Potássio nas plantas: Como identificar sinais de deficiência e acertar na aplicação do mineral para melhorar a produtividade da lavoura!

Você sabe que alcançar uma alta produtividade na lavoura é reflexo de inúmeros fatores. E garantir a quantidade correta de nutrientes para as plantas é uma delas. 

O potássio é o segundo mais requerido na plantação, impactando principalmente o crescimento da lavoura.

Por isso, fazer um bom manejo é essencial para garantir ganhos na produção

Entenda agora todas as funções do potássio nas plantas, como identificar a deficiência desse mineral e as melhores estratégias para o manejo eficiente!

Para que serve o potássio para as plantas?

O potássio é um dos nutrientes mais requerido pelas plantas, ficando atrás somente do nitrogênio. 

O requerimento de K para o ótimo crescimento das plantas está entre 2% a 5% na matéria seca, variando em função da espécie. 

É o elemento mais móvel no sistema solo-planta e o cátion mais abundante dentro das plantas.

O potássio não é um nutriente utilizado na síntese direta de moléculas orgânicas, porém, dentro da planta, exerce inúmeras funções como:

  • Movimento Estomático Íon de k atua diretamente na abertura e fechamento dos estômatos. Esse controle sobre a abertura estomática está ligada diretamente à absorção de água, devido à diferença de potencial hídrico que é causada  pela perda de água;
  • Fotossíntese e Translocação dos Sintetizados A importância do potássio na fotossíntese está vinculada à influência na síntese da rubisco, principal enzima responsável pela fixação de carbono;   
  • Ativação Enzimática – Umas da funções do potássio é ser ativador de mais de 60 enzimas;
potássio nas plantas

(Fonte: Volnei Pauletti)

  • Metabolismo do Nitrogênio – Atuando no metabolismo de carboidratos;
  • Crescimento Meristemático;
  • Qualidade de Produtos;
  • Resistência – O K é responsável por certa resistência em algumas plantas, como você pode ver na tabela abaixo:
potássio nas plantas

(Fonte: Volnei Pauletti)

Fonte de potássio para as plantas 

Segundo nutriente mais requerido pelas plantas, o potássio se destaca no consumo de fertilizantes agrícolas. 

O potássio é absorvido na solução do solo na forma iônica de K+. Sua absorção é afetada por altas concentrações de Ca2+ e Mg 2+. 

A principal forma do potássio no solo é a mineral, encontrada nos minerais primários (feldspato, biotita e muscovita).

Além da forma mineral, existe também o K na forma de cátion na solução do solo, sendo que, em solos muito intemperizados, é a forma mais importante de potássio disponível. 

Outra fonte importante é a matéria orgânica, que após o processo de lavagem e mineralização, disponibiliza potássio na solução do solo. 

potássio nas plantas

(Fonte: Mosaic)

Para suprir a necessidade da plantas, utiliza-se fertilizantes como o sulfato de potássio e cloreto de potássio, como você pode ver na tabela a seguir:

fertilizantes potassicos

Além dessas fontes, muitas vezes utilizam-se adubos formulados como, por exemplo, NPK, fonte de nitrogênio, fósforo e potássio. 

Ao optar pelas fontes formuladas, deve-se calcular de forma equilibrada a disponibilidade e a exigência de cada nutriente.

Muitas vezes, no caso do potássio, ocorre a demanda de adubação de cobertura para suprir a demanda da cultura, assim como o nitrogênio. Isso pode ser justificado devido à grande perda de potássio por lixiviação.  

Essa lixiviação pode ser provocada pelo tipo de argila, pela textura do solo, pelo pH, pela capacidade de troca catiônica (CTC) e pela relação Ca+2 + Mg+2/K.

Qual a melhor época para aplicar o potássio nas plantas?

A disponibilização do potássio normalmente é feita no mesmo momento do plantio e/ou do transplantio. 

Porém, quando as quantidades demandas excedem a 50kg/ha de K2O, recomenda-se parcelar a adubação, aplicando 1/3 no plantio e o restante na cobertura. 

Mas por que não aplicar tudo no plantio? Não se deve aplicar tudo no plantio, pois grandes quantias podem provocar um efeito salino, podendo “queimar” a semente e até mesmo diminuir o pegamento da muda, quando for o caso. 

Quando o total a aplicar puder ser feito em somente uma aplicação, em alguns casos realiza-se a aplicação a lanço em área total, isso para dinamizar a operação de plantio. 

Em que posição devo aplicar o potássio?

Aplicar o fertilizante próximo à semente, como dito anteriormente, pode causar algumas complicações.

Com isso, saber onde posicionar o fertilizante é uma boa estratégia para garantir o estande de planta e, por consequência, ganhos produtivos. 

A aplicação pode ser feita de duas formas, sendo posicionada ou disseminada. 

A posicionada é feita no momento do plantio, localizando o fertilizante a aproximadamente 7 cm da lateral da semente e 5 cm abaixo dela.

Já a disseminada resulta em boa parte do potássio aplicado permanecendo no topo de 2 cm ou 5 cm do solo. 

Doses recomendadas de aplicação 

As doses recomendadas são baseadas nos valores obtidos na análise de solo e quantidade extraída pela cultura.

O K é removido da área no momento da colheita. Essa remoção varia de quanto a cultura tem retido na biomassa e nos grãos

(Fonte: Nutrifatos

Para situações em que se deseja aumentar a fertilidade do solo, utilizam-se doses um pouco maiores do que a quantidade extraída pela cultura.

Deve-se tomar cuidado quanto à salinidade que esse adubo pode provocar. Por isso, a quantidade de potássio excedente não deve ser demais.

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Deficiência de potássio nas plantas

A planta é o reflexo de como anda seu estado nutricional. Desta forma, uma deficiência de potássio pode ser notada no desenvolvimento da planta. 

Como o K é muito móvel nos tecidos vegetais, sintomas de deficiência são comumente notados em folhas mais velhas, devido à redistribuição deste nutriente para as partes novas.  

O sinal de deficiência nas folhas velhas é clorose seguida e necrose nas pontas e margens das folhas. 

Conforme o sintoma vai aumentando, pode ocorrer queda prematura das folhas, como no caso da soja

deficiência de potássio

Sintomas de deficiência de potássio: folhas velhas amareladas nas pontas e bordas 

(Fonte: Pro Soil)

Sintomas mais avançado também podem ser notados pela redução e/ou lentidão do crescimento da lavoura, além de um sistema radicular bem comprometido.  

Quando estamos tratando da parte química, algumas mudanças são observadas. Há, por exemplo, acúmulo de carboidratos solúveis, decréscimo no nível de amido e acúmulo de compostos nitrogenados solúveis.  

O excesso de potássio nas plantas raramente manifesta sintoma típico. Esse desequilíbrio nutricional, no entanto, afeta a absorção dos demais nutrientes, não seguindo a “Lei do Mínimos”. 

>> Leia mais: “Potássio para milho: Por que é tão importante e como fazer seu manejo

Conclusão 

O potássio é um dos nutrientes mais requeridos pelas plantas. Por isso, neste artigo vimos algumas estratégias para melhorar seu manejo, aumentando a eficiência produtiva de sua lavoura.

Comentamos também sobre as diversas possibilidades de fertilizantes que podem ser utilizados para suprir a demanda da sua cultura. 

Gerir bem como essa adubação será feita pode garantir resultados melhores e, consequentemente, mais lucro em sua produção!

>> Leia mais: “O manual rápido do manejo do boro nas plantas

>> Leia mais: “9 micronutrientes das plantas: Como e quando utilizá-los

>> Leia mais: “Adubação foliar é uma prática que funciona?

Gostou das dicas sobre aplicação de potássio nas plantas? Tem alguma estratégia para melhorar a eficiência potássica da lavoura? Gostaria muito de ler seu comentário!