Como fazer análise de solo da maneira correta? Neste artigo iremos mostrar 3 métodos diferentes para você melhorar e otimizar sua amostras de solos.

Quando vamos ao médico temos que fazer alguns exames para que ele possa dar um diagnóstico correto.

Da mesma forma, para o manejo de solo adequado precisamos ver a análise de solo, o “exame” do solo.

Você não pode fazer a coleta de sangue para um exame sem estar em jejum, como não podemos fazer a amostragem do solo de qualquer maneira.

Existem diversos tipos de amostragem de solo, mas aqui vou te mostrar os principais métodos.

Também veremos algumas novidades das amostragem de solo e tirar todas as suas dúvidas sobre como fazer análise de solo. Veja a seguir:

Amostragem e análise de solo: Para que serve?

Amostragem de solo tem como objetivo principal avaliar a fertilidade dos nossos solos.

A amostragem de solo nada mais é do que a avaliação de um pequena porção (amostra) que deverá ser representativa do nosso talhão.

No meio agronômico, a amostragem de solo é a principal investigação onde verificamos se nosso solo atende às necessidades da cultura.

Uma vez que a amostragem de toda a área é inviável econômica e operacionalmente, existem algumas técnicas de amostragem para que tenhamos a representatividade da área.

Mas devido aos custo agrícolas das análises químicas das nossas propriedades, muitos produtores reduzem densidade de pontos por hectare.

Porém, quando temos o custo total de produção e comparamos com os custos com amostragens, essa prática não é tão custosa quanto pensamos.

Especialmente porque com base nas análises fazemos a recomendação de correção do solo, adubação e calagem, essenciais para atingir altas produtividades.

Se a amostragem estiver equivocada, todo os próximos passos serão comprometidos, inclusive a sua produtividade.

É importante também realizar a amostragem de solo de 3 a 4 meses antes da semeadura da lavoura.

Isso porque precisamos de tempo para realização das análises laboratoriais, planejamento de compra e entrega dos insumos.

Amostragem em Grade

Um tipo muito comum e conhecido de amostragem é em grade.

A Grade Amostral geralmente é gerada com o auxílio de um Sistema de Informação Geográfica (SIG).

Esse tipo de amostragem deve ser guiado por um aparelho GPS para a correta navegação em campo até os pontos onde serão realizadas as coleta de solo.

A grade pode ser regular ou irregular e os pontos são georreferenciados (possuem coordenadas geográficas).

As amostragens em grade podem ser divididas em “Amostragem em grade por ponto” e “Amostragem em grade por célula”.

Esses são os dois primeiros métodos de amostragem que veremos a seguir:

Como fazer análise de solo com estes 3 métodos de amostragem diferentes

Primeiro método: Amostragem em grade por ponto

A amostragem de solo em grade por ponto é a mais popular no Brasil.

O talhão, por exemplo, é dividido em polígonos regulares que podem ter formato quadrado.

No interior destes polígonos estão contidos os pontos amostrais, que podem ser inseridos centralizados ou de maneira aleatória.

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(Fonte: LAP ESALQ)

Nos pontos amostrais, deverá ser feita várias subamostras.

O mais utilizado é algo em torno de 8 a 12 subamostras em cada ponto amostral, num raio de cerca de 3 m a 10 m.

como fazer análise de solo

(Fonte: Livro Agricultura de Precisão)

Essas subamostras devem ser homogeneizadas a fim de compor uma amostra a ser enviada ao laboratório (o que chamam de amostra composta).

Quanto maior o número de subamostras menor será o erro amostral, porém maior será o tempo demandado para as coletas.

Consequentemente, maiores serão os custos desse tipo de metodologia de amostragem.

Uma vez que estes pontos são georreferenciados, eles podem ser processados e interpolados.

Dessa maneira podemos criar mapas de nutrientes nos solos, como mostra a figura abaixo:

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(Fonte: Agricultura de precisão, Boletim técnico 02 USP – ESALQ)

O processo de interpolação serve para estimar valores em locais não amostrados, completando o preenchimento do mapa.

A densidade de amostras afeta diretamente a qualidade do mapa.

Ou seja, quanto maior o número de amostras, melhor a qualidade do mapa.

Porém, quanto mais amostras, mais cara será a amostragem.

Esse é o grande dilema da amostragem em campo, não somente nos solos, mas em qualquer área.

Assim, é preciso encontrar um equilíbrio entre número de amostras e custos.

De maneira geral, o mais indicado para estes tipos de grades fica em torno de 1 amostra/ha.

Segundo método: Amostragem em grade por célula

Na amostragem em grade por célula, os talhões são divididos em células e não precisam ser regulares.

Neste tipo de amostragem, as subamostras são coletadas dentro da área de cada célula.

Após a coleta você deve juntar essas subamostras, misturar bem (homogeneizar) e tirar uma quantidade dessa mistura que será a sua amostra composta.

É essa amostra composta que será enviada ao laboratório e seus resultados são atribuídos a toda a área da célula.

Neste caso, a interpolação dos valores não é necessária, uma vez que cada célula terá apenas um valor atribuído de cada nutriente.

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(Fonte: LAP ESALQ)

Neste método a densidade amostral não é uma dúvida, uma vez que a interpolação não é necessária.

A amostragem em grade por célula é recomendada para quem quer realizar uma amostragem em grade, mas não quer despender tanto dinheiro com maior número de amostras.

Terceiro método: Amostragem direcionada

Esta metodologia de amostragem deve ser utilizada por produtores já familiarizado com a Agricultura de Precisão.

Isso porque para esse método precisamos de diversos mapas para identificação de locais específicos dentro das lavouras.

Neste tipo de amostragem, o objetivo final não é a geração de mapas temáticos.

O objetivo aqui é gerar informações para tentar explicar as causas da variabilidade presentes nas lavouras.

Podem ser utilizados mapas de colheita, índices vegetativos (como o NDVI), tipos de solo, quantidade de argila (mapas de textura ou condutividade elétrica), etc.

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(Fonte: LAP ESALQ)

Frente a tais investigações, os produtores podem tomar conhecimento de fatores que podem estar associados a altas ou baixas produtividades, solos com texturas diferentes etc.

Sabendo a variabilidade da área você pode tirar amostras direcionadas pelas diferentes manchas da área.

Isso faz com que sua amostragem seja mais assertiva e possa ser otimizada.

Assim você ainda pode verificar se as diferenças das manchas são por causa do solo.

Todos estes métodos você pode utilizar o caminhamento zig zag para fazer a coleta de cada amostra.

Lembrando que, você deve seguir as orientações do engenheiro agrônomo.

Agora que já falamos sobre como fazer análise de solo e os 3 métodos de amostragem, vamos conhecer os equipamentos utilizados para isso:

>> Gessagem: Tudo o que você precisa saber sobre está prática agrícola

Como fazer análise de solo: Equipamentos de amostragem

Atualmente existem diversos equipamentos que podem ser utilizados para realização das amostragens de solo.

Como a escala de produção aumentou exponencialmente, a agilidade nas amostragens é essencial para que todas as etapas sejam realizadas corretamente e no tempo adequado.

Um equipamento antigo e muito utilizado é o trado.

Porém quando aumentamos o número de amostras a serem coletadas há outras opções mais fáceis operacionalmente.

Hoje temos no mercado os amostradores com motores a combustão interna, além dos amostradores elétricos, hidráulicos ou pneumáticos.

Os elétricos são mais leves e práticos, porém são menos potentes e devem ser levados em conta nos diversos tipos de solo onde serão utilizados.

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(Fonte: Saci Soluções)

Solos mais pesados e compactados exigem um amostrador hidráulico ou a combustão interna.

No entanto, esses equipamentos são mais difíceis de serem  operados manualmente, devido ao seu maior peso.

Também é comum o acoplamento destes equipamentos em caminhonetes, quadriciclos, tratores ou veículos utilitários.

Nesse sentido, temos empresas específicas que nos fornecem o conjunto de veículo e amostrador  já prontos para utilização, separação e identificação das amostras:

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(Fonte: Falker)

>> Leia mais: “O guia da interpretação de análise de solo”

Futuro da amostragem de solo

Atualmente estão surgindo no mercado equipamentos para realizar a medição dos atributos do solo em tempo real e já no campo.

Existem aparelhos de raio-x, lasers e scanners que já conseguem medir teores de nutrientes nas amostras de maneira mais rápida.

No Brasil, temos a SpecSolo que realiza as análises de solos por infravermelho próximo (NIR) e os resultados são gerados através de um gigantesco banco de dados.

Dessa forma, os resultados são obtidos rapidamente e com maior segurança, como mostra o vídeo a seguir:

Saiba mais sobre novidades de máquinas e implementos agrícolas aqui.

Conclusão

A amostragem de solo é fundamental para o correto manejo dos insumos, evitando desperdícios de insumos e, consequentemente, de dinheiro.

A amostragem é o primeiro passo para o sucesso produtivo nas lavouras, fazendo com que a aplicação de fertilizantes e corretivos dê muito mais retorno.

Aqui você viu como fazer análise de solo com 3 diferentes métodos de amostragem, e agora pode escolher com segurança aquele se encaixa melhor na sua propriedade.

No futuro teremos novas formas de como fazer análise de solo e novas metodologia que nos darão resultados mais rápidos e mais eficientes.

Mas o importante mesmo é estar consciente das suas decisões de amostragem e análise de solo como vimos neste artigo!

Leia mais:

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