Planejamento Agrícola: 6 mandamentos que você deveria seguir

O planejamento agrícola ou rural é o ato de planejar pensando no seu objetivo agrícola.

E é claro que alguns dos seus objetivos, se não os principais, são aumentar a produtividade e diminuir os custos.

Sem planejamento não existe condição para lucro. É dessa forma que você aumenta a rentabilidade e a sustentabilidade da fazenda (aquilo que permite continuar sua atividade agrícola).

(Fonte: Photo by Frank Köhntopp on Unsplash)

É assim também que é possível se preparar para eventos adversos, como clima, venda do produto agrícola, aumento do valor de defensivos, entre outros.

Com isso a tomada de decisão é consciente e muito mais fácil de ser realizada.

Para aprender os 6 mandamentos do (bom) planejamento agrícola e assim atingir seus objetivos continue lendo.

E para um bom planejamento primeiramente precisamos de dados, sendo esse o primeiro mandamento:

 

1.Colete e anote os Dados do Seu Planejamento Agrícola

 

Os registros, as anotações e os dados são o que permitem que o dono ou gerente da fazenda use melhor suas experiências e conhecimentos.

Não entendeu muito bem? Pois aí vai um exemplo prático do livro de Nguyen H. Tung (Planejamento e Controle Financeiro das Empresas Agropecuárias):

 

No caso do gado de leite, ao obter os dados de consumo de ração sabe-se a conversão alimentar (quanto de alimento é preciso para resultar em quantos litros de leite).

Assim se o pasto estiver bem manejado e verificar que os dados das chuvas estão acima do normal, se pode reduzir quantidade adequada de ração sem diminuir a quantidade de leite produzida.

Do mesmo modo, em produção de soja, por exemplo, sabendo-se o nível de infestação do percevejo-marrom nos anos anteriores e sendo o nível menor nessa safra é possível diminuir o número de aplicações de inseticidas sem diminuir a produtividade.

Por isso é essencial coletar os dados de infestação de insetos, doenças, plantas daninhas; preços pagos por insumos e defensivos; quantidade de mão-de-obra e seus custos; custos de maquinários e horas de trabalho; entre tantos outros.

Já que falamos sobre insetos na soja, você poder ver aqui o Manual de identificação de insetos e outros invertebrados da cultura da soja, que vai te ajudar a identificar e fazer a coleta correta dos dados.

(Fonte: Embrapa)

 

 2.Se Informe Para Embasar O Planejamento Agrícola

 

Produzir commodities (como são os produtos agrícolas) é produzir pensando no mercado, porque é nele que serão vendidos os produtos e é ele que define o preço.  

Então você tem estar atento para as tendências do mercado: se informe participando de eventos, em sites de notícia, sites financeiros, revistas agropecuárias, e blogs como esse, entre outros.

Só não vale mesmo ir na conversa do vizinho ein?! Procure informação em lugares reconhecidos e respeitados.

O site do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) é um deles.

 

Clicando em “Custos e Gestão” (círculo verde na figura acima) temos a estimativa dos custos de produção que são posteriormente, comparados aos preços de venda da produção.

Assim você pode monitorar com segurança como será sua rentabilidade de acordo com seu produto agrícola. É só clicar no “Agrícolas” ou “Pecuários” de acordo com o que você produz.

 

 

Para produtos agrícolas, por exemplo, é possível ver os relatórios de soja, milho algodão e trigo.

Clicando em “Agrícolas” selecione o ano e mês de publicação para acessar o relatório.

 

 

No caso, eu selecionei o último relatório publicado.

 

 

Então, se você é produtor de soja já sabe que corre risco de prejuízo nessa safra e pode agir para mudar esse cenário no seu negócio.

Atento para o mercado e com informações valiosas é preciso agora direcionar o seu planejamento, que é o nosso terceiro mandamento.

3.Direcione o Planejamento Agrícola

 

São 4 perguntas que se deve fazer nesse mandamento e que direcionam adequadamente o planejamento agrícola: O que, Como, Quanto e Quando.

 

(Fonte: Cepea)

 

  • O que? Defina a combinação de produtos que será produzida e a área a ser destinada para cada cultura, sempre tendo em mente as informações e tendências do mercado para que as culturas sejam as mais rentáveis possíveis;

 

  • Como? Plantio direto ou não, como adubar e corrigir a área, com ou sem irrigação, com ou sem financiamento, com ou sem seguro, etc. Lembre-se de buscar a combinação de recursos que resulte em menos custos e maior rentabilidade;

 

  • Quanto?  Aqui entramos no conceito de mercado e economia. Às vezes é melhor estocar o produto, mas em outros momentos o mais rentável é produzir apenas o que a demanda pede.  A definição do “quanto” também envolve o sistema de produção (fertilidade do solo, defensivos, mão-de-obra, etc.), pois tudo isso influencia diretamente na produtividade da lavoura.

 

 

Períodos de vazio sanitário da soja no Brasil em 2017. Fonte: Embrapa.

4.Faça o Planejamento Financeiro

 

Observado as finanças é possível mudar a estratégia quando surgir uma oportunidade, ou mesmo um imprevisto inconveniente.

Explicamos como fazer as finanças básicas nesse artigo.

Registrar despesas e lucros abre o caminho para refletir se essas estão conforme o planejado ou se é preciso modificar alguma coisa para melhorar a saúde financeira da fazenda.

Se você ainda não faz esses registros saiba que não está sozinho, 4 em cada 10 brasileiros não controlam os gastos.

Assim, controlar os gastos verificando seus registros pode ser o principal diferencial do seu negócio agrícola e o que resultará em maior rendimento no final da safra.

 

5.Faça o Planejamento Agrícola

 

Com todas essas informações é hora de você colocar a mão na massa, ou melhor, na terra.

Os dados sobre a fazenda em si, sobre as finanças e as informações do mercado são a base para as ações do planejamento agrícola.

Para fazer essa gestão acontecer segue algumas dicas:

É importante não produzir só uma cultura, pois diferentes produtos agrícolas possuem diferentes comportamentos no mercado, e assim, a chance de dois ou mais produtos resultarem em prejuízo financeiro é menor;

 

(Fonte: Canal Rural)

 

  • Converse e explique o planejamento agrícola para o pessoal que trabalha com você na fazenda. Todos precisam estar cientes dos objetivos, e nessa conversa pode sair ainda mais ideias para melhorar os processos;

 

 

(Fonte: Canal Rural)

E assim chegamos ao ultimo mandamento:

 

6.Seja meticuloso e Monitore Seu Planejamento

 

Após a safra reveja seus registros e seu planejamento.

Converse de novo com seu pessoal e reúna informações e experiências do que deu e do que não deu certo.

Fonte: (HBRBR)

O que deu certo continue a fazer, o que não deu resultado repense e melhore os processos.

Desse jeito você saberá exatamente onde melhorar e cada safra irá se aperfeiçoar mais e mais.

Conclusão

O planejamento agrícola ou rural é simplesmente a sequência de ações que você deve fazer…

…antes da safra para se preparar adequadamente a ela;

…durante a safra, seguindo o planejado ou e modificando conforme as situações;

…e após a safra, verificando o que deu certo e o que deu errado.

 

Dessa forma, na próxima safra seu planejamento seja ainda melhor e dê ainda mais resultados!

 

Gostou do texto? Tem mais recomendações sobre o planejamento agrícola? Ou  Você tem outro mandamento que segue a risca diferente dos que eu mencionei? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Maiara Franzoni

Sou Engenheira Agrônoma formada na ESALQ-USP. Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios e terminando o mestrado no Programa de Fitotecnia-Plantas Daninhas na ESALQ

  • Adriano Lobato

    Maiara, excelente seu texto! Gostaria de contribuir com um mandamento que sempre segui na minha carreira e seguimos a risca aqui onde atuo: “seja técnico”; ou seja, mesmo com base em informações de mercado atuais ou estratégicas e forte rigor na questão financeira devemos estar atentos as boas práticas agrícolas e de manejo (solo-água-planta/animal) e neste sentido sempre montamos uma 1ª versão “ótima” de Planejamento Agrícola, agronomicamente falando, mas esta nem sempre traz a melhor relação custo/benefício e sim a melhor situação técnica para atingir as mais altas produtividades e qualidades finais de produto, em seguida ajustamos o curso olhando para a saúde financeira da empresa alinhando aos objetivos do ano e gerais, enfim.. desta maneira aspectos essenciais e benéficos para obtenção dos resultados de curto e médio prazo serão mantidos quase em sua totalidade e os de longo prazo, como a sustentabilidade do solo, terão um direcionamento com foco e estão sempre em pauta, pois mais importante que um resultado muito positivo em um ano é o resultado positivo em 20, 30, 40 anos… Grato novamente pelo seu texto, sucesso em seu trabalho 😉

    • Maiara Maria Franzoni

      Oi Adriano! Você está coberto de razão! As boas práticas de manejo e a sustentabilidade da propriedade ao longo dos anos são cruciais para o negócio agrícola! Nesse artigo apenas damos alguns mandamentos para começar esse árduo trabalho. Que bom que gostou do texto, fiquei muito feliz pelas dicas! Continue por aqui e acompanhe mais textos, inclusive sobre as boas práticas agronômicas e sustentabilidade do negócio.

      • Adriano Lobato

        Certeza Maiara, estou (estamos) sempre acompanhando as publicações do lavoura 10 e da aegro, estamos conectados! Abraço ;);)