Manejo de Amaranthus hybridus: Como usar os herbicidas em soja e milho para controlar essa planta daninha.

As espécies de carurus estão presentes em diversas culturas, causando prejuízos quantitativos e qualitativos.

Sempre escutamos que o ideal é realizar o manejo integrado de plantas daninhas e, principalmente, rotacionar os mecanismos de ação dos herbicidas.

Mas essa tarefa nem sempre é das mais fáceis, não é mesmo?

Por isso, no texto de hoje vou mostrar as opções de herbicidas que temos para o manejo de umas das principais espécies de carurus: o Amaranthus hybridus.

Herbicidas registrados para o manejo de Amaranthus hybridus

Temos vários produtos registrados para controlar o A. hybridus. Na tabela abaixo eu os separei para você de acordo com o mecanismo de ação. Veja:

Herbicidas registrados para o manejo de Amaranthus hybridus

Como você pôde observar pela tabela, temos várias opções para manejo do Amaranthus hybridus, com 9 diferentes tipos de mecanismos de ação.

A escolha do herbicida vai depender, primeiramente, de qual cultura você vai semear.

Assim, vamos ver o posicionamento dos herbicidas de acordo com as culturas da soja e do milho.

manejo de Amaranthus hybridus

Caruru (Amaranthus hybridus var. patulus) e caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)
(Fonte: Arquivo da autora)

Manejo de Amaranthus hybridus em soja

Para a soja, os herbicidas registrados são: 

  • 2,4-D
  • clomazone
  • clorimurom
  • dicamba
  • fomesafen
  • glifosato
  • lactofen
  • fomesafen
  • trifluralina
  • sulfentrazone
  • s-metolachlor
  • metribuzin
  • imazamox
  • glufosinato
  • imazetapir

Alguns herbicidas não são seletivos para a soja, por isso, são muito utilizados na dessecação pré-plantio e no manejo das plantas daninhas durante a entressafra. 

Antes do plantio, os herbicidas utilizados na dessecação incluem o glifosato, o 2,4-D e o glufosinato. 

Fazendo a dessecação e plantando no “limpo”, você já estará dando vantagem competitiva para a soja e desfavorecendo as plantas daninhas.

Vamos entender agora como posicionar alguns herbicidas em pré-emergência.

caruru-roxo

Caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)
(Fonte: Arquivo da autora)

Herbicidas pré-emergentes para manejo de Amaranthus hybridus em soja

Sulfentrazone

Quando aplicar: em soja, o sulfentrazone é aplicado em pós-plantio (antes da emergência da soja), em pré-emergência das plantas daninhas. 

Dose: para solos médios e leves a recomendação é de 0,8 L/ha para o controle de A. hybridus.

S-metolachlor 

Quando aplicar: pré-emergência das plantas daninhas, podendo ser aplicado até o estádio de palito de fósforo (com cotilédones fechados).

Dose: 1,5 a 2,0 L/ha.

Trifluralina 

Quando aplicar: pré-emergência ou pré-plantio incorporado.

Dose: em pré-emergência usar de 3,0 a 4,0 L/ha em solo médio e pesado. A maior dose é utilizada em solos com teor de matéria orgânica acima de 5% (Premerlin 600 CE).

Em pré-plantio incorporado, quando a incorporação for normal (10 a 12 cm), usar de 0,9 a 1,2 L/ha em solo leve; 1,2 a 1,5 L/ha em solo médio e 1,5 a 1,8 L/ha em solo pesado  (Premerlin 600 CE).

Já em incorporação superficial (2,0 cm), usar 1,5 a 2,0 L/ha em solo médio e pesado  (Premerlin 600 CE).

Clomazone

Quando aplicar: pode ser usado no sistema plante-aplique. 

Dose: 1,6 L/ha para o manejo de A. hybridus (Gamit).

Lembrando que não é recomendado aplicar clomazone a menos de 800 metros de lavouras de milho, girassol, hortas, pomares, viveiros, casa de vegetação, videiras, jardins e arvoredos.

manejo de Amaranthus hybridus

Caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)

Manejo de Amaranthus hybridus em milho

Para o milho, os herbicidas registrados são: 

  • 2,4-D
  • atrazina
  • mesotrione
  • nicosulfuron
  • glifosato
  • glufosinato
  • s-metolachlor
  • trifluralina

Controle de Amaranthus hybridus em milho com herbicidas em pré-emergência

Atrazina

Quando aplicar: pré-emergência ou pós-emergência precoce. 

Dose: em pós-semeadura usar 3,0 L/ha em solo leve, 5,0 L/ha em solo médio e 6,5 L/ha em solo pesado (Atrazina Nortox 500 SC).

Temos vários produtos registrados, consulte a bula para ver a dose recomendada.

Em geral, pode ser aplicado no sistema 3 em 1, no qual em uma operação se aduba, planta e aplica o herbicida.

S-metolachlor

Quando aplicar: aplicar em pré-emergência da cultura e das plantas daninhas. 

Dose: 1,5 a 1,75 L/ha. 

Pode ser aplicado até na fase de charuto do milho, mas sempre em pré-emergência das plantas daninhas.

Trifluralina

Quando aplicar: pré-emergência.

Dose: para os Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná, usar 3 L/ha em solo leve, 3,5 a 4,0 L/ha em solo médio e 4 L/ha em solo pesado. Semear o milho na profundidade mínima de 5 cm e aplicar em pós-plantio (Premerlin 600 CE).

lavoura de milho com pulverizador

(Fonte: Christoffoleti et al., 2015)

Controle de Amaranthus hybridus em milho com herbicidas em pós-emergência

Nicosulfuron

Já foi muito utilizado no manejo de plantas daninhas no milho, mas o produtor deve possuir alguns conhecimentos prévios para não prejudicar o cultivo.

Quando aplicar: deve ser aplicado na pós-emergência do milho, quando as plantas estiverem com 2 a 6 folhas.

Dose: 1,25 a 1,5 L/ha. A menor dose para plantas daninhas com 2 a 4 folhas e a maior dose para plantas daninhas com 4 a 6 folhas.

No momento da aplicação o milho deverá estar com 2 a 6 folhas (10 cm a 25 cm de altura).

Os híbridos de milho apresentam diferentes padrões de sensibilidade ao nicosulfuron. Assim, é necessário pesquisar sobre a suscetibilidade do híbrido escolhido antes de aplicá-lo.

Além disso, este herbicida não deve ser misturado com inseticidas organo fosforados ou ao 2,4-D. 

Caso ocorra aplicação destes produtos na área ou adubação nitrogenada em cobertura, deve-se respeitar um período mínimo de 7 dias para aplicar o nicosulfuron.

Mesotrione

Alternativa para controle de folhas largas no milho.

Quando aplicar: aplicar de 2 a 3 semanas após semeadura do milho, sobre plantas daninhas em pós-emergência precoce (2 a 4 folhas).

Dose: 0,3 a 0,4 L/ha para o controle de A. hybridus com 2 a 4 folhas.

Lembrando que herbicidas utilizados em pós-emergência geralmente necessitam a adição de adjuvante. Por isso sempre leia a bula com cuidado para verificar qual adjuvante e dose são necessários.

Casos de resistência no Brasil e no mundo

Hoje no Brasil temos casos de Amaranthus hybridus, Amaranthus palmeri, Amaranthus retroflexus e Amaranthus viridis resistentes a herbicidas.

No caso do A. hybridus, o caso de resistência foi relatado no ano de 2018 aos herbicidas chlorimuron e glifosato.

É um caso de resistência múltipla, pois o biótipo de planta daninha é resistente a dois herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

No mundo, são 32 relatos de biótipos A. hybridus resistente a herbicidas. 

Entre os países com casos relatados estão: Argentina, Bolívia, Brasil, EUA, Canadá, França, Israel, Itália, Espanha, África do Sul e Suíça.

Na Argentina, por exemplo, são 5 casos relatados de biótipos de A. hybridus resistentes a herbicidas, dos quais temos:

  • chlorimuron e imazethapyr (1996);
  • glifosato (2013);
  • glifosato e imazethapyr (2014);
  • 2,4-D, dicamba e glifosato (2016);
  • 2,4-D e dicamba (2016).

Conclusão

Temos muitas opções para fazer o manejo de Amaranthus hybridus, seja em pré ou pós-emergência.

Neste texto, você pôde ver o posicionamento de alguns herbicidas para manejar essa planta daninha na cultura da soja e do milho. 

Lembrando que o uso de herbicida é uma ferramenta complementar aos outros manejos que devemos praticar em nossas lavouras.

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Entendendo o herbicida sistêmico e dicas para a eficiência máxima na lavoura

Os 5 melhores aplicativos de identificação de plantas daninhas

Ainda tem dúvidas sobre o manejo de Amaranthus hybridus? Tem outras plantas daninhas causando problemas em sua lavoura? Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas!