Micronutrientes: Como identificar e corrigir os sinais de deficiências de zinco, ferro, manganês, boro, cloro, cobre, molibdênio, cobalto e níquel em sua lavoura

Só porque a planta os usa em quantidades menores que os macronutrientes, isso não significa que os micronutrientes não sejam essenciais para sua produção agrícola.

Desde o molibdênio, componente da molécula de clorofila, até o zinco, importante para formação de proteínas, os micronutrientes desempenham papel fundamental!

E parece que todo mundo do campo percebeu essa importância nos últimos anos: os gastos com micronutrientes nas fazendas só crescem.

Mas é preciso cuidado para não comprar “gato por lebre” ou jogar um produto caro por aplicação errada. Por isso, confira a seguir as principais dicas sobre os micronutrientes na sua lavoura.

O que são micronutrientes?

Os micronutrientes são aqueles requeridos em pequenas quantidades pelas plantas.

Entre eles estão zinco, ferro, manganês, boro, cloro, cobre e molibdênio – e são normalmente relatados em análises de solo padrão. 

Cobalto, vanádio, sódio e silício também são micronutrientes, mas raramente são encontrados como deficientes e são necessários elementos nutrientes adicionais para o crescimento normal das plantas.

Os micronutrientes tendem a estar mais disponíveis quando o pH é de 7 a 7,5, o que é ligeiramente alcalino. Já os macronutrientes preferem um pH entre 6,2 e 7,0, o que é ligeiramente ácido. 

Dessa maneira, e especialmente no Brasil, com solos ácidos, é fácil ter condições que favoreçam a deficiência de nutrientes.

Compreender a função de cada elemento mineral de micronutriente no crescimento das plantas irá ajudá-lo a determinar as aplicações corretas de nutrientes e a diagnosticar quaisquer problemas potenciais de produção de culturas.

Zinco (Zn)

O zinco é considerado imóvel em ambas as plantas e no solo e é o micronutriente mais comumente aplicado na produção de milho e soja

É importante para a proteína, formação de enzimas e integridade da parede celular das plantas. Pode haver problemas com os tie-ups de zinco com altos níveis de cálcio no solo, tornando o zinco incapaz de ser absorvido pelas plantas. 

Além disso, altos níveis de fósforo podem fazer com que o zinco não seja absorvido como requer o crescimento das plantas, levando a sintomas de deficiência de zinco. 

Esses sintomas incluem faixas brancas ou faixas em folhas de milho e internódios encurtados em soja.

micronutrientes

(Fonte: ATP Nutrition)

Quanto às aplicações do micronutriente temos 3 formas:

  • Área total: normalmente de 5 a 10 kg/ha de Zn, com eficiência por 3 a 5 anos;
  • Em faixas: doses mais baixas que em área total, mas em aplicações antecipadas e anuais como parte da adubação de semeadura;
  • Aplicações foliares: foi comprovada cientificamente a eficácia de aplicações desse tipo com 0,5 kg/ha a 2,0 kg/ha (0,05 a 0,02% de Zn em solução) durante o ciclo da cultura.

Ferro (Fe)

O ferro é um nutriente imóvel. Ele desempenha um papel vital na fotossíntese e na respiração das plantas, sendo também necessário para a fixação de nitrogênio na soja. 

Os sintomas de deficiência de ferro incluem clorose internerval das folhas, chamada clorose de ferro. Tal condição é geralmente encontrada em solos de pH 7,5 a 8.3. Em casos graves de clorose de ferro, pode ocorrer a morte das plantas.

deficiência de ferro

(Fonte: UNL)

Para corrigir a escassez você pode aplicar fertilizante de ferro ao solo antes do plantio. 

Uma aplicação foliar de ferro nas plantas em crescimento pode ajudar a resolver a descoloração. No entanto, pode ser apenas uma correção temporária que requer aplicações repetidas.

Manganês (Mn)

O manganês é móvel no solo, mas imóvel no tecido da planta. A principal função do manganês é ser um ativador das enzimas de crescimento das plantas. Também ajuda na formação de clorofila. 

Os sintomas de deficiência de manganês podem frequentemente ser confundidos com a clorose do ferro, que é outra razão pela qual o teste do solo é tão crítico. 

deficiência de manganês

Sintoma de deficiência de manganês em folhas novas, já que o elemento é imóvel nas plantas

(Fonte: UNL)

O pH do solo mais alto favorece a deficiência e, portanto, os sintomas de folhas amareladas na sua lavoura. 

Isso ocorre por que em pH alto (solos corrigidos com muita calagem, por exemplo) o manganês torna-se insolúvel e, portanto, impossível de ser absorvido pelas plantas.

Por isso, é preferível que você faça aplicações em faixas ou via foliar, especialmente se o pH do seu solo for 7 ou mais.

A aplicação de Mn em faixas em mistura com fertilizantes com reação ácida (por exemplo, enxofre elementar ou nitrogênio amoniacal) pode ajudar a prolongar e a não ocorrer a insolubilização.

A dose em faixas, próximo a faixa de plantio, é de 3 a 5 kg/ha, sendo que na aplicação foliar fica em torno de 0,5 a 2,0 kg/ha.

Boro (B)

O boro ajuda na formação da parede celular e regula o metabolismo das plantas. É um elemento móvel e pode ser lixiviado do solo com chuva, tornando-o indisponível para as suas plantas. 

Mas o boro também é imóvel uma vez introduzido nas plantas – a disponibilidade da planta diminui em ambientes secos e quando o pH do solo é alto. 

As deficiências de boro podem ser identificadas por folhas jovens mal-formadas e descoloridas e plantas raquíticas.

deficiência de boro

Folhas deformadas são os principais sintomas de deficiência de boro

(Fonte: ATP Nutrition)

Aqui no blog nós explicamos mais sobre esse micronutriente no “Manual rápido do manejo de boro nas plantas”.

Cloro (Cl)

O cloro é um elemento muito móvel, com função de regular a osmose e a compensação de íons. Ou seja, ele regula o movimento de cátions, átomos e pequenas moléculas dentro e fora das células vegetais que fazem parte da atividade celular normal. 

Embora os requisitos de cloro sejam pequenos para manter o crescimento adequado das plantas, as concentrações dentro delas são altas, semelhantes às concentrações de macronutrientes. 

Assim, muitos especulam que a maior parte do cloro usado pelas plantas venha da chuva, do solo e da poluição do ar. 

No geral, você pode descobrir que tem mais problemas de toxicidade causados ​​pelo excesso de cloro do que por deficiência. Os sintomas incluem folhas bronzeadas, seguidas de murchamento e clorose.

Cobre (Cu)

O cobre é imóvel no solo e nas plantas. Ela ajuda as plantas na produção de proteínas e enzimas e raramente é escasso. 

Como o cloro, você deve ter cuidado para evitar a possibilidade de toxicidade ao adicionar cobre a um programa de fertilidade

Os sintomas de deficiência de cobre são folhas escuras, azul-esverdeadas e crescimento de plantas atrofiado, seguido de morte de plântulas jovens.

micronutrientes: deficiência de cobre

(Fonte: ATP Nutrition)

Para corrigir a deficiência deste micronutriente, a fonte mais utilizada é o sulfato de cobre, sendo possível também realizar a aplicação foliar.

No entanto, essas aplicações foliares são bem mais caras e não muito eficientes, já que o nutriente não é móvel na planta. Assim, elas devem ser feitas apenas em formas de emergência na lavoura.

As doses normalmente variam de 3 a 15 Kg/ha de sulfato de sobre ou 0,5 Kg/ha de quelato de cobre.

Quanto à época de aplicação, é exigido cuidado, já que esse nutriente fica fortemente aderido ao solo. Até por isso, sua disponibilidade pode ir aumentando com o passar dos anos, conforme as aplicações no solo forem ocorrendo.

Molibdênio (Mo)

O molibdênio é requerido pelas plantas na menor quantidade de qualquer micronutriente para ajudar a controlar o componente metálico da formação da enzima. Também permite que o nitrogênio seja usado pelas plantas de maneira eficiente. 

Os sintomas de deficiência de molibdênio tendem a imitar a falta de nitrogênio. 

micronutrientes: deficiência de molibdênio

(Fonte: ATP Nutrition)

Plantas raquíticas amareladas que não têm vigor são comuns em solos deficientes em molibdênio. O molibdênio é imóvel em plantas e um pouco móvel no solo.

Cobalto (Co) e Níquel (Ni) 

O cobalto e o Níquel são dois micronutrientes encontrados nos tecidos vegetais, mas é muito raro que eles precisem ser suplementados por meio de uma aplicação de fertilizante.

Como corrigir deficiências de micronutrientes

Para saber se sua lavoura está com deficiência, faça o testes de tecido vegetal. No entanto, também é preciso fazer o teste do solo para confirmar que existe de fato uma deficiência de micronutrientes, o que requer a adição de fertilizante.

Essas duas análises são complementares. Por exemplo, pode ser que haja o elemento no solo, mas que o sistema radicular não consiga absorver por problemas na planta ou compactação do solo.

Se for detectada a deficiência, cuidado ao escolher o produto para aplicação. Fertilizantes foliares e outros complexos de micronutrientes prometem muita coisa, mas às vezes não passam de “água de batata”.

Procure produtos registrados pelo Ministério da Agricultura e provenientes de fontes idôneas e reconhecidas no país.

>> Leia mais: “Adubação foliar é uma prática que funciona?

Conclusão

Os micronutrientes são tão importantes quanto os macronutrientes, mas é preciso cautela para não aplicar de modo inadequado e acabar perdendo dinheiro.

Preste atenção aos sinais de sua lavoura, observe as folhas e mantenha em dia as suas análises de solo.

Dessa maneira, e com as dicas que você viu aqui, tenho certeza que não terá problemas com os micronutrientes!

>> Leia mais: “Identifique como está a fertilidade do solo e nutrição de plantas da sua área”

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Você já fez aplicações de micronutrientes em sua lavoura? Restou alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu comentário!