Colheita do milho: Ponto certo, regulagem de maquinários, dicas para a colheita terceirizada e outros cuidados que fazem a diferença.

Um dos pontos chave para o sucesso da produção do milho é o momento da colheita.

Após todos os manejos realizados durante a condução da lavoura, temos o grão de milho pronto para ser colhido!

E com menores perdas na colheita, maiores serão nossos lucros.

Portanto, elas devem ser minimizadas ao máximo, evitando o ataque de pragas, chuvas durante a colheita e outros fatores prejudiciais.

Por isso, listei 7 pontos para ajudar a melhorar sua colheita do milho. Confira a seguir!

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(Fonte: Embrapa)

1. Destino final do milho e variações no preço

Antes do início da colheita do milho, o produtor já deveria saber qual será o destino final do produto que irá colher.

Na realidade, no planejamento pré-semeadura já é essencial saber se o milho plantado será vendido para silagem, para cooperativas ou se será seco e armazenado para vendas futuras.

Evidentemente, isso não é via de regra, mas o bom planejamento evita surpresas e garante, na maioria da vezes, um preço melhor na negociação da cultura.

É sempre importante acompanhar os preços da saca do milho para sua região e saber se haverá quebra de safra ou não.

O milho proveniente da safra ou da safrinha pode variar de preço, dependendo da quantidade ofertada no mercado.

Neste ano de 2019, provavelmente teremos aumento nos preços pagos pela saca do milho na segunda safra. Isso porque há previsões de quebra de safrinha e menor oferta deste cereal no mercado, segundo o Cepea.

Você pode acompanhar os preços da saca de milho pelo Cepea clicando aqui

Para anos em que a quantidade de milho ofertada no mercado é alta, uma solução é a armazenagem em silos para venda posterior em épocas de preços melhores.

O milho possibilita ser estocado por um longo período de tempo, sem perder a qualidade dos grãos armazenados e suas propriedades nutricionais. Mas para isso é preciso que o armazenamento seja realizado corretamente.

Lembre-se que o armazenamento também gera custos. Cabe ao tomador de decisão computar se vale a pena ou não armazenar e esperar preços melhores no mercado.

2. Épocas da colheita do milho

A colheita (manual ou mecanizada) do milho obedece ao ponto de maturidade fisiológica das plantas (enchimento de grãos).

O ponto de maturidade fisiológica do grão ocorre quando 50% das sementes na espiga apresentam uma pequena mancha preta no ponto de inserção destas no sabugo.

O milho pode começar a ser colhido, quando os grãos se encontrem na faixa de 15% a 18% de umidade.

Alguns autores apresentam valores de 18% a 25% para propriedades que possuem estrutura de secagem destes grãos.

No caso da colheita do milho, as espigas formadas devem ser retiradas do campo o quanto antes. Isso minimiza riscos de ataques de pragas e umidade proveniente de uma chuva ocasional.

Dependendo do destino final do grão, a colheita deve ser realizada em determinado ponto de umidade.

Como o milho é armazenado com teor de umidade de 13%, para colheitas realizadas com umidades acima desta, é importante se atentar a alguns detalhes como:

  • Necessidade de secagem dos grãos
  • Disponibilidade de local para secagem dos grãos
  • Risco de deterioração do material
  • Possíveis perdas por ataques de fungos e pragas
  • Energia gasta no momento da secagem artificial
  • Preço pago pela saca de milho no momento da colheita

Além disso, é importante regular os maquinários e acompanhar as operações da colheita. É sobre isso que vou falar agora!

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Condições climáticas favoreceram colheita e qualidade de grãos no Rio Grande do Sul na safra verão 2018/19
(Fonte: Governo RS)

3. Regulagem correta dos equipamentos

A regulagem correta das colhedoras é essencial para reduzir as perdas em campo.

A área da colheita do milho deve estar o mais uniforme possível em questões fisiológicas da cultura.

A regulagem do espaçamento do cilindro e do côncavo, bem como a velocidade de rotação do cilindro, pode variar de acordo com a umidade presente nos grãos.

Para a cultura do milho, o cilindro adequado é o de barras. A distância entre este cilindro e o côncavo varia de lavoura para lavoura, com base no diâmetro das espigas.

A distância entre eles deve ser calculada de modo que a espiga seja debulhada sem ser quebrada. O sabugo deve sair inteiro.

Quanto ao teor de umidade dos grãos, sua relação com a rotação do cilindro batedor é diretamente proporcional. Ou seja, quanto mais umidade presente nos grãos, maior terá de ser a velocidade de rotação do cilindro.

Quanto mais úmidos os grãos, maior a dificuldade de debulha. À medida que os grãos vão perdendo a umidade, eles se tornam mais fáceis de serem debulhados, exigindo menores velocidades de rotação do cilindro batedor.

Para grãos colhidos com umidades de 12% a 14%, é ideal o trabalho da rotação do cilindro entre 400 a 600 rpm em colhedoras automotriz. E entre 850 a 980 rpm para colhedoras acopladas ao trator.

Para grãos de milho colhidos com umidades maiores (de 14% a 20%), o ideal seria rotações do cilindro também maiores: cerca de 550 a 800 rpm.

De maneira geral, o nível de danos é menor quando os grãos são colhidos em rotações mais baixas e com umidades inferiores a 16%.

4. Como medir o rendimento por máquina

Existem softwares que auxiliam nas medições de rendimento por máquina.

O Aegro possui funcionalidades de visualização da área colhida, produção e produtividade na tela de colheita do software.

colheita do milho

Os indicadores que podem ser visualizados são:

  • Área colhida – representa a porcentagem de quanto já foi colhido e quanto ainda falta a ser colhido. O cálculo é feito através das realizações das atividades de colheita.
  • Produção – mostra o que já foi realizado (soma das produções líquidas das cargas de colheita) e a meta (leva em conta a produção esperada das áreas)
  • Produtividade – é dividido em dois indicadores: o Realizado (barra verde): soma das produções líquidas das cargas de colheita dividido pela a área que foi colhida e a Meta (barra cinza): que leva em conta a produtividade esperada das áreas.

Você ainda pode visualizar esses três indicadores tanto para uma área em específico como para mais de uma área da propriedade.

5. Operações de colheita de terceiros

Se você terceiriza suas colheitas ou parte delas por falta de maquinário, deve ficar atento na condução dessa operação em campo.

Preste atenção às perdas provenientes dessa colheita de terceiros. Muitas vezes, para aumentar os rendimentos operacionais, são aplicadas maiores velocidades de colheita.

Em velocidades maiores, geralmente temos maiores perdas e, consequentemente, menores quantidades de sacas/ha tiradas do campo na nossa plantação.

É sempre bom acompanhar esse trabalho no campo e realizar medições de perdas e regulagem das colhedoras destes terceiros.

Atualmente já existem prestadores de serviço de colheita que até entregam o mapa de produtividade das lavouras. Às vezes, o preço cobrado pelo serviço é um pouco mais elevado, mas vale a pena!

Caso você tenha possibilidade de escolha de colheita com o mapa de produtividade, leve esse quesito em consideração no momento da contratação do serviço.

Os mapas de produtividade são excelentes ferramentas para o entendimento espacial das lavouras.

Além de auxiliar na reposição dos nutrientes que foram exportados, eles são o primeiro passo para a prática da agricultura de precisão nas propriedades.

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(Fonte: Sistema Faep)

Baixe aqui a planilha gratuita para estimar sua produtividade de milho!

6. Cuidados na colheita

Muitos agricultores gostam de deixar a cultura no campo para que ocorra a secagem natural dos grãos.

Essa prática é de fato muito interessante, pois reduz custos com secagem antes do armazenamento ou venda final da cultura.

Mas vale lembrar que às vezes, na medida em que temos o milho secando no campo, temos a incidência de plantas daninhas crescendo entre a cultura.

E isso pode ser prejudicial no momento da colheita mecânica, pois essas plantas podem acarretar embuchamento das colhedoras e perdas em rendimentos operacionais.

Outro fator de destaque é a velocidade de colheita.

Existem diversos tipos de colhedoras de milho, mas geralmente a velocidade é determinada em função da produtividade dos talhões.

Quanto maior a produtividade das lavouras, menor seria a velocidade das colhedoras, pois toda a massa colhida junto aos grãos tem de passar pelos sistemas de trilha, limpeza e separação.

Grande parte da máquinas opera em velocidades de trabalho de 4 km/h a 6 km/h.

7. Perdas na colheita do milho

As perdas na colheita devem ser minimizadas sempre que possível.

Mas sempre podemos sofrer alguns tipos de perdas na colheita do milho. Elas podem ser divididas em 4 tipos:

Perda de pré-colheita

Este tipo de perda ocorre antes da interferência da máquina no campo para realização da operação.

Está relacionada ao tipo da cultivar e porcentagem de tombamento das plantas devido à quebra do colmo.

Perda de plataforma

As perdas de plataforma estão relacionadas à altura das espigas, porcentagem de acamamento da cultura e de quebramento das plantas.

O números de linhas da semeadora deverá ser equivalente ou múltiplo do número de bocas da plataforma.

Perda de grãos presos nos sabugos

As perdas de grãos presos nos sabugos refletem a má regulagem do cilindro e do côncavo. É possível ocorrer quebra do sabugo em vez da debulha ou, dependendo da folga, a passagem do material direto sem ser debulhado.

Além disso, podemos estar trabalhando com velocidades de rotação erradas no cilindro,, com peças avariadas ou tortas na nossa colhedora.

Perda de grãos soltos

De acordo com as regulagens realizadas na máquina, podemos ter grãos soltos sendo perdidos no campo.

Isso se deve ao fato do rolo espigador, que geralmente está no final da linha, receber um fluxo menor de plantas do que o necessário. Também acontece se a chapa de bloqueio estiver pouco aberta ou com espigas menores que o padrão calibrado.

Na hora da separação, também pode haver perdas de grão soltos. Isso acontece se o saca-palhas estiver sobrecarregado, o ventilador trabalhando com velocidade maior que o recomendado e as peneiras mal dimensionadas.

Os diversos tipos de perdas devem ser estudados e reduzidos, seguindo alguns princípios como:

  • Melhor gestão das lavouras
  • Melhor escolha das cultivares
  • Melhor momento de colheita
  • Melhores regulagens das máquinas presentes no campo

As perdas aceitáveis são da ordem de 1,5 sacos/ha. Mas, agricultor que se preza, gosta de baixar estes valores de 1,5 sacos/ha para valores o mais próximo de zero possível!

Conclusão

Vimos neste artigo 7 pontos para melhorar a colheita do milho.

Discutimos que as perdas decorrentes de causas naturais ou regulagem errada das máquinas podem ser gerenciadas e minimizadas.

Também tratamos a importância de olhar para o mercado e, assim, saber o momento certo de vender nosso produto por um valor melhor.

Sabendo essas dicas, atente-se aos fatores mais críticos referentes às perdas e tenha uma excelente colheita!

>>Leia mais: “Plantação de milho irrigado: Quando compensa?”
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Gostou destas dicas para melhorar a colheita do milho? Você realiza algum manejo diferente e que merece destaque nesta lista? Adoraria ver seu comentário abaixo!