Pulverizador autopropelido: Você sabe como regular? Neste texto, iremos responder essas e outras questões para te auxiliar na pulverização da sua lavoura com autopropelido.
A mecanização agrícola é um dos mais importantes fatores da produção, podendo apresentar em até 50% dos seus custos totais.
Dentre as atividades de mecanização, está a pulverização da lavoura. E só quem viu uma lavoura infestada sabe a importância dessa atividade. Por isso, utilizar algumas tecnologias nessa etapa pode aumentar a sua produção.
Você já parou para pensar qual tipo de pulverizador, autopropelido ou tratorizado, é utilizado na sua lavoura? E se algumas práticas ou tecnologias poderiam te auxiliar no manejo de pragas, doenças e plantas daninhas?
Neste texto vamos falar sobre todos esses assuntos para suas pulverizações se tornarem ainda mais eficientes! Veja a seguir:
Índice do Conteúdo
- 1 O que é um pulverizador autopropelido?
- 2 Componentes do pulverizador autopropelido
- 3 Classificação dos pulverizadores
- 4 Vantagens do uso de pulverizador autopropelido
- 5 Regulagens e calibração do pulverizador
- 5.1 1.Manutenções e Limpeza
- 5.2 2.Regulagem das barras
- 5.3 3.Comece a calibração: Encha o tanque do pulverizador com água
- 5.4 4.Com o pulverizador ligado, verifique se há vazamento nos filtros e nos bicos
- 5.5 5.Calibração da pressão
- 5.6 6.Faça a medição da vazão
- 5.7 7.Faça a medição da velocidade do pulverizador
- 5.8 8.Calcule a área tratada por minuto
- 5.9 9.Taxa de aplicação
- 5.10 10.Quantidade de produto para o preparo da calda
- 6 O que podemos concluir e planejar com a calibração dos pulverizadores
- 7 Cuidados durante a sua pulverização
- 8 Utilização dos tipos de bicos na pulverização agrícola
- 9 Histórico do pulverizador autopropelido
- 10 Agricultura de precisão e pulverizador autopropelido
- 11 Conclusão
O que é um pulverizador autopropelido?
Pulverizar é produzir gotas a partir da calda de uma formulação comercial do produto químico. Aplicar é depositar a gota no objeto (alvo), este alvo muitas vezes são as folhas da cultura.
Pulverizadores são máquinas agrícolas que realizam as aplicações de defensivos agrícolas para que este atinja o alvo de forma adequada.
Assim, a utilização de defensivos agrícolas é para assegurar o potencial produtivo da sua lavoura, protegendo contra pragas (doenças, plantas daninhas e insetos). O pulverizador autopropelido também é chamado de automotriz ou autopropulsor.

(Fonte: Pulverjet)
Esses pulverizadores são máquinas de alto desempenho, com velocidade de pulverização de 15 a 30 km/h.
Em situações favoráveis, a velocidade operacional pode chegar próxima a 40 km/h. Além disso, esses pulverizadores geralmente apresentam alta tecnologia em eletrônica de bordo para o preciso e total controle da pulverização.
Para entender melhor esses pulverizadores vamos entender melhor quais os seus componentes e funções:
>> 8 perguntas para fazer ao seu consultor sobre defensivos agrícolas
Componentes do pulverizador autopropelido
Os principais componentes de um pulverizador autopropelido, você confere na figura abaixo.

(Fonte: Casali, 2015 adaptado de Manual de Operação Massey Ferguson 9030)
Veja a função de alguns componentes:
Reservatório de calda
Local onde é armazenada a calda que é utilizada na pulverização. Existem diversas capacidades desses reservatórios no mercado.
Barras de pulverização
Podem ser instaladas na parte traseira, parte frontal ou central. As barras são equipadas com corpos de bicos múltiplos e com as pontas de pulverização e podem medir em média de 15 a 48 metros.
Cabine
A cabine do pulverizador é fechada, o que proporciona conforto ao operador e impede a contaminação com agrotóxicos.
Eletrônica embarcada
É representada por sensores, atuadores, computadores de bordo, software e GPS. A eletrônica embarcada é utilizada para as funções vitais da máquina, como controle da pulverização, controle da velocidade de deslocamento, transferência de dados, entre outras.
Esses pulverizadores ainda podem apresentar piloto automático, constituindo outra tecnologia comumente vista nessas máquinas. Além disso, esse tipo de pulverizador apresenta uma característica importante para as pulverizações:
Característica importante do autopropelido
O pulverizador autopropelido também possui maior vão livre.
Mas o que é vão livre? Vão livre é a medida composta pela distância do solo até o primeiro ponto da estrutura da máquina. Assim, se seu pulverizador apresenta maior vão livre, permite realizar pulverização em estágios mais avançados de desenvolvimento da sua cultura.
Classificação dos pulverizadores
A Andef classificou os pulverizadores como:
- Pulverizador costal manual;
- Pulverizador costal motorizado;
- Pulverizador tratorizado com mangueira e pistola de pulverização;
- Pulverizador de barras (tratorizado ou autopropelido);
- Turbopulverizador ou turboatomizadores;
- Pulverização com aeronave.
No caso do nosso tema de hoje, pulverizador autopropelido, há dois tipos de classificação:
- Máquinas projetadas originalmente como pulverizadores autopropelidos;
- Pulverizadores adaptados à estrutura do trator agrícola.
Vantagens do uso de pulverizador autopropelido
Podemos citar como vantagens de se utilizar pulverizador autopropelido:
- Maior precisão na pulverização;
- Otimização de custos de produção e insumos;
- Permite ser utilizado na agricultura de precisão;
- Maior planejamento da atividade de pulverização;
- Menor risco e maior conforto ao operador;
- Maior rendimento operacional.
Agora vamos para uma etapa crucial da pulverização e que é decisiva para um manejo e gestão agrícola eficaz:
Regulagens e calibração do pulverizador
Alguns passos básicos e simples podem fazer toda a diferença na sua pulverização.
Pensando nisso, fizemos um passo a passo para lhe auxiliar:
1.Manutenções e Limpeza
Você deve realizar as manutenções como a limpeza dos filtros do pulverizador e também dos bicos.
Para não esquecer de realizar manutenções preventivas no seu maquinário, você pode contar com um software de gestão agrícola.

Com o Aegro, por exemplo, é possível programar alertas de manutenção pontuais ou periódicos. Assim, você recebe um aviso por e-mail sempre que estiver na hora de realizar uma nova checagem.
Veja este artigo para mais informações sobre regulagem e manutenção de maquinários agrícolas.
2.Regulagem das barras
Regule o espaçamento entre os bicos na barra e a altura da barra em relação a sua cultura (em geral, deve ser 1m da barra até o chão).
Verifique o ajuste das ponteiras da barra, eliminando as folgas entre o encosto do terminal da barra e a estrutura metálica da ponteira.
Lembrando que as ponteiras são as porções terminais da barra de pulverização.
Verificar também o ajuste do movimento vertical da barra, o nivelamento das ponteiras em relação às barras e o ajuste do desarme das ponteiras.
3.Comece a calibração: Encha o tanque do pulverizador com água
4.Com o pulverizador ligado, verifique se há vazamento nos filtros e nos bicos
5.Calibração da pressão
A pressão será realizada na calda de pulverização pela bomba de pressão.
A pressão deve ser selecionada nos comandos eletrônicos dentro da cabine do pulverizador e deve ser calibrada na parte de fora do pulverizador em cada seção.
Assim, você deve abrir o manômetro e verificar se a pressão em cada seção está de acordo com a qual você selecionou no comando eletrônico.
6.Faça a medição da vazão
Colete a água de um bico unitário por 1 minuto em um recipiente graduado.
Para saber a vazão total dos bicos, veja o exemplo:
Se em um bico foi coletado 800 mL em 1 minuto, então, a vazão unitária é 0,8 L/min.
Se a barra tem 40 bicos, 0,8 x 40= 32 L/min de vazão total.
Você também pode pedir a vazão em todos os bicos e verificar se eles não estão desgastados.
Se algum dos bicos apresentar vazão acima de 10%, o bico deve ser trocado.
Nessa etapa também se atente para o jato que sai dos bicos, observando se há entupimentos e deve desentupir adequadamente conforme mostra figura abaixo:

(Fonte: Jacto)
7.Faça a medição da velocidade do pulverizador
Marque um percurso de 50 metros com uma trena e afaste o pulverizador do local demarcado, pode ser 5 metros como na figura abaixo.

(Fonte: UFRRJ)
Esse afastamento permite que a velocidade se estabilize até chegar na marcação de 50 metros para sua medição.
Após isso, anote o tempo que o pulverizador percorrer os 50 metros.
Com a distância dividida pelo tempo sabemos facilmente qual a velocidade real da máquina.
Então, se o tempo para percorrer a distância de 50 metros e o tempo foi de 15 segundos, a velocidade é (50/15)x60=200 m/min.
8.Calcule a área tratada por minuto
Nessa etapa continuarei nosso exemplo para facilitar o entendimento dos cálculos:
Exemplo:
Largura da área tratada = 40 bicos x 0,6m de espaçamento entre bicos = 24 metros
Área tratada = velocidade x largura da área tratada
Área tratada = 200m/min x 24 metros = 4800 m/min
Em hectare = 4800/10000 = 0,48 ha/min
9.Taxa de aplicação
A fórmula da taxa de aplicação é:
Taxa de aplicação = vazão total/área tratada
Continuando nosso exemplo:
Taxa de aplicação = 32L/min/0,48ha/min = 67 L/ha
10.Quantidade de produto para o preparo da calda
Quantidade = (capacidade do tanque x dosagem do produto)/taxa de aplicação
Exemplo:
Se o tanque é de 2000 litros e dosagem do produto de 0,2 L/ha: Quantidade = (2000×0,2)/67 = 5,97 L de produto para o preparo da calda de um tanque cheio do pulverizador.

O que podemos concluir e planejar com a calibração dos pulverizadores
Continuando com nosso exemplo, temos os seguintes dados após a calibração:
Se a taxa de aplicação de 67 L/ha e o tanque possui volume de 2000 litros, já sabemos que a cada aproximadamente 30 hectares (2000/67) teremos uma parada para reabastecer o tanque. E em quanto temos teremos que reabastecer o tanque?
Só precisamos dividir o número de hectares que um tanque trabalha (30 ha no nosso exemplo) pela área tratada por minuto (0,48 ha/min), o que resulta em aproximadamente 1 hora.
Isso já te prepara e também a sua equipe para as paradas e o abastecimento mais rápido e eficaz possível. Sabendo a área total que deve ser tratada você também sabe a quantidade total do defensivo agrícola a ser comprado.
Desse modo, a regulagem e calibração podem até parecer algo trivial de se fazer, mas pode ser um ótimo começo para uma gestão e planejamento agrícola bem feitos.
Após todas as vantagens, regulagem e calibração dos pulverizadores, também devemos ter alguns outros cuidados importantes nessa atividade:
Cuidados durante a sua pulverização
- Utilize pulverizadores adequados para a cada atividade e área;
- Utilize o defensivo agrícola recomendado para a cultura e na dose correta;
- Realize manutenções nos pulverizadores e limpeza;
- Certifique-se que o trabalhador está treinado;
- Uso de equipamento de proteção individual (EPI);
- Calibração e regulagem dos pulverizadores;
- Utilize água de boa qualidade;
- Verifique condições climáticas no local de pulverização antes de iniciar as atividades;
- Verifique como deve proceder com o descarte de produtos químicos (resíduos);
- Se atente com a deriva.
Falando em deriva, saiba que muitas vezes ela pode ser evitada com a consulta das condições climáticas na hora de pulverização. E para verificar as condições você pode utilizar aplicativos de celular para isso. Além disso, ressalto que não devemos esquecer que em toda pulverização deve-se utilizar EPI.

(Fonte: Andef)
A escolha do pulverizador realmente é muito importante para planejamento da sua propriedade.
Mas, um componente de grande importância no pulverizadores são os bicos e sua escolha.
Utilização dos tipos de bicos na pulverização agrícola
A função dos bicos é dividir o líquido (a calda a ser aplicada) em gotículas e distribuí-las, de forma uniforme, sobre toda superfície da planta (alvo).
Além disso, você deve escolher o bico para o pulverizador de acordo com:
- Estágio da cultura, as condições de temperatura e umidade no local;
- Equipamento a ser utilizado;
- Tamanho da lavoura.
Para isso, é necessário conhecer algumas informações do bico que você pode encontrar nos próprios bicos:

(Fonte: Teejet)
Nesse sentido, os bicos que você seleciona determinam pelo menos 4 fatores essenciais da pulverização utilizando ou não pulverizadores autopropelidos:
- Quantidade de produto aplicado na área;
- Uniformidade da aplicação;
- Cobertura do produto aplicado sobre o alvo;
- Quantidade potencial de deriva.
O bico é composto por todo o conjunto com suas estruturas de fixação na barra (corpo, filtro, ponta e capa).

(Fonte: Andef)
Muitas vezes, a ponta é utilizada como sinônimo de bico. Mas lembre-se, que a ponta é uma estrutura do bico. Para te ajudar na escolha do bico para o seu pulverizador, você pode utilizar aplicativos ou software como da John Deere e Jacto.
E lembre-se que bicos desgastados podem te trazer prejuízos. No exemplo abaixo, você pode visualizar o quanto você pode perder com bicos desgastados, considerando uma área de 500 ha e um desgaste de 10% dos bicos de pulverização.

(Fonte: Jacto)
Alguns fatores que favorecem o desgaste são: limpeza (quando é realizada com material impróprio), poder abrasivo dos defensivos agrícolas, pressão de trabalho e qualidade da água.
Para que você não tenha problemas com prejuízos por bico desgastado se atente: Quando um bico apresentar vazão acima de 10% da vazão nominal de um bico novo, você deve substituir este bico. Assim, se atente a calibração que já vimos como fazer no início deste texto.
Histórico do pulverizador autopropelido
O primeiro pulverizador autopropelido foi criado na década de 1940 nos EUA, este pulverizador foi criado para a lavoura de cultura do milho.
Depois deste, ocorreram muitas modificações nesses pulverizadores. E, no Brasil, o pulverizador autopropelido começou a ser fabricado na década de 1980 por empresas brasileiras. Agora você encontra vários modelos de pulverizadores autopropelidos e de diversas marcas no país.
Na figura abaixo, você confere as marcas de pulverizador autopropelido e o ano em que iniciaram a comercialização no Brasil.

(Fonte: Casali, 2015)
Depois dos conhecimentos sobre pulverizador autopropelido, fica aquela dúvida, podemos utilizá-lo na agricultura de precisão?
Agricultura de precisão e pulverizador autopropelido
Como já comentamos em outros textos, a agricultura de precisão (AP) é um manejo diferenciado em sua lavoura.
Ou seja, sua área não é uniforme, assim, você não deve tratar toda sua lavoura de uma mesma forma, dessa maneira, sua pulverização não é a mesma em toda a área.
Assim, utilizando AP, você pode reduzir o custo de produção da sua lavoura, aplicando a quantidade necessária de defensivo agrícola, e com isso, você reduz o desperdício.
>> 5 dicas infalíveis para uma aplicação de defensivos agrícolas mais eficaz
Para a pulverização da sua lavoura utilizando taxa variável de defensivo agrícola na área, você pode utilizar pulverizador autopropelido.
Os pulverizadores autopropelidos já apresentam algumas tecnologias que permitem realizar a AP na operação de pulverização da sua lavoura.
Assim, a utilização da eletrônica embarcada desses pulverizadores permite a aplicação de defensivos agrícolas em quantidades variáveis e tempos específicos.
Conclusão
Neste texto você aprendeu sobre o pulverizador autopropelido, suas características vantagens e componentes.
Além disso, foram dadas algumas dicas bastante úteis sobre a regulagem do pulverizador. Assim, o pulverizador autopropelido é uma tecnologia que você pode utilizar na sua lavoura para aprimorar a pulverização de defensivos agrícolas.
Como sempre gosto de enfatizar, sua lavoura é sua empresa, por isso, você deve planejar as atividades, entre elas a de pulverização, para que você possa aumentar seus lucros.
Então, boa pulverização da sua lavoura!
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Você utiliza pulverizador autopropelido na sua lavoura? Como você realiza a regulagem do seu pulverizador? Como você escolhe os bicos de pulverização? Adoraria ver seu comentário abaixo!
Bom dia.. muito bom estas informações ajuda e muito no dia dia..pra um melhor desempenho na atividade.
Celso, agradecemos o seu comentário. Buscamos sempre auxiliar o produtor com informações sobre as atividades agrícolas. Não deixe de acompanhar os nossos textos. Abraços.
Muito bom mesmo, a exemplo de todos os materiais que vocês publicam. (10)
São simples, objetivos, precisos, atingem o alvo trazendo ótimos benefícios para quem lê.
Perfeito.
Manda mais.
Obrigado.
Abraço a todos.
Sérgio, ficamos felizes que os textos estejam trazendo benéficos ao produtor, este é o objetivo. E não deixe de acompanhar os nossos materiais. Abraços
Muito gratificante ter esse conhecimento tão abrangente em questão do manuseio dos equipamentos agrícolas na extensão rural do pequeno ,médio e grande produtor .
Gostei muito desse material bem sucinto explicativos ,parabéns…………….
Gustavo, ficamos felizes que você tenha gostado do texto, procuramos sempre produzir materiais técnicos, simples e sucinto. Não deixe de acompanhar as novas publicações!
Muito bom seu site, muito educativo. Bem explicado e de uma forma simples, muito bom mesmo, sucesso…
Alexandre, agradecemos o seu comentário e ficamos felizes que está gostando do blog Aegro. Não deixe de acompanhar as nossas publicações. Abraços
Olá! Muito boa publicação.
Como faço para obter o conteúdo?
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