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Safrinha do milho: veja 8 dicas para garantir boa produtividade sem gastar muito

- 27 de fevereiro de 2019

Safrinha do milho: Escolha do híbrido, ciclo da safrinha e outras  dicas para ter mais sucesso no cultivo e melhorar a rentabilidade da sua lavoura.

Corremos riscos quando investimos em uma safra que será plantada fora da época mais adequada.

É o caso da safrinha do milho. Seu cultivo é realizado em um período com menos quantidade de luz, queda gradual de temperatura e redução de chuvas.

São situações adversas, mas que não precisam se traduzir em resultados ruins – pelo contrário.

É possível garantir uma ótima produtividade explorando o potencial das áreas cultivadas.

Por isso, separamos algumas dicas e estratégias para que você consiga produzir muito mais na safrinha do milho gastando pouco. Confira!

Safrinha do milho: 8 dicas para ter mais sucesso no cultivo

1 – Como escolher o híbrido ideal

O híbrido utilizado na safrinha deve ser um milho que apresente rusticidade e consistência na produção, mesmo existindo diversidade das condições climáticas.

Outros aspectos que devem ser priorizados na escolha são: híbridos produtivos, resistentes às principais doenças do milho e pragas.

Também devem ter uma boa formação de palha e tolerância ao acamamento e à quebra.

A escolha do híbrido dependerá da época da colheita da safra. E é de extrema importância que o produtor esteja ciente da precocidade do material.

Isso porque híbridos mais precoces tendem a ser menos produtivos devido ao curto período no campo.

Mas, quando a colheita da safra não pode ser antecipada, eles podem ser uma estratégia.

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(Fonte: Secretaria da Agricultura SP)

2 – Melhor época de plantio

Além de um híbrido adequado, também é preciso se planejar para plantá-lo na melhor época possível.

No final do ciclo da safrinha, os recursos vão se tornando mais limitados e isso afeta a qualidade e quantidade de grãos produzidos.

Normalmente, a safrinha do milho deve ser cultivada entre janeiro e abril, dependendo de como anda a colheita da safra.

O mais interessante seria você realizar a colheita da safra de verão o mais rápido possível.

Assim, o milho de segunda safra não sofre tanto com falta de água e luminosidade, características que se intensificam com a aproximação do inverno.

>>Leia mais: “Plantação de milho: 5 passos para maior produção e lucro”

3 – Melhor densidade e profundidade

Quando se pensa em plantio, logo nos perguntamos: quantas plantas por hectare?

Qual a profundidade? Quanto de adubo vou gastar? Quanto isso irá me custar?

Uma das melhores maneiras de responder a isso é se planejando!

A densidade de planta é uma variável muito oscilante.

Ela será mais elevada ou não dependendo de três condições:

  • cultivar utilizada (se tem poder de competição intra-específica);
  • disponibilidade de água da região; e
  • nível de fertilidade do solo da propriedade

Dependendo dessas três condições, os produtores de híbrido simples normalmente utilizam 60.000 plantas/hectare.

Não recomendo populações muito altas pois estudos comprovam que há maior aparecimento de doenças devido ao microclima que ocorre no meio da lavoura.

Além de ter plantas mais propensas ao tombamento e quebra por causa do fino calibre do colmo. Atenção a isso porque atrapalha a colheita!

Também não aconselho densidades muito baixas por não apresentarem rendimentos lucrativos.

Já com relação à profundidade, ela depende do tipo de solo.

Em solos argilosos, a profundidade deve variar de 3 cm a 5 cm para ocorrer uma emergência mais uniforme, pois são solos mais pesados.

Em solos arenosos, deve ser de 5 cm a 7 cm para utilizar melhor a umidade do solo.

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(Fonte: Dirceu Gassen em Geagra)

4 – Adubação mais eficiente

A previsão adequada dos níveis de adubação dependem de uma conjuntura.

É muito importante realizar análise de solo, associá-la à produção almejada, conhecer o histórico da área e tipo de solo!

O fósforo é um nutriente “divisor de águas”.

Se estiver muito baixo, o plantio do milho safrinha não é recomendado, pois haverá um gasto elevado com fertilizantes fosfatados.

Já quando há níveis médios a altos, deve-se realizar toda a adubação de fósforo no sulco do plantio.

Quanto ao potássio, é preferencial que se evite o parcelamento! Isso porque a quantidade normalmente é baixa e sua maior acumulação é nas fases iniciais.

Agora quando os micronutrientes estiverem baixos, recomendo a aplicação via foliar e/ou solo.

E o favorito do milho é o nitrogênio! Como eu expliquei mais acima, isso dependerá da produção esperada e também da cultura antecessora.

Aqui no blog nós já falamos sobre os valores de aplicação. Confira 9 perguntas e respostas que você deve saber para obter alta produtividade de milho! 

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(Fonte: Pioneer Sementes)

5 – Sistema de Plantio Direto

A casadinha soja-milho é uma realidade de sucesso para muitos produtores.

Desta maneira, o plantio da safrinha do milho é muito dependente da colheita da soja.  E devido a isso, qualquer tempo logo em seguida da colheita é dinheiro!

Uma das formas de aproveitar melhor este tempo é à troca do plantio convencional pelo Sistema de Plantio Direto (SPD).

O SPD permite realizar o plantio logo em sequência à colheita, não necessitando de preparo do solo.

Além de otimizar o tempo, promove economia de dinheiro, porque realizar operações de solo são atividades de custo elevadíssimo.

Ainda vinculado ao SPD, percebe-se que a produtividade tende a ser mais alta.

Isso porque, neste sistema, o solo oscila menos a temperatura, além de manter a umidade.

E a umidade nesse cenário é relevante, pois a planta no fim do ciclo sofre com déficit hídrico.

A tabela abaixo mostra como o SPD influencia positivamente a produção de grão, tornando a casadinha soja e milho tão lucrativa.

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(Fonte: De Maria et al. (1999))

Levando em consideração o que apresentei, acredito ter te convencido quanto à utilização do SPD como ferramenta para facilitar e reduzir gastos e tempo!

6 – Manejo eficiente de plantas daninhas

No controle de plantas daninhas, identificar quais são as invasoras é muito importante. Assim você consegue escolher produtos que sejam mais eficientes no controle.

Recomendo realizar o controle dessas plantas até o estágio V4.

Até essa fase, as daninhas podem competir com o milho safrinha tanto por água quanto por nutriente, causando danos.

Outra estratégia com bastante efeito é a utilização do plantio direto, que dificulta a dominância das plantas daninhas sobre a lavoura.

Essa ação também permite reduzir o gasto com herbicidas e gastos de aplicação.

7 – Manejo de pragas

Para manejar pragas agrícolas, deve-se conhecer bem quais são elas!

As pragas primárias, causadoras do maior dano à cultura do milho, são as mesmas na primeira ou segunda safras.

Elas devem ser monitoradas de tempos em tempos para que o ataque não seja um susto na nossa receita.

Uma tática é a utilização de cultivares com a tecnologia Bt (resistentes a alguns insetos).

A liberação de inimigos naturais também ajuda na redução dos gastos com inseticidas.

Porém, dependendo das condições climáticas e do ano, essas pragas apresentam um comportamento muito agressivo quanto ao consumo da lavoura.

Neste caso, é necessária a aplicação de inseticidas de forma imediata.

Neste post do blog você pode saber mais sobre Como fazer manejo integrado de pragas (MIP) na cultura do milho.


(Fonte: Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas)

8. Planejamento dentro da sua gestão da fazenda

Para que todos esses manejos ocorram dentro da época certa, com os produtos certos e da maneira correta é preciso mais do que conhecimento técnico. É preciso planejamento.

Tenha em papel, na planilha ou em software de gestão o que vai ser preciso fazer na safra. Coloque também as datas previstas, produtos necessários e as pessoas responsáveis.

Nossa mente é falha e infelizmente não conseguimos lembrar de tudo, por isso é tão importante essa etapa anterior à safrinha do milho.

Durante a safrinha, acompanhe se tudo está saindo conforme o planejado. Claro que haverão alguns atrasos, mas com o planejamento você consegue saber como contornar isso.

Anotando tudo o que foi gasto na cultura, após a safrinha você também terá o custo real de produção e assim poderá tomar decisões mais assertivas para sua venda e rentabilidade.

Saiba como começar seu planejamento com este artigo:

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Safrinha do milho: como é o ciclo

O ciclo do milho safrinha não difere muito do milho de safra normal.

A única particularidade se deve às condições climáticas na qual é cultivado.

O milho safrinha costuma ser plantado logo após a colheita de soja (precoce ou não), que normalmente é a safra de verão.

Então, ele geralmente se desenvolve em um período com reduzida quantidade de água, queda gradual da temperatura e de luminosidade.

Assim, seu ciclo tende a ser mais longo que o milho de 1ª safra.

Por isso, utilizar híbridos que sejam semi-precoces (expressam potencial produtivo mais rápido), é interessante para este sistema.

Eles permitem encurtar o período no campo, escapando da fase mais crítica de escassez de recursos que acontece mais próximo do inverno.

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Calendário de plantio (cor verde) e colheita (em laranja) do milho safrinha
(Fonte: Companhia nacional de abastecimento – Conab)

>>Leia mais: “Umidade do milho para colheita: Todas as dicas para não perder seus grãos”

Diferenças no cronograma de safra e safrinha do milho

Mesmo a safrinha sendo considerada uma lavoura de risco,  podemos perceber que ela tem sido um cultivo bem popular.

A maior produção hoje está em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

E também pode ser mais rentável para o produtor, porque permite a comercialização de grão em uma época de preços mais satisfatórios.

Além disso, seus insumos saem mais baratos devido à época de procura.

Ela também se beneficia da cultura antecessora, como é o caso da soja, que disponibiliza N para o milho.

Esse tipo de cultivo permitiu aumento de renda com a ocupação das áreas que antes eram paradas até a próxima safra.

Portanto, o sucesso da safrinha do milho está associado ao planejamento agrícola!

A tomada de decisão neste tipo de lavoura demanda atenção para conseguirmos aproveitar a janela de plantio a nosso favor.

Conclusão

O cultivo do milho safrinha tem sido cada vez mais popular entre os produtores, principalmente em dobradinha com a soja.

E neste artigo mostramos que ele pode ser mais rentável que o milho em 1ª safra, pois os preços de mercado ficam mais satisfatórios!

Aqui você também viu as dicas para garantir uma boa produtividade sem gastar muito, como a opção pelo sistema de plantio direto.

Também falamos sobre ciclo produtivo, escolha do melhor híbrido, adubação e manejos.

Espero que com essas dicas você possa aperfeiçoar seu planejamento e aumentar a lucratividade da lavoura!

>> Leia Mais: “Calcule seu custo de produção de milho por hectare”
>> Leia Mais: “Como fazer o controle Spodoptera frugiperda na sua lavoura de milho”
>> Leia Mais: “Plantação de milho irrigado: Quando compensa?

Você tem investido na safrinha do milho? Como tem se planejado? Deixe seus comentários abaixo!

Comentários

  1. Pedro Morais disse:

    Boa tarde Giuliana,sou aluno do curso técnico profissionalizante em agropecuária na Fundação Roge em Delfim Moreira Minas Gerais,estou concluindo meu curso e gostaria de saber se tem alguns materiais relatando mais sobre a produção de milho safrinha,pois o meu trabalho de conclusão de curso eta voltado a assuntos relacionados a custo de produção e viabilidade do mesmo,se for possivel me enviar,desde já muito obrigado.

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