Florada do café: cuide bem das flores e colha bons frutos

Florada do café: os principais cuidados nesta etapa, como controle de doenças, irrigação e outros para garantir melhor produção na próxima safra.

“Meu cafezal em flor, quanta flor, meu cafezal…” Imortalizada na música de Cascatinha e Inhana, a florada do café é mesmo um momento sublime!

As flores brancas e perfumadas embelezam o campo e nos dão esperança de uma colheita farta.

Mas, como diz o ditado, “nem tudo são flores”. Muitos são os cuidados que o produtor deve ter para garantir que a florada do café venha a dar bons frutos. Confira comigo no artigo!

A florada do café

A florada do café é resultado de uma série de processos que acontecem na planta e também da interação com fatores ambientais.

Nas axilas foliares dos ramos plagiotrópicos do cafeeiro existem gemas seriadas vegetativas que, com o estímulo ambiental adequado, são evocadas a se tornarem reprodutivas.

Isso ocorre a partir de janeiro e se intensifica com a chegada do outono. Quando maduras, as gemas reprodutivas entram em dormência, permanecendo nesse estado até que as primeiras chuvas cheguem.

florada do café
Escala fenológica do cafeeiro no momento da floração. O auge da florada dura três dias
(Fonte: Pezzopane et. al., 2003)

Com as águas, as gemas se hidratam, os botões florais crescem e, cerca de 11 dias depois, temos a abertura floral propriamente dita. 

Em anos normais, a florada do café arábica geralmente ocorre entre setembro e novembro.

Mas engana-se aquele que pensa que o manejo visando a florada começa só aí. Ele deve começar muito antes, de forma preventiva. Vamos falar sobre a importância desse manejo a seguir.

Cuidados com a florada do café

A época da florada é crítica para a determinação do potencial produtivo da lavoura de café. De modo geral, quanto mais nós nos ramos, maior quantidade de flores pode surgir. E, quanto mais flores, mais frutos podemos produzir.

É lógico que até a colheita muita coisa pode acontecer, mas o potencial produtivo é definido assim, simplificadamente.

florada do café
Ramo plagiotrópico de café. Quanto mais nós nos ramos, maior quantidade de flores que darão origem aos frutos
(Fonte: Pinterest)

Mas calma, nem tudo que reluz é ouro…

Embora a florada seja muito bela, deixando a lavoura toda branca, “nevada”,  sabemos que nem sempre é um bom sinal quando as flores ficam muito visíveis.

Isso porque flores muito à mostra indicam que as plantas estão pouco enfolhadas. 

Se temos poucas folhas, temos menor área fotossintética na planta e, portanto, menos suprimento aos grãos. No fim das contas, o pegamento daquelas flores que estão aparecendo não será tão alto e a produção de café será menor. Fique atento!

Principais doenças da florada

As duas principais doenças da florada do café são a mancha-de-phoma, causada por fungos do gênero Phoma; e a mancha-aureolada, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. Garcae. 

mancha-de-phoma
Mancha-de-Phoma
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)
mancha-aureolada
Mancha-aureolada 
(Fonte: CN Café)

São vários órgãos atacados e sintomas distintos, como podemos ver nas figuras acima. 

Ambas doenças podem impactar diretamente na produção, pois causam a morte ascendente dos ramos produtivos (die-back) e a mumificação dos chumbinho no pós-florada. 

chumbinhos
Mumificação dos chumbinhos 
(Fonte: Vicente Luiz de Carvalho/Epamig)

Elas são favorecidas por temperaturas amenas e alta umidade. Portanto, regiões mais altas e amenas, terão mais problemas.

Formas de controle

Geralmente é utilizado o controle químico para essas duas doenças.

Em áreas onde as condições são favoráveis para o desenvolvimento dessas doenças, o controle deve visar a pré-florada, iniciando já no outono-inverno, de forma preventiva.

Como o cafeeiro pode apresentar várias floradas, esse controle deve seguir até a fase de chumbinho para uma boa proteção no pós-florada.

Qual produto utilizar?

No caso da Phoma, o ingrediente ativo mais utilizado é a Boscalida (Cantus) na dose de 150 g do produto por hectare. 

Com a presença da mancha-aureolada, recomenda-se adicionar cobre na mistura a 0,3%, realizando assim o controle simultâneo das duas doenças.

Não é raro que existam focos de ferrugem (Hemileia vastatrix) já ocorrendo na lavoura durante a florada. Assim, se faz necessário utilizar outros fungicidas, geralmente misturas de estrobilurinas, triazóis e/ou carboxamidas. 

Como aplicar?

Vale lembrar que a frequência de aplicações depende de monitoramento, do residual do fungicida e das condições de cada lavoura, utilizando um volume mínimo de calda de 400 L para  aplicação.

As aplicações devem visar a pré-florada, para atingir os botões florais e o pós-florada, quando as pétalas já caíram, a fim de proteger os chumbinhos que virão.

Devemos evitar a aplicação com as flores presentes, pois as pétalas impedem que o fungicida atinja o alvo adequadamente.

Considerações sobre a adubação na florada do café

O cafeeiro deve estar equilibrado nutricionalmente, sem exageros e desequilíbrios entre N (nitrogênio) e K (potássio). Só esse cuidado já reduz a incidência de várias doenças, por exemplo.

Além disso, a fase reprodutiva, mais especificamente a frutificação, exige atenção especial quanto à nutrição, pois é a fase de maior demanda do cafeeiro.

Os nutrientes devem estar à disposição do cafeeiro quando o mesmo entrar nessa fase.

Quando adubar?

Com a chegada das águas, começa a florada do café, o que marca o início da fase reprodutiva propriamente dita.

Portanto, o momento ideal de adubação para café é anterior à florada, quando temos a expectativa da chegada das águas. Em outras palavras: o adubo deve estar esperando as chuvas no campo! Assim, o fertilizante terá melhor aproveitamento pela planta, atendendo o momento de maior demanda desde o início.

Uniformizando a florada do café: o controle de irrigação

A abertura e uniformidade da florada, o pegamento e a boa frutificação são totalmente dependentes de água. 

É também na fase reprodutiva que temos a maior demanda do cafeeiro por água (evapotranspiração).

Em lavouras irrigadas, onde há o controle fino sobre a quantidade de água aplicada, temos oportunidade de interferir nisso, visando maior potencial produtivo e uniformidade da florada.

A ideia é diminuir ou suspender a irrigação nos meses de inverno, a fim de uniformizar a maturação das gemas florais. Após esse período, retornamos com a irrigação, mantendo-a durante a frutificação.

Com isso, “forçamos” a planta à abertura floral uniforme, evitando vários fluxos de floração por conta de chuvas espalhadas.  

É lógico, podem ocorrer chuvas que interfiram nesse processo, mas o controle da irrigação pode, sim, trazer bons resultados.

Com a continuidade da irrigação, garantimos um melhor pegamento e enchimento de grãos de café também.

Assim, os produtores de café irrigado têm a oportunidade de conseguir um café de mais qualidade e uniforme, com o mesmo custo de produção, apenas regulando a irrigação. 

>> Leia mais: “Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle

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Conclusão

Pudemos conferir no artigo como é importante o cuidado com o cafezal em flor.

Mesmo antes das flores aparecerem, o produtor deve estar atento e atuar preventivamente, principalmente em áreas que favoreçam a incidência de doenças como phoma e mancha-aureolada.

A irrigação e adubação podem ser diferenciadas na época da florada, sempre visando a obtenção de melhores colheitas e eficiência.

Com um bom manejo na florada do café, a possibilidade de se ter uma lavoura saudável e produtiva são maiores. Fique sempre atento!

>> Leia mais:

Poda do cafezal: Como fazer para aumentar sua produção

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

Todas as recomendações para o melhor plantio do café

E você, que cuidados toma na florada do café? Conte para a gente nos comentários. Grande abraço!

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