O que você precisa saber para acertar a lubrificação de máquinas agrícolas da sua fazenda

Lubrificação de máquinas agrícolas: diferenças entre óleos e graxas, quando e como realizar as operações e muito mais!

O que você diria que os desgastes, a redução da vida útil e a baixa eficiência operacional têm em comum? É claro que, são todos problemas que podem acometer as máquinas agrícolas, mas, além disso, a solução de todos esses problemas também é a mesma.

A simples lubrificação poderia reduzir ou até mesmo sanar todos esses problemas!

Você conhece todos os benefícios da correta lubrificação das máquinas agrícolas? Ainda tem dúvidas de como e quando fazê-la para otimizar sua eficiência operacional? Confira a seguir!

A função dos lubrificantes nas máquinas agrícolas

A lubrificação de máquinas agrícolas é um dos principais aspectos da manutenção dos equipamentos. Diversos componentes das máquinas requerem lubrificação: os mancais (de atrito ou de rolamento), eixos (sem fim e telescópicos), engrenagens, correntes, pistões até as juntas universais e bombas.

De modo geral, os lubrificantes são substâncias com múltiplas finalidades, que auxiliam as máquinas agrícolas de diversas formas. Eles

  • reduzem o desgaste de peças, amenizando a fricção;
  • auxiliam na limpeza das peças, evitando a entrada de partículas e impurezas;
  • protegem os componentes lubrificados da corrosão;
  • facilitam a vedação e reduzem a perda de pressão, e 
  • auxiliam a dissipar o calor, promovendo o resfriamento das peças.

Como podemos perceber, a lubrificação das máquinas agrícolas é bastante versátil e, justamente por isso, não pode ser feita de qualquer jeito!

Lubrificante é tudo igual?

Antes de mais nada, definitivamente, a resposta para essa pergunta é: não é tudo igual!

Quando pensamos na lubrificação de máquinas agrícolas, normalmente nos lembramos dos óleos primeiro, mas os principais lubrificantes podem ser óleos ou graxas. O tipo de lubrificante a ser utilizado depende do sistema e/ou componente a ser lubrificado.

Os óleos, menos viscosos, são indicados para os motores, para o sistema de transmissão e para o sistema de freios. As graxas, altamente viscosas, vão nas articulações, conexões, mancais e rolamentos das máquinas agrícolas.

Óleos

Atualmente, os óleos podem ser de origem mineral (petróleo), sintéticos (sintetizados artificialmente) ou semissintéticos (misturas).

E são classificados de acordo com a viscosidade, o índice de viscosidade (IV) e o nível de desempenho.

A viscosidade determina a resistência entre as moléculas do óleo, ou seja, sua capacidade de escorrer ou aderir às peças que ele lubrifica.

Na classificação SAE, a viscosidade dos óleos recebe um número: 0, 5, 10, 15, 20, 25, 30, 40, 50 ou 60. Quanto maior o valor, maior a viscosidade.

O IV, por sua vez, indica a variação da viscosidade de um óleo de acordo com a temperatura ambiente. Os óleos com elevados IV têm uma menor variação da viscosidade.

Quando seguidos da letra W (de winter, inverno em inglês) indicam que podem ser utilizados a baixas temperaturas, 0W, 5W, 10W, etc., mas é incomum no Brasil.

Já os nomes compostos, indicam que são óleos multiviscosos e, normalmente, aguentam grandes variações de temperatura!

Para facilitar o entendimento, separei a figura a seguir:

tabela com classificações SAE da viscosidade dos óleos e as faixas de temperatura ambiente adequadas para o uso

Classificações SAE da viscosidade dos óleos e as faixas de temperatura ambiente adequadas para o uso
(Fonte: NQIFS)

Por fim, o nível de desempenho é a classificação em função do tipo de serviço da máquina, feito pela classificação API.

Para motores diesel, de compressão (compression, em inglês), a classificação API é a C e ainda existe uma grande subdivisão nessa categoria.

Mas o importante é saber que cada fabricante dará a correta indicação dos óleos para a adequada lubrificação da máquina agrícola.

Graxas

Ao contrário dos óleos, as graxas são lubrificantes pastosos ou semissólidos.

Elas são utilizadas em mecanismos que não podem ser continuamente lubrificados ou nos quais os óleos não atuam corretamente no local desejado.

Assim como os óleos, existe uma grande diversidade de características das graxas, que podem ser classificadas de acordo com a consistência e substância engrossadora.

A consistência das graxas pode ser de 000, 00, 0, 1, 2, 3, 4 e 5, cada uma com uma finalidade diferenciada.

tabela com classificação, consistência e uso das graxas - lubrificação de máquinas agrícolas

Classificação, consistência e uso das graxas
(Fonte: elaborado pelo autor, adaptado de Leandro Gimenez)

Em linhas gerais, a graxa é composta da mistura de óleo com aditivo e uma substância engrossadora.

Cada substância engrossadora confere uma característica à graxa, sendo as multiuso consideradas as melhores, à base de lítio (Li) ou mistas (cálcio + sódio).

A lubrificação de máquinas agrícolas com graxa deve ser feita nos chamados pinos graxeiros que se localizam em diversos locais, variando de acordo com cada fabricante.

Como e quando fazer a lubrificação de máquinas agrícolas?

Como realizar a lubrificação do maquinário?

Para realizar a lubrificação do maquinário, precisamos elaborar um plano de lubrificação, considerando uma série de fatores, como:

  • quantidade de máquinas/implementos;
  • tipo de equipamento/implemento;
  • frequência de troca/aplicação;
  • tipo de lubrificante a ser utilizado em cada um deles;
  • estoque de lubrificantes;
  • normas industriais;
  • condições de trabalho, entre outras.

Somente assim, com planejamento, conseguimos adequar a lubrificação sem que falte maquinário em serviço ou ainda haja problemas de negligência de manutenção.

Qual o melhor momento para fazer a lubrificação?

Na verdade, isso depende! 

Quando fazer e a frequência de lubrificação de máquinas agrícolas variam principalmente de acordo com o componente em questão.

É de extrema importância seguir as recomendações detalhadas do fabricante.

Lembre-se que, quando se trata de lubrificação de máquinas agrícolas, estamos falando de manutenção preventiva, ou seja, antes de verificarmos que existe um problema!

Algumas dicas são:

  1. A troca do óleo de motor e transmissão são feitas com maior facilidade quando realizadas em temperaturas próximas às de operação. Assim, o óleo escoa com mais facilidade. Mas, cuidado, pois pode estar em elevadas temperaturas e pressão.
  2. Não só o momento para a lubrificação deve ser escolhido com cautela mas também o local para a sua realização.
  3. É muito importante tomar cuidado na hora da lubrificação de máquinas agrícolas para evitar contaminação, fazendo-as em ambientes protegidos como galpões ou oficinas. 

Conclusão

Os lubrificantes, sejam eles óleos ou graxas, são essenciais para o bom funcionamento das máquinas agrícolas.

A lubrificação de máquinas agrícolas é sem dúvida um ponto crucial para garantir a vida útil dos equipamentos.

Um bom plano de lubrificação deverá garantir uma boa eficiência operacional das máquinas no campo.

Ao cuidar bem das máquinas agrícolas, a certeza do sucesso só aumenta!

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“Tudo o que você precisa saber sobre lastragem de tratores agrícolas”

“Depreciação de máquinas: todos os cálculos de forma prática”

Qual é a sua maior dificuldade na lubrificação de máquinas agrícolas? Conta pra gente nos comentários!

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