nosso estado.
Vcs sabiam que o sorgo é uma planta que só espoe sua gema apical após 45 dias, neste intervalo se houver veranico a planta está salva, caso venha chover responde com a mesma capacidade de produção, as outras gramineas a sua gema apical acompanha o alonganento do seu crescimento, veranicos de 49 dias morre a gema apical
Muito bem redigida a matéria. Direta e clara. Poderia ter fornecido os tipos de sementes ( especiação) para os diferentes tipos de sorgo.
Gostei bastante da matéria, um bom conteúdo que irá ajudar muito aos produtores que lidam com a cultura do Sorgo. parabéns pelo trabalho. Sou extensionista da EMATER-Ce e estamos desenvolvendo um trabalho com essa cultura nos sertões do Ceará.
Só faltou mesmo no artigo foi enfatizar o sorgo na alimentação humana,
como por exemplo quais as variedades de sorgo propícias ao consumo humano (todas são, quais são e quais não são e quais as contra-indicações ? ), seu preparo, receitas e propriedades nutricionais.
Antonio
Recomendo para você o BRS Ponta Negra. Este sorgo é uma variedade e vai muito bem no Norte de Minas, sendo ainda que o preço das sementes é menor.
O BRS 658 (KWS/Embrapa) e Volumax (Agroceres) são os híbridos de sorgo mais usados para silagem, mas possuem custo de produção mais alto e são para áreas de alta tecnologia.
Zezinho qualquer sorgo pode ser usado para alimentação humana. O ideal seria sorgo com tanino, mas como o sorgo granífero é mais usado para alimentação animal, os híbridos do mercado não possuem tanino.
O tanino é uma molécula que ser complexa com a proteína, reduzindo a digestibilidade do grão, o que não é bom para o animal, mas é algo bom para humanos, que engorda menos.
Tem um livro de receitas de sorgo no link abaixo
https://www.bdpa.cnptia.embrapa.br/consulta/busca?b=ad&id=1126619&biblioteca=vazio&busca=sorgo%20receitas&qFacets=sorgo%20receitas&sort=&paginacao=t&paginaAtual=1
Gostaria de saber o tipo de sorgo para plantar no norte de minas, se o Brs 658 atende bem a região. Estou precisando de ajuda…