Saiba como funcionam os bioativadores e quais são os tipos disponíveis no mercado

Bioativadores: o que são, como utilizar e qual a diferença entre eles, os bioestimulantes e os biorreguladores

O potencial genético é um fator determinante no desenvolvimento e na produtividade das culturas, mas sua expressão precisa de condições favoráveis.

Não é possível eliminar o estresse das plantas no campo. No entanto, o desenvolvimento de ferramentas como os bioativadores te auxiliam a mitigar essas condições e a aumentar a qualidade e vigor das plantas.

Nesse artigo, você terá as principais informações sobre essa ferramenta e seus benefícios. 

Fisiologia da planta

O segredo para o melhor desenvolvimento da cultura é o equilíbrio ambiental.

Os principais fatores para o desenvolvimento da planta são o potencial genético, o equilíbrio fisiológico funcional, além de condições de solo e ambientais adequadas. 

Por isso, ao implantar uma lavoura, é desejável que ela tenha todas as condições ideais para o alcance do seu potencial genético. 

Para se desenvolver, a planta baseia-se em seu metabolismo primário: fotossíntese, respiração e o acúmulo de carbono. 

O metabolismo secundário é promovido por condições ambientais, como respostas morfológicas via sistemas enzimáticos e não enzimáticos.

A planta se adapta e realiza esses metabolismos de acordo com estresse térmico e outros tipos de estresse. Além disso, durante o desenvolvimento da cultura, as concentrações de hormônios vegetais se modificam.

Substâncias como os bioativadores são capazes de atuar contra condições de estresse e promover o desenvolvimento genético potencial.

infográfico dos hormônios vegetais no ciclo de vida das plantas

(Fonte: Planeta Biologia)

Bioativadores

Bioativadores são substâncias orgânicas que atuam no equilíbrio fisiológico da planta, auxiliando em sua proteção. 

A aplicação em baixa concentração modifica, promove ou inibe os processos morfológicos e fisiológicos vegetais. O objetivo é favorecer a fotossíntese, promover maior resistência aos estresses e aumentar a produtividade.

A aplicação de aminoácidos promove uma menor necessidade energética da planta para a formação de proteínas. Assim, ela permite que a fotossíntese siga o fluxo natural de perpetuação da espécie.

Em resposta às condições de estresse hídrico e salinidade, é produzido o ABA (ácido abscísico), um hormônio natural. Ele promove o acúmulo de carbono e o fechamento dos estômatos da planta.

Os biorreguladores entram nesse momento para  manter o equilíbrio da planta. Não é possível falar de equilíbrio hormonal sem lembrar o papel que os nutrientes cumprem. Por isso, preparar e corrigir o solo é fundamental. 

A falta de nutrientes (Boro, Fósforo, Cálcio) e o solo compactado afetam diretamente o desenvolvimento, desde as raízes até a parte aérea.  Há muita interferência dos nutrientes no  equilíbrio hormonal.

Bioativadores, bioestimulantes e biorreguladores são a mesma coisa?

Os biorreguladores são os hormônios vegetais como: 

  • auxinas;
  • giberelinas;
  • citocininas;
  • retardadores;
  • inibidores;
  • etileno;
  • brassinosteróides;
  • ácido salicílico;
  • jasmonatos;
  • poliaminas.  

Os bioativadores são compostos de biorreguladores e de macro e micronutrientes. 

Os bioestimulantes são substâncias naturais ou microrganismos que melhoram a resposta a estresses abióticos e a eficiência nutricional. 

A diferença é que os bioestimulantes são constituídos de misturas de grupos hormonais no mesmo produto. São precursores hormonais ou hormônios em si. Entender melhor como funcionam e o posicionamento na cultura é muito importante.

O produto utilizado deve ser recomendado à cultura, pois nos estudos de liberação dos produtos todos os testes são realizados e ajustados às recomendações, são identificados seus efeitos e indicadas as dosagens corretas. 

Para os bioativadores e biorreguladores, existem legislações específicas para o registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Quais os tipos de bioativadores?

O portfólio disponível no mercado é grande. Você deve ter as informações principais dos princípios ativos e a sua concentração no produto.

Assim, você saberá qual o melhor posicionamento para a  aplicação, que promova alterações em processos vitais e estruturais em busca de maior produção.

Veja quais são os tipos de bioativadores disponíveis no mercado!

Extrato de algas

Produtos à base de extrato de algas podem reduzir o estresse nas plantas e causar condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Os principais gêneros encontrados no mercado são:

  • Phaeophyceae;
  • Ascophyllum nodosum;
  • Macrocystis pyrifera;
  • Durvillea potatorum;
  • Ecklomia maxima;
  • Lithothamnium calcareum. 

Aminoácidos

Eles são os reguladores de expressão e repressão genética, interferindo na susceptibilidade e tolerância às condições adversas. 

As plantas naturalmente produzem seus aminoácidos, mas a contribuição do uso em alguns momentos na cultura tem apresentado resultados surpreendentes na tolerância ao estresse.

Eles têm sido aplicados em tratamentos de sementes e na fase vegetativa de culturas como a soja. Apresentam resultados no desenvolvimento de raiz, acúmulo de matéria seca e redução de estresse. 

Seu uso na fase vegetativa para o controle do efeito fitotóxico tem apresentado resultados muito positivos em restituir e estimular o desenvolvimento da planta. 

Quando o triptofano (percursor do ácido indolacético) é aplicado na fase vegetativa, há desenvolvimento radicular e aumento da vida microbiana do solo.

Ácidos orgânicos

O uso de ácidos húmicos e fúlvicos, produtos da decomposição da matéria orgânica, promove melhoria da estrutura física e química do solo.

Isso contribui diretamente para o aumento da microbiologia do solo e consequentemente na melhoria do metabolismo da planta.

O seu uso causa aumento significativo da absorção de íons, potencializa a respiração e a velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, além de aumentar a produção de ATP nas células radiculares e os níveis de clorofila

Pode ser empregado como um condicionador de solo e também tem efeitos positivos sobre a germinação

O uso de ácido húmico e fúlvico em ambientes salinos permite que o sódio fique mais diluído no solo. Ele pode ser perdido pela lixiviação (promovida pela presença de cálcio, magnésio e potássio em sua composição) que mantém os sítios de troca catiônica ativos. 

Modelo proposto do efeito da aplicação de substâncias húmicas (SH) em solos salinos - bioativadores

(Fonte: Biorreguladores e bioestimulantes agrícolas)

Posicionamento em algumas principais culturas

No que se refere às aplicações agrícolas dos biorreguladores, algumas plantas cultivadas no Brasil já atingiram estágios de evolução que exigem nível técnico avançado para alcançar a produtividade.

Na cultura da soja, o uso de bioestimulantes e biorreguladores tem apresentado ótimos resultados, atingindo mais de 30% de aumento de produtividade. Eles têm sido empregados no tratamento de sementes e em aplicação foliar na fase vegetativa.

E esses resultados são bem entendidos, se, por exemplo, uma cultivar precoce de ciclo de cerca de cem dias for exposta a estresse ambiental por pouco mais de uma semana.

Isso corresponde a 10% do ciclo do vegetal que não está funcionando adequadamente.

O uso de bioestimulantes e biorreguladores promove resultados muito positivos.  

Na cultura do algodoeiro, os resultados com o uso têm sido observados na resistência da cultura e até mesmo na qualidade da fibra produzida. O seu uso no tratamento de semente melhora o vigor das plantas.

Na cultura de cana-de-açúcar, bioestumulantes e biorreguladores também têm sido utilizados para favorecer o brotamento, além de promover a fixação biológica de nitrogênio.

O uso de bioativadores ainda é um campo amplo de pesquisa, visto que respostas vegetais nem sempre são atribuídas à aplicação de um único regulador, porque é preciso considerar que existam hormônios que contribuam para as respostas obtidas. 

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Conclusão

Ao longo do artigo, você viu que há diferenças entre biorreguladores, bioativadores e bioestimulantes. 

Biorreguladores são hormônios vegetais, bioativadores são compostos de biorreguladores, macro e micronutrientes. Os bioestimulantes são substâncias naturais que melhoram a resposta a estresses e a nutrição das plantas.

Os resultados com bioativadores são muitos, mas é importante lembrar que utilizar somente um tratamento de semente ou um produto foliar é relativamente simples.

O posicionamento correto do produto dentro do seu planejamento agrícola e das condições da sua lavoura são a chave para você obter a produtividade final

Você já utilizou bioativadores e bioestimulantes na sua lavoura? Como foi a experiência e o seu retorno com o uso?  Compartilhe sua experiência comigo nos comentários!

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