Adubação de milho: veja como calcular e o que você precisa saber para altas produções em sua lavoura.
O milho é uma planta bastante exigente em nutrientes para que sejam alcançadas altas produtividades.
A recomendação de adubação para esta cultura deve levar em consideração os teores disponíveis no solo e extraídos pela planta.
Dessa forma, a exigência nutricional varia conforme a finalidade da produção, seja para grãos ou silagem. Por isso, a adubação também será diferente.
Neste artigo, mostraremos para você como calcular a adubação de milho para produção de grãos e silagem. Aproveite!
Índice do Conteúdo
- 1 Importância da cultura do milho
- 2 Qual a adubação de milho ideal?
- 3 Como é o ciclo e desenvolvimento do milho?
- 4 Exigência nutricional da cultura do milho
- 5 Adubação de milho nitrogenada
- 6 Como é feita a adubação de cobertura?
- 7 Adubação de milho fosfatada
- 8 Adubação de milho potássica
- 9 Planilha gratuita para cálculo da adubação de milho
- 10 Conclusão
Importância da cultura do milho
Juntamente com a soja, a produção de milho representa cerca de 80% da produção de grãos no Brasil.
Na safra de 2018/19, a área plantada do milho safrinha cresceu, principalmente, no Cerrado brasileiro. Isso fez com que a produção de milho na safrinha se tornasse maior que a da safra de verão.

Mapa da Produção Agrícola – Milho primeira safra
(Fonte: Conab)

Mapa da Produção Agrícola – Milho segunda safra
(Fonte: Conab)
Qual a adubação de milho ideal?
A tomada de decisão na adubação de milho deve ser feita levando em consideração os seguintes critérios:
- Análise do solo;
- Produtividade esperada: extração e exportação de nutrientes;
- Fenologia da cultura;
- Histórico da cultura;
- Aspectos econômicos.
A análise de solo nos mostrará a disponibilidade de nutrientes no solo e a necessidade de correção da acidez e elevação da saturação por bases do solo.
Já o manejo da adubação de correção é feito para elevar a disponibilidade de outros nutrientes no solo.
Agora, a adubação de manutenção, pode ser feita através da reposição dos nutrientes exportados pela cultura do milho. Ela será o foco deste texto.
A exportação de nutrientes não é uniforme durante todas as fases de desenvolvimento da planta. Por isso, é importante entender sobre o ciclo do milho antes de começarmos a recomendar a adubação.
Como é o ciclo e desenvolvimento do milho?
O ciclo do milho é dividido em estádios fenológicos vegetativos (V) e reprodutivos (R).
Entre V6 e V10, o potencial número de fileiras por espiga é determinado. Também é uma fase de alta demanda e absorção de nutrientes.
No estádio V12, a disponibilidade de nutrientes é decisiva para a confirmação da produção e do rendimento da cultura, pois aqui se definem o tamanho da espiga e número de grãos por fileira.
O aparecimento do pendão ocorre no estádio VT, que marca a transição para o estádio reprodutivo do milho.
Cerca de 63% do nitrogênio (N) e 80% do potássio (K) são absorvidos até o estádio VT!
Assim, fica claro que devem haver nutrientes disponíveis durante o período vegetativo da cultura do milho, principalmente N e K.

Percentual de N absorvido pela planta, antes e após o florescimento, e percentual de N presente no grão no período da absorção no pós-florescimento (após VT-R1) e fontes remobilizadas.
(Fonte: Pioneer)
Exigência nutricional da cultura do milho
No caso do milho, a quantidade de nutrientes extraída varia conforme a finalidade da produção: sendo grãos ou silagem.
Veja na tabela abaixo acúmulo de nutrientes na planta do milho (grãos e parte aérea) e somente nos grãos para cada tonelada de grãos produzida.

(Fonte: dados médios compilados de vários autores)
Quando o milho é colhido para silagem, a parte vegetativa também é removida, aumentando a quantidade de nutrientes exportada.
Por isso a adubação deve ser ajustada de acordo com a finalidade de produção!
Adubação de milho nitrogenada
O milho é uma cultura bastante exigente em nitrogênio. São necessários em torno de 15 kg por tonelada de grãos produzidos e aproximadamente 23 kg quando se produz silagem.
Para calcular a quantidade de N a ser aplicada, é necessário ter uma ideia da produtividade esperada e a finalidade da produção – grãos ou silagem.
Assim, multiplica-se os valores de produtividade esperada pela extração de N e se tem a demanda desse nutriente da planta.
A cultura anterior também pode influenciar na adubação de milho. Os restos culturais de soja são capazes de fornecer 15 kg de N por tonelada de grãos produzidos.
Também se deve considerar a eficiência dos fertilizantes nitrogenados, que é em torno de 60%.
Assim, se for produzido 10 toneladas de grãos, a exportação é de cerca de 144 kg de N. Considerando uma eficiência de 60%, teríamos que aplicar 240 kg/ha.
E se a ureia possui 45% de N, serão necessários 400 kg/ha desse adubo.

Recomendação de adubação de manutenção de acordo com a produtividade esperada de grãos
(Fonte: dados médios compilados de vários autores)
Como é feita a adubação de cobertura?
A recomendação atual é de que seja aplicado em torno de 50 kg/ha de N na semeadura. O restante deve ser aplicado em cobertura.
Essa adubação de cobertura é iniciada quando a planta está com a 3 a 4 folhas formadas. Dessa maneira, o N estará disponível na fase seguinte (V6 a V10) em que é mais exigido, como vimos anteriormente.
As condições para fazer o parcelamento da dose podem ser vistas na tabela abaixo.

Recomendação de adubação nitrogenada de cobertura
(Fonte: Visão Agrícola)
Adubação de milho fosfatada
Apesar da planta de milho exigir menos fósforo (P) em comparação com N e K, a adubação fosfatada é muito importante para garantir altas produtividades.
A recomendação de adubação com P é feita conforme o seu teor no solo e a extração da planta. Se a disponibilidade de fósforo estiver abaixo do adequado, devemos fazer a adubação de correção.
Do contrário, procedemos apenas com a manutenção baseada na extração. Esta dose deve ser aplicada no sulco de plantio.

Classes de teores de P-resina no solo
(Fonte: Boletim 100-IAC)
Adubação de milho potássica
O potássio (K) é o segundo nutriente mais exigido pela cultura do milho.
As respostas à aplicação de K têm sido maiores com a intensificação do cultivo e com a rotação da soja milho, uma vez que esta leguminosa exige altos teores de K.
A recomendação de adubação potássica para o milho grão ou silagem pode ser feita com base na disponibilidade de K do solo e expectativa de produtividade.

(Fonte: Boletim 100-IAC)
Por exemplo, com teores adequados de K do solo, a extração para 10 ton/ha de grãos seria de 43 kg. No caso da silagem, esse valor seria de 200 kg.
Por isso, ajustar a adubação conforme a finalidade da produção é muito importante, do contrário, a fertilidade do solo seria debilitada em pouco tempo.
Como doses maiores que 50 kg/ha na semeadura podem prejudicar a germinação da semente, é aconselhado que o restante seja parcelado na adubação de cobertura.
Parcelamento da adubação com potássio
Grande parte do potássio é requerido no começo do ciclo da cultura.
Até o estádio VT a planta acumula cerca 50% da matéria seca e absorve mais de 80% de sua necessidade total em K.
Assim, a aplicação restante da dose de K deve ser feita em pré-semeadura ou em cobertura antes de chegar no reprodutivo.
Planilha gratuita para cálculo da adubação de milho
Para te auxiliar, montei uma planilha para o cálculo da adubação de milho com base na extração de nutrientes e produtividade.
Como calcular: basta entrar com os dados da análise de solo para P e K e produtividade da cultura esperada. Pronto, a planilha faz o restante, tanto para produção de grãos como para silagem.
O download gratuito você pode fazer aqui!
Conclusão
Como vimos, a adubação do milho deve seguir a análise de solo, expectativa de produção e a fenologia da cultura.
Com teores adequados, atuamos somente com a adubação de manutenção. Do contrário, a fertilidade do solo precisa ser construída com adubações de correção.
O posicionamento das adubações deve respeitar os estádios de maior demanda da cultura.
De acordo a finalidade da produção, grãos ou silagem, a dose aplicada deve ser ajustada para suprir a demanda da cultura. Seguindo esses critérios, você não terá surpresas com a produção de seu milho.
E você, tem alguma dúvida sobre adubação de milho? Conte pra gente nos comentários abaixo. Grande abraço!
Uma duvida, eu realizei a multiplicação dos valores de produtividade com a extração e não consegui encontrar o resultado da exportação de 144 kg de N. poderia fazer essa conta?
Obrigado
Olá, Gabriel! Tudo bem?
A primeira tabela mostra que a quantidade de N exportada para cada tonelada de grãos produzida é de 14,4 Kg/ha. Portanto, se produzimos 10 toneladas/ha, a exportação seria: 14,4 kg/ha de N x 10 toneladas/ ha de milho, totalizando os 144 kg/ha de N.
Espero ter sanado a sua dúvida.
Obrigado e abraços.
Se for produzido 10 toneladas de grãos, a exportação é de cerca de 144 kg de N. Considerando uma eficiência de 60%, teríamos que aplicar 240 kg/ha.
E se a ureia possui 45% de N, serão necessários 533 kg/ha desse adubo, e não 400 kg/ha certo?