Níquel nas plantas: veja o que é, quais são as funções, como identificar sintomas de deficiência e toxidez e mais!
Os micronutrientes são elementos essenciais para as plantas. Entretanto, eles são exigidos em pequenas quantidades.
O níquel é um exemplo de micronutriente que, quando não fornecido na dosagem necessária, compromete o crescimento e a produtividade das plantas. Além disso, esse elemento tem relação direta com o processo de fixação biológica do nitrogênio.
Por ser um elemento importante, você precisa estar por dentro dos sintomas de deficiência e de toxidez na sua cultura. Assim, você garante boa produtividade da sua lavoura e consegue acertar na adubação com níquel.
Neste artigo, saiba a importância do níquel nas plantas e no solo, além de entender mais sobre a função desse micronutriente. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
O que é o níquel nas plantas?
O níquel é um metal pesado e também um micronutriente das plantas. Até pouco tempo, ele não era considerado um nutriente essencial. Ele foi o último a integrar o grupo dos micronutrientes, junto do cloro, manganês, boro, zinco, ferro, cobre e molibdênio.
Em leguminosas, ele é fundamental para o processo de fixação biológica de nitrogênio. O níquel atende aos critérios direto e indireto da essencialidade dos nutrientes. No critério direto, ele é constituinte estrutural de algumas enzimas, dentre elas a urease e a hidrogenase.
No critério indireto, por sua vez, ele não pode ser substituído por nenhum outro nutriente. Na ausência do níquel, as plantas não completam o ciclo de vida.
O níquel é absorvido pelas raízes via difusão passiva e transporte ativo. Nas plantas, este elemento apresenta alta mobilidade. Durante a fase de senescência de plantas de soja, até 70% do níquel presente nas folhas pode se deslocar para os grãos.
A concentração desse micronutriente varia ao longo do ciclo da planta e de acordo com o tecido vegetal. O níquel pode ser encontrado em todos os tecidos vegetais. Apesar disso, o acúmulo desse elemento é maior nos grãos, nas folhas e nas partes jovens.
Confira a seguir quais são os sintomas de deficiência e toxidez causados pelo níquel na soja e nas demais culturas agrícolas.

Sintomas de deficiência de níquel na soja e em outras culturas
Em campo, os sintomas envolvendo a deficiência de níquel não são comuns. Um dos sintomas é conhecido como “orelha de rato”, já que a ponta das folhas apresenta manchas escuras e formato arredondado, semelhante à orelha do animal.
Essa expressão foi utilizada pela primeira vez para descrever sintomas severos de deficiência de níquel em folhas jovens de nogueira-pecã. Os principais sintomas visuais da deficiência de níquel na soja e nas demais plantas são:
- clorose;
- redução do tamanho das folhas;
- alteração no formato das folhas;
- região verde-escura na ponta das folhas;
- necrose na região apical das folhas;
- curvatura e enrugamento das folhas;
- crescimento anormal das plantas.
É importante deixar claro que a clorose foliar não é uma característica confiável para avaliar a deficiência de níquel na soja e em demais culturas. A carência de outros nutrientes também causa clorose.
Em plantas de soja, a carência de níquel causa sintomas de queima e necrose na ponta das folhas. Como esse elemento é constituinte da enzima urease, a deficiência de níquel impede a ação dessa enzima. Isso causa o acúmulo em concentrações tóxicas de uréia nas folhas.
Sintomas de toxidez do nutriente nas plantas
As plantas toleram níveis diferentes de níquel no solo. Ou seja, a toxicidade varia de acordo com a espécie vegetal. Existem plantas sensíveis, moderadamente tolerantes e hiperacumuladoras desse micronutriente.
É comum que os sintomas de toxidez por níquel sejam confundidos com a deficiência de manganês ou ferro. Os principais sintomas de toxidez por níquel são clorose nas folhas e redução do crescimento das raízes e da parte aérea.
A clorose ocorre em função da menor absorção de ferro pela planta. O excesso de níquel na soja e em outras culturas também pode provocar a deficiência de zinco. Em casos severos, pode ocorrer a deformação de várias partes da planta e manchas foliares.

(Fonte: Rodak, 2014)
Função desse micronutriente no solo
O níquel é um elemento encontrado naturalmente nos solos. No entanto, a concentração depende da composição do material de origem e da intensidade da atividade agrícola. Solos formados a partir de rochas ígneas apresentam elevada concentração total de níquel.
Isso acontece principalmente em rochas máficas e ultramáficas ricas em minerais do grupo serpentina. Contudo, nem todo níquel presente no solo encontra-se disponível para as plantas. A disponibilidade desse nutriente depende das características de cada solo.
Dentre as características que influenciam na disponibilidade do níquel para as plantas, há:
- pH (potencial hidrogeniônico);
- CTC do solo (capacidade de troca catiônica);
- teor de matéria orgânica;
- classe textural;
- composição das argilas;
- teores de óxidos de ferro e manganês;
- competição pelos sítios de adsorção;
- atividade microbiana.
O pH do solo é o fator que mais interfere no comportamento do níquel. Quanto maior o pH, menor é a disponibilidade do níquel para as plantas. Em solos com pH menor que 5,5 e pouca matéria orgânica, a disponibilidade de níquel é maior.
A distribuição do níquel no solo também está relacionada à textura, ou seja, ao tamanho das partículas. As partículas de solo mais finas têm maiores cargas negativas e também maior superfície específica. Por isso, essas partículas têm maiores concentrações de níquel.
Função desse micronutriente nas plantas
O níquel é um micronutriente que tem importante papel no metabolismo das plantas. Em resumo, sua função nas culturas dizem respeito à:
- produção de etileno;
- germinação das sementes;
- resistência à doenças;
- metabolismo de aminoácidos e ácidos orgânicos;
- componente estrutural de enzimas;
- conservação pós-colheita de frutos.
Várias enzimas são dependentes desse elemento, dentre elas a urease. A urease é responsável por transformar a uréia em amônia e gás carbônico, sendo essencial para o metabolismo do nitrogênio.
Na cultura da soja e em outras leguminosas, o níquel está envolvido na fixação biológica do nitrogênio. Ele é constituinte da enzima hidrogenase que atua nesse processo.
Desse modo, a deficiência de níquel limita a atividade dessa enzima e interfere na fixação simbiótica do nitrogênio. Isso quer dizer que o fornecimento adequado de níquel favorece a nodulação em espécies leguminosas e a produção de grãos.
O níquel também tem efeito no controle de doenças. Esse micronutriente atua na síntese de fitoalexinas, que são compostos produzidos pelas plantas em resposta a algum tipo de estresse. Isso contribui para o aumento da resistência das plantas ao ataque de patógenos.
Como fazer adubação com níquel?
Apesar da grande importância do níquel na soja e nas demais plantas, ainda não há recomendações oficiais para a utilização desse elemento em programas de fertilização.
Além disso, são escassas as informações quanto à melhor forma de aplicação desse micronutriente. A exigência de níquel pelas plantas é a mesma que a de molibdênio e cobalto, cerca de 0,05 mg/kg de massa seca.
Confira abaixo as principais fontes utilizadas para aplicação de níquel nas lavouras:
- cloreto de níquel;
- nitrato de níquel;
- sulfato de níquel;
- carbonato de níquel;
- quelatos de níquel;
- silicato de níquel.
O lodo de esgoto é um resíduo urbano utilizado na agricultura. Ele apresenta elevada quantidade de níquel. Além disso, o calcário e os adubos fosfatados também são insumos que podem conter níquel.

Conclusão
O níquel é um importante micronutriente para as plantas. O suprimento inadequado desse elemento impacta diretamente no desenvolvimento das culturas. Diversos fatores interferem na disponibilidade do níquel, como pH do solo e CTC.
Em leguminosas, o níquel favorece a fixação biológica do nitrogênio. Além disso, o níquel promove mudanças na fisiologia das plantas que aumentam a resistência à doenças.
Apesar da grande relevância desse elemento para as diferentes culturas, ainda são escassas as informações quanto às recomendações de adubação com níquel. Por isso, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) se tiver dúvidas.
Você sabia da importância do níquel nas plantas? Tem alguma dúvida sobre isso? Adoraria ler seu comentário abaixo.
Sou adepto ao níquel.
Penso que o selenio tbem vai se tornar essencial e ou pelo menos benéfico…..