Plantas daninhas da soja como o caruru, leiteiro, capim-pé-de-galinha, capim-amargoso e trapoeraba podem dificultar e encarecer o controle na lavoura. 

Dentre os diversos problemas que temos que lidar no campo, as plantas daninhas são um daqueles desafios que sempre tiram o nosso sono, não é mesmo?

Isso porque sabemos que os gastos com as práticas de manejo, principalmente com os herbicidas, podem ser de alto custo.

É por isso que separei para você cinco espécies de plantas daninhas da soja e algumas dicas para auxiliar no controle. 

E já falando da primeira dica, um dos principais manejos é fazer uma boa dessecação antes do plantio, pois isso vai ajudar a reduzir a competição inicial entre plantas daninhas e cultivadas.

Veja mais a seguir!

Capim-amargoso (Digitaria insularis)

Logo que falamos em soja, já pensamos em uma das principais espécies que vêm causando problemas no campo: o capim-amargoso.

Também conhecido por capim-flecha, capim-açu e capim-pororó, é uma planta de ciclo perene, herbácea, ereta e que forma touceiras. 

Com reprodução via sementes e por meio de curtos rizomas, tem seu controle dificultado. 

Na cultura da soja, as perdas de produtividade podem chegar a 20% na presença de apenas uma planta de capim-amargoso/m².

plantas daninhas da soja

Digitaria insularis (capim-amargoso)

Entre os herbicidas registrados para o controle de Digitaria insularis em soja temos:

  • graminicidas: cletodim, fenoxaprop, haloxifop, quizalofop e setoxidim;
  • diclosulam, imazapir, imazetapir;
  • glyphosate;
  • glufosinate;
  • s-metolachlor;
  • trifluralina;
  • flumioxazin + imazetapir.

Também, na 37ª Reunião de Pesquisa de Soja (RPS 2019) foi estudado o controle de capim-amargoso em soja e os pesquisados obtiveram bons controles com os herbicidas em pré-emergência:

  • diclosulam (29,4 g i.a. ha-1);
  • trifluralina (1.200 g i.a. ha-1);
  • trifluralina + imazetapir (1.200 + 160 g i.a. ha-1);
  • s-metolacloro (1.440 g i.a. ha-1).

Para plantas perenizadas ou em áreas de elevada infestação de amargoso, o produtor tem que lembrar que serão necessárias três aplicações sequenciais de herbicidas ou, ainda, uma roçada e duas aplicações.

Na hora da escolha dos produtos, o ideal é usar o glyphosate junto com outros herbicidas. Por exemplo:

1° aplicação: glifosato + graminicida;

2° aplicação (rebrota): produto com ação de contato;

3° aplicação: não usar o mesmo graminicida da primeira aplicação.

Outra planta daninha que está trazendo preocupações aos agricultores é o capim-pé-de-galinha.

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

O capim-pé-de-galinha, também conhecido por capim-do-pomar ou pé-de-galinha, é uma planta anual ou perene, que forma touceiras e tem reprodução por sementes.

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)

Entre os herbicidas registrados para o controle de capim-pé-de-galinha em soja temos:

  • graminicidas: cletodim, fenoxaprop, haloxifop, quizalofop e setoxidim, fluazifop, propaquizafop, tepraloxidim;
  • metribuzin;
  • sulfentrazone
  • glyphosate;
  • glufosinate;
  • s-metolachlor;
  • trifluralina;
  • carfentrazone + clomazone;
  • clomazone;
  • glyphosate + imazethapyr;
  • glyphosate + s-metolachlor.

Agora sobre as folhas largas, podemos citar as espécies de plantas daninhas da soja: carurus, o leiteiro e a buva que veremos a seguir.

Amendoim-bravo ou leiteira (Euphorbia heterophylla)

Também conhecida por flor-dos-poetas e café-do-diabo, essa planta pertence à família Euphorbiaceae.

É uma planta de ciclo anual, ereta, pouco ramificada, lactescente e com reprodução por sementes.

plantas daninhas da soja

Leiteiro (Euphorbia heterophylla)

O leiteiro possui algumas características que lhe garantem sucesso como: 

  • viabilidade longa das sementes, permanecendo mais tempo viáveis no solo;
  • germinação em maiores profundidades;
  • rápido crescimento vegetativo.

Antes da soja tolerante ao glyphosate, o leiteiro era uma das principais plantas daninhas na cultura da soja.

Os principais herbicidas utilizados para o controle eram os inibidores da ALS, mas em 1993, o primeiro caso de resistência foi relatado com os herbicidas chlorimuron, cloransulam, imazamox, imazaquin e imazethapyr.

Isso dificultou o manejo, que após a aprovação da soja tolerante a glyphosate, foi facilitado novamente, até que na safra 2018/19 foi verificado biótipos de leiteiro resistentes ao glyphosate

Por isso, dentre os herbicidas registrados hoje para o controle de leiteiro em soja temos:

  • 2,4-D;
  • acifluorfen + bentazon;
  • chlorimuron;
  • dicamba;
  • diclosulam;
  • diquat;
  • fluazifop + fomesafen;
  • sulfentrazone;
  • saflufenacil;
  • lactofen;
  • imazethapyr;
  • imazaquin;
  • imazamox;
  • glufosinate;
  • glyphosate + imazethapyr.

Estudos realizados por Ramires et al. (2010) demonstram a associação de herbicidas no controle de leiteiro com uma a três folhas, obtendo controle acima de 90% quando associado glyphosate com cloransulam, flumiclorac, chlorimuron, imazethapyr, bentazon, fomesafen ou lactofen.

Buva (Conyza sumatrensis, C. bonariensis e C. canadensis)

A buva, também conhecida por voadeira, pertence à família Asteraceae

São espécies anuais, herbáceas, eretas, com reprodução por sementes, que se não controladas até o final de seu desenvolvimento podem produzir até 350 mil sementes.

Por conta das sementes de buva serem leves, sua dispersão ocorre principalmente pelo vento, além de permanecerem viáveis por longos períodos no solo.

Além disso, plantas de buva no final do ciclo da cultura podem servir de hospedeiras de doenças e pragas.

Plantas de buva (Conyza spp.)

Plantas de buva (Conyza spp.)

Entre os herbicidas registrados para o controle de buva temos:

  • C. sumatrensis: 2,4-D, chlorimuron e diclosulam;
  • Imazethapyr, glyphosate e saflufenacil: C. canadensis;
  • C. bonariensis: 2,4-D, sulfentrazone, saflufenacil, diclosulam, dicamba, diquat, chlorimuron, flumioxazin, imazapyr, glufosinate e glyphosate.

Trapoeraba (Commelina benghalensis)

A trapoeraba tem maior incidência na soja no período final do ciclo da cultura. Embora pareça uma folha larga, ela é classificada como folha estreita devido às suas características morfológicas e fisiológicas.

Assim, a falta de controle durante o ciclo da soja pode prejudicar a próxima cultura. 

Esta espécie é uma planta complexa, pois possui produção de sementes aéreas e subterrâneas, além de ser tolerante ao herbicida glyphosate.

plantas daninhas da soja

Trapoeraba

Entre os herbicidas utilizados para o manejo da trapoeraba estão: 2,4-D, glufosinate, chlorimuron, sulfentrazone, glyphosate + imazethapyr, dicamba, clomazone, carfentrazone, lactofen, imazethapyr, s-metolachlor, fomesafen e flumioxazin.

Lembrando que a seletividade à cultura da soja deve ser consultada na bula de cada produto.

Plantas daninhas da soja: Caruru

Diversas espécies de caruru podem infestar as lavouras de soja, entre elas temos:

  • caruru-rasteiro (Amaranthus deflexus);
  • caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus);
  • caruru (Amaranthus hybridus var. patulus);
  • caruru-gigante (Amaranthus retroflexus);
  • caruru-de-espinho (Amaranthus spinosus);
  • caruru-de-mancha (Amaranthus viridis).
plantas daninhas da soja caruru

Caruru (Amaranthus hybridus var. patulus), caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus) e caruru-de-mancha (Amaranthus viridis)

Hoje, o uso dos herbicidas em pré-emergência é uma ferramenta fundamental no manejo de plantas daninhas.

Plantas daninhas da soja: herbicidas em pré-emergência

Podemos citar diversas vantagens no uso de herbicidas em pré-emergência como: 

  • Aumento do período anterior à interferência (PAI);
  • Redução do banco de sementes (propágulos) do solo;
  • Rotação dos mecanismos de ação dos herbicidas, pois muitos possuem mecanismo de ação diferente dos herbicidas utilizados em pós-emergência;
  • Além de proporcionar vantagem competitiva para as plantas cultivadas.

Como vimos ao longo do texto, sempre há um herbicida recomendado em pré-emergência para o controle de plantas daninhas.

Em resumo, para a soja temos registrados os herbicidas: 

  • Diclosulam: possui ação residual, ótimo controle de folhas largas, como a buva, e também algumas gramíneas como o capim-amargoso;
  • Clomazone: possui ação residual, utilizado no sistema de aplique-plante, além de bom controle de gramíneas de sementes pequenas como capim-colchão e capim-pé-de-galinha;
  • Flumioxazin: possui ação residual, pode ser usado no sistema aplique-plante da soja e também é utilizado no controle de plantas daninhas de folhas largas e algumas gramíneas;
  • S-metolachlor: possui ação residual, usado para o controle de plantas daninhas gramíneas de sementes pequenas como capim-pé-de-galinha e capim-amargoso;
  • Sulfentrazone: possui ação residual sobre plantas daninhas de folhas largas, algumas gramíneas e tiririca;
  • Trifluralin: possui ação residual com controle de plantas daninhas de semente pequena, como o capim-amargoso e o capim-pé-de-galinha.

Conclusão

Neste texto, vimos algumas espécies de plantas daninhas que podem prejudicar a lavoura de soja como caruru, trapoeraba, capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e buva.

Vimos também os herbicidas registrados para o controle e a importância do uso dos pré-emergentes.

Lembrando que os herbicidas registrados podem ou não serem seletivos para a soja, assim é necessário buscar sempre a bula para posicionar corretamente os produtos.

O que achou do texto? Como você lida com as plantas daninhas da soja? Deixe seu comentário abaixo. 

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