Barter: entenda o que é, como funciona e garanta o sucesso do seu negócio rural

Barter: o que é essa operação, suas diferentes modalidades, como realizá-las e as principais dicas para ter sucesso nessa estratégia do seu negócio rural.

Barter é uma operação financeira entre produtores rurais, fornecedores de insumos e trading, funcionando como uma garantia de venda para o produtor, uma vez que a negociação é feita com antecedência.

Mas você sabe como incluir, de fato, o Barter como uma estratégia para obter maior rentabilidade e ainda mais sucesso no seu negócio rural?

Hoje, a AgroSchool, com Marina Fusco Piccini, conta a você um pouco mais sobre essa importante operação amplamente utilizada no nosso agronegócio!

O que é Barter?

Quando você pensa sobre Barter, qual a primeira definição que lhe vem à mente? Já sei, de que essa é uma operação de troca, ou escambo, em que o produtor rural adquire os insumos necessários para seu plantio e, como forma de pagamento, ele utiliza parte de sua produção, correto?

Não há nada de errado com essa definição, a não ser a utilização da palavra escambo que, no meu ponto de vista, não traduz corretamente o que de fato é essa operação.

Quando se pensa em escambo logo vem à mente aqueles tempos antigos, antes de Cristo, onde as trocas eram baseadas em excedente de produção, sem equivalência de valor.

Ou seja, se o produtor produzisse além da sua necessidade, aquilo que era extra era trocado por algo que ele necessitasse.

ilustração que representa barter com mãos que trocam pão e espigas de trigo

(Fonte: Maarcha)

Em uma reportagem da revista Superinteressante de 2016 eles contam que:

“esse tipo de economia, que começou naturalmente pela necessidade, mudou de figura ao longo da história. (…) A maior dificuldade era o fato de não haver uma medida comum de valor entre os elementos a serem permutados. Com o tempo, alguns produtos passaram a ser mais procurados que outros e assumiram a função de moeda, servindo para avaliar-lhes o valor”.

Deste ponto em diante começa a fazer sentido para mim comparar o Barter com moeda.

Quando você faz uma operação de Barter está, na verdade, utilizando como forma de pagamento uma parte principal da sua produção para quitação de uma parcela do seu custo operacional.

E esse pagamento você não faz com o que sobra, como acontecia no escambo.

Na verdade, você cumpre os contratos de Barter logo após a colheita das primeiras áreas, pois isso é o que está previsto nos contratos, nas garantias reais que lastreiam a operação.

Além disso, essa plantação é monitorada de perto pelos credores para ter certeza de que não haverá desvios para o cumprimento das obrigações acordadas na operação.

Outro aspecto em que o Barter difere substancialmente do escambo é que nele o valor é conhecido e muitas vezes pré-determinado.

Como funciona a operação de Barter e suas limitações

Temos basicamente um tripé nesta operação:

  • Produtor: aquele que precisa comprar seus insumos para produzir e invariavelmente precisa de prazo para pagar essa conta
  • Fornecedor de Insumos agrícolas, máquinas ou equipamentos: que muitas vezes precisam exercer o papel de financiador do produtor, além de fornecer os produtos
  • Off-taker: que pode ser uma trading, uma cerealista, uma comercial exportadora que precisa comprar a produção do produtor, seja para revender no mercado interno, exportar ou mesmo para utilizar como matéria-prima em seus processos produtivos.

O ponto em comum entre os três é que todos precisam de alguma coisa e através do Barter é possível criar uma conexão entre eles de tal forma que se constitua uma relação de ganha-ganha.

Nem sempre a relação de troca oferecida pelo Barter vai atender às expectativas do produtor, justamente porque ela é feita utilizando por base premissas de mercado.

Nesse aspecto é preciso compreender que, embora sejamos importantes players no mercado global de commodities, somos na maioria das vezes tomadores de preço e não formadores.

E o que isso significa? Que o preço das commodities que negociamos aqui no Brasil são formadas em outros mercados, como Chicago, Nova Iorque e Londres.

Além disso, temos o basis, os altos custos logísticos e variação cambial que impactam diretamente na rentabilidade das operações.

Veja mais sobre as premissas do Barter neste vídeo:

YouTube video player

As duas principais modalidades de Barter

Existem diversas modalidades que podemos fazer de operações de Barter, sendo as principais:

Preço Fixo

Quando se estabelece no momento do fechamento do Barter a relação de troca.

Ou seja, o fornecedor apresenta um pacote tecnológico ao produtor com os insumos, dosagens, aplicações necessárias para o plantio de determinada variedade de semente e em uma dada área.

Ele também estabelece quantas sacas ou arrobas o produtor deverá entregar como forma de pagamento daquele pacote.

Qualquer variação de preço da commodity que ocorra na Bolsa de Mercadorias entre a data de fechamento da operação e a data de entrega do produto não irá afetar a quantidade de produto a ser entregue. Isso é o famoso hedge.

Preço a Fixar

Essa modalidade no mercado também é conhecida por componentes.

Aqui vale uma explicação sobre a forma que uma commodity é precificada.

Qualquer commodity, seja ela soja, milho, café, algodão, tem sua estrutura de precificação muito similar: utiliza-se uma cotação em uma Bolsa de Mercadorias de referência, como Bolsa de Chicago, Nova Iorque, Londres ou a própria B3 no Brasil.

Soma-se a esta cotação um prêmio (ou basis) que é a diferença entre o preço no mercado físico e o preço dos produtos agropecuários no mercado futuro na bolsa de referência.

Esse prêmio pode ser tanto positivo quanto negativo, e é influenciado principalmente pela relação de oferta e demanda sobre a commodity em questão.

Desconta-se os custos de frete, elevação portuária, perdas, entre outros, para se chegar a um valor final em dólar, o qual será convertido pela cotação cambial do mesmo mês de referência da cotação da commodity.

foto da bolsa de valores - artigo barter do blog Lavoura10

(Fonte: PBS)

Foi preciso explicar todo esse passo a passo para entender que nesta modalidade a fixar, a empresa oferece a você produtor um prazo pré-estabelecido para fixar alguns destes componentes do preço, como por exemplo a cotação na bolsa (por isso essa modalidade se chama componentes).

Assim, a relação de troca de insumos pode variar e você pode precisar entregar mais (ou menos) produto para quitar seu débito em aberto.

Estas duas modalidades são comumente utilizadas no mercado, sendo a de preço fixo a principal.

Outras modalidades

Além destas existem outras onde se utilizam contratos de opções e o produtor pode participar de uma eventual alta de mercado. Ou mesmo, é possível estabelecer um preço mínimo contra uma queda nas cotações, além de liquidação financeira ao invés de realizar a entrega do produto.

O ponto é que existem diversas maneiras de se estruturar o pacote de trocas e a relação de troca.

Muitas vezes nos apegamos mais a esse aspecto do que a todos os demais serviços que estão, muitas vezes, embutidos dentro deste processo, e que podem passar despercebidos.

>> Leia mais: “Barter soja: o que é e as dicas para realizar essa operação”

Vantagens da operação de Barter para o negócio agrícola

O Barter te oferece a oportunidade de fazer a gestão de riscos de parte do seu negócio.

Tudo isso sem que seja preciso assumir as obrigações que envolve operar em bolsa, como depósito de margem de garantia e ajustes diários.

Além disso, tendo conhecimento prévio da quantidade de produto necessário para pagamento de parte dos seus custos, seu foco passa a ser em produzir mais e melhor.

Isso ocorre tanto para que você possa honrar com seus contratos quanto para obter maior produtividade e assim possa negociar o excedente com preços melhores.

Entende que essa é a principal diferença com o escambo?

Enquanto antes se trocava o excedente pelo o que tivesse disponível no mercado, com o Barter, o excedente é onde justamente os produtores rurais podem ter a possibilidade de melhorar o seu capital de giro e rentabilidade.

Por isso, é preciso ter a clareza que o Barter é um meio, e não um fim em si mesmo.

E o que isso quer dizer? Que a empresa de insumos (fertilizantes, sementes, defensivos) ou de qualquer outra natureza que estrutura uma operação de Barter e a oferece ao mercado tem um objetivo que deseja alcançar com esse operação.

Esse objetivo pode variar de acordo com o momento do mercado e com a estratégia da empresa.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão

Agora você sabe que Barter não se trata de um escambo, conhecendo agora o real valor desta operação.

Precisamos pensar que no Barter não apenas no que ele se propõe a vender, mas sim no resultado que ele proporciona em termos de gestão de riscos, produtividade e rentabilidade.

O Barter vem para ser mais uma opção na estratégia de sua propriedade rural. Por isso, aproveite as informações e orientações e tenha um negócio ainda melhor!

>> Leia mais:

“Cédula de Produto Rural: entenda as mudanças e como elas impactam seu negócio rural”

Como fazer um contrato de hedge e como ele pode assegurar sua rentabilidade

“Comercialização agrícola: saiba como ter sucesso no seu negócio rural”

E você, já faz Barter? Tem alguma dificuldade ainda em entendê-lo? Deixe seu comentário abaixo!

2 thoughts on “Barter: entenda o que é, como funciona e garanta o sucesso do seu negócio rural

  1. Olá! Boa tarde.

    Marina, já faço operação de barter, porque a traiding a qual eu faço a operação além
    de fazer CPR exije penhor?
    Isso é correto ?

  2. Olá José Alfredo!
    Obrigada pela pergunta. Primeiro acredito que seja interessante explicar a diferença entre o título de crédito, no caso a CPR, e a garantia real, no caso o penhor agrícola.
    O título de crédito é um documento onde se firma o direito de receber um pagamento, seja através de dinheiro ou outro objeto de valor certo, ou a obrigação de pagar determinado valor ou prestação a alguém.
    No caso da CPR, quando o produtor emite uma CPR ele está assumindo a obrigação de entregar determinada quantidade de produto, dentro do prazo de vencimento, qualidade e local ali estabelecidos. E quem recebeu essa CPR, ou seja, o credor dessa CPR, passa a ter o direito sobre este produto conforme tudo o que ali foi estabelecido.
    Quando o produtor vincula o penhor como garantia à CPR é para tornar público que o credor tem o direito sobre aquele volume negociado. Como a trading muitas vezes financia o produtor, ela quer ter a garantia de que, caso haja a necessidade de executar aquele título de crédito ela terá prioridade no recebimento.
    Portanto, essa é uma prática comum de mercado utilizada pelo agentes que concedem crédito.
    Espero ter ajudado a esclarecer sua dúvida.
    Abraço!
    Marina Fusco Piccini – AgroSchool

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *