As pragas da soja podem acabar com a produtividade da sua lavoura, mas você pode se preparar conhecendo melhor cada uma delas. Veja aqui as 12 principais pragas da soja e como fazer seu manejo.
As pragas agrícolas podem prejudicar muito a produtividade da sua lavoura, podendo até inviabilizar o trabalho de um ano inteiro.
No Brasil, o clima tropical quente e úmido, juntamente com o cultivo de duas ou mais safras no ano, favorece a reprodução das pragas.
Aliado a isso, as pragas têm adquirido a capacidade cada vez maior de atacar um grande número de espécies, podendo, com isso, permanecer presentes nas áreas de cultivo durante todo o ano.
Por isso, o combate às pragas deve se iniciar muito antes da safra, com monitoramento. E, para isso, é indispensável que você conheça quem são elas. Conheça a seguir!
Índice do Conteúdo
- 1 Principais pragas da soja: importância e dicas para combatê-las
- 2 1. Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)
- 3 2. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
- 4 3. Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
- 5 4. Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)
- 6 5. Lagarta falsa-medideira (Rachiplusia nu)
- 7 6. Lagartas broqueadoras de vagens e grãos
- 8 7. Mosca-branca (Bemisia sp.)
- 9 8. Percevejo-castanho (Scaptocoris spp.)
- 10 9. Outros percevejos
- 11 10. Tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus)
- 12 11. Ácaros
- 13 12. Corós
- 14 Conclusão
Principais pragas da soja: importância e dicas para combatê-las
Conhecer as pragas da soja, bem como suas principais características e métodos de controle, é fundamental para se ter altas produtividades.
Dessa maneira conseguimos realizar adequadamente o Manejo Integrado de Pragas (MIP), pelo qual temos melhor controle e equilíbrio do ambiente.
Por meio de monitoramento periódico (uma das bases do MIP), realizamos as pulverizações somente quando necessário, para não haver desperdício.
Confira as principais pragas da soja, que vamos abordar em detalhes a seguir, e veja no gráfico as principais épocas em que elas ocorrem, para orientar seu monitoramento:
- Lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis)
- Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
- Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
- Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)
- Lagarta-falsa-medideira (Rachiplusia nu)
- Lagartas broqueadoras de vagens e grãos
- Mosca-branca (Bemisia spp.)
- Percevejo-castanho (Scaptocoris spp.)
- Outros percevejos
- Tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus)
- Ácaros
- Corós da soja

Para facilitar e otimizar o seu trabalho, o monitoramento da lavoura pode ser realizado com o software agrícola Aegro.
Assim, além de todos os seus pontos georreferenciados, você pode consultar o histórico da sua lavoura nas diferentes culturas plantadas, épocas do ano e pressão por espécie de praga.
Com o Aegro, seus dados ficam seguros e muito mais fáceis de ser visualizados. Os produtores de soja também podem acompanhar as pragas pelo aplicativo e manual de pragas da Embrapa Soja.
Ambos, manual e aplicativo, foram desenvolvidos por pesquisadores da Embrapa e podem auxiliar muito na tomada de decisão e na identificação das pragas que ocorrem na sua lavoura.
Além disso, disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP. Baixe clicando aqui!
Agora que sabemos toda a importância que o conhecimento das pragas representa, vamos entender mais sobre cada uma delas:
1. Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)
A lagarta-da-soja é uma potente desfolhadora da cultura. Inicia o seu ataque no topo da parte aérea das plantas de soja, podendo persistir até a fase de enchimento dos grãos.
Pode apresentar até quatro gerações durante a safra. Seu ciclo biológico dura cerca de 30 dias.
Pode se alimentar de folhas, flores ou até mesmo de vagens. Quando o ataque é muito intenso, as lagartas assumem coloração preta com listras brancas. Essa modificação fisiológica do inseto é causada pela competição por alimento.

Controle da lagarta-da-soja
Seguindo o Manejo Integrado de Pragas na cultura da soja, o controle deve ser realizado conforme estas três situações:
- quando forem encontradas, em média, 20 lagartas grandes (igual ou maior que 1,5 cm) por metro de fileira;
- quando a desfolha atingir 30% antes da floração;
- quando a desfolha atingir 15% tão logo apareçam as primeiras flores.

Defensivos naturais também podem ser utilizados, como a ação do Baculovírus para essa lagarta, vide a imagem acima (Fonte: SOSA-GOMEZ, 1983)
Após ou durante o fechamento das entrelinhas da cultura da soja, os inseticidas reguladores de crescimento constituem uma ótima opção para o controle dessa praga.
Quando materiais (cultivares) de soja com tecnologia Bt forem implantados na área de cultivo, torna-se necessária a implementação de áreas de refúgio em pelo menos 20% da área cultivada com a soja transgênica.
O refúgio é fundamental para o manejo antirresistência, e para prolongar a vida útil e eficiência dos inseticidas no controle da praga.
>> Leia mais: “Lagartas na soja: como identificar e controlar“
2. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
A lagarta-do-cartucho pode ocorrer tanto nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura da soja quanto nos estádios mais avançados, como o reprodutivo.
Ela se alimenta de espécies de mais de 23 famílias de plantas. Apresenta preferência por gramíneas (como milho e arroz), mas pode se alimentar de outras plantas, como soja e algodão, dentre inúmeras outras de interesse agrícola.

Assim, é comum a lagarta estar presente em culturas comumente utilizadas como cobertura, como milheto, aveia, trigo, as quais serão dessecadas para a posterior semeadura da soja.
Controle da lagarta-do-cartucho
O manejo dessa praga da soja começa com a boa dessecação da cultura de cobertura para a produção de palha no Sistema Plantio Direto (SPD).
Além disso, para o controle de Spodoptera frugiperda, não é recomendado aplicar inseticidas na fase de dessecação, mesmo que haja lagartas.
Isso porque a semeadura é realizada cerca de 25 dias após a dessecação, e, na ausência de alimento, as lagartas viram pupas ou morrem.
Assim, se o plantio for realizado logo após a dessecação e for constatada a presença de lagartas, a aplicação de inseticidas se faz necessária.
Isso porque a lagarta-do-cartucho pode afetar o estande inicial da lavoura, “cortando” literalmente as plântulas recém emergidas.
Os inseticidas registrados e recomendados podem ser consultados no Agrofit. Mas é necessário ainda que se conheça a eficiência das moléculas, uma vez que a praga já apresenta resistência a alguns grupos químicos.
3. Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
Também conhecida como broca-do-colo, a lagarta-elasmo se alimenta de diversas espécies de plantas. É tida como uma das pragas iniciais da soja.
Uma mesma lagarta pode atacar até três plantas de soja durante a sua fase larval. Os danos são maiores em condições de alta temperatura e déficit hídrico no solo. Assim, sua presença é menor no Sistema Plantio Direto, devido à conservação de umidade do solo.
Sua época de ocorrência é entre o período da emergência da soja, até 30 a 40 dias do desenvolvimento (estádio V2-V3). Ocorre com maior intensidade na região do Cerrado, em áreas com predominância de solos arenosos.
Controle da lagarta-elasmo
Naturalmente ocorre quando há chuvas bem distribuídas, durante os primeiros 30 dias de desenvolvimento da soja.
O controle químico é menos eficaz, principalmente, por causa da posição em que a praga fica alojada na planta.
É possível fazer o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos em áreas com histórico de ocorrência da praga.
4. Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)
A falsa-medideira é fácil de ser reconhecida, já que ela tem o hábito de se deslocar dobrando o corpo como se estivesse medindo palmos.

Pode causar intensa desfolha na soja, principalmente na fase reprodutiva da cultura. Ocorre na cultura da soja desde as primeiras folhas, podendo persistir até o enchimento dos grãos, sendo favorecidas por períodos de seca.
Embora a falsa-medideira seja facilmente reconhecida, em função do seu comportamento de deslocamento, a diferenciação entre ela e outras lagartas também denominadas falsas-medideiras (como Rachiplusia nu) não é tão fácil assim.
Muitas vezes, a diferenciação pode ser realizada apenas por análise laboratorial; por isso, ficar atento à ocorrência delas na lavoura é fundamental.
Controle da falsa-medideira
É necessário realizar o controle da praga nestas três situações:
- ao se verificar 20 lagartas grandes (igual ou maior que 1,5 cm) por metro de fileira;
- quando a desfolha atingir 30% antes da floração;
- quando a desfolha atingir 15% tão logo apareçam as primeiras flores.
É possível utilizar inseticidas reguladores de crescimento durante a fase de fechamento das fileiras, além do uso de soja transgênica Bt.
>> Leia mais: “Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas”.
5. Lagarta falsa-medideira (Rachiplusia nu)
A lagarta falsa-medideira (R. nu) é assim conhecida porque, além de possuir a mesma cor da falsa-medideira (C. includens), também se movimenta como se estivesse “medindo palmos”.
Essa espécie de lagarta tem ocorrido com maior frequência nas últimas safras, preocupando produtores de norte a sul do país. Possui hábito polífago — ou seja, é capaz de se alimentar de inúmeras espécies de plantas.
Os ovos de R. nu são ovipositados de forma isolada, podendo ser encontrados principalmente na face inferior das folhas, sendo de coloração branco-amarelada.
A fase de lagarta tem duração média de 18 a 21 dias, a depender da temperatura. É nessa fase que os maiores danos ocorrem, principalmente ao passar do desenvolvimento das lagartas. Temperaturas amenas favorecem essa espécie.
As lagartas possuem coloração verde intensa e podem atingir comprimento de 2,7 cm. A fase de pupa desta espécie dura em média 12,7 dias.
Os danos causados pela Rachiplusia nu incluem:
- desfolha;
- aspecto rendilhado dos folíolos, mantendo apenas as nervuras intactas;
- cada lagarta pode consumir um total de 1074 mg, chegando até 100 cm² de folhas.

Controle da lagarta falsa-medideira da soja R. nu
O controle deve ser baseado no monitoramento da lavoura e na escolha dos inseticidas para combater a praga.
Essa lagarta deve ser controlada quando atingir o nível de ação, que, para lagartas, de forma geral, deve ser realizada quando a desfolha for igual ou superior a 30% durante o estádio vegetativo da soja e quando atingir 15% durante o período reprodutivo da soja.
É importante que os inseticidas para controle sejam utilizados no momento correto, quando houver real necessidade, assim evitando a eliminação de insetos benéficos à lavoura.
Áreas de refúgio devem ser utilizadas obrigatoriamente para o manejo antirresistência, a fim de se evitar problemas de resistência aos inseticidas e à tecnologia Bt.

6. Lagartas broqueadoras de vagens e grãos
Estão são as lagartas consideradas broqueadoras de vagens e grãos:
- Complexo de lagartas do gênero Spodoptera:
- S. eridania: são mais ativas no período noturno, e encontradas com maior frequência no terço inferior das plantas;
- S. cosmioides: ataca grande número de hospedeiros;
Ambas as espécies causam desfolha ou destroem as vagens em formação, possuindo importância crescente na região do Cerrado
- Lagarta-da-maçã-do-algodoeiro (Heliothis virescens):
Alimentam-se de vagens da soja e, às vezes, das folhas;
- Broca-pequena-das-vagens (Maruca vitrata):
Essas pragas broqueiam — ou seja, causam danos às vagens, hastes e pecíolos da soja, com maior ocorrência em períodos de seca associados a altas temperaturas;
- Helicoverpa armigera:
Essa lagarta se alimenta principalmente de folhas e hastes da soja, mas tem preferência pelas estruturas reprodutivas (botões florais, vagens e grãos).
Controle das lagartas broqueadoras de vagens e grãos
Para o controle, é recomendável utilizar inseticidas seletivos para o complexo de inimigos naturais das pragas agrícolas. Além disso, o uso de inseticidas deve ser realizado de acordo com os níveis de controle; por isso, a amostragem e o histórico da área são informações muito importantes.
Informações sobre inseticidas recomendados para o controle de cada uma das espécies de lagartas podem ser encontrados no Agrofit, a partir da pesquisa por nome comum da praga ou nome científico.
Consulte sempre um agrônomo para melhor recomendação do produto, de acordo com as necessidades da sua lavoura.
Para o controle de lagartas, ainda de modo geral, é necessário implementar um programa de manejo integrado de pragas (MIP), com a junção de diferentes métodos de controle, principalmente para o manejo antirresistência.
As recomendações para o manejo das principais espécies com relatos de resistência podem ser conferidas diretamente nos materiais disponibilizados pelo Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC).
7. Mosca-branca (Bemisia sp.)
A mosca-branca é um inseto sugador que pode transmitir vírus em plantas leguminosas como a soja.
Além disso, durante a alimentação, esse inseto-praga da soja libera parte da seiva sugada – substâncias açucaradas sobre os tecidos da planta, que favorecem o desenvolvimento de um fungo de coloração escura conhecido como fumagina.
A fumagina por si só não afeta a cultura da soja. Porém, devido ao recobrimento da superfície foliar, pode reduzir a área fotossinteticamente ativa, prejudicando a cultura.
Os danos em soja são causados tanto pelos adultos quanto pelas ninfas, na fase vegetativa ou reprodutiva da cultura.
No entanto, o ataque é predominante na fase de enchimento de grãos, sendo favorecido por períodos de estiagem prolongada associados à ocorrência de altas temperaturas.

Controle da mosca-branca
O controle pode ser feito pela escolha da melhor época de semeadura, eliminação de plantas hospedeiras, rotação de culturas e seleção de inseticidas efetivos.
Ademais, o período de vazio sanitário, utilizado para o controle da ferrugem-asiática, é também uma importante ferramenta de controle para essa praga da soja.
Para a aplicação de inseticidas, é importante entender que moléculas têm apresentado eficiência na região de cultivo, bem como em que fases da mosca-branca elas possuem ação.
O tratamento de sementes com inseticidas também ajuda a reduzir ou retardar o estabelecimento da praga.
8. Percevejo-castanho (Scaptocoris spp.)
O percevejo-castanho é um inseto polífago e de hábito subterrâneo, sendo uma praga que ataca um grande número de plantas hospedeiras.
Sua presença é facilmente reconhecida, devido ao forte cheiro que exala quando o solo é movimentado.
No Brasil, as principais espécies de percevejos-castanhos associadas à cultura da soja incluem são:
- Scaptocoris castanea;
- S. carvalhoi;
- S. buckupi.
O inseto suga a seiva das raízes da soja e pode ser encontrado predominante em solos arenosos.
Desse modo, os sintomas provocados podem ser confundidos com uma deficiência nutricional ou doença, já que destroem as raízes da soja e os nódulos de fixação biológica de nitrogênio, afetando negativamente o estabelecimento do estande, o vigor e o desenvolvimento das plantas.
Os danos têm sido mais frequentes nos estados do Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Controle do percevejo-castanho
O controle do percevejo-castanho é preventivo. Por isso, é necessário fazer o monitoramento dessas pragas por meio de amostragens, antes da instalação da lavoura.
Além disso, a alteração da época de semeadura e a aplicação de inseticidas no sulco de semeadura auxiliam o manejo.
Quanto ao controle biológico, estudos estão sendo realizados para controlar a praga usando fungos entomopatogênicos, como o Metarhizium anisopliae.
9. Outros percevejos
Além do percevejo-castanho, há outros percevejos que podem danificar as vagens ou os grãos da soja em formação. São eles:
- Percevejo-marrom-da-soja (Euschistus heros);
- Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii);
- Percevejo-verde (Nezara viridula).


A época de ocorrência é o período de florescimento e, após a colheita da soja precoce, migram para talhões de soja mais tardia.
Os sintomas são grãos menores, enrugados, chochos e com a cor mais escura que o normal.
Quando o ataque ocorre nos estádios R3 a R4, podem favorecer o abortamento de vagens.
Se o ataque é durante o enchimento da vagem (R5), podem afetar o rendimento da cultura e a qualidade dos grãos ou sementes produzidas.
Além disso, um ataque severo de percevejos na soja pode causar distúrbio fisiológico na planta, causando retenção foliar.
Regiões de ocorrência dos percevejos:
- Percevejo-marrom, percevejo-verde-pequeno e o percevejo-verde: região Centro-Sul do Brasil;
- Percevejo-verde: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
- Percevejo-marrom e o verde-pequeno: Cerrado.
Controle de percevejos
Deve ser iniciado no estádio R3, quando houver dois percevejos por metro para lavouras de grãos e um percevejo por metro para lavouras destinadas a sementes.
O controle biológico pode ser feito das seguintes formas:
- Parasitóides de ovos: Trissolcus basalis;
- Parasitóide de adultos: Hexacladia smithii.
No entanto, os parasitóides são muito sensíveis a inseticidas de amplo espectro de ação. Por isso, tenha atenção quanto aos defensivos escolhidos.
10. Tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus)
As plantas jovens são as mais suscetíveis ao ataque dessa praga, conhecida como bicudo, cascudo ou tamanduá-da-soja.
Controle do Tamanduá-da-soja
Devem ser realizadas amostragens nos talhões em que, na safra anterior e na entressafra, tenham sido observados ataques severos da praga.
A rotação de cultura (por exemplo, com milheto, Crotalaria juncea ou mucuna-preta) é uma boa opção de controle.
Ademais, ao emergir, os adultos podem ser controlados com inseticidas, também sendo possível o tratamento de sementes com fipronil, tiametoxam.
11. Ácaros
Podemos citar quatro ácaros que podem causar danos à cultura de soja:
- Ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
- Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus);
- Ácaro vermelho (Tetranychus ludeni ou Tetranychus desertorum);
- Ácaro-verde (Mononychellus planki)

Os ácaros ficam na parte inferior das folhas e, possivelmente, é necessária uma lupa para vê-los.
No entanto, você pode observar seus sintomas — que, normalmente, são pontuações claras (células mortas) na folha que podem evoluir para manchas. Os sintomas são desuniformes nas plantas e ao longo da lavoura.
No caso do ácaro branco, os sintomas são folhas encarquilhadas, podendo até ser confundido por viroses. Isso ocorre porque esse ácaro ataca as folhas novas, prejudicando o processo de expansão da folha.
Além do mais, o ataque dos ácaros decorre condições climáticas ou algum desequilíbrio.
O desequilíbrio pode ser causado pela aplicação de inseticidas pouco seletivos, que matam também os inimigos naturais dos ácaros.
São exemplos desses inseticidas os piretróides, usados em soja para lagartas e percevejos. Já os neonicotinoides favorecem os ataques por estimular a reprodução dos ácaros.
Quantos às condições climáticas, as estiagens favorecem todos os ácaros citados, exceto o ácaro-branco, que prefere períodos chuvosos.
Além disso, no geral, as infestações ocorrem nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura e, especialmente, após o florescimento das plantas.
O importante aqui é saber identificar o problema e anotar a presença dos ácaros na lavoura, para que isso fique registrado no histórico da área.
Controle de ácaros
Não existe um método adequado para realizar a amostragem dessas pragas da soja, já que há dificuldade em visualizá-los, o que dificulta o manejo.
Muitas vezes, as próprias condições climáticas desfavoráveis já controlam essa praga da soja.
12. Corós
Podemos citar três espécies de corós dessas pragas da soja e suas regiões de ocorrência:
- Coró-da-soja (Liogenys fusca): Goiás e Mato Grosso;
- Coró-da-soja-do-cerrado (Phyllophaga capillata): Distrito Federal, Mato Grosso e Goiás;
- Coró-pequeno-da-soja: Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás;
Os corós se alimentam de raízes da soja e até mesmo nódulos de fixação biológica de nitrogênio.
Por isso, os sintomas são de desenvolvimento lento, amarelecimento, murcha e morte.
Com isso, causam redução na capacidade das plantas de absorver água e nutrientes, podendo ocorrer até 100% de perda da lavoura.
Semeaduras tardias tendem a sofrer maiores danos, uma vez que há predomínio de larvas maiores, que são mais vorazes.
Controle dos corós da soja
É importante fazer amostragens no solo, para identificar as espécies presentes dessas pragas da soja, seu nível populacional e o estádio de desenvolvimento.
Além disso, o monitoramento dessas pragas deve ser feito antes do plantio, já que é recomendado o controle preventivo.
Outro controle preventivo é a alteração da época de semeadura e o preparo do solo com implementos agrícolas adequados. O uso de armadilhas luminosas permite capturar adultos do inseto durante a noite e, assim, também contribuir para reduzir infestações.
Como controle químico, temos a aplicação de inseticidas nas sementes ou no sulco de semeadura da soja.
Conclusão
Aqui vimos as principais pragas da soja, sabendo mais sobre suas características e métodos de controle.
Conseguimos compreender também a época de ocorrência dessas pragas e as condições favoráveis a cada uma delas para que o monitoramento da lavoura seja realizado constantemente.
Agora é possível começar o MIP efetivamente, seja por planilhas ou um software agrícola como o Aegro, que possibilitam um controle mais eficaz e econômico.
>>Leia mais:
“Como controlar a lagarta enroladeira das folhas na sua lavoura“
“Guia completo para o manejo da lagarta-preta“
“Como proteger sua lavoura da lagarta-rosca“
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Atualizado em 07 de junho de 2023 por Bruna Rhorig.
Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.
Importante trabalho na area materias assim é importante para nosso dia de trabalho.
Que bom que gostou Vicentino, fico feliz em poder contribuir com materiais que são úteis para o trabalho.
Top demais e He muito gratificante poder aprender assim..Parabéns
Obrigada David, fico feliz que tenha gostado do artigo!
Muito bom
Muito bom
Gostaria de receber fotos e nomes das pragas só soja pra indentificar melhor