Adubação potássica em soja é uma boa saída para obter altas produtividades, desde que bem feita. Neste artigo detalhamos o que você precisa fazer na lavoura!
Você sabia que o potássio é o segundo elemento mais requerido pela cultura da soja?
A cada 1000 Kg de grãos de soja, são extraídos 20 Kg de K2O.
Esse nutriente fica apenas atrás do nitrogênio nesse quesito, sendo essencial para uma boa produtividade de soja.
Isso porque a falta de potássio resulta em plantas mais suscetíveis a períodos de estresse, como temperaturas muito altas ou baixas, ou mesmo ao ataque de pragas e doenças.
No entanto, são comuns as dúvidas sobre a dose, momento de aplicação e até a identificação da deficiência em campo.
Neste artigo sanamos essas e outras dúvidas, colaborando para a sua adubação potássica em soja!
Índice do Conteúdo
- 1 Como saber se minha lavoura precisa de potássio?
- 2 Cálculo da adubação potássica em soja
- 3 Época de aplicação de potássio na soja
- 4 Métodos de aplicação da adubação potássica em soja: Cloreto de potássio a lanço
- 5 Como evitar excesso de adubação potássica em soja
- 6 Adubação foliar de potássio na cultura da soja: Vale o custo?
- 7 Conclusão
Como saber se minha lavoura precisa de potássio?
Quando há baixa disponibilidade de potássio sem o aparecimento visual dos sintomas, ocorre o que conhecemos por “fome oculta”.
A “fome oculta” causa redução de crescimento da planta com consequente redução da produção.
Mas, quando a deficiência de potássio é mais severa, podemos ver alguns sintomas característicos como:
- Mosqueado amarelado nas bordas dos folíolos das folhas da parte inferior da planta;
- Áreas cloróticas avançam para o centro dos folíolos;
- Necrose das áreas mais amareladas nas bordas dos folíolos;
- Necrose avança para o centro dos folíolos, ocorrendo a quebra das áreas necrosadas;
- Grãos pequenos, enrugados e deformados;
- Maturidade da soja atrasada, fato que pode causar haste verde, retenção foliar e vagens chochas.

Cálculo da adubação potássica em soja
A adubação potássica em soja deve ser recomendada de acordo com as tabelas de cada estado.
As tabelas classificam os nutrientes presentes no solo em faixas de muito baixo ou baixo, médio, alto ou muito alto.
Como vemos na tabela abaixo, para adubação de soja na semeadura e no Estado de São Paulo, vamos fazer a de acordo com a produtividade esperada.

(Fonte: Embrapa)
Se você está em outro estado como: Minas Gerais, solos dos Cerrados, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, você pode consultar as tabelas aqui.
Vamos ver o exemplo de acordo com a análise de solo abaixo:
Pela análise do solo, o teor de fósforo é igual a 22 mg/dm³ e para o potássio é de 0,4 cmolc/dm³.
Para fazer a interpretação pela tabela de adubação do estado de São Paulo, devemos multiplicar por 10 o valor de potássio de 0,4 cmol/dm³ para igualar as unidades e transformá-lo em mmol/dm³.
Assim temos 4 mmol/dm³ de potássio no nosso solo de exemplo.
Se levarmos em consideração a produtividade esperada maior que 3,5 t/ha, vamos observar que a recomendação para esta faixa é de P2O5 = 50 kg/ha e K2O = 80 kg/ha.
Assim, chegamos na seguinte relação: NPK 00-50-80.
No entanto, não temos essa formulação de fertilizante no mercado!
Então o que fazer?
Uma das formulações mais comuns de NPK pra soja é a 00-20-20.
Esses números significam que a cada 100 Kg desse fertilizante temos 20 Kg de P2O5 e 20 Kg de K2O
Vamos supor que é essa formulação que temos no estoque e faremos os demais cálculos com ela.
Agora veremos quanto aplicar por hectare desse fertilizante NPK 00-20-20 e se vai ser preciso outro tipo de adubo:
Mais sobre adubação potássica em soja: Quantos kg/ha aplicar e quais formulações usar?
Antes de tudo devemos ter em mente que será necessário o parcelamento da dose de potássio, pois a aplicação de doses superiores a 50 Kg/ha de K2O causa intoxicações nas plantas.
Assim,o parcelamento do potássio vai auxiliar a reduzir o risco de salinidade na germinação das sementes, quando houver estresse hídrico.
Em solos de textura média a arenoso, ou seja, quando houver menos de 200 g/kg de argila, o parcelamento de potássio ajuda a evitar as perdas por lixiviação.
Então, aplicaremos equivalente a 50 Kg/ha de K2O na semeadura, e o restante (30 Kg/ha de K2O) como adubação de cobertura.
Como possuímos a formulação 00-20-20, a dose de 250 Kg por hectare dará exatamente 50 Kg/ha de K2O e 50 Kg/ha de P2O5.
Assim, você pode fazer 1/3 da aplicação de potássio na semeadura e 2/3 em cobertura aos 30 dias após a semeadura.
Pessoal, uma observação importante aqui é que antes de você realizar a adubação de cobertura, você precisa ter feito o manejo das plantas daninhas.
Lembre-se: se você adubar a soja (ou qualquer que seja a cultura) na presença das plantas daninhas, estará desfavorecendo a cultura.
As plantas daninhas têm uma grande capacidade competitiva e a maior parte delas é mais eficiente do que as culturas em extrair os nutrientes do solo.
Agora vamos para algumas dicas extras sobre os cálculos de adubação potássica em soja que acabamos de fazer:
Cuidados com unidades e outras informações
Vimos aqui no nosso exemplo que precisamos transformar a unidade de nossa análise de solo.
Isso é muito comum nesses cálculos!
Lembre-se que em alguns estados a unidade do potássio na análise de solo vem em mmolc/dm³.
Para saber quanto tem de potássio em mg/dm³ na sua área, basta multiplicar o valor (mmolc/dm³) pela massa atômica do elemento, que no caso do potássio é aproximadamente 39.
Depois para encontrar esse valor por hectare em uma camada de 0 a 20 cm, é só multiplicar por dois e você terá o valor de quantos kg por hectare de potássio tem na sua área.
Quer saber mais sobre essa transformação com exemplos práticos?
Veja o vídeo:

Vamos entender agora um pouco mais sobre a época de aplicação.
Época de aplicação de potássio na soja
Já vimos que o potássio é muito importante para a cultura da soja. Também analisamos como fazer o cálculo de adubação para soja de acordo com a análise de solo.
Mas como saber a época de aplicação ideal?
As culturas apresentam uma porcentagem de acúmulo do nutriente em função dos dias após a emergência. Isso é conhecido por Marcha de Absorção.
Para o potássio, podemos observar na figura abaixo que esse nutriente é absorvido pela soja até aproximadamente o estádio R5.5. Ou seja, até o enchimento de grãos, quando se tem de 76% a 100% de granação em um dos quatro nós superiores na haste principal.
Assim, não vai adiantar fazer uma adubação após este período ou muito próximo a ele, pois a planta já não irá mais aproveitar o nutriente.
Também de nada adianta aplicar na época correta, mas de modo inadequado.
Por isso, vamos aos método de aplicação da adubação potássica em soja:
Métodos de aplicação da adubação potássica em soja: Cloreto de potássio a lanço
As fontes mais comuns de potássio são o cloreto de potássio (KCl) e sulfato de potássio (K2SO4), ambos solúveis em água.
A distribuição de fertilizantes pode ser realizada na semeadura ou a lanço antecipadamente.
A adubação na semeadura consiste em aplicar os fertilizantes e sementes ao mesmo tempo na linha de semeadura.
A adubação a lanço antecipada consiste em fazer a aplicação total ou parcial do fertilizante de forma antecipada. Isso permite que a semeadura ocorra de forma mais rápida.
Temos também a adubação de manutenção de cobertura com potássio a lanço em superfície.
Essa adubação ocorre especialmente quando as doses recomendadas na semeadura ultrapassam 50 Kg por hectare de K2O. Doses superiores a isso na semeadura causam intoxicações às plantas de soja, como já comentamos.
Além disso, produtores do Oeste da Bahia vêm realizando a adubação de manutenção a lanço sem incorporação, utilizando rotação de culturas e consórcio de milho com braquiária.
Isso porque a braquiária tem raízes que podem chegar a três metros de profundidade, fazendo com que o potássio lixiviado possa ser absorvido pela braquiária.
É isso o que chamamos de ciclagem de nutrientes, fazendo com que o potássio possa ser aproveitado pela cultura posterior à braquiária.
Tão importante quanto o fornecimento de potássio é o cuidado para que este não seja em excesso:
Como evitar excesso de adubação potássica em soja
O excesso de potássio nas plantas dificilmente vai causar toxidez, mas é considerado “consumo de luxo”.
O principal problema do excesso desse nutriente é que pode interferir na absorção de outros elementos pelas plantas.
A absorção dos nutrientes é afetada por antagonismo, inibição e sinergismo.
Antagonismo: ocorre quando um nutriente diminui a absorção do outro.
Inibição: a presença de um nutriente em excesso inibe a absorção de outro.
Sinergismo: um nutriente aumenta a absorção de outro.
O excesso de potássio tende a diminuir a absorção de sódio, cálcio, fósforo e enxofre, além de inibir a absorção de magnésio.
Adubação foliar de potássio na cultura da soja: Vale o custo?
O objetivo da adubação foliar é complementar a adubação via solo e não substitui-la, a fim de suprir a planta de nutrientes que estejam abaixo do nível crítico.
Entre as principais vantagens estão a correção dos teores de micronutrientes; a uniformidade de aplicação; e a aplicação de pequenas doses.
A análise foliar é uma importante ferramenta que podemos utilizar na hora de fazer essa recomendação.
Então como coletar as folhas de soja para análise nutricional?
Para isso, temos três passos simples:
1. As amostras de folhas de soja devem ser colhidas entre o início da floração e o pleno florescimento;

2. Devem ser coletadas 30 a 40 folhas recém-maduras com pecíolo, ou seja, as 3ª e 4ª folhas trifoliadas a partir do ápice da haste principal;
3. Interprete os resultados. Para isso, você pode utilizar a tabela abaixo:

(Fonte: Embrapa)
Entretanto, o pesquisador Luiz Alberto Staut da Embrapa Agropecuária Oeste, explica que:
“Essas correções só se viabilizam na próxima safra, considerando que, para as análises, a amostragem de folhas é realizada no período da floração plena, no qual coleta-se o terceiro e/ou quarto trifólio com pecíolo, a partir do ápice da planta, período em que a correção nutricional via foliar não é mais possível”.
Existem três usos da adubação foliar: complementar, suplementar e corretiva (Campo & Negócios). Veremos mais sobre cada uma delas:
Complementar
Utilizada geralmente quando as condições de solo não permitem a adequada absorção do nutriente pela planta.
Assim, 20% a menos do nutriente é aplicado via solo. O restante é feito com 2 a 4 pulverizações foliares.
Suplementar
Neste caso, a adubação via solo é feita normalmente, mas também é realizada uma adubação foliar, o que constitui em investimento extra.
Essa aplicação só se justifica se for realizada em função de ganhos de produtividade, resistência a pragas e doenças e qualidade dos produtos.
Corretiva
Como a absorção via folha é mais rápida (dependendo do nutriente e do produto), pode ser feita a adubação corretiva.
O custo de se realizar a adubação foliar vai depender do equipamento utilizado (tipo de pulverizador e trator) e do produto.
Se você ainda está na dúvida sobre a adubação foliar, não há outro jeito dessa decisão ser mais assertiva do que colocando tudo na ponta do lápis (ou na tela do computador).
Faça as contas e verifique o custo real dessa aplicação. Atente-se principalmente a esse parâmetros:
- Custo do adubo foliar (por litro);
- Dose recomendada (L/ha);
- Número de aplicações;
- Custo da aplicação;
- Resposta em produtividade esperada (kg/ha);
- Valor estimado da venda do produto agrícola.

Conclusão
A adubação potássica em soja é essencial para altas produtividades, mas se não realizada corretamente pode limitar a sua produção.
Planejamento da adubação, análises de solo e cálculos são essenciais para que tudo ocorra bem.
Aqui você viu como realizar tudo isso, além de dicas extras para potencializar sua adubação!
>> Leia mais:
“Manejo do zinco na soja: como utilizá-lo para potencializar sua produção“
“Como identificar e evitar a deficiência de boro na soja“
Gostou dessas dicas? Tem outras dicas a respeito da adubação potássica em soja? Adoraria ver seu comentário abaixo!
Bom dia Ana Lígia excelente texto;
Da próxima vez vamos falar da adubação de sistema pois a safrinha é uma realidade no Brasil . Hoje as recomendações estão num contexto bem mais amplo e passar esta mensagem para o empresario rural é muito importante.
Obrigada Eduardo, que bom que gostou, obrigada pela sugestão!
Exelente artigo, parabéns!
Obrigada Ricardo!
Ana, fui aluno de Agro na UFSCAR tb, favor entrar em contato com meu e-mail.
Oi Leonardo, tudo bem?
Entrarei em contato com você!
Obrigada.
Qual o melhor período para aplicação de cloreto de potássio a lanço após germinação da loja?
Boa tarde Vanderlei, tudo bem?
A adubação de cobertura deverá ser realizada no estádio vegetativo, preferencialmente após o controle das plantas daninhas em pós-emergência (para que o adubo não seja utilizado pelas plantas daninhas);
A aplicação de potássio também vai depender do seu solo, em solos arenosos que possuem baixa CTC, quando a quantidade de potássio recomendada for superior a 50 kg/ha, o ideal é fazer 1/3 desta dose na semeadura e 2/3 em cobertura (30 a 40 dias após a semeadura), sendo 30 dias para cultivares de ciclo precoce e 40 dias para cultivares de ciclo mais tardio.
Boa noite.
Na parte “Para fazer a interpretação pela tabela de adubação do estado de São Paulo, devemos “DIVIDIR” (seria multiplicar?) por 10 o valor de potássio de 0,4 cmol/dm³ para igualar as unidades e transformá-lo em mmol/dm³”.
Desde já agradeço.
Obrigada Diego! Já foi corrigido! Abraço!
Boa Tarde.
A quantidade de K2O não seria de 40kg/ha¹ já que foi corrigido de cmol/dm³ para 4mmol/dm³ sendo >3mmol/dm³?, considerando a produtividade de >3,5kg/ha¹
Excelente!
ola no caso depois de transformado K >0.4 cmol/dm3 por mmol daria 4mmol/dcm3 na tabela seira 40kg/ha de K não 80kg/ha