Fertilizantes para plantas: como tirar o máximo proveito para melhorar a produtividade da lavoura e economizar dinheiro.
Dentre os principais desafios diários nas lavouras estão o uso correto de fertilizantes.
Os fertilizantes representam uma grande porcentagem dos gastos com a condução da lavoura.
Por isso, usá-los corretamente e na quantidade adequada é essencial para obter alta produtividade, sem utilizar mais produto do que é necessário.
Neste texto, separamos para você algumas dicas na hora da escolha do fertilizante para ajudá-lo nesta tomada de decisão.
Índice do Conteúdo
- 1 O que é um fertilizante para plantas?
- 2 Como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes para plantas
- 3 Como definir qual e quanto fertilizante usar na minha lavoura?
- 4 Desafios dos fertilizantes para plantas hoje e para os próximos anos
- 5 Metodologia 4R: a metodologia global para melhor uso de fertilizantes
- 6 Tipos de fertilizantes para plantas disponíveis no mercado
- 7 Como aplicar os fertilizantes na lavoura?
- 8 Conclusão
O que é um fertilizante para plantas?
O fertilizante é simplesmente um material adicionado aos solos ou com aplicação direta nos tecidos vegetais que contém nutrientes essenciais para o crescimento e saúde da planta.
Podemos dividir os nutrientes essenciais para as plantas em:
- macronutrientes primários: fósforo (P), nitrogênio (N) e potássio (K);
- macronutrientes secundários: cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S);
- micronutrientes: boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), zinco (Zn), cloro (Cl), cobalto (Co) e níquel (Ni).
Esses elementos básicos geralmente estão na forma de compostos químicos que podem ser convertidos pela planta para acessar os elementos necessários.
Por exemplo, as plantas requerem nitrogênio, mas usam esse nutriente na forma de compostos maiores, como amônia (NH4) ou nitrato (NO3-).
Os solos contêm naturalmente esses compostos químicos necessários, mas muitas vezes há uma relação desequilibrada.
Além de que, com a colheita dos grãos, folhas e o que mais for de interesse econômico, retiramos de forma indireta os nutrientes do solo, já que eles foram utilizados para compor esses materiais.
Os fertilizantes são insumos que usamos para repor as quantidades e equilibrar as proporções destes compostos químicos essenciais.
Como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes para plantas
O rendimento das culturas depende de muitos fatores como: propriedades do solo, irrigação, genética, clima, práticas culturais, controle de pragas e doenças e, claro, a aplicação de fertilizantes.
Pesquisas mostram que os fertilizantes respondem por 30% a 70% do rendimento. Essa contribuição significativa explica por que muitos agricultores acreditam que, se aplicarem mais fertilizantes, obteriam maiores rendimentos.
No entanto, este não é o caso! A relação entre as taxas de aplicação de fertilizantes e o rendimento potencial é esquematicamente descrita na seguinte curva:

Resposta das culturas à aplicação de fertilizantes: a partir de uma determinada taxa de aplicação vemos sintomas do chamado “consumo de luxo”, quando é consumido o nutriente, mas não traduzido na produção (faixa C). Após isso, temos toxidez da planta por excesso do nutriente (faixa D), com redução da produção.
(Fonte: Smart Fertilizer)
Quando nenhum fertilizante é aplicado, o rendimento é mínimo. Inicialmente, o rendimento aumenta à medida em que a taxa de aplicação do fertilizante aumenta, até atingir o rendimento.
Deste ponto em diante, qualquer adição de fertilizante extra não aumenta o rendimento.
Quando as taxas de aplicação de fertilizantes são muito altas, ocorrem danos por salinidade e toxicidades específicas de nutrientes, ocorrendo declínio do rendimento.
Por isso, adubar mais não é sinônimo de maior produtividade.
A mesma cultura exigirá diferentes taxas de aplicação de fertilizantes em diferentes locais e tempos diferentes. O rendimento máximo potencial pode mudar de ano para ano devido às condições climáticas.
Portanto, para obter o melhor resultado, você deve ser capaz de planejar um programa de fertilizantes específico para sua área.

Como definir qual e quanto fertilizante usar na minha lavoura?
O primeiro passo é fazer a análise de solo para ajustar o uso de fertilizante de acordo com as condições específicas da sua fazenda.
O segundo passo é entendermos que a curva de resposta mostra como as taxas de aplicação de fertilizantes afetam o rendimento da safra.
Além disso, devemos lembrar que a taxa de aplicação específica de cada nutriente individualmente também interfere.
De acordo com a Lei do Mínimo de Liebig, o rendimento da colheita é determinado pelo fator mais limitante no campo. Isto implica que, se apenas um nutriente é deficiente, o rendimento será limitado, mesmo se todos os outros nutrientes estiverem disponíveis em quantidades adequadas.
Por isso, as análises de solo são tão importantes no seu programa de adubação.
Para ser lucrativo, é muito importante que você defina uma meta de rendimento que seja realista e viável.
Outro fator de lucratividade é você usar as ferramentas e práticas corretas para atingir essa meta. Saiba também qual é o seu rendimento econômico ideal.
Você pode determinar o rendimento econômico ótimo calculando a diferença entre os custos dos fertilizantes e os retornos obtidos com o rendimento.
O aumento das taxas de aplicação de fertilizantes para obter mais produção pode até resultar em perda. As taxas de aplicação de fertilizantes para o rendimento econômico ótimo são as taxas que resultam no lucro máximo.
Desafios dos fertilizantes para plantas hoje e para os próximos anos
Albin Hubscher, presidente e CEO do International Fertilizer Development Center, concedeu uma entrevista muito interessante sobre esse tema, a qual vou trazer as principais ideias aqui.
Com a população global crescendo rapidamente, devemos dobrar ou triplicar nossa produção de alimentos nas próximas duas décadas para evitar uma crise mundial de alimentos.
E devemos fazê-lo em face de eventos climáticos extremos, desmatamento contínuo, desertificação rápida e poluição generalizada.
Enfrentar este desafio exigirá uma inovação tecnológica determinada e novas pesquisas sobre soluções antigas, “testadas e comprovadas”.
Embora admitam que estão longe de serem “novos”, os fertilizantes são uma contribuição necessária para fechar a lacuna de rendimento dos agricultores e produzir mais alimentos em todo o mundo.
Mas não é suficiente aplicar os mesmos tipos de fertilizantes no mesmo solo usando as mesmas práticas.
Devemos continuar a praticar o uso responsável e criterioso de fertilizantes, sendo específico ao local e à cultura, e sempre pensando na metodologia 4R.
E continuando a educação adequada e recomendações informadas sobre as melhores práticas para pequenos agricultores.
Por isso, precisamos melhorar a fertilidade do solo e a tecnologia de nutrição de plantas, desde testes de laboratório até testes de produção de plantas no campo.
Lembre-se que as culturas, como os seres humanos, precisam de uma gama completa de nutrientes para um crescimento saudável.
Assim, plantar em solo saudável, cheio de nutrientes, é fundamental para produzir quantidades maiores de alimentos saudáveis.
Metodologia 4R: a metodologia global para melhor uso de fertilizantes
A metodologia 4R é usada em todo o mundo para a utilização melhor dos fertilizantes, inclusive como forma de preservação do solo e do ambiente como todo.
Os “Rs” são provenientes dos nomes em inglês: right source, right rate, right time, right place. Traduzindo: fonte certa, tempo certo, taxa certa e lugar certo. Por isso, em algumas literaturas brasileiras pode ser conhecido como os 4Cs.

(Fonte: Crop Nutrition)
Embora as práticas científicas que regem os 4R sejam universais, a implementação prática é específica do local.
Portanto, não há um plano de gerenciamento comum ou um conjunto de práticas que funcionem para todos em todos os locais.
Abaixo vamos apresentar os 4R:
1. Fonte certa
Garantir um fornecimento equilibrado de nutrientes essenciais, considerando tanto as fontes disponíveis naturalmente quanto as características de produtos específicos em formas disponíveis para plantas.
Especificamente, considere o suprimento de nutrientes nas formas disponíveis para as plantas. Assegure-se de que os nutrientes se ajustem às propriedades do solo e reconheça as sinergias entre os elementos.
2. Taxa certa
Avaliar e tomar decisões com base no suprimento de nutrientes do solo e na demanda de plantas.
Assim, avalie adequadamente o suprimento de nutrientes do solo (inclusive de fontes orgânicas e os níveis de solo existentes); avalie a demanda de plantas e preveja a eficiência do uso de fertilizantes.

Marcha de absorção de macronutrientes para soja. É importante saber a marcha de absorção de cada nutriente para cada cultura para entender a taxa e o tempo certo de aplicação
(Fonte: Embrapa)
3. Tempo certo
Avaliar e tomar decisões com base na dinâmica de absorção das culturas, fornecimento de solo, riscos de perda de nutrientes e logística de operação de campo.
Conheça o tempo de absorção das culturas, avalie a dinâmica da oferta de nutrientes do solo, reconheça os fatores climáticos e considere a logística.
4. Lugar certo
Abordar a dinâmica raiz-solo e o movimento de nutrientes, gerenciar a variabilidade espacial dentro do campo para atender às necessidades de culturas específicas do local e limitar as perdas potenciais do campo.
Dessa maneira, reconheça a dinâmica da raiz/solo, gerenciando problemas de variabilidade espacial e considerando o sistema de plantio direto para limitar o potencial de transporte desses nutrientes para fora da área (erosão, lixiviação, etc.).
Nesse sentido, entenda que o lugar certo é também preparar seu solo para receber os fertilizantes. E não estou aqui falando do preparo convencional de solo, mas sim de práticas como plantio direto e adubação verde.
Essas práticas fazem com que seu solo tenha melhor estrutura e possa fornecer mais nutrientes a sua cultura.
Para entender mais sobre este assunto, trouxemos para você os tipos de fertilizantes para que você possa escolher aquele que melhor atenda às necessidades da sua lavoura.
Tipos de fertilizantes para plantas disponíveis no mercado
De acordo com a legislação brasileira, os fertilizantes podem podem ser classificados em 3 tipos:
- fertilizantes minerais ou sintéticos (inorgânicos);
- fertilizantes orgânicos;
- adubos organominerais.
Fertilizantes minerais ou sintéticos
Fertilizantes minerais ou sintéticos, também conhecidos como inorgânicos, são os mais utilizados na agricultura, pois são concentrados e de rápida assimilação pelas plantas.
Assim, são usados com o objetivo de disponibilizar prontamente os nutrientes para as plantas.
Os fertilizantes minerais podem ser fornecidos para as plantas como um único nutriente ou fornecidos de forma conjunta, como o adubo mineral NPK.
O adubo NPK 4-14-8, por exemplo, fornece 4% de nitrogênio (N), 14% de fósforo (P) e 8% de potássio (K).
Os fertilizantes são ainda classificados de acordo com a sua composição química em:
- nitrogenados: ricos em nitrogênio (exemplo: ureia e sulfato de amônio);
- potássicos: ricos em potássio (ex.: cloreto de potássio e sulfato de potássio);
- fosfatados: ricos em fósforo (ex.: superfosfato simples e superfosfato triplo);
- mistos: contêm mais de um nutriente;
- corretivos: calcários usados para a correção da acidez do solo.
Fertilizantes orgânicos
Os fertilizantes orgânicos são de origem animal ou vegetal (ou ambos), com concentrações menores de nutrientes necessários à planta.
O objetivo desse tipo de adubo é promover o aumento da matéria orgânica, influenciando na fertilidade do solo a longo prazo.
Alguns exemplos são: esterco bovino, esterco de aves, esterco de suínos, esterco de equinos, esterco de ovinos, torta de filtro, vinhaça e adubos verdes.
Os fertilizantes orgânicos podem ser classificados em:
- simples: obtidos a partir de matéria vegetal e/ou animal;
- mistos: mistura de 2 ou mais fertilizantes orgânicos simples;
- compostos: são feitos de material orgânico obtidos por meio de processos químicos, físicos ou bioquímicos;
- organominerais: mistura de fertilizantes orgânicos e minerais.
Os fertilizantes também são divididos de acordo com a sua constituição em:
- simples (fornece um ou mais nutrientes);
- mistura (mistura de dois ou mais fertilizantes simples).
O fertilizante misturado pode ser simples, onde cada nutriente principal está contido em grãos separados, ou pode ser complexo, no qual estão todos os nutrientes de sua fórmula no mesmo grão.

(Fonte: Fertilizantes Heringer)
Como aplicar os fertilizantes na lavoura?
Os fertilizantes podem ser aplicados na lavoura via solo, irrigação (fertirrigação) ou pulverização (adubação foliar).
A aplicação via solo é realizada na semeadura e na adubação de cobertura. Durante a semeadura, o fertilizante é aplicado ao solo junto com o plantio. Em muitas culturas e, também de acordo com o solo e a quantidade de adubo necessária, é preciso realizar uma adubação de cobertura, que é geralmente feita a lanço.
Já a fertirrigação é feita com a aplicação de fertilizantes pela irrigação, aplicando os fertilizantes de forma líquida.
E a aplicação por pulverização, chamada também de adubação foliar, é feita a partir da diluição do fertilizante em água e a calda é aplicada com pulverizadores.
A escolha de qual modo de aplicação do fertilizante utilizar depende de fatores como:
- tipo de solo;
- condições climáticas;
- espécie cultivada;
- estádio de desenvolvimento da cultura.
A aplicação na semeadura é ideal para fertilizantes químicos e granulados.
Já aplicação a lanço é ideal para fertilizantes químicos e granulados, orgânicos, produtos para a correção do solo, como calcário e gesso agrícola.
A aplicação por irrigação é feita para fertilizantes líquidos e é realizada junto à irrigação da lavoura.
E a aplicação por pulverização é recomendada para os fertilizantes foliares.

Conclusão
O crescimento das plantas depende de nutrientes que, como vimos, são divididos em macronutrientes primários, secundários e micronutrientes.
Os solos contêm os compostos que as plantas precisam, mas é preciso repô-los e equilibrar as proporções. Para isso, os fertilizantes devem ser aplicados.
Neste artigo, vimos como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes na lavoura, considerando que mais produto não é sinônimo de mais produtividade.
Para obter o melhor resultado, é preciso planejar um programa de fertilizantes específico para sua área! Lembre-se: não existe produto milagroso!
Espero que com todas essas informações, você consiga garantir ganhos não só em produção, mas também com economia de dinheiro.
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Atualizado em 20 de julho de 2020 por Ana Lígia Giraldeli
Engenheira agrônoma e mestra em agricultura e ambiente (UFSCar), doutora em fitotecnia (USP/Esalq) e especialista em agronegócios. Atualmente professora da UNIFEOB.
Parabéns pelo artigo!Muito bom,
boa informacao, muito interessante para min, portanto so tenho que agrades¡cer.
J. Bruna, parabens pelo artigo, muito proveitoso, completo, inteligente e feito com uma boa dose de amor, parabens. estou entrando no ramo do agronegócio, e estou “devorando” todas as informações possíveis. Vou deixar o Norte e migrar para o Centro ou Sul, onde tem mais oportunidades. Pretendo trabalhar com vendas de produtos agropecuários. Aproveito o ensejo para mostrar minha disponibilidade caso surja uma oportunidade de trabalho.
Muito obrigado
silviobulhoes1957@gmail.com (91)991895271 zap
Olá, Silvio
Sou da comunicação da Aegro.
Adoramos o seu comentário, agradecemos muito o seu feedback e desejamos sucesso em sua carreira.
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Continue nos acompanhando, abraço!
Parabéns pela matéria.