Pulverizador agrícola: diferentes tipos e como acertar na escolha

Pulverizador agrícola: conheça os diferentes tipos, suas características principais e recomendações

A pulverização é um método usado na agricultura para aplicação de produtos relacionados à proteção de cultivos e controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

Ela consiste em jogar líquidos em gotas muito pequenas sobre uma superfície. Os pulverizadores agrícolas são os equipamentos responsáveis por essa atividade no campo. 

Eles são a máquina agrícola com maior tempo de uso durante a safra.

Nesse artigo, veja as principais técnicas de pulverização, suas vantagens e desvantagens e também as boas práticas. Boa leitura!

O que é um pulverizador agrícola?

Um pulverizador é um equipamento que tem a capacidade de “quebrar” um líquido em partículas muito pequenas. Seu objetivo é espalhar essas partículas por uma superfície-alvo.

O princípio de ação é o mesmo utilizado em borrifadores comuns. Porém, a diferença entre um borrifador e um pulverizador está principalmente no tamanho das partículas e no alcance da aplicação.

No pulverizador agrícola, os líquidos são normalmente agroquímicos. Inseticidas, fungicidas, herbicidas ou fertilizantes são lançados nas superfícies-alvo, como plantas no campo ou em estufas.

Dessa forma, a finalidade de um pulverizador agrícola é fazer com que o líquido esteja em contato com a maior parte da superfície-alvo. Isso, é claro, de maneira eficiente e com menor perda possível.

Componentes de um pulverizador

Cada um dos muitos tipos de pulverizador tem a necessidade de certos componentes para seu funcionamento. Aqui listamos alguns componentes principais em sistemas de pulverização:

  • Tanque de armazenamento: é onde a calda a ser aplicada fica armazenada;
  • Mecanismo agitador: ele mantém a calda sempre homogênea, sem decantação de partes mais pesadas;
  • Filtros: evitam a passagem de impurezas da calda para os sistemas aspersores;
  • Bombas hidráulicas: bombeiam a calda do sistema de armazenamento para os sistemas aspersores;
  • Regulador de pressão: controlam a pressão do líquido no interior do sistema de aspersão;
  • Manômetro: informam de possíveis perdas de pressão no sistema;
  • Barra de pulverização: conduzem a calda aos bicos em sistemas de barra, aumentando o alcance e eficiência da pulverização;
  • Bicos de aplicação: pulverizam o líquido em gotículas e aplicam a calda na  superfície-alvo.

Tipos de pulverizador agrícola

Como qualquer outro tipo de equipamento, para pulverizadores agrícolas também há uma grande variedade de tipos, marcas e modelos. Abaixo listamos os tipos mais utilizados de pulverizadores agrícolas:

Costal

O pulverizador costal consiste de um reservatório de produto que é carregado por um operador. Sua aplicação pode ser manual ou automática. Essa técnica tem rendimento limitado pela velocidade de aplicação e baixa capacidade do tanque. Por isso, é mais recomendada para áreas pequenas ou plantios em estufa.

Pistola

O aplicador tipo pistola normalmente é acoplado a um sistema de mangueiras e aumenta o alcance da aplicação por usar sistema de ar comprimido. Ele pode ser de acionamento manual ou elétrico.

Barra

Ele consiste em uma barra com múltiplos bicos de pulverização acoplados a uma mangueira, e podem pulverizar áreas maiores. Eles podem ser acoplados a tratores ou serem autopropelidos.

Autopropelido

O pulverizador autopropelido é o mais utilizado nas propriedades, e apresenta o sistema de barra e um sistema motriz individual, não dependendo da força motriz do trator. Esse método pode alcançar maiores áreas e rendimentos.

Atomizador

Os atomizadores são equipamentos que utilizam ventilação forçada para espalhar o produto a ser aplicado pela lavoura. Apesar de aumentar a deriva de defensivos, o alcance do método é maior.

Aéreos

Esse processo pode ser feito por meio de veículos voadores como drones para pulverização, helicópteros e aviões. Esse tipo de aplicação ainda é um pouco limitado por custos ou por baixo rendimento de aplicação, como para drones.

Foto elaborada pelo autor, com vários pulverizadores agrícolas diferentes
Tipos de pulverizadores agrícolas
(Fonte: Adaptado pelo autor de diversas fontes)

Além desses tipos de pulverizadores, existem técnicas que podem ser envolvidas nos sistemas de pulverização para aumento de eficiência. Uma dessas técnicas é a pulverização eletrostática.

Ela consiste em gerar gotas com cargas elétricas contrárias às das plantas. Isso causa atração eletromagnética entre a gota e a planta, aumenta a eficácia da aplicação e diminui as perdas.

Regulagem de pulverizador agrícola

A regulagem é o último processo antes do uso desse equipamento no campo. Porém, antes disso, há a necessidade de manutenção e limpeza do pulverizador, que garantem um bom funcionamento.

Em primeiro lugar, utilize equipamentos de proteção individual durante a regulagem e aplicação de produtos na lavoura. Os principais fatores a serem regulados em um pulverizador são:

  • Dose de produtos: normalmente presentes nas bulas dos agroquímicos, as doses definem a quantidade do princípio ativo do produto a ser aplicado por hectare;
  • Cobertura: é a quantidade de gotas do produto a ser aplicado por área da superfície-alvo;
  • Tamanho de gota: o tamanho de gota é controlado principalmente pelo tipo de bico a ser usado e a pressão de operação e é definido de acordo com o tipo de produto, estágio de fechamento da cultura, condições ambientais, dentre outros;
  • Volume de calda: o volume de calda é definido para uma área conhecida, por exemplo, em litros por hectare. Ele dependente da dose, da cobertura e do tamanho de gotas;
  • Pressão: a pressão no sistema de barras é importante para definir a vazão do produto e o tamanho de gota e pode ser verificada através do manômetro. Ele indica possíveis perdas no sistema;
  • Vazão: a vazão é o volume aplicado em um certo tempo por um sistema de pulverização. É importante para entregar a quantidade adequada do produto na superfície-alvo;
  • Tipo de bico: o tipo de bico define o espalhamento da calda, o tamanho da gota e o alcance e capacidade de penetração do produto no dossel;
  • Velocidade da máquina: a velocidade da máquina irá controlar a qualidade de aplicação e deve ser levada em conta junto com os parâmetros acima, como vazão.

Os parâmetros atmosféricos também devem ser considerados na definição da regulagem. Velocidade do vento, chuva, umidade e temperatura do ar podem causar problemas na aplicação de produtos, como deriva, evaporação, diluição do produto, etc.

Marcas de pulverizador agrícola: como escolher o melhor modelo para a fazenda

Existem várias marcas de pulverizadores agrícolas comercializados no Brasil: Valtra, Massey Ferguson, John Deere, Jacto, Aral, Stara, New Holland, Case, Jan, Metalfor, PLA, Montana, ServSpray e Pulverjet. Porém, a escolha de um pulverizador deve considerar fatores como:

  • Tipos de culturas agrícolas utilizadas na propriedade: para culturas agrícolas perenes, prefira o uso de pulverizadores atomizadores. Para culturas anuais, priorize o uso de pulverizadores costais ou autopropelidos. Algumas culturas florestais utilizam pulverização aérea;
  • Extensão da área e relevo da propriedade: para produtores médios a pequenos com extensões de terra reduzidas, o pulverizador costal é uma boa opção de custo-benefício. Com o aumento das áreas, há necessidade de um sistema mecanizado  e mais automático;
  • Nível tecnológico da fazenda e da mão de obra: a decisão por investir em sistemas de maior precisão, por exemplo com geolocalização ou mesmo o uso de drones, tem que estar de acordo com o conhecimento da mão de obra e da tecnologia da fazenda;
  • Capacidade de investimento: o investimento em um pulverizador autopropelido é maior que em um costal ou de pistola. Isso deve ser levado em conta no plano de investimento e amortização dos custos nas safras posteriores;
  • Facilidade de assistência técnica na região de atuação: de nada adianta ter maquinários na fazenda se eles não estão aptos a executar suas funções. Muitos problemas podem ser minimizados por manutenções preventivas, mas outras vezes há necessidade de mão de obra especializada. Ter especialistas disponíveis na região da propriedade é de grande valia.

Por isso, consulte sempre os fornecedores e assistentes técnicos para definição do melhor maquinário para sua realidade.

Como escolher o tipo de bico

A escolha do tipo de bico de pulverização é um passo muito importante. Ele está diretamente relacionado à qualidade e homogeneização da aplicação. Os bicos precisam ser bem escolhidos e estar sempre em boas condições.

Caso contrário, de nada adianta ter o produto correto, na dose correta e com a calda bem preparada e aplicado em condições climáticas ideais. Os principais tipos de bico são:

  • cone: pode ser de tipo cone cheio ou cone vazio. Normalmente é utilizado para aplicações de fungicidas e inseticidas;
  • leque: pode ser do tipo leque padrão ou leque uniforme. É normalmente utilizado para aplicação de herbicidas e utilizado em pulverizadores de barra;
  • impacto: os bicos de impacto são bastante abrangentes em suas características, e por isso são utilizados para pulverização de vários tipos de produtos; 
  • indução a ar: é um bico de maior tecnologia que trabalha sob maior pressão. ELe minimiza a deriva do produto, aumentando a eficiência de aplicação;

Alguns fatores são importantes na escolha do bico, como seu material, pressão de trabalho, forma e tamanho de gotas, tipo de jato. Suas condições de desgaste e possíveis entupimentos também devem ser avaliadas. 

Testes prévios são necessários para ver o molhamento executado pelos bicos.

Conclusão

Existem diversos fatores que definem o tipo de pulverizador mais recomendado. A regulagem adequada deles garante uma aplicação mais eficiente na propriedade.

O uso de novas tecnologias como drones e aviões tem crescido bastante. Porém, os sistemas autopropelidos ainda são grandemente usados nas propriedades brasileiras.

Ao fazer a escolha do pulverizador ideal para a sua fazenda, não deixe de realizar a manutenção frequente para garantir a qualidade dos processos.

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