Aplicação de defensivos agrícolas: como proteger sua lavoura com eficiência e otimização de recursos.
Alguns estudos chegam a mostrar perdas de 10% a 12% em produtividade, devido à aplicação de defensivos agrícolas mal feita.
E você sabe bem a importância do uso de defensivos na lavoura?
Sabia que seu mau uso pode aumentar os custos de produção, não proteger a lavoura e ainda trazer riscos ao meio ambiente e ao homem?
Importante lembrar que os defensivos agrícolas são chamados oficialmente de agrotóxicos. Embora seja um termo que gera controvérsias, é o termo oficial da legislação brasileira (Lei 7.802/89 e Decretos 98.816/90 e 4.074/2002).
Outros termos também são comumente utilizados, como: produtos fitossanitários, pesticidas, agroquímicos.
O Prof. Dr. José Otávio Menten, da USP/Esalq, trata de pontos importantes como benefícios e riscos do uso de defensivos no Brasil.
Dada a importância da aplicação de defensivos agrícolas para a proteção da lavoura, vou mostrar 5 dicas infalíveis de como torná-la mais eficiente.
Algumas dicas envolvem conhecimento prático e outras, tecnologia de aplicação. Então confira!
Índice do Conteúdo
1. Consulte a bula antes da aplicação de defensivos agrícolas
Para uma aplicação eficaz, nada melhor do que realmente conhecer o que se está aplicando.

Classes De Classificação Toxicológica dos Produtos Fitossanitários
(Fonte: Seagro)
Você pode buscar informação em diversas plataformas, como a plataforma nacional de consulta de produtos fitossanitários, o Agrofit.
Veja como é simples:
Passo 1: Acesse a lista de defensivos agrícolas e faça buscas por pragas e doenças.

É possível conseguir informações sobre os produtos registrados e recomendados para o controle de pragas, plantas daninhas e doenças, com direito a textos explicativos e fotos para facilitar a consulta.
O sistema também conta com dados do Ministério da Saúde e do Ministério do Meio Ambiente, oferecendo melhores informações em defensivos agrícolas para você.
Passo 2: Insira o nome vulgar ou científico da doença.

Passo 3: Realize a busca e veja as informações que aparecerão na sua tela. Você pode ter um relatório descrevendo o que é a ferrugem asiática, sintomas da doença, Bioecologia, controle, fotos da doença e lista de produtos para combater.

Simples e prático! Agora você pode obter informações sobre os produtos mais recomendados para “Ferrugem Asiática”.
Outros sistemas de consulta
Outra opção é a a SEAB/PR. Embora seja estadual, é até mais completa que o Agrofit.
Nesses dois portais é possível consultar os defensivos agrícolas por princípio ou ingrediente ativo; por marca comercial; classe (fungicida, inseticida, herbicida, etc.); cultura recomendada; praga, entre outros. Há, inclusive, links para as bulas dos produtos.
Além disso, outros portais também oferecem informações sobre aplicações de defensivos, como Embrapa, Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal) e os sites das próprias fabricantes.
Essas informações são essenciais para saber:
- Em que momento da cultura é ideal aplicar o produto;
- Se é preciso o uso de adjuvantes;
- Qual o volume de calda ideal;
- Para quais plantas daninhas, insetos e doenças são indicados;
- Em qual estágio dessas pragas a eficiência do produto é melhor e etc.
Ao contrário do que muitos pensam, ter o produto ideal no momento ideal da cultura e da praga não é o suficiente para uma aplicação de defensivos agrícolas eficaz!
Para isso a manutenção e regulagem são fundamentais:
2. Manutenção e regulagem do pulverizador
Ajustar corretamente o equipamento de pulverização eleva a produtividade e reduz custos com produtos agrícolas em até 30%.
Fundamental para a aplicação de defensivos agrícolas eficiente, o pulverizador tratorizado, pulverizador autopropelido ou até um pulverizador costal de 20 L devem estar bem calibrados e com manutenção em dia.

(Fonte: Dinheiro Rural)
Antes das aplicações:
- Observe se os bicos não estão entupidos e se são adequados para o tipo de aplicação;
- Verifique a barra de pulverização;
- Coloque água no tanque do pulverizador;
- Regule o pulverizador;
- Aplique em uma área plana e de tamanho conhecido;
- Durante a aplicação, verifique o volume de água que sai em cada bico de pulverização por determinado tempo (normalmente 10 segundos) e, assim, veja se algum está com problemas;
- Somando o volume de água coletado em todos os bicos, você pode verificar se o volume de calda é o desejado.
O volume de calda, quando não adequado, pode representar aplicação de doses acima ou abaixo das recomendadas.
Isso ocasiona um controle não eficaz ou ainda intoxicação das plantas da lavoura (fitotoxicidade).
O volume de calda recomendado é apresentado na bula do produto, variando de acordo com o equipamento.
Em geral, o volume de aplicação recomendado fica entre 100 e 300 L/ha. Aplicações entre 100 e 200 L/ha tem se mostrado eficientes operacionalmente e eficazes no controle.
Como já citado, a escolha dos tipos de bicos é importante. Existem de diversos modelos e vazões para tamanhos de gotas, que se encaixam em diferentes situações:
Bicos para a redução de deriva, bicos mais indicados para aplicação de fungicidas, inseticidas, herbicidas pré-emergentes, herbicidas pós-emergentes.
A lista de defensivos da TeeJet® traz ótimas informações acerca disso.

(Fonte: TeeJet)
Para tornar suas aplicações mais eficientes você deve conhecer sobre os adjuvantes:
3. Auxilie sua aplicação de defensivos agrícolas com adjuvantes
Adjuvante é qualquer composto adicionado ao tanque de pulverização que auxilie a aplicação de defensivos agrícolas.
Podem ter diferentes funções e vantagens como regular o pH da calda, reduzir a deriva e, o mais buscado, oferecer uma melhor distribuição na folha da cultura ou da planta daninha… Tudo depende da situação.

(Fonte: Aenda)
Novamente, busque as informações na bula do defensivo a ser aplicado. Nela estão as informações do adjuvante a ser utilizado, volume etc.
É importante ressaltar que alguns produtos não necessitam do uso de adjuvantes, pois já são adicionados na fábrica, ou seja, já vem na formulação.
Nestes casos, o uso do adjuvante pode atrapalhar a eficácia do produto e ainda causar fitotoxicidade para cultura. Assim, você estará jogando dinheiro fora.
4. Limpeza de equipamentos
De nada adianta seguir todas as recomendações anteriores, usar tecnologia de ponta, se você não realizar a limpeza adequada de todos componentes da aplicação.
Em algumas situações, recomenda-se até separar os pulverizadores para cada uma das classes de defensivos. Mas (claro) nem sempre isso é possível.
Assim, uma boa limpeza é a melhor solução.

Sintoma de 2,4D na soja (clorose e deformação) por contaminação de tanque (sem lavagem entre aplicações)
(Fonte: Campeonato Brasileiro De Herbologia)
Alguns produtos merecem mais atenção, pois podem depositar no fundo do tanque ou entupir os bicos. Nestes casos, o cuidado deve ser redobrado.
Uma situação comum é a contaminação do tanque por produtos devido à falta de lavagem.
Vou te dar um exemplo! Após a aplicação de herbicidas em milho (com nicosulfuron e atrazina), será realizada aplicação em soja.
Mas estes dois herbicidas não são recomendados para a soja. Portanto, se não for realizada uma boa lavagem do pulverizador, sintomas de fitotoxicidade severos serão observados.
Existem até mesmo produtos comerciais indicados para limpeza do pulverizador com diferentes recomendações e que te ajudarão na lavagem.
5. Levantamento de pragas e manejo integrado
Conhecer o seu problema é a melhor forma de controlá-lo. É muito importante saber quais são os insetos-praga presentes na sua lavoura.
Para tanto, é preciso realizar amostragens, fazer panos de batida, identificar e realizar as contagens dos insetos.
Umas da maneiras de você fazer amostragem é utilizando software para gestão agrícola.
A partir de uma determinada população da praga é que se recomenda a aplicação. Isso é chamado de nível de ação de controle – ou simplesmente nível de controle.

Para tanto, é imprescindível conhecer a infestação da lavoura e o histórico ao longo dos anos.
Para plantas daninhas, por exemplo, você deve saber se há algum caso de resistência a herbicidas. Essas informações são cruciais na escolha do produto aplicado.
Além de conhecer o problema, você precisa utilizar diferentes ferramentas para controlá-lo, como:
- Rotacionar os mecanismos de ação dos defensivos;
- Utilizar outras medidas de controle;
- Cobertura do solo com restos culturais da cultura anterior;
- E, em determinadas situações, fazer o controle biológico.
Esse é o manejo integrado.
A utilização de diferentes ferramentas para administração rural, não apenas o controle químico, vai tornar o controle mais eficiente e sustentável ao longo do tempo, bem como garantir a eficiência da aplicação dos defensivos agrícolas.

Monitoramento de pragas da soja
(Fonte: Foto RRRufino em Embrapa)
Conclusão
Essas são algumas dicas infalíveis para ter uma melhor eficiência na aplicação de defensivos agrícolas. Na lavoura, você sabe que, mesmo seguindo estas e outras recomendações, podem acontecer problemas.
A lavoura está sujeita a condições climáticas adversas, problemas econômicos, entre outros. Mas se esses problemas já causam impactos até mesmo quando se faz ‘tudo certo’ imagina quando isso não ocorre.
Seguindo essas e outras recomendações, com planejamento agrícola, as chances do sucesso e a eficácia da aplicação de defensivos agrícolas serão com certeza maiores.
E claro, sempre consulte um engenheiro agrônomo.
>> Leia mais:
“Como fazer controle de estoque de defensivos agrícolas em 5 passos“
“6 dicas de compra de defensivos agrícolas para potencializar o manejo da sua lavoura“
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Oi Ronildo! Qual formulário você está falando? Abraço!
Maravilha de publicação
Olá Fábio! Que bom que gostou! Fique sempre de olho por aqui, pois sempre postamos conteúdos que com certeza vão lhe ajudar! Abraço!