Doenças do trigo: conheça os principais sintomas para identificá-las na lavoura e as medidas de manejo mais eficientes
O trigo é uma importante cultura de inverno no Brasil. Mas, para garantir uma boa produtividade, suprindo as necessidades do grão, é preciso ficar atento às doenças que podem ocorrer, colocando toda produção em risco.
Identificar os sintomas inicialmente e saber quais manejos são mais eficientes para controlá-las é fundamental.
Por isso, preparamos este artigo com as principais doenças do trigo e como manejá-las corretamente. Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
1- Giberela
A giberela no trigo é causada pelo fungo Fusarium graminearum, sendo importante no período de floração da cultura. Ocorre em regiões quentes de cultivo da cultura.
A doença infecta a flor da planta de trigo, que pode ficar totalmente destruída e nem chegar a formar o grão.
Se a infecção do fungo for lenta, pode ocorrer o desenvolvimento do grão com coloração rósea (por conta do desenvolvimento do fungo – formação de macroconídeos), enrugados e chochos.

(Fonte: Paulo Kurtz em Embrapa)
Um sintoma de fácil reconhecimento da doença são as aristas arrepiadas em espiguetas esbranquiçadas ou mortas, sinal bastante característico da giberela.
Sementes e restos culturais (que podem ser de plantas de trigo ou outras hospedeiras como milho, centeio, triticale e cevada) são fontes de inóculo da doença.
Além de atacar as espigas, o fungo pode contaminar os grãos com a presença de micotoxinas.
A doença tem como condições favoráveis a seu desenvolvimento temperaturas em torno de 30°C e molhamento foliar.
Medidas de manejo da giberela
- Semeadura antecipada, para que o florescimento das plantas não seja no período de condições favoráveis do trigo;
- Controle químico já no início da floração.
Aqui no blog da Aegro nós já falamos tudo sobre o manejo desta doença. Confira “Como identificar e controlar a giberela no trigo”.
2- Estria bacteriana
Doença causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. ondulosa, pode reduzir o rendimento em até 40% na cultura do trigo.
A bactéria da estria bacteriana sobrevive em restos culturais e sementes, sendo as sementes a principal forma de disseminação da doença.
Como sintomas são observadas lesões aquosas e longas nas folhas que, com o progresso da doença, podem se tornar pardas.
Quando em longos períodos de chuva, as lesões podem coalescer e se distribuir por grande parte das folhas.
Medidas de manejo para a estria bacteriana
- Sementes sadias;
- Rotação de culturas.
3- Podridão comum das raízes
A podridão comum das raízes pode ser causada por Bipolaris sorokiniana e Fusarium graminearum. Pode ser encontrada em todas as regiões de produção de trigo no país.
Como o nome já indica, essa doença afeta as raízes, que ficam com os tecidos de coloração parda, podendo causar a morte precoce das plantas. A semente é considerada a principal fonte de inóculo.
Medidas de manejo da podridão comum das raízes
- Tratamento de sementes;
- Rotação de cultura.
4- Ferrugem da folha do trigo
Causada pelo fungo Puccinia triticina, a ferrugem da folha do trigo é considerada a doença mais comum da cultura.
A ferrugem na folha pode se desenvolver desde a formação das primeiras folhas até a maturação da planta.
No campo, você pode observar como sintomas pústulas de coloração alaranjada nas folhas, principalmente na parte superior, que reduz a área de fotossíntese e pode causar a queda precoce das folhas.

(Fonte: Embrapa trigo)
Medidas de manejo da ferrugem da folha do trigo
- Uso de cultivares resistentes;
- Uso de fungicidas quando utilizar cultivares com suscetibilidade ao fungo.
5- Mancha amarela
A doença é causada por Drechslera tritici-repentis e considerada a mancha foliar mais importante do trigo, podendo causar 50% de perdas.
Essa é uma das principais doenças do trigo na região sul do Brasil, favorecida pelo plantio direto, que garante alimento para o fungo entre os cultivos.
Inicialmente, os sintomas são pequenas manchas cloróticas nas folhas que, com o progresso da doença, se expandem e ficam com a região central necrosada, circundadas por um halo amarelo.

(Fonte: Flávio Santana em Embrapa)
Temperaturas amenas e molhamento foliar são condições favoráveis para o desenvolvimento da doença.
Medidas de manejo da mancha amarela
- Tratamento de sementes;
- Rotação de culturas;
- Aplicação de fungicidas da parte aérea.
6 – Hemiltosporiose
A hemiltosporiose ou também chamada de mancha marrom é causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana. A doença pode provocar danos de até 80%.
Nas folhas podem ser observadas lesões elípticas de coloração cinza em regiões quentes. Nas regiões mais frias, a doença causa lesões retangulares e escuras nas folhas.
Mas, a doença pode infectar além das folhas outros órgãos da planta, como as glumas, que ficam com lesões elípticas de centro claro e bordô escuro.
Medidas de manejo da Hemiltosporiose
- Rotação de cultura;
- Uso de sementes sadias;
- Uso de fungicidas para aplicação na parte aérea da planta como triazóis e estrubilurinas.
Além das doenças do trigo causadas por fungos e bactérias, há algumas causadas por vírus (viroses no trigo), que vamos discutir nos próximos tópicos.
7- Mosaico comum do trigo
O mosaico do trigo é causado pelo vírus Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV), que tem maior problema em regiões mais frias do país, que é uma condição ótima para o desenvolvimento da doença.
Esse vírus é transmitido protozoário Polymyza graminis, que é habitante do solo.
O vírus que causa o mosaico comum do trigo também infecta culturas como centeio, cevada e triticale.
Como sintoma, é possível observar estrias amarelas que são paralelas às nervuras no limbo foliar, sendo mais problemática nos estádios iniciais da cultura.

(Fonte: Douglas Lau em Embrapa)
Medidas de manejo para o mosaico comum do trigo
A medida mais efetiva para esta doença é o uso de cultivares resistentes.
8- Nanismo amarelo da cevada
Essa doença é causada pelo vírus Barley yellow dwarf virus (BYDV), que é transmitido por afídeos (pulgões) de forma persistente circulativo.
Como o próprio nome diz, o vírus infecta cevada, mas também outras culturas como arroz, trigo, aveia, centeio, milho e sorgo.
A planta de trigo com a doença fica com tamanho reduzido (nanismo) e com amarelecimento. Folhas bandeiras ficam eretas e de coloração amarela brilhante.
Além disso, os grãos provenientes de plantas infectadas ficam enrugados e chochos.
Medidas de manejo para o nanismo amarelo da cevada
- Controle biológico ou químico do vetor;
- Tratamento de sementes com neonicotinoides.
Para todas as doenças do trigo, quando for utilizar controle químico, verifique quais estão registrados no Agrofit e para te ajudar com a recomendação nas medidas de manejo procure um(a) agrônomo (a).

Conclusão
O trigo é uma importante cultura de inverno no Brasil e é preciso cuidado com as doenças na lavoura para evitar as perdas.
Nesse artigo, discutimos 8 das principais doenças da cultura do trigo causadas por fungos, bactérias e vírus.
Você conferiu os principais sintomas, como identificá-las na lavoura e as principais medidas de manejo para não colocar a produção em risco!
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