Glufosinato de amônio: nomes comerciais, como e quando usar, quais plantas são tolerantes ao produto e as condições adequadas para aplicação
O uso incorreto de herbicidas pode trazer prejuízos ao produtor. Por isso, algumas informações são importantes para evitar danos irreversíveis à cultura agrícola em uso.
Além disso, ficar por dentro de quais híbridos de milho são tolerantes a esse produto e entender bem o quanto e como aplicar é fundamental.
Nesse artigo, veja como controlar plantas daninhas durante o plantio de milho, com o uso de glufosinato de amônio. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
O que é glufosinato de amônio?
O glufosinato de amônio é um herbicida de contato utilizado no controle de plantas daninhas do milho e de outras culturas. Ele provoca a destruição dos cloroplastos, redução da taxa fotossintética e na produção de aminoácidos das espécies invasoras.
Como consequência, os principais sintomas após a aplicação desse herbicida é a rápida clorose. Após alguns dias, acontece necrose e morte das plantas. Ainda, plantas não tolerantes podem apresentar folhas anormais, com coloração roxa ou redução do tamanho.
Especificamente para o milho safrinha, o glufosinato de amônio se torna uma alternativa para o controle de plantas daninhas. Além disso, pode ser um excelente substituto do paraquat e glifosato, quando se trata do controle da buva.

(Fonte: Geneze sementes)
Como funciona a tolerância ao herbicida?
O glufosinato de amônio pode ser utilizado como dessecante em culturas agrícolas que não são tolerantes a ele. Isso principalmente em plantio direto, antes da emergência da cultura, para proporcionar uma cobertura vegetal importante para o manejo.
Atualmente, pesquisas são realizadas para desenvolver novas tecnologias que apresentem resistência a determinados herbicidas. Alguns milhos híbridos contêm a presença de genes conhecidos como bar e pat, que os tornam tolerantes ao glufosinato de amônio.
Os genes convertem o princípio em uma forma não tóxica, tornando-o inativo. Abaixo, são citados alguns híbridos de milho tolerantes ao ingrediente ativo glufosinato de amônio:
- Herculex (registrado pela Pioneer® e Dow AgroSciences)
- Intrasect (registrado pela Pioneer®)
- Leptra (registrado pela Pioneer®)
- Agrisure TL (registrado pela Syngenta Group Company)
- Agrisure Viptera 2 (registrado pela Syngenta Group Company)
- Agrisure Viptera 3 (registrado pela Syngenta Group Company)
- Power Core (registrado pela Corteva Agriscience)
- Power Core Ultra (registrado pela Corteva Agriscience)
Apesar da existência de milhos tolerantes ao glufosinato de amônio, é fundamental ficar atento à recomendação da dosagem do produto. Alguns sintomas podem ocorrer no milho, como estrias amarelas nas folhas, diminuição do tamanho da planta e deformação das espigas.
Vale lembrar que isso pode acontecer caso haja a aplicação excedente do produto na lavoura.
Quanto e como aplicar esse herbicida?
É muito importante aplicar o herbicida nos estágios iniciais das plantas daninhas. Isso acontece por causa da dificuldade de mobilização do princípio dentro da planta. Além disso, observe o tipo de planta presente na sua propriedade.
Afinal, o tempo de aplicação depende dessa informação, visto que em alguns casos é aplicado no início do perfilhamento. Enquanto isso, em outros casos, pode variar entre a emissão da terceira até sexta folha, dependendo da espécie.
Apesar de abranger ampla diversidade de plantas daninhas, algumas desenvolvem mecanismos de resistência ao glufosinato de amônio. Exemplos disso são o capim pé-de-galinha e o azevém.
Nesses casos, recomenda-se o uso de herbicidas que atuem com outros mecanismos de ação. Agora, veja mais detalhes sobre como aplicar em milho não tolerante e em milho híbrido.
Bula do glufosinato para milho não tolerante
É importante ler a bula de cada produto e seguir a dosagem recomendada. O modo de aplicação pode variar de acordo com a cultura agrícola utilizada, sendo tolerante ou não ao glufosinato de amônio.
Para a aplicação no milho não tolerante, é recomendado usar entre 1,5 L/ha e 2 L/ha do produto, em única aplicação. Ainda, é recomendado aplicar em jato dirigido nas entrelinhas da cultura. Essa medida serve para controlar as seguintes plantas daninhas:
- Capim-colchão;
- Capim-marmelada;
- Picão-preto;
- Amendoim-bravo;
- Trapoeraba;
- Carrapicho-de-carneiro;
- Caruru;
- Guanxuma;
- Corda-de-viola;
- Carrapicho-rasteiro;
- Beldroega;
- Malva-branca.
Vale lembrar que, para o capim-colchão e capim-marmelada, a aplicação deve acontecer no início do perfilhamento. Nas demais culturas citadas, a aplicação deve deve acontecer entre a 4ª e 8ª folha emitida.
Uma maior dosagem é recomendada quando houver maior incidência das gramíneas. Ainda, é recomendado adicionar 0,2% v/v de adjuvante agrícola à base de óleo mineral ou vegetal. Essas recomendações são baseadas na bula do produto Patrol SL.
Para o milho não tolerante, a aplicação deve ser realizada por meio de jato dirigido nas entrelinhas. Assim, isso diminui o risco de contaminar a cultura agrícola e causar sintomas gerados pelo herbicida.

(Fonte: Mais soja)
Bula do glufosinato para milho (transgênico)
Em milho transgênico, as recomendações são diferentes. Para controlar o capim-marmelada e o leiteiro, a dosagem recomendada é entre 1,5 L/ha e 3 L/ha em única aplicação. Para essas culturas, é necessário aplicar em pós-emergência da cultura.
Ainda, é necessário observar sempre o estádio de desenvolvimento das plantas daninhas antes de começar o controle:
- 3 perfilhos: capim-marmelada;
- 6 folhas: leiteiro, corda-de-viola e caruru.
No caso do controle da corda-de-viola, é recomendada a dosagem entre 1,5 L/ha e 3 L/ha, mas em aplicação sequencial. É necessário aplicar em pós-emergência, usando a dose 1,5 L/ha + 1,5 L/ha.
A primeira aplicação deve ser feita quando o milho estiver com 3 ou 4 folhas. A segunda deve ser feita quando o milho estiver com 5 ou 6 folhas. Também é necessário observar o estádio de desenvolvimento das plantas daninhas para começar o controle:
- 2 folhas: leiteiro, corda-de-viola e caruru;
- 3 folhas: capim-marmelada.
Condições adequadas para aplicação do dessecante e herbicida
É necessário aplicar o glufosinato de amônio entre 5 e 6 horas, no mínimo, sem chuva e luz. Temperaturas amenas (20 ºC a 25 ºC) e umidade relativa do ar acima de 50%.
Além disso, o produto tem funcionamento na fase pós-emergência, e não deve ser utilizado na pré-emergência para o controle de plantas daninhas. Por ser um herbicida de contato, é preciso que haja precisão durante a aplicação.
Assim, o produto será eficiente e atingirá diretamente as plantas a serem eliminadas.
Glufosinato de amônio: preço e nomes comerciais
Atualmente, existem alguns produtos à base de glufosinato de amônio no mercado. O preço pode variar de acordo com a região, marca, quantidade adquirida e demanda do mercado. Você pode encontrar o glufosinato de amônio com esses nomes comerciais:
- Glufair, registrado pela Rainbow Defensivos;
- Liberty, registrado pela Bayer;
- Glufosinato Nortox, registrado pela Nortrox;
- Finale, registrado pela Basf S.A;
- Patrol SL, registrado pela Adama;
- Biffo, registrado pela Sumitomo.

Conclusão
O glufosinato de amônio é um excelente herbicida para manejo de plantas daninhas, abrangendo diversas culturas. Em milho não tolerante, deve ser aplicado nas entrelinhas, após a emergência das plantas daninhas.
É fundamental aplicar a dosagem correta do produto. Caso contrário, poderão surgir sintomas por fitotoxicidade, prejudicando a produtividade e rendimento.
Além disso, com dosagens superiores a recomendada, o herbicida pode selecionar plantas resistentes. Em todo caso, procurar assistência técnica de uma pessoa especialista da agronomia é essencial para evitar erros e garantir sucesso no manejo das daninhas.
Já usou o glufosinato de amônio na sua lavoura? Aproveite para compartilhar esse artigo com a equipe responsável pela aplicação de herbicidas na sua fazenda.