Lagarta-rosada: veja quais são as características, fases de cultivo em que causa maiores danos, como identificar, estratégias de MIP e mais!
A lagarta-rosada é um inseto-praga que causa diversos danos na cultura do algodão. Quando adulta, a praga é uma mariposa cinza, fina e com asas. Quando está no estádio de larva, possui cor branca e tem oito pares de perna.
Essa larva possui faixas cor-de-rosa pelo corpo, o que dá origem ao seu nome popular. Ainda, ela é super pequena, com apenas meia polegada de comprimento. Conhecer bem suas características é fundamental para evitar que essa praga cause danos no seu algodoeiro.
Neste artigo, veja como identificá-la em diferentes fases de desenvolvimento e como utilizar o Manejo Integrado de Pragas para garantir um bom controle. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
O que é a lagarta-rosada do algodão?
A lagarta rosada também possui outros nomes científicos, como Gelechia gossypiella, Pectinophora Gossypiella e Plateydra gossypiela. No entanto, todos se referem ao mesmo inseto.
A lagarta-rosada pertence à classe Insecta, ordem Lepidoptera e gênero Pectinófora. Ela é uma das principais pragas do algodão, e está distribuída especialmente no hemisfério Sul. No Brasil, ela está presente de forma generalizada, especialmente nos seguintes Estados:
- Alagoas;
- Amazonas;
- Bahia;
- Ceará;
- Espírito Santo;
- Maranhão;
- Mato Grosso;
- Minas Gerais;
- Pará;
- Paraíba;
- Paraná;
- Pernambuco;
- Rio de Janeiro;
- Rio Grande do Norte;
- Santa Catarina;
- São Paulo;
- Sergipe.

(Fonte: Banco de dados global, 2022)
O hospedeiro principal desta praga é a cultura do algodão (Gossypium hirsutum). No entanto, ela pode estar presente em outras espécies de algodão, bem como em plantas como quiabo e hibisco.
Alguns países importantes, como Estados Unidos, tem a lagarta rosada categorizada como praga de quarentena desde 1989. Desde 2018, ela é considerada erradicada no país.
Como identificar a Pectinophora Gossypiella em casa fase
Os ovos da lagarta são branco-esverdeados, e são postos individualmente ou em grupos de 15 ou 20 ovos. Após esse período, os ovos mudam de cor. Após eclodirem os ovos, as lagartas têm tamanho aproximado de 2 mm, e passa por diferentes fases de desenvolvimento:
- Primeira fase: em 3 a 4 dias após a eclosão as lagartas aumentam em tamanho, atingindo 4 mm. A coloração da cabeça da lagarta é amarela com marrom-escuro;
- Segunda fase: as lagartas adquirem coloração branca, aumentando lentamente em tamanho até atingir 6 mm;
- Terceira fase: as lagartas possuem marcações rosa visíveis, que podem ser visualizadas em função do contraste das marcações com a cor creme do restante do corpo;
- Quarta fase: a lagarta adquire coloração rosa, atingindo aproximadamente 9 mm. Nesta fase, alimenta-se dentro do capulho. Após a alimentação da lagarta, ela sai do capulho e cai no solo para dar continuidade ao seu ciclo.
No solo, a lagarta-rosada do algodão responde de forma diferente às condições de temperatura. Isso pode acontecer de duas formas diferentes:
- A lagarta pode dar sequência ao seu ciclo, transformando-se em uma pupa marrom brilhante de 7 mm a 10 mm de comprimento;
- Ir para a diapausa, em que há suspensão do seu desenvolvimento em função das condições ambientais adversas. Isso permite a sobrevivência do inseto.
A duração do ciclo de vida total da lagarta é influenciado pela temperatura, podendo ser entre 21 a 45 dias. Além disso, é importante lembrar que o hábito deste inseto é noturno.
Portanto, as inspeções das áreas de produção devem ser realizadas em períodos que favoreçam maior atividade da praga. Isso facilita a sua visualização e quantificação.

(Fonte: Queiroga, 2017)
Danos causados pela lagarta-rosada do algodão
A lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella) é uma praga que causa danos importantes na cultura do algodão. Ela afeta a produtividade da cultura, mas também a qualidade do algodão produzido. Afinal, a lagarta deposita seus ovos nas maçãs novas do algodoeiro.
Os prejuízos causados são variáveis. Porém, o principal problema encontra-se no seu ciclo de vida. Afinal, essa praga consegue sobreviver mesmo em condições ambientais adversas e sob a palhada ou no solo. Especialmente em plantio direto, seu controle é muito difícil.
Além disso, é bom lembrar que o principal produto do algodão são as fibras e que os danos ocorrem principalmente nos capulhos. Ou seja, há redução da produtividade e da qualidade do algodão, gerando danos duplos.
Relatos de resistência da lagarta já foram documentados em diversos países, especialmente na tecnologia Bt. Também fique de olho nos danos causados nas flores e no capulho do algodoeiro:
- Se o ataque ocorrer no início do florescimento, as flores podem não abrir, tornando-se rosetadas.
- Já nos frutos e logo após a eclosão, a lagarta rosada alimenta-se inclusive das sementes formadas.

(Fonte: Dos Santos, 2006 e Fand et al., 2019)
Fases de cultivo em que causa maior prejuízo e danos
A lagarta-rosada tem chamado atenção nas últimas safras. Embora os problemas possam ocorrer em diferentes fases de desenvolvimento da cultura, a manifestação na lavoura ocorre entre 70 a 100 dias da semeadura. Em outras palavras, no início do florescimento.
No entanto, vale lembrar que o comportamento do inseto pode ser diferenciado a depender do local de produção, da cultivar utilizada e do manejo. Por isso, o monitoramento deve ocorrer em todas as fases de desenvolvimento.
Como controlar a lagarta-rosada-do-algodoeiro com MIP?
O controle eficiente da lagarta-rosada do algodão envolve a junção de diferentes métodos de controle. Isso é feito através do Manejo Integrado de Pragas, que engloba ações como:
- cuidado com a época de semeadura do algodão;
- manejos culturais;
- retirada de maçãs e capulhos caídos ao chão;
- eliminação de restos culturais após a safra;
- controle químico e biológico.
No Agrofit, você pode consultar os defensivos recomendados para o controle da lagarta. No entanto, a escolha do defensivo deve considerar o que menos causa danos aos inimigos naturais.
Quando possível, opte por inseticidas que sejam seletivos aos inimigos naturais. Afinal, a eliminação dos inimigos naturais de pragas pode aumentar a população de uma praga secundária.
Pragas secundárias podem não causar danos econômicos à cultura em um dado momento. Mas ao se tornar primária, também pode reduzir a produção e produtividade do algodoeiro. Confira outras medidas indispensáveis para controlar a lagarta-rosada.
Manejos culturais da Pectinophora Gossypiella
Dos manejos culturais, fazer a semeadura de área de refúgio para evitar a resistência na tecnologia Bt é fundamental. Você também pode usar cultivares de ciclo precoce para evitar exposição prolongada à praga.
Além disso, evite semeaduras precoces. Neste cultivo, os insetos em hibernação podem emergir. Isso aumenta a sua população para quando o cultivo principal for semeado.
Quando a cultura é semeada em época ideal, os insetos que estão sob hibernação emergem e não possuem hospedeiro para continuar o seu ciclo. Isso reduz sua população na área de cultivo, fenômeno denominado “emergência suicida”.
Armadilhas
O monitoramento da população de mariposas e da lagarta-rosada do algodão pode ser realizada também com a instalação de armadilhas. Elas devem possuir feromônio sexual feminino para atrair os insetos.
Manejos químicos e biológicos
Para controlar a lagarta-rosada, o uso de fungos entomopatogênicos pode ser uma ótima solução. Ainda, você pode realizar a liberação de ovos como espécies de Trichogramma.
Essas espécies tornam-se grandes populações de vespas adultas. Siga as instruções do fabricante do produto sobre a quantidade de ovos por hectare. Além disso, em um ano de cultivo, pesquisas indicam a necessidade de liberação de parasitóides até 12 vezes.
Isso deve ser feito com intervalo de até 15 dias a partir do florescimento da cultura. Quando necessário, você também pode utilizar inseticidas com ação ovicida.
Em relação ao manejo químico, a aplicação do produto caulim, na concentração de 60 g L‑1, também é indicada.

Manejos pós-colheita dessas principais pragas do algodão
O controle após a colheita do algodão em locais de armazenamento, galpões, depósitos, esteiras, descaroçadores deve ser realizado. Esses locais servirão como início de uma infestação para a próxima safra.
Para isso, as iscas com feromônios também são uma boa opção.
Qual o nível de controle para a lagarta-rosada do algodoeiro?
Se você cultiva algodão e desconfia (ou já notou) da presença da lagarta-rosada, é necessário ficar de olho no nível de controle ideal. Dessa forma, é possível evitar que sua lavoura sofra grandes danos econômicos.
O controle da lagarta-rosada deve iniciar quando 5% das maçãs do algodoeiro em formação, em uma amostragem de 100 maçãs, apresentarem danos.
Além disso, o monitoramento da lavoura deve ser constante, especialmente no período reprodutivo, fase em que os danos são mais severos.

Conclusão
A lagarta-rosada é uma das principais pragas do algodão, e possui difícil controle por causa da redução da eficiência de inseticidas. Isso é reflexo da ausência da implantação de áreas de refúgio em cultivos Bt e no uso inadequado de inseticidas.
Nesses casos, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) deve ser priorizado, sendo uma ferramenta importante no manejo de resistência. Ainda, diversas opções de controle biológico podem ser encontradas.
Na dúvida em relação a essas medidas de controle, não deixe de buscar o conhecimento de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) sobre melhores estratégias de uso.
Você já percebeu a presença da lagarta-rosada no seu algodoeiro? Tem dificuldades sobre como fazer o manejo? Adoraria ler seu comentário.