Controle de tiririca: diferentes espécies, herbicidas recomendados e casos de resistência 

Tiririca, junquinho, junça, tiririca-de-três-quinas… As plantas daninhas do gênero Cyperus são conhecidas por muitos nomes e têm alta frequência nas lavouras.

Seu controle é difícil e com tantos casos registrados de resistência a herbicidas, fazer um manejo efetivo é ainda mais desafiador! 

Para te ajudar na identificação correta e a garantir o melhor controle de tiririca na lavoura, preparei este artigo. Confira!

Controle de tiririca: diferentes espécies

As espécies de tiririca do gênero Cyperus pertencem à família Cyperaceae e são facilmente encontradas nas lavouras.

São plantas daninhas de difícil controle, principalmente as espécies com reprodução por bulbos, tubérculos e/ou rizomas, além das sementes.

A seguir, vou falar sobre as características que vão permitir identificar as principais espécies.

Cyperus difformis

Essa espécie é conhecida pelo nome de junça, junquinho, tiririca-do-brejo ou três-quinas. 

É uma planta anual, herbácea, ereta e cespitosa, que se desenvolve principalmente na região Sul do país.

Prefere ambientes úmidos ou alagados, como várzeas cultivadas. Tem um ciclo curto, o que facilita sua propagação, que é feita por meio de sementes. 

Apresenta caule aéreo (escapo), verde, sem pelos, trígono, sem ramificação. As folhas da base da planta são verdes e menores que o eixo da inflorescência.

No ápice do caule você verá 3 brácteas verdes. Uma delas é muito longa, a outra é mediana e a terceira muito curta, não ultrapassando a altura da inflorescência. A base das brácteas possui uma pigmentação avermelhada. 

A inflorescência tem cor amarelo-pálea, mas, na maturação, você verá uma coloração castanho-escuro. 

foto da planta daninha Cyperus difformis

Cyperus difformis
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus distans

Conhecida por junça, junquinho, tiririca, tiririca-de-três-quinas, é uma espécie herbácea, perene e que se desenvolve em todo o país.

Possui caule rizomatoso curto. As folhas da base da planta saem de alturas diferentes.

duas fotos, uma ao lado da outra, da espécie de tiririca Cyperus distans

Cyperus distans
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

O eixo principal da inflorescência (escapo) é verde e triangular. No ápice, você verá 2 séries com até 10 brácteas, sendo 3 a 4 delas muito desenvolvidas.

A inflorescência tem cor castanha e está no ápice dos eixos secundários.

A propagação é feita por meio de sementes e rizoma.

Foto de Cyperus distans em lavoura

Cyperus distans
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus esculentus

Essa espécie é conhecida como junça, junquinho, tiririca, tiririca-amarela, tiririca mansa ou tiriricão.  É uma planta herbácea, ereta e perene, que se desenvolve em todo o país.

É uma das tiriricas mais indesejáveis devido à dificuldade de controle, pois apresenta caules subterrâneos: bulbo, rizoma e tubérculos. 

O caule é triangular e sem pelos. As folhas da base da planta são rosuladas, em número de 3, e quase do tamanho do eixo principal da inflorescência.

O eixo da inflorescência contém no seu ápice até 6 brácteas, sendo 2 muito longas, 1 mediana e as outras curtas.

A propagação é por meio de sementes e pelas estruturas caulinares subterrâneas.

foto de Cyperus esculentus - controle de tiririca

Cyperus esculentus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus flavus

Conhecida por junça, junquinho, tiririca ou tiririca-de-três-quinas. É uma planta herbácea, perene, que se desenvolve em todo o país.

Apresenta caule rizomatoso curto e de crescimento radial. 

foto de uma muda Cyperus flavus segurada por uma mão

Cyperus flavus
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

As folhas da base da planta são rosuladas em número de até 10 e mais curtas que o eixo da inflorescência.

A inflorescência contém no ápice até 10 brácteas (3 a 4 muito longas e 4 a 6 curtas). É do tipo espiga cilíndrica, de cor verde-amarelada a castanha.

A propagação é por meio de sementes e pelo crescimento do rizoma.

foto de Cyperus flavus

Cyperus flavus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus iria

Também conhecida por junça, junquinho, tiririca, tiririca-de-três-quinas ou tiririca-do-brejo. É uma espécie herbácea, ereta, anual, medianamente entouceirada e que se desenvolve em todo o país.

Não tem rizomas, mas possui estruturas capazes de originar perfilhos. 

foto de uma muda de Cyperus iria segurada por uma mão

Cyperus iria
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Na base da planta você verá 2 a 3 folhas verdes e mais curtas do que o eixo da inflorescência. 

O caule é triangular, liso, e no ápice você irá ver 7 a 8 brácteas. A inflorescência tem cor amarelo-ferrugínea e a propagação é através de sementes.

foto de Cyperus iria no campo

Cyperus iria
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus odoratus

Conhecida também por capim-de-cheiro, chufa, junça, junça-de-ouriço, pelo-de-sapo, tiriricão ou três-quinas. 

É uma planta herbácea, anual ou perene, entouceirada, e que se desenvolve nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, principalmente em locais muito úmidos.

Apresenta caule subterrâneo do tipo rizoma, curto e grosso, que exala odor agradável. As folhas da base têm tamanhos variáveis, algumas ultrapassam a altura do escapo. O caule é triangular, sem pelos, verde, com 5 a 9 brácteas no ápice de vários tamanhos.

A propagação é através de sementes e fragmentação do rizoma.

foto de Cyperus odoratus - controle de tiririca

Cyperus odoratus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus rotundus

Conhecida por capim-dandá, junça, tiririca, tiririca vermelha ou tiririca-de-três-quinas. É uma planta herbácea, perene, ereta, tuberosa, rizomatosa e que se desenvolve em todo o país.

De todas as tiriricas, essa espécie é a mais agressiva, pois apresenta caules do tipo bulbo e rizoma.

As folhas da base da planta são um pouco menores que o eixo da inflorescência. O caule é triangular, liso, sem ramificação, com 3 brácteas no ápice, com uma delas se destacando pelo seu comprimento. 

A inflorescência é do tipo espiga de coloração vermelho-ferrugínea. A propagação é através de sementes, bulbos, tubérculos e rizomas. 

foto de Cyperus rotundus

Cyperus rotundus
(Fonte: Moreira e Bragança 2010)

Herbicidas mais recomendados para controle de tiririca

As espécies de tiriricas podem estar presentes em diversas culturas. Na tabela abaixo, separei os principais herbicidas utilizados para controle químico de diferentes tiriricas:

tabela com os principais herbicidas utilizado no controle de tiririca para cada espécie

(Fonte: adaptado de Guia de Herbicidas, 2018; Agrofit, 2020)

Abaixo também separei algumas informações sobre alguns produtos registrados para controle de tiririca.

Bentazon

O bentazon é um herbicida seletivo para soja, arroz, feijão, milho e trigo. Não tem ação sistêmica e pertencente ao mecanismo de ação dos Inibidores do Fotossistema 2.

Em lavoura de arroz irrigado, o bentazon é utilizado para o controle de Cyperus iria, C. ferax, C. difformis, C. esculentus e C. lanceolatus. As plantas daninhas devem estar com no máximo 12 cm de altura. 

Nesse caso, deve-se retirar a água antes do tratamento para expor as folhas das plantas daninhas e voltar a irrigar após 48 horas.

A dose utilizada é de 1,6 L p.c. ha-1 de Basagran® 600 ou de 2,0 L p.c. ha-1 de Basagran® 480. Lembrando que o intervalo de segurança para arroz é de 60 dias. 

Carfentrazone

O carfentrazone é um herbicida pós-emergente, seletivo condicional de ação não sistêmica, pertencente aos Inibidores da PROTOX.

Em arroz irrigado, é indicado para o controle de Cyperus difformis na dose de 100 a 125 mL/ha de Aurora® 400 EC.

Ethoxysulfuron

O ethoxysulfuron é um herbicida seletivo, pré e pós-emergente utilizado para o controle de tiririca no arroz. 

A dose recomendada em arroz irrigado é de 100 g/ha para o controle de Cyperus iria, Cyperus ferax e Cyperus esculentus com 2 a 4 folhas.

Sulfentrazone

O sulfentrazone é um herbicida pré-emergente, seletivo condicional de ação sistêmica, pertencente aos Inibidores da PROTOX.

Em cana-de-açúcar, é indicado para o controle em pré-emergência de Cyperus rotundus, na dose de 1,6 L/ha de Boral 500 SC.

Em soja, é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas e da cultura, na dose máxima de 1,2 L/ha (solos argilosos), o que já ajuda no controle da tiririca.

Diclosulam

O diclosulam é um herbicida seletivo, aplicado ao solo, recomendado para o controle de tiririca e de algumas plantas daninhas de folhas largas e estreitas em cana-de-açúcar, podendo ser utilizado em cana-planta e na soqueira úmida.

Em cana-de-açúcar, é indicado para o controle em pré-emergência de Cyperus rotundus, na dose de 126 a 231 g/ha de Coact.

foto de Sintomas de glifosato em Cyperus flavus

Sintomas de glifosato em Cyperus flavus
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Como vimos, o manejo das espécies de tiririca não é tão simples, principalmente quando estamos falando das culturas de soja e milho.

Em soja, o uso de sulfentrazone pode auxiliar no manejo em pré-emergência. 

Em pós-emergência da soja e do milho tolerantes ao glifosato, o uso deste herbicida pode ajudar no controle de tiririca.

Casos de resistência de tiririca no Brasil e no mundo

No mundo são 18 casos de resistência de plantas daninhas do gênero Cyperus resistentes a herbicidas. Desses relatos, 2 são no Brasil.

Separei para vocês na tabela abaixo os casos no mundo:

tabela com casos de resistência a herbicidas - controle de tiriricas

(Fonte: adaptado de Heap, 2020)

Conclusão

Nesse artigo, abordamos as principais espécies de tiririca e como fazer a identificação correta das mais frequentes nas lavouras.

Também mostramos quais os herbicidas registrados para o controle, recomendações para algumas culturas e os casos de resistência no Brasil e no mundo.

Com essas informações, espero que você possa fazer o controle de tiririca com sucesso e livrar sua lavoura dessa daninha!

Referências

Lorenzi, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 7 ed. Nova Odessa, SP. Instituto Plantarum, 2014.

Moreira, H.J.C. Bragança, H.B.N. Manual de identificação de plantas infestantes cultivos de verão. Campinas, SP, 2010.

Rodrigues, B.N.; Almeida, F.S. Guia de Herbicidas. 7 ed. Londrina, PR. Edição dos Autores, 2018.

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