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Imagem mostra terraços em propriedade rural no Brasil

Como melhorar a qualidade do solo com o terraceamento

- 10 de setembro de 2021

Terraceamento: conheça a prática conservacionista que visa ao controle da erosão e à conservação do solo e da água

Você já pensou em usar o terraceamento para evitar a erosão do solo e melhorar a infiltração de água na lavoura? Além desses benefícios, essa prática também ajuda a manter o solo fértil e produtivo. 

Conhecer o tipo de solo é essencial para escolher qual técnica utilizar.

Neste artigo, você vai aprender a fazer o terraceamento e a definir o tipo ideal para a sua propriedade. Confira a seguir!

O que é o terraceamento agrícola?

O terraceamento é uma prática que evita a erosão do solo, retém a água no terreno e mantém a produtividade e a fertilidade do solo

A técnica consiste na construção de terraços para reduzir o escoamento da água da chuva. 

Ilustração que demonstra a função do terraço: reter a água da enxurrada.

A função do terraço é reter a água da enxurrada

(Fonte: Lombard Netto et al., 1994)

Ilustração que mostra as partes que compõem um terraço: o aterro, o corte e o nível original do terreno.

Partes componentes de um terraço

(Fonte: Bertolini & Cogo, 1996)

A área da lavoura é dividida em curvas de nível. Nelas, são construídos os terraços no sentido transversal ao escoamento da água. O objetivo é reduzir a velocidade da enxurrada.

Os benefícios podem ser potencializados com a utilização de outras práticas conservacionistas do solo, como:

Como fazer o terraceamento?

Seguindo as recomendações da Embrapa, é possível realizar um terraceamento com trator e arado. Bastam apenas cinco etapas.

Alguns materiais e equipamentos são necessários. Você precisará de uma trena com 30 metros, de piquetes de madeira para cada 15 metros da sua lavoura e de uma mangueira de pedreiro com 35 metros.

Além disso, um trator agrícola 75 cavalos e arados de três discos são essenciais.

1ª etapa: definição da textura do solo

É preciso definir se a textura do solo da sua propriedade é arenosa ou argilosa. Afinal, ela é importante para definir a distância entre os terraços.

2ª etapa: definição da declividade do solo

  1. Pegue um piquete de madeira e coloque na parte mais alta do terreno. Você deve medir 30 metros no sentido morro abaixo. Então, coloque o segundo piquete.
  2. Encha a mangueira de pedreiro com água. 
  3. Coloque uma ponta da mangueira no piquete de cima e a outra ponta no piquete de baixo.
Esquema que demonstra como colocar a mangueira com água nos piquetes de madeira

Esquema de como colocar a mangueira com água nos piquetes de madeira

(Fonte: Embrapa, 2016)

  1. Meça a distância de onde se encontra a extremidade da água na mangueira até a superfície do solo nos dois piquetes.
  2. Para calcular a declividade, basta subtrair o valor encontrado no piquete de baixo pelo valor encontrado de cima.

Por exemplo: 

  • piquete de baixo = 2,0 m; 
  • piquete de cima: 0,5 m 
  • (2,0 – 0,5 = 1,5 m). 

Pegue o valor (1,5 m), multiplique por 100 e divida por 30. Essa é a distância entre os piquetes. Agora, encontre a declividade deste ponto do terreno, que é de 5%.

Se observar mudança na declividade do terreno, repita o procedimento.

3ª etapa: definição da distância entre os terraços

Com a textura e o valor da declividade do passo anterior (5%), é possível definir a distância entre os terraços. Use a tabela abaixo como referência:

Tabela que demonstra a declividade dos tipos de solo (arenoso e argiloso), e a melhor distância entre os terraços, de acordo com esses dados.

(Fonte: Embrapa, 2016)

Se o solo for arenoso, o espaçamento entre os terraços será de 19,20 metros. Se o solo for argiloso, será de 21,95 metros.

Por fim, marque as distâncias entre os terraços com o uso da trena e dos piquetes.

4ª etapa: piqueteamento da curva de nível

  1. Pegue a mangueira de pedreiro com água e os piquetes.
  2. Coloque uma ponta da mangueira no primeiro piquete que já está posto no terreno. 
  3. Em seguida, procure o mesmo nível da mangueira para colocar o segundo piquete, a 30 metros ao lado. Faça isso até o fim do terreno.
  4. Com a primeira curva em nível já marcada, marque as demais curvas pelo mesmo procedimento no terreno abaixo. 
  5. Como foram colocados piquetes a cada 30 metros, é preciso suavizar a curva. Isso é possível ao colocar piquetes intermediários a cada 15 metros, sem que seja necessário o uso da mangueira.
Esquema que mostra a marcação das curvas em nível do terraço, através dos piquetes de madeira.

Marcação das curvas em nível com piquetes de madeira

(Fonte: Embrapa, 2016)

Assim, você terá as curvas em nível marcadas no terreno.

5ª etapa: construindo terraço com trator e arado

Finalizadas as etapas anteriores, comece a construção dos terraços. Você precisa regular o arado no trator da seguinte forma:

  • o terceiro disco deve cortar mais profundamente o solo, em torno de 30 centímetros;
  • o primeiro disco deve cortar mais superficialmente, em torno de 10 centímetros.

O arado deve ficar inclinado, com a parte de trás mais para baixo.

Ilustração que demonstra a inclinação adequada do arado de discos do trator, a fim de construir os terraços.

Inclinação adequada do arado de discos para construção dos terraços

(Fonte: Embrapa, 2016)

Corte o terreno, jogando o solo da parte de cima para a parte de baixo. Faça isso até o final da curva em nível. Em seguida, volte cortando o solo, jogando de baixo para cima.

Faça isto o quanto for necessário. A base do terraço deve ter:

  • entre 1,5m e 2,0m de largura;
  • 70 cm de altura no meio do terraço.
Ilustração de um terraço finalizado, com 1,5 a 2 metros de largura por mais de 70 centímetros de de altura.

Terraço finalizado com altura e largura adequadas

(Fonte: Embrapa, 2016)

Enfim, o seu terraço estará pronto.

Tipos de terraços

Os terraços podem ser classificados das seguintes maneiras:

  • quanto à função;
  • à largura da base ou faixa de terra movimentada;
  • ao processo de construção;
  • à forma do perfil do terreno.

Quanto à função

Terraço em nível ou infiltração

Este tipo de terraço é recomendado para solos com até 12% de declividade e com boa permeabilidade.

Ele deve ser construído com o canal em nível, e suas extremidades bloqueadas devem impedir a interceptação da água da chuva. Assim, haverá posterior infiltração no perfil do solo.

Sua principal função é facilitar a infiltração da água da chuva no perfil do solo.

Terraço em desnível ou de escoamento

Este tipo de terraço é recomendado para solos com até 20% de declividade e com permeabilidade lenta.

Ele deve ser construído com o canal em pequeno desnível. Uma de suas extremidades devem estar abertas para o escoamento da água para bacias de captação.

Sua principal função é escoar e conduzir a água da chuva para fora da área.

Quanto à largura da base ou faixa de terra movimentada

Terraço de base estreita

A faixa de movimentação de terra é de até 3 metros de largura. Uso restrito a pequenas propriedades com terrenos muito íngremes.

Ilustração da seção transversal do terraço, com base estreita

Seção transversal de terraço base estreita

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Terraço de base média

A faixa de movimentação de terra é de 3 a 6 metros de largura. Recomendado para pequenas ou médias propriedades, e para solos com declividades de 10% a 12%.

Ilustração da seção transversal do terraço de base média

Seção transversal de terraço base média

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Terraço de base larga

A faixa de movimentação de terra é de 6 m a 12 m de largura. Esse tipo de terraço é adequado para declividades entre 6% e 8%.

Ilustração da seção transversal do terraço de base larga

Seção transversal de terraço base larga

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Quanto ao processo de construção

Tipo Nichol’s ou Canal

É construído pela movimentação do solo de cima para baixo, formando um canal triangular. Pode ser construído em declividades de até 18%.

Ilustração do canal do tipo Nichol's ou canal

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Na faixa de construção do canal, não é possível o cultivo agrícola.

Tipo Mangum ou camalhão

É construído pela movimentação do solo de cima para baixo e de baixo para cima, formando um canal largo e raso. Indicado para solos de menor declividade.

Ilustração do terraço do tipo camalhão ou magnum

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Quanto à forma do perfil do terreno

Tipo comum

Constituído por um canal com camalhão construído em nível ou em desnível. É o tipo de terraço mais utilizado no Brasil, recomendado para solos com declividade inferior a 18%.

Ilustração de um terraço do tipo comum

Terraço tipo comum

(Fonte: Bertolini et al. 1989)

Tipo Patamar

Recomendado para solos com declividade maior que 18%. Também é recomendado para culturas de alto retorno econômico, devido ao alto custo de construção.

Ilustração de um terraço do tipo patamar

Terraço tipo patamar

(Fonte: Bertolini et al. 1989)

No patamar do terraço,é feita a semeadura da cultura. A parte do talude deve ser recoberta com uma planta de cobertura.

Tipo Comum Embutido

Pode ser construído com motoniveladora ou com trator de lâmina frontal, para formar um canal triangular. Forma um talude que separa o canal do camalhão na vertical.

Ilustração de um terraço do tipo comum embutido

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Apenas uma pequena área fica inutilizada para o cultivo. Muito utilizado em áreas com cana-de-açúcar.

Tipo Murundum ou Leirão

São caracterizados pela grande movimentação de solo. Precisam de trator de lâmina frontal, e por isso os custos são mais altos.

Esse tipo de terraço dificulta a movimentação de máquinas agrícolas. Devido a altura, a área do camalhão não pode ser cultivada.

Ilustração de um terraço do tipo murundum ou leirão

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Recomendado apenas para áreas que necessitam reter um grande volume de água.

Qual tipo de terraceamento escolher?

Diante dos inúmeros tipos de terraços, existem algumas características que auxiliam na escolha do tipo adequado para a sua propriedade. Veja:

  • topografia do terreno;
  • características do solo;
  • condições climáticas;
  • cultura a ser implantada;
  • sistema de cultivo;
  • disponibilidade de máquinas agrícolas na propriedade.

Vantagens do terraceamento

Veja algumas vantagens do terraceamento agrícola:

  • é uma prática que conserva o solo;
  • provoca maior infiltração de água no solo;
  • controla a erosão do solo;
  • evita o carregamento de adubo e matéria orgânica;
  • mantém o solo fértil e produtivo;
  • favorece o desenvolvimento das culturas.

Desvantagens

Apesar de todas as vantagens, existem desvantagens importantes:

  • custos com maquinários para construção dos terraços;
  • contratação de mão de obra especializada para construção dos terraços;
  • em alguns tipos de terraço a área útil de cultivo pode ser diminuída;
  • necessário a manutenção adequada dos terraços.

Software para o dimensionamento de terraços

Software para o dimensionamento de terraços

A nova metodologia é realizada por meio do software Terraço for Windows, desenvolvido pela UFV (Universidade Federal de Viçosa). Ele foi validado pela Embrapa de Passo Fundo e difundido pela Epagri.

O software utiliza como base a declividade do terreno, a infiltração de água no solo e o histórico de chuvas da região.

O objetivo da metodologia é construir terraços em nível para concentrar toda a água da chuva dentro da lavoura.

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Conclusão

O terraceamento agrícola é uma prática conservacionista que pode trazer inúmeros benefícios. Os terraços protegem a lavoura da erosão e armazena água nos períodos de estiagem.

Antes de utilizar a técnica, não se esqueça de avaliar todas as condições da sua propriedade. Afinal, existem muitas formas de realizá-la e escolher a ideal depende de um bom planejamento.

Agora que você tem essas informações e sabe de todas as vantagens e desvantagens do terraceamento agrícola, fica mais fácil tomar uma decisão. 

>> Leia mais:

“Entenda o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES) e como ele pode ser útil para sua lavoura”

“Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você realiza ou pensa em realizar o terraceamento em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Comentários

  1. Luiz disse:

    Muito bom fico feliz co seu trabalho

  2. Manoel Messias Barbosa disse:

    Excelente o artigo sobre terraceamento, a adoção dessa prática é muito importante para agricultores com propriedades localizadas no semi-árido brasileiro como forma de reduzir os efeitos maleficos da baixa preciosidade.

  3. Sérgio da Guia Miranda dos Santos disse:

    Muito rico de informações o artigo sobre terraceamento, beneficiará todos que estão no meio da produção rural.

  4. Denise Prevedel disse:

    Muito obrigada.

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