Genética na agricultura: qual a importância e por que ela vai mudar sua lavoura

Genética na agricultura: qual é o papel na agricultura, os impactos em soja, milho, café e algodão e fique por dentro das vantagens e desvantagens

Novas tecnologias são necessárias para alto rendimento e produtividade agrícola. Buscar inovações para prevenir e tratar doenças, pragas, nematoides e diminuir as consequências das mudanças ambientais é fundamental. 

Para conseguir todos esses objetivos, a presença da genética na agricultura é indispensável. Assim, saber como isso funciona e como aplicar é o primeiro passo para alcançá-los.

Nesse artigo, veja como o melhoramento genético pode influenciar no manejo da lavoura e entenda os impactos nas principais culturas agrícolas. Boa leitura!

Para que serve o melhoramento genético na agricultura?

Inicialmente, o melhoramento genético era feito pela escolha e cruzamento de espécies iguais ou muito parecidas. Porém, isso tornava a obtenção do resultado lenta e com possíveis modificações indesejáveis, já que não era uma técnica totalmente controlada.

Com os estudos direcionados à engenharia genética e à biotecnologia na agricultura, pesquisadores conseguiram modificar o DNA das plantas.

O papel da engenharia genética na agricultura é definir características agronômicas importantes a serem passadas para os seus descendentes.

Tudo isso é feito sem a necessidade de esperar o desenvolvimento da planta para assegurar que os genes foram repassados. Esse processo ocorre principalmente pelas sementes transgênicas.  

Atualmente, 92% da soja, 90% do milho e 47% do algodão cultivados em território nacional são modificados geneticamente. Ainda, vale lembrar que os organismos geneticamente modificados podem ser de primeira, segunda ou terceira geração. 

  • 1ª geração: plantas geneticamente modificadas com características agronômicas desejáveis, como resistência a herbicidas, pragas e vírus;
  • 2ª geração: plantas melhoradas nutricionalmente em quantidade e qualidade;
  • 3ª geração: plantas para a síntese de produtos especiais, como vacinas, hormônios e anticorpos.

Como é a aplicação da genética na agricultura?

Além da transgenia, existem outras técnicas empregadas no melhoramento genético: a seleção genética, a cisgênese, o silenciamento e a edição genética. Confira mais sobre eles a seguir.

Seleção genética

A seleção genética é feita através da seleção de plantas que apresentam características desejáveis. A partir disso, é feito o cruzamento para obter plantas híbridas com essas características.

Cisgênese

Essa técnica faz a transferência de DNA entre organismos compatíveis. É uma prática que acelera o processo natural. Ao invés de realizar diversos cruzamentos entre indivíduos da mesma espécie, apenas é feita a adição do gene necessário.

Silenciamento gênico

Diferente da transgênese e cisgênese, essa técnica “desliga” a função de um determinado gene. As plantas são alteradas para produzirem RNAi (RNA de interferência). Quando ingeridas por pragas ou patógenos, inativam genes fundamentais para sua sobrevivência.

Edição gênica

A edição gênica consiste em retirar e/ou adicionar trechos específicos de DNA. Atualmente, é muito utilizada na cana-de-açúcar, tornando-a mais tolerante à seca.

diagnostico de gestao

Vantagens e desvantagens do melhoramento genético

O melhoramento genético proporciona benefícios ao meio ambiente. Pela resistência ao ataque de pragas, diminui o uso de defensivos agrícolas. Consequentemente, diminui o consumo de água para o preparo dos defensivos e de combustíveis.

Afinal, isso reduz o uso de tratores e máquinas para a aplicação dos produtos. Porém, a utilização de produtos transgênicos pode proporcionar a eliminação de plantas que não foram modificadas geneticamente, devido à seleção natural. 

Além disso, o melhoramento genético pode diminuir espécies benéficas para a cultura utilizada, como abelhas. Em alguns casos, pode causar resistência a determinados defensivos.

Agora, veja mais detalhes sobre a importância da genética na agricultura nas culturas da soja, do milho, do café e do algodão. Confira:

Impactos na soja

Na soja, o melhoramento genético possibilitou melhoria na qualidade dos grãos, aumento do potencial produtivo e adaptação às condições ambientais. Além disso, o melhoramento ajuda na resistência às principais pragas da soja, na tolerância aos herbicidas e à seca.

Impactos no milho

O melhoramento genético no milho aumentou a produtividade e a eficiência na absorção do nitrogênio nas plantas. Além disso, também melhorou a resistência à seca.

Impactos no café

Uma das principais pragas que ataca o café é a broca do cafeeiro. Estudos são realizados por meio do melhoramento genético, para que o cafeeiro possa agir contra esse inseto.

Impactos no algodão

Pesquisas foram realizadas para que o algodoeiro recebesse genes da bactéria Bacillus thuringiensis. Esses genes estão presente na tecnologia Bollgard II RR FLEX™ (registrada pela Bayer), atuando contra as principais lagartas da cultura: 

  • curuquerê-do-algodoeiro (Alabama argillacea)
  • lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella)
  • lagarta-da-maçã (Chloridea virescens)
  • falsa-medideira (Chrysodeixis includens). 

Essa tecnologia flexibiliza o manejo de plantas daninhas do algodão, devido à resistência à aplicação do glifosato.

O uso de produtos transgênicos faz mal à saúde?

Até o momento, não houve relatos sobre consequências negativas para a saúde humana e animal. No Brasil existe a Lei 11.105/05, que regula as atividades com transgênicos, sendo uma das mais rigorosas do mundo.

A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) é o órgão responsável por avaliar cada organismo geneticamente modificado, seguindo as normas estabelecidas pela lei 11.105/05.

Além disso, um transgênico é estudado durante anos antes de chegar à mesa da população, isso para garantir a segurança alimentar e ambiental. Vale ressaltar que esse tempo depende da cultura, mas pode chegar a até 20 anos para ser desenvolvido.

Produtos transgênicos aprovados no Brasil pela CTNBio de 1998 a 2023
Produtos transgênicos aprovados no Brasil pela CTNBio de 1998 a 2023
(Fonte: CropLife Brasil)

Conclusão

Plantas modificadas geneticamente são uma excelente escolha para quem quer aumentar a produtividade da sua lavoura, diminuir custos com defensivos agrícolas e danos ao ambiente. 

Além disso, plantas geneticamente modificadas causam melhorias na qualidade nutricional dos alimentos, como o aumento do teor de vitaminas e proteínas. 

Para que novas tecnologias sejam desenvolvidas, é fundamental o apoio a investimentos em pesquisas. E para garantir o melhor uso de sementes geneticamente modificadas, é necessário buscar ajuda de profissionais da agronomia.

Já sabia sobre genética na agricultura? Aproveite para compartilhar esse artigo com a equipe responsável pela escolha da cultivar da sua lavoura.

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