Depreciação de máquinas: todos os cálculos de forma prática (+ planilha grátis)

Depreciação de máquinas: percentuais de desvalorização e como fazer a depreciação fiscal e gerencial dos equipamentos da sua lavoura.

Quando compramos um automóvel zero, sempre ouvimos falar que ele só perderá valor até a data da venda futura. Com as máquinas agrícolas, essa depreciação também ocorre.

A desvalorização dos equipamentos com o passar do tempo é conhecida como depreciação.

A depreciação deve, sim, entrar na planilha e ser calculada para as máquinas agrícolas com intuito de garantir a saúde financeira das propriedades.

Confira neste artigo como calcular a depreciação das máquinas agrícolas e muito mais!

O que é depreciação de máquinas?

A depreciação das máquinas, aqui especialmente falando das utilizadas na agricultura, pode ser definida como a perda de valor dos equipamentos com o passar do tempo.

Vamos explicar como funciona na prática!

Os equipamentos e máquinas agrícolas, ao serem adquiridos novos, possuem todas as peças e tecnologias que acabaram de sair da fábrica e estão sem desgaste algum.

À medida em que estes equipamentos são levados ao campo para trabalho, existe um desgaste natural das peças do conjunto.

Com o passar dos anos, as horas de uso acabam desvalorizando as máquinas que foram submetidas ao duro trabalho no campo.

Esse desgaste acarreta em perda do valor dos equipamentos com o passar dos anos – é o que chamamos de depreciação.

A depreciação de máquinas pode ocorrer devido a dois principais fatores: desgaste dos equipamentos devido ao uso e obsolescência. 

Neste cenário, podemos citar as máquinas agrícolas como: tratores, plantadeiras, colhedoras, carros da frota da fazenda e implementos sendo desgastados, perdendo valor, de acordo com o uso ao longo dos anos.

Já na questão da obsolescência, o equipamento adquirido com certos pacotes tecnológicos podem apresentar defasagens com o passar do tempo.

Com as constantes inovações no meio agrícola, as máquinas estão cada dia mais tecnológicas e tais softwares podem ser renovados pelos fabricantes.

depreciação de máquinas

(Fonte: GauchaZH)

Sistemas de posicionamento mais precisos, sensores mais eficientes, válvulas mais rápidas para aplicação de insumos, são exemplos presentes nas máquinas novas do mercado, tornando as antigas obsoletas. 

A obsolescência operacional reflete exatamente esse cenário!

Uma vez que são lançados novos sensores e produtos com vantagens adicionais, temos uma depreciação dos equipamentos antigos com o passar do tempo.

A obsolescência também pode ser física nas máquinas agrícolas, que ocorre quando temos danos como batidas, desgastes, envelhecimento e falta de peças para reposição.

Como calcular a depreciação de máquinas e equipamentos agrícolas?

Para começar o nosso cálculo, devem ser inseridas a vida útil do equipamento e sua taxa mensal ou anual de depreciação.

Vale ressaltar que existem dois tipos de depreciação aplicadas às máquinas: a depreciação fiscal e a depreciação gerencial

Na depreciação fiscal, também chamada de depreciação contábil, o valor do bem adquirido é calculado para ser reduzido a zero após o período determinado para sua vida útil.

Já na depreciação gerencial, o valor final do bem não necessita chegar a zero: pode ser calculado durante um intervalo menor que a duração de sua vida útil. 

Assim, o estado de conservação e manutenções realizadas nos equipamentos pode manter o valor do bem mais elevado. Isso depende de cada modo de utilização.

Qual o percentual de depreciação de máquinas e equipamentos?

Falamos de depreciação de máquinas e equipamentos e sua importância para a manutenção do fluxo de caixa da fazenda.

Mas como calculamos, de fato, a depreciação?

A porcentagem de depreciação varia de acordo com cada máquina e equipamento agrícola.

Uma boa baliza que utilizamos é a tabela de depreciação da Receita Federal. Nela, encontramos as taxas anuais de depreciação de cada bem e vida útil em anos.

Para acessar a tabela de depreciação da Receita Federal clique neste link.

tabela depreciação receita federal

(Fonte: Receita Federal)

Lembrando que a tabela da Receita Federal não é obrigatória para o cálculo da depreciação dos bens de empresas que se enquadram no Simples Nacional ou Lucro Presumido.

Ela é apenas uma sugestão de valores norteadores para utilização. 

Além da tabela da Receita Federal, a Conab também disponibiliza algumas tabelas voltadas para a cadeia agrícola.

Você pode acessar a tabela de vida útil de máquinas e equipamentos da Conab clicando aqui.

tabela agrícola Conab

(Fonte: Conab)

A Conab também apresenta a vida útil considerada em horas e valor residual para cada equipamento, de acordo com tipo de operação que desenvolve.

O valor residual é o preço de venda deste equipamento, depois do tempo de vida útil calculado.

Pegando uma colhedora de cana comprada por R$ 1 milhão como exemplo. Após 5.000 horas de trabalho, seu valor final seria de 25% do valor pago, ou seja, R$ 250 mil.

Porém, a taxa anual de depreciação, apesar de ser geralmente calculada com uma porcentagem fixa para a maioria dos equipamentos, pode variar de acordo com cada propriedade.

Como calcular a depreciação fiscal

Como a depreciação e perda do valor das máquinas está relacionada à forma de utilização destes equipamentos, modelos de gestão da frota de cada fazenda podem influenciar em maiores taxas de depreciação anuais.

Vamos calcular um exemplo de depreciação fiscal de uma máquina agrícola que custe R$ 250 mil.

Olhando na tabela da Receita Federal, para uma máquina que se encaixe na categoria de referência 8432 “Máquinas e aparelhos de uso agrícola, hortícola ou florestal, para preparação ou trabalho do solo ou para cultura; Rolos para gramados (relvados) ou para campos de esporte” a vida útil é de 10 anos e taxa anual de depreciação de 10%.

O cálculo consiste em dividir o valor total da nossa máquina pela vida útil em meses estipulada pela Receita Federal.

R$ 250.000 / 120 (10 anos) = R$ 2.083,33 (depreciação mensal)

Nesse cálculo de depreciação fiscal, levamos, após 10 anos, o valor da nossa máquina a zero reais.

Para calcular a depreciação por hora, iremos supor que esta máquina irá trabalhar 1.500h no ano.

1500h / 12 meses = 125h/mês

A depreciação por hora será calculada como depreciação mensal dividido pela quantia de horas trabalhadas por mês.

 R$ 2.083,33 (depreciação mensal) / 125h/mês = R$ 16,65/h

Como calcular a depreciação gerencial

No caso de uma depreciação gerencial, vamos supor que venderemos essa máquina após 3 anos de uso por R$ 170 mil.

Nesse caso, a diferença do valor da máquina no momento da venda foi de R$ 80 mil. O cálculo consiste em dividir a diferença pelos meses de uso do equipamento.

R$ 250.000 – R$ 170.000 = R$ 80.000,00

R$ 80.000 / 36 meses (3 anos) = R$ 2.222,22 (depreciação mensal)

Note que a venda após 3 anos de uso, nessas condições apresentadas, não seria compensatória. Isso porque, se mantivéssemos a máquina operando na propriedade, a depreciação ao final do ciclo seria menor.

Claro que outros fatores devem ser levados em conta no momento da venda, como utilidade e demanda da máquina na propriedade. 

Mas, certamente, a depreciação é um cálculo que ajuda no planejamento financeiro do negócio.

depreciação de máquinas

Máquinas presentes no campo estão cada vez mais tecnológicas 
(Fonte: Jornal do Comércio)

Ferramentas para cálculo de depreciação

Ressaltamos que para calcular e controlar a depreciação de máquinas na sua fazenda, você pode utilizar uma planilha gratuita para o cálculo de depreciação de máquinas e/ou um software de gestão agrícola.

Isso porque, nos dois casos, você consegue uma sistematização melhor, especialmente no software, já que nem sempre as contas são fáceis, ainda mais se você tiver um número considerável de máquinas.

Para te ajudar nisso, disponibilizamos uma planilha gratuita para você começar os cálculos agora de uma maneira bem mais rápida e simples. Clique na figura a seguir para baixar!

Mas saiba que, com um software agrícola, você pode acompanhar a depreciação das máquinas de maneira organizada, ao longo de toda a sua vida útil.

O Aegro, por exemplo, permite que você controle a taxa de depreciação dos equipamentos ano após ano. Assim, você consegue ter uma visão muito mais clara sobre o valor do seu patrimônio.

O aplicativo ainda oferece indicadores precisos sobre o rendimento de cada máquina. Com essas informações, fica fácil de entender se o equipamento está operando com eficiência ou se chegou a hora de trocá-lo.

Veja como é fácil realizar o registro de depreciação no Aegro.

Conclusão

Neste artigo, você aprendeu o que é a depreciação das máquinas e como calcular essa taxa de desvalorização para os nossos equipamentos.

A depreciação ocorre com todos os bens que adquirimos. A partir do momento em que compramos as máquinas, seu valor já começa a ser depreciado.

A taxa de depreciação também pode variar de acordo com o manuseio dos equipamentos em cada propriedade.

É essencial conhecer a vida útil das máquinas dentro da sua propriedade para que os cálculos depreciativos sejam os mais fidedignos possíveis.

Com a depreciação de máquinas calculada, fica fácil se preparar para aquisição de novos bens ao longo do tempo, sem prejudicar a saúde financeira do negócio.

>> Leia mais:

“Renagro: como funcionará o registro nacional de tratores e máquinas agrícolas”

“Como fazer o cálculo de depreciação da lavoura de forma simples e rápida”

“O que você precisa saber para acertar a lubrificação de máquinas agrícolas da sua fazenda”

Conheça as 8 melhorias que a mecanização agrícola traz para a sua fazenda

Você calcula a taxa de depreciação de máquinas? Auxilia seus operadores e gestores a operarem corretamente os equipamentos para prolongar sua vida útil? Adoraria ver seu comentário abaixo!

2 thoughts on “Depreciação de máquinas: todos os cálculos de forma prática (+ planilha grátis)

  1. Para uma análise mais precisa do custo de produção, é fundamental levar em conta o custo de propriedade e depreciação dos equipamentos.

    • Olá Marcos,
      Ótima colocação, o custo da propriedade e depreciação dos equipamentos, até mesmo equipamentos de escritório como notebooks e etc devem entrar na planilha do custo de produção e assim gerar uma análise bem fidedigna ao real da propriedade.
      Continue nos acompanhando no blog Lavoura10 que buscamos sempre trazer conhecimentos e textos de grande valia aos nossos leitores!

      Grande abraço,
      LUIS

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