Guia para o controle eficiente da poaia-branca

Poaia-branca: conheça a época certa para controle, quais herbicidas usar e as principais dicas para evitar o prejuízo da lavoura.

A poaia-branca vem preocupando produtores de diversas regiões do país devido à dificuldade no seu controle com o uso de alguns herbicidas.

E saber manejar essa planta daninha é fundamental para evitar futuros casos de resistência. 

Hoje, a presença dessa daninha na soja já reflete em 2,6% menos rendimento da lavoura, além de ser um grande problema na colheita devido à sua expressiva massa verde.

Quer saber o segredo para fazer um manejo eficiente de poaia-branca? Nesse artigo, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Principais pontos sobre a poaia-branca

A Richardia brasiliensis, também conhecida como poaia-branca ou poaia-do-campo, é uma espécie de planta daninha de ciclo anual. 

Ela infesta principalmente lavouras anuais, se desenvolvendo bem em solos com boa umidade e sua reprodução ocorre via sementes.

foto de planta de Richardia brasiliensis - poaia-branca

Planta de Richardia brasiliensis
(Fonte: Weedimages)

A poaia-branca pode ser encontrada em quase todas as regiões do país, infestando os cultivos de grãos e culturas perenes.

Quando há interferência desta planta daninha nas culturas, cada planta de poaia-branca presente por metro quadrado em uma lavoura de soja pode reduzir 2,6% do rendimento da cultura. 

Além disso essa planta possui grande vigor vegetativo, cobrindo completamente o solo, sendo assim considerada um grande problema nas operações de colheita devido à sua massa vegetal.

Cobertura do solo por plantas de poaia-branca

Cobertura do solo por plantas de poaia-branca
(Fonte: Sistema Roundup Ready Plus)

Sua ampla dispersão está associada ao tamanho de suas sementes (aproximadamente 4 mm), que são facilmente disseminadas durante todo o ano.

As sementes da poaia-branca germinam em temperatura média de 25℃ e na presença de luz.

Por apresentar alta capacidade de germinação, é comum observarmos a emergência de poaia-branca o ano todo em regiões mais quentes.

Já em regiões mais frias, a planta pode entrar em repouso no inverno e retomar sua reprodução na primavera.

Por isso, fique atento ao controle correto desta planta daninha, pois ela pode ser “ponte verde” para pragas e doenças que afetam os cultivos.

Manejo da poaia-branca na entressafra do sistema soja-milho

A poaia-branca é considerada uma planta daninha de difícil controle devido a restrições de absorção e translocação de herbicidas que ocorrem em algumas situações. 

Por isso, o segredo para realizar um manejo eficiente de poaia-branca é aplicar em plantas pequenas (2 a 4 folhas), com condições climáticas ideias, e utilizando boa tecnologia de aplicação

foto de Plântula de poaia-branca

Plântula de poaia-branca
(Fonte: Pedro J. Christoffoleti)

Cuidado principalmente com aplicações de baixo volume. Devido às características morfológicas desta planta daninha, vários herbicidas podem diminuir a sua eficiência nessa condição. 

Herbicidas aplicados em pós-emergência: 

Glifosato 

O glifosato possui ótimo controle de plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes), na dose de 5,0 a 6,0 L ha-1.

Glufosinato de amônio 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,0 a 2,5 L ha-1. Adicionar óleo mineral ou vegetal 0,2% v.v.

Saflufenacil 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (2 a 4 folhas) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 35 a 100 g ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5% v.v.

2,4 D 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,5 L ha-1

Cuidado com problemas de antagonismo entre herbicidas (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado.

Dicamba 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,0 a 1,5 L ha-1

Cuidado com problemas de antagonismo entre herbicidas (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar dicamba próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de no mínimo 15 dias.

Herbicidas aplicados em pré-emergência:

Flumioxazin 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja na dose de 50 g ha-1.

Sulfentrazone 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e chlorimuron). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,75 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos!

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

O manejo de poaia-branca na pós-emergência da soja é pouco recomendado, pois existem poucas opções que podem ser utilizadas. 

Imazetapir

Utilizado em pós-emergência precoce da poaia e na soja com até 2 trifólios, na dose de 0,8 a 1,0 L ha-1.

Caso a soja possua tecnologia transgênica para tolerância a herbicidas, outros produtos podem ser usados para controle de poaia na pós-emergência da soja:

  • soja RR: Glifosato;
  • Xtend: glifosato e dicamba;
  • soja enlist: glifosato, 2,4 D e glufosinato de amônio.    

Para controle da poaia-branca na pós-emergência do milho safrinha, pode-se utilizar os herbicidas atrazina 1,5 a 3,25 L ha-1 (dependendo do tipo de solo) e nicosulfuron 1,25 a 1,50 L ha-1.

Cuidado com a sensibilidade diferencial dos híbridos de milho ao herbicidas nicosulfuron. Antes de utilizá-lo, confirme com a empresa produtora das sementes se o mesmo tolera este herbicida. 

Conclusão

Neste artigo vimos a importância que poaia-branca ou poaia-do-campo possui nas lavouras e as principais características dessa planta daninha

Vimos algumas estratégias de manejo para controle eficiente e para evitar a seleção de resistência.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente da poaia-branca em sua lavoura!

Como você controla a infestação de poaia-branca hoje? Já enfrentou problemas com outras invasoras também? Aproveite e baixe aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e faça o melhor controle em sua lavoura.

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