O planejamento agrícola deve estar presente no dia a dia da lavoura. Mas, no momento das aplicações de defensivos agrícolas, também precisa de planejamento?
Muitas vezes observei que a aplicação é decidida na última hora!
Dados divulgados pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) revelam que, em média, mais da metade dos produtos pulverizados nas lavouras podem ser perdidos por escorrimento, deriva descontrolada e má aplicação.
Sim, é preciso planejamento para as aplicações! E é o planejamento agrícola que vai integrar todas as atividades, fazendo com que a aplicação seja consciente, evitando perdas, desperdícios e, claro, obtendo controle do alvo.
Assim, confira os passos de como fazer isso sem dor de cabeça.
Índice do Conteúdo
1º passo: regulagem do pulverizador para aplicações de defensivos agrícolas
Para uma correta aplicação o pulverizador deve estar regulado, isso inclui a verificação dos bicos, das barras, dos tanques, mangueiras, filtros, regulador de pressão.
É preciso atenção e conhecimento para correta regulagem e verificação dos equipamentos, implementos e acessórios, como a verificação dos bicos:

(Fonte: Jacto)
Com a verificação, é possível constatar se há vazamentos e se tudo está funcionando de forma adequada. Assim, evita-se a perda de produtos e eleva-se a eficácia da aplicação.
A regulagem também é essencial.
O tanque de pulverização, por exemplo, deve possuir agitador funcionando adequadamente.
Para isso, é preciso trabalhar com uma rotação de 540 rpm na tomada de potência (TDP), já que esta é a rotação em que o sistema normalmente é dimensionado.
Formulações pó-molhável (PM) ou suspensão concentrada (SC), por possuírem partículas sólidas em suspensão, tendem a se depositar no fundo do pulverizador
Já a formulação concentrado emulsionável (CE), com substâncias não solúveis em água (óleo por exemplo), fica na superfície do tanque.
Isso faz com que, no início da aplicação, a concentração de produtos seja maior (para formulações PM ou SC) ou menor (para formulações CE), resultando em aplicação ineficiente.

Para saber mais sobre regulagem de máquinas e implementos recomendo a leitura desse artigo de meu amigo Eng. Agrônomo Luis Gustavo Mendes.
Tudo relacionado ao pulverizador precisa ser feito com os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) adequados.
Agora, com tudo verificado e regulado, vamos tomar algumas decisões importantes:
2º passo: escolha do produto, volume de calda e tamanho de gota
Escolha o produto recomendado para sua cultura e seu objetivo (lembre-se: o produto sempre vem com a bula, onde é possível encontrar as informações de que você precisa).
Para saber mais sobre defensivos agrícolas, com curiosidades e fatos interessantes veja esse artigo: “Defensivos agrícolas: 8 curiosidades que você deveria saber”.
O volume de calda e o tamanho de gota também vão depender do alvo, que agora você já conhece por meio do monitoramento e histórico da área.
Gotas finas resultam em maior cobertura do alvo, mas maior risco de deriva. Devido a isso, são utilizados em produtos de contato.
Gotas grossas dão menor cobertura do alvo, mas menor risco de deriva. São utilizadas para herbicidas residuais e de aplicação no solo – ou mesmo algum outro produto aplicado no solo.
Gotas médias são as mais utilizadas por possuir características intermediárias às finas e grossas, mas são comumente utilizadas para aplicação de produtos sistêmicos.

Por isso que a escolha do bico de pulverização é muito importante: é o bico que define o tamanho da gota e, assim, a cobertura do alvo.

(Fonte: Copam)
É possível encontrar os tamanhos de gotas a variar o bico e pressão na internet ou mesmo com seu fornecedor.
A tabela abaixo foi adaptada da ASAE S-572 e compara os tipos de pontas, a vazão está em litros/minuto e a pressão em Bar.

(Fonte:Adaptado ASAE S-572)
Agora com tudo regulado para aplicação, em que condições devo ou não aplicar?
3º passo: condições ideais de aplicação
Talvez aqui seja onde mais usamos o planejamento na hora da aplicação. Algumas perguntas devem ser feitas para o realizar a atividade de forma eficaz:
Quanto de área tenho para aplicar? Qual o tempo que tenho para essa atividade?
E, principalmente, qual a previsão do tempo? Lembre-se alguns produtos precisam de um tempo maior sem chuva para que possam agir nas plantas.
Então, planejar anteriormente quanto tempo levará para aplicar na sua área e verificar a precisão do tempo é fundamental.
Além disso, uma boa aplicação é aquela que ocorre nas condições climáticas ideais.
E quais são elas?
- Temperatura: menor que 30°C
- Umidade: maior que 50%
- Ventos: entre 3 e 10 km/h

E por fim, utilize sempre os equipamentos de proteção individual (EPIs) para sua melhor proteção e de quem realiza as atividades, até porque a base de todo um bom planejamento é a segurança no trabalho.
4º passo: acerte na época de aplicação
Com o monitoramento da lavoura, é possível planejar as aplicações de defensivos necessárias.
Isso inclui saber se a cultura está na fase recomendada para aquele defensivo e, principalmente, se o alvo (inseto, doença ou planta daninha) atingiu um nível de infestação que realmente precisa ser feita aplicação.
Para pragas temos o Manejo Integrado de Pragas (MIP) que indica o nível de controle a depender da quantidade de injúrias ou insetos identificados no monitoramento.
Para doenças, geralmente quando se encontra sintomas no campo já é preciso a aplicação.
No caso de plantas daninhas, a aplicação de pré-emergentes garantem vantagem à cultura e durante a lavoura é preciso monitoramento verificando necessidade de novas aplicações.

5º passo: conheça seu campo
Esse passo é fundamental para quem planeja fazer uma aplicação de defensivos agrícolas, seja ele herbicida, inseticida, nematicida ou fungicida.
Assim, dentro das atividades semanais, deve-se incluir o monitoramento das lavouras identificando as pragas, doenças e plantas daninhas.
Além disso, o monitoramento das safras passadas resultará no histórico da área quanto aos insetos, doenças e plantas daninhas e, claro, quanto às aplicações.
Isso será crucial para identificar os principais problemas da propriedade e como corrigi-los.
Na internet há alguns materiais gratuitos de acordo com a cultura para identificar doenças e pragas segue um exemplo para a cultura do milho e soja:
Manual de identificação de doenças

(Fonte: Epagri)
Manual planta daninha soja

(Fonte: Embrapa)
Nematoides em soja

(Fonte: Embrapa)
Conclusão
Acertar na aplicação depende do bom planejamento da mesma.
Isso envolve o conhecimento do alvo no campo e a época ideal de aplicação; a verificação e regulação dos equipamentos de pulverização; e o conhecimento das condições climáticas ideais para essa atividade.
Com tudo isso em mente e em ações, você acertará não só nas aplicações de defensivos agrícolas, mas na redução de custos e maior eficiência dos produtos utilizados, gerando mais lucro e sucesso para você e sua fazenda!
>>Leia mais:
“O que é e para quê serve o receituário agronômico”
Gostou dessas dicas? Tem mais alguma que usa para aplicação de defensivos agrícolas de forma eficaz? Adoraria ver seu comentário abaixo!
Parabéns Ana Lígia pelo artigo. Simples mas não menos profundo na abordagem do assunto. Não sou agrônomo, mas estou realizando pesquisas e estudos para métodos alternativos de pulverização. Gostaria de contato privado para trocar algumas idéias. sourientjr@gmail.com
Obrigada Luiz Carlos,
Você pode entrar em contato através do meu e-mail analigia_giraldeli@hotmail.com
Vou ficar feliz se puder contribuir com mais informações.