Atualizado em 03 de novembro de 2022.
Buva: principais características, época de controle, como realizar o manejo e quais herbicidas utilizar para evitar prejuízos na lavoura
A presença da buva na lavoura é um sinal de alerta. Essa planta invasora se alastra muito rapidamente e interfere no desenvolvimento das espécies cultivadas.
A soja, por exemplo, é uma cultura bastante sensível à presença da buva, pois ela afeta diretamente a produtividade. Entretanto, controlar essa planta daninha não é uma tarefa simples.
Alguns casos de resistência fazem com que muitos herbicidas não sejam eficientes no manejo da buva. Por isso, conhecer a planta e as melhores táticas para controlá-la antes de sofrer grandes danos na lavoura é fundamental.
Neste artigo, saiba qual é o período ideal para controlar a buva e quais os herbicidas mais indicados. Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
O que é buva?
A buva (nome científico Conyza spp.) é uma planta daninha de difícil controle e que está presente nas principais áreas agrícolas do Brasil. Ela é popularmente conhecida por rabo-de-foguete, arranha-gato e voadeira. Há três espécies dessa invasora:
- Conyza canadensis;
- Conyza bonariensis;
- Conyza sumatrensis.
O ciclo da Conyza canadensis pode ser anual ou bienal. Já as espécies Conyza bonariensis e Conyza sumatrensis têm ciclo anual.

(Fonte: Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas)
A propagação dessas espécies de buva ocorre por sementes. Uma única planta tem a capacidade de produzir 200 mil sementes. Elas são facilmente transportadas pela água e pelo vento a longas distâncias.
As sementes da buva são fotoblásticas positivas. Isso quer dizer que elas germinam na presença de luz, quando estão próximas à superfície do solo. Temperaturas próximas a 20°C favorecem a germinação das sementes.
A emergência das sementes de buva pode ocorrer durante todo o ano. Durante o outono e inverno, entre os meses de junho a setembro, a incidência é maior. A época de germinação coincide com o período da entressafra.

(Fonte: Blog da Aegro)
O manejo das plantas daninhas nesse período é de extrema importância. Nesse caso, a buva pode funcionar como “ponte verde”. Ou seja, ela pode ser hospedeira de patógenos e pragas no período da entressafra. Dentre as principais pragas hospedadas pela buva, há:
- ácaro-da-leprose (Brevipalpus phoenicis);
- percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii);
- percevejo-marrom-da-soja (Euschistus heros);
- lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis);
- lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens);
- lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda);
- Helicoverpa armigera.
Resistência da planta buva (Conyza spp.) aos herbicidas
Durante muito tempo, o herbicida glifosato foi a principal molécula utilizada na dessecação de plantas para formação de palhada no sistema de plantio direto. Ainda, a introdução comercial da soja transgênica tolerante a esse princípio ativo aumentou seu uso.
O glifosato era usado como única ferramenta para o controle das plantas invasoras em lavouras de soja RR. Por isso, acabou selecionando populações de buva resistentes a ele.
No Brasil, a primeira ocorrência de plantas de buva resistentes ao glifosato foi registrada em 2005. Hoje, a buva apresenta resistência a diferentes moléculas herbicidas. Abaixo, veja como ocorreu a evolução da resistência da buva aos herbicidas no Brasil:
- Em 2005, a Conyza bonariensis e a Conyza canadensis foram identificadas como resistente ao glifosato;
- Em 2010, a Conyza sumatrensis foi identificada como resistente ao glifosato. No ano seguinte, foi identificada como resistente ao clorimurom;
- Em 2016, a Conyza sumatrensis foi identificada como resiste ao paraquate e ao saflufenacil;
- Em 2017, a Conyza sumatrensis foi identificada como resistente ao diuron e ao herbicida 2,4-D.
Vale lembrar que não é recomendada a utilização de produtos isolados com resistência comprovada. Como você pode observar, atualmente algumas populações de buva possuem resistência a 6 moléculas herbicidas:
- Diuron;
- Clorimurom;
- Glifosato;
- Paraquate;
- Saflufenacil;
- 2,4-D.
Como controlar a buva?
O manejo de plantas daninhas como a buva é um grande desafio na agricultura.
Nesse caso, é importante adotar práticas de manejo integrado. Essas práticas pretendem eliminar as espécies invasoras, mas também podem prevenir o surgimento de novos casos de resistência aos herbicidas.
Veja a seguir algumas técnicas que podem ser adotadas no manejo da buva.
Manejo preventivo
Algumas medidas com o objetivo de evitar que sementes de buva sejam introduzidas e disseminadas na lavoura podem ser adotadas. Confira algumas abaixo:
- Utilizar sementes certificadas;
- Controlar as espécies invasoras presentes nas estradas, carreadores e bordaduras das lavouras. O vento pode transportar as sementes para dentro da área cultivada;
- Realizar a limpeza de máquinas e implementos agrícolas. Isso evita que restos vegetais e torrões de terra contaminados com sementes de plantas daninhas sejam transportados de uma área para outra.
Manejo mecânico
No manejo mecânico da buva, os seguintes métodos podem ser aplicados:
- Capina;
- Roçagem;
- Arranquio;
- Preparo de solo (aração e gradagem). Essa operação promove a incorporação dos restos vegetais e sementes de ervas invasoras;
- Cobertura morta. Atua como barreira física, evitando a passagem de luz o que atrapalha a germinação das sementes de buva.
Manejo cultural
O manejo cultural da buva pode ser realizado pela adoção das seguintes estratégias:
- Plantio de cultivares de rápido crescimento e adaptadas às condições da região;
- Realizar o plantio na época, no espaçamento e na densidade recomendadas;
- Adubação equilibrada;
- Rotação de culturas;
- Culturas de inverno como o trigo, o centeio e a aveia reduzem a população de plantas de buva.
Manejo químico
No manejo químico da buva, é preciso destacar a importância da rotação dos mecanismos herbicidas. Isso evita que novas populações de plantas daninhas apresentem resistência aos produtos disponíveis no mercado.
Depois da aplicação dos herbicidas, é fundamental estar atento às plantas com suspeita de resistência. As plantas de buva sobreviventes devem ser eliminadas (através de capina, arranquio, roçada) para evitar a produção e a disseminação das sementes na lavoura.
Ainda, o emprego do controle químico requer alguns cuidados. É essencial fazer uso dos herbicidas de forma correta, respeitando as orientações quanto à:
- dosagem;
- estádio de desenvolvimento das plantas;
- intervalo de aplicação;
- época;
- modo de aplicação dos produtos.
O manejo da buva deve ser realizado tanto na safra quanto no período de entressafra.
Manejo da buva na entressafra do sistema soja-milho
No caso da buva, atenção especial deve ser dada ao período da entressafra. Como foi dito anteriormente, nessa época a taxa de germinação das sementes é maior.
Diante desse cenário, a entressafra é o período ideal para realizar o manejo da buva. Isso porque existem mais opções de produtos químicos a serem utilizados.
O momento da aplicação dos herbicidas é outro fator muito relevante nesse tipo de manejo. Em geral, plantas jovens são controladas com mais facilidade que plantas mais velhas.
A aplicação de herbicidas nos estádios iniciais de desenvolvimento da buva resulta em menor rebrote das plantas. Isso garante maior sucesso no controle. Fique de olho nos produtos que você for utilizar. Você verá alguns exemplos a seguir.
Herbicidas para matar a buva na entressafra
Confira a seguir alguns princípios ativos utilizados no manejo químico da buva:
- Atrazina + Mesotriona: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência;
- Cloransulam-meptílico: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência;
- Diclosulan: herbicida seletivo aplicado no solo para o controle em pré-emergência;
- Fluroxipir-metílico: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência;
- Glufosinato – sal de amônia: herbicida não seletivo de ação não sistêmica para aplicação em pós-emergência;
- Imazapir: herbicida de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência;
- Sulfentrazona: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pré-emergência;
- Flumioxazina: herbicida seletivo de ação não sistêmica para aplicação em pré e pós-emergência;
- Picloran + 2,4 – D: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência.
Preste atenção ao efeito residual dos herbicidas para que não ocorra fitotoxidez nas plantas cultivadas. Para saber mais sobre os produtos disponíveis com registro no Mapa, consulte o Agrofit.
Conclusão
A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha de difícil controle e que já apresentou resistência a seis moléculas herbicidas. Ela apresenta elevada produção de sementes, facilidade de dispersão e crescimento vigoroso.
O manejo dessa invasora é complexo e deve ser realizado pela adoção de técnicas integradas. O uso racional dos herbicidas é uma importante ferramenta para o controle satisfatório da buva.
Isso também te ajuda a evitar a seleção de plantas resistentes aos produtos químicos. Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar o manejo eficiente da buva na sua lavoura!
>>Leia mais:
“Como fazer um controle eficiente do capim-amargoso”
“Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha“
“Guia para o controle eficiente da trapoeraba“
Como você controla a infestação de buva na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Atualizado em 03 de novembro de 2022 por Tatiza Barcellos.
Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.
Boa informação,Isso é muito bom,agrega valor no meu conhecimento e faz com que eu possa ajudar nesse controle. Parabéns a toda equipe pela atenção.
João,
Ficamos felizes que tenha gostado! Continue acompanhando nossos textos!
Abraço!
porque o manejo da buva na pós-emergência da soja é pouco recomendado, seria apenas pela baixa quantidade de produtos registrados?
Eliézer,
Além da quantidade limitada de produtos que possuem algum controle sobre a buva e podem ser usados em pós-emergência da soja (seletivos), quando realizamos o manejo em pós-emergência podemos ter problemas com efeito guarda chuva (o que dificulta a deposição do produto sobre as plantas) e plantas não manejadas na entressafra possivelmente estarão em estádio avançado de desenvolvimento na pós-emergência da soja o que dificulta muito seu manejo.
Mas como citado no texto o manejo deve ser priorizado na entressafra (tentando resolver o problema na estressafra), porém se sobrarem alguns escapes ou ocorrerem novos fluxos de emêrgencia no meio da soja o manejo em pós-emergência da soja também deve ser realizado.
Espero ter esclarecido sua dúvida! Obrigado pelo comentário!
Diclosulam tem eficiencia no controle de buva perenizada, efetuando a aplicação antes do plantio da soja e em mistura com glifosato 2,4D, ?
Qual a importancia de um controle estratégico da invasora Buva na propriedade para o aumento da produtividade em plantio de soja ?